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Umbilikal arter kan gazı değerleri ile SpO 2 arasındaki iliĢki

Muitos são os desafios da profissionalização docente. Alguns teóricos discutem a proletarização do trabalho dos professores a partir de uma fundamentação marxista. Neste caso será analisado os estudos revisionistas de Lawn e Ozga (1991) e Fernández Enguita (1991), que apontam a ambigüidade da docência, entre a proletarização e o profissonalismo.

A tese da proletarização do trabalho docente vem sendo criticada por esses teóricos, quando este trabalho é comparado ao realizado na indústria, sem considerar as especificidades de cada profissão.

Em artigo intitulado O trabalho docente: interpretando o processo de trabalho do

ensino, Ozga e Lawn (1991) consideram o processo de profissionalização dos professores

numa perspectiva sócio-histórica. Neste estudo, os autores fazem uma revisão do referencial teórico adotado no artigo intitulado “The Educational Worker? A Reassessment of Teachers” que se fundamentou no conceito de proletarização de Braverman. O artigo foi publicado em 1981, como resultado do trabalho apresentado na Conferência Internacional de Sociologia de Educação de Westhill. Em sua definição para proletarização, os autores afirmam:

(...) é um processo que resulta quando o trabalhador é privado da capacidade para ao mesmo tempo planejar e executar o trabalho, isto é, a separação entre a concepção e execução, e a divisão da execução em partes separadas, controláveis, simples. Este processo desqualifica o trabalhador, e resulta na erosão da autonomia no local de trabalho, na ruptura de relações entre trabalhadores e empregadores, no declínio das habilidades de ofício, e no aumento dos controles administrativos (Ozga e Lawn, 1991, p. 142).

Os autores defendem, portanto, uma análise da profissão docente e da própria proletarização numa perspectiva histórica, mas alertam para que a questão dos interesses de classe não seja abandonada, nem vista numa perspectiva mecanizada:

O estudo do trabalho docente (...) deveria ser histórico, reconhecendo o movimento dos professores, de entrada no ensino e de afastamento dele, e a mudança nas escolas, nas autoridades locais e nas políticas educacionais centrais e locais. A idéia de proletarização como inexorável, levando os professores para uma relação de classe particular, tem que ser desconstruída e reconhecida não apenas como uma questão econômica, mas como uma questão política, e não como inevitável, mas como contestada (Ozga e Lawn, 1991, p. 155).

Já Fernández Enguita (1991), em seu artigo intitulado A ambigüidade da docência:

entre o profissionalismo e a proletarização defende a tese de que os professores, como

categoria, são submetidos a processos de proletarização, porém alerta que este processo não é idêntico às demais categorias trabalhadoras. Devem-se levar em consideração as especificidades de cada processo. Alguns, mais rápidos, outros mais lentos devido às resistências dos grupos organizados. No caso dos professores, o autor define sua situação profissional como ambígua e afirma que “a categoria dos docentes move-se mais ou menos em

um lugar intermediário e contraditório entre os dois pólos da organização do trabalho e da posição do trabalhador, isto é, no lugar das semiprofissões” (Fernández Enguita, 1991, p. 48).

O autor identifica, em sua análise, características da classe professoral que se assemelham com o proletariado. Uma dessas características é a transformação do trabalho autônomo para o de assalariado. Outro fator apontado é a perda crescente da autonomia dos professores, diminuindo drasticamente seu poder de decisão. Além desses fatores, contribuem para a proletarização docente o seu crescimento numérico, o aumento significativo de empresas privadas no setor educacional e os cortes nos gastos públicos, em especial nos setores sociais. O autor destaca que os docentes, como outros trabalhadores assalariados, produzem um sobretrabalho, que no caso do setor privado pode ser denominado de mais- valia. Nas palavras de Fernández Enguita:

Os empresários do ensino privado têm o mesmo interesse que podem ter os fabricantes de salsichas em explorar os seus assalariados, começando pelos professores, ou seja todo o interesse do mundo. Quanto ao setor público como empregador, ainda que seus trabalhadores venham a conseguir melhores condições, para um mesmo trabalho, que os do setor privado, não é menos certo que, no contexto da atual e prolongada crise fiscal do Estado, este tende a limitar seus gastos em salários e os docentes costumam ser uma das categorias de funcionários mais vulneráveis (Fernández Enguita, 1991, p. 49).

Vale destacar que, na Espanha e em muitos países europeus, a situação do professor vinculado ao setor público é mais vantajosa se comparada aos que trabalham no setor privado. No Brasil, apesar de algumas vantagens profissionais que o setor público possui, como por exemplo, a estabilidade profissional, em termos salariais nem sempre é o setor que remunera melhor os professores.

Para Fernández Enguita (1991), o mais importante é “a natureza específica do trabalho docente, que não se presta facilmente à padronização, à fragmentação extrema de tarefas, nem à substituição da atividade humana pela das máquinas – ainda que esta última seja tão cara aos profetas da tecnologia -” (p. 49-50). Há outros fatores considerados relevantes como a) a crescente importância que a sociedade dispensa à educação, b) o nível de formação dos professores equiparar-se ao dos profissionais liberais e c) o setor público conservar grande importância em relação ao privado.

Como se pode observar, há um grande debate entre teóricos que apontam seus estudos para a profissionalização, sendo que a complexidade do papel profissional do professor seria um dos aspectos deste profissionalismo e, por outro lado, teóricos que destacam em suas pesquisas o processo de intensificação e desqualificação do trabalho docente, diminuindo a autonomia do professor e transformando seu trabalho numa rotina incessante. Portanto, o discurso do profissionalismo conduz o professor a se associar à sua própria exploração.

Hargreaves (1998), em seus estudos sobre o trabalho docente, afirma que a intensificação, ligada à desqualificação do trabalho docente, é um problema real e bastante complexo para os professores e sua ação profissional. Porém, não se trata apenas de ceder mais tempo ao professor para desenvolver suas atividades profissionais, embora, reconheça o autor que “o tempo, enquanto antídoto para a intensificação, possa fornecer algumas soluções para os problemas de desenvolvimento e do trabalho dos professores, pode ser igualmente uma fonte de mais problemas.” A questão é, segundo o autor, muito mais complexa, já que o tempo de preparação da ação docente seria apenas uma solução parcial paro o problema real da intensificação do trabalho do professor.

O empenhamento sincero, de natureza profissional e vocacional, existente entre os professores (o qual representa mais do que uma “incapacidade ideológica de reconhecimento”); a natureza cada vez mais complexa da sociedade na idade pós- moderna e as exigências necessariamente mais amplas que esta coloca à educação e aos educadores; as complexidades e as conseqüências não antecipadas das grandes burocracias, e o deslocamento das lutas sobre a intensificação para novos contextos, mesmo depois de já se ter fornecido tempo que possa funcionar como antídoto dessa intensificação: todos esses fenômenos necessitam ser considerados (Hargreaves, 1998, p. 156).

Os desafios da profissionalização docente apontados neste estudo fornecem algumas perspectivas de análise da ação do ATP. As idas e vindas do processo de profissionalização, permeadas pela intensificação e desqualificação de sua atuação profissional são aspectos a serem considerados nesta pesquisa.