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Uluslararası Standartlar

4.MUHASEBE ETİĞİ EĞİTİMİNDE ULUSLARARASI KURULUŞLAR VE STANDARTLAR

4.2. Uluslararası Standartlar

"O capitalismo não se caracteriza simplesmente pela alienação e reificação, mas também pela

maximização da tendência à alienação, a tal ponto que é a existência mesma da humanidade que está agora em jogo."

István Mészáros (2006, p. 228) Certamente, a sociedade como um todo está ficando cada vez mais complexa e vem sofrendo profundas modificações nas suas relações sociais, econômicas e políticas. O aumento dessa complexidade é reflexo de um grande avanço nas diversas áreas do conhecimento humano; do intercâmbio crescente entre as mais diversas formas de

manifestações culturais; das reivindicações de minorias que já não aceitam ficar permanentemente subjugadas ou ser sistematicamente discriminadas; das imensas facilidades de comunicação e deslocamento, etc. No curso do último século e, portanto, depois de Marx, tivemos o desenvolvimento de aviões e automóveis, a descoberta de princípios físicos que pemitiram a transmissão de imagens para longas distâncias, a invenção do computador, dos satélites e tantas outras inovações tecnológicas. Mas tivemos também a entrada da mulher no mercado formal de trabalho, fato este que provocou uma nova visão sobre o papel da mulher, tanto na família, quanto na sociedade como um todo. Todas essas transformações tiveram reflexos profundos nas atividades da classe trabalhadora. Dessa forma, foram surgindo novas funções a serem exercidas pelos trabalhadores, ao passo que outras, já desnecessárias, foram sendo descartadas. E essas novas funções foram se diversificando, na mesma medida da complexidade dos novos tempos.

São de grande importância, nesse contexto, as profundas inovações técnológicas, ocorridas no último século, que foram índice de um avanço sem precedentes, nas diversas áreas do conhecimento humano, proporcionando o aparecimento da informática e dos grandes progressos que houve nas comunicações e nos transportes. Essas transformações, no seu conjunto, permitiram que as pessoas pudessem simplificar muitas de suas tarefas, ganhando tempo para realizarem outras atividades; que pudessem se comunicar e receber informações, praticamente de forma ilimitada, tendo acesso imediato aos acontecimentos de qualquer parte do mundo; que pudessem se deslocar de uma parte do mundo a outra em apenas poucas horas. Permitiram, ainda, a aproximação de diversas formas de manifestações culturais, que são, muitas vezes, extremamente diferentes (o que poderia ser muito positivo, se a sociedade mundial estivesse baseada em princípios de tolerância). Mas, também, deram muito mais agilidade aos movimentos do capital, permitindo o surgimento de uma economia globalizada.

Essa nova fase do capitalismo, caracterizada pela crescente acumulação de riquezas, concentrada em grupos monopolistas93, pela crescente terceirização de serviços, e pelo constante deslocamento do capital para locais onde possa reproduzir-se de forma mais rentável e segura, está provocando o surgimento de novas formas de trabalho, que precisam

93 "Hoje, a unidade econômica típica na sociedade capitalista não é a firma pequena que fabrica uma fração

desprezível de uma produção homogênea, para um mercado anônimo, mas a empresa em grande escala, à qual cabe uma parcela significativa da produção de uma indústria, ou mesmo de várias indústrias, capaz de controlar seus preços, o volume de sua produção e os tipos e volumes de seus investimentos. A unidade econômica típica, em outras palavras, tem os atributos que foram outrora considerados como exclusivos dos monopólios" (Baran e Sweezy, 1966, p. 15-16).

adequar-se, tanto às novas tecnologias, quanto às novas necessidades do capital94. Assim, o

trabalho humano passa a ser determinado por novas exigências econômicas, e mediado por instrumentos tecnológicos cada vez mais avançados. O aparecimento de áreas de trabalho, antes inexistentes, tem feito com que o trabalhador tenha que aperfeiçoar seus conhecimentos, se quiser manter-se empregado. Mas, ao mesmo tempo, a necessidade capitalista de aumentar ou manter os lucros existentes faz que os trabalhos tradicionais, ainda persistentes, sejam executados por trabalhadores cada vez menos qualificados e que se vêem forçados, muitas vezes, a um regime de semi-escravidão. Ainda, é preciso considerar que muitas das modificações, no âmbito do trabalho humano, se devem às diversas lutas emancipatórias promovidas por grupos oprimidos. Dessa forma, por exemplo, a entrada da mulher no mercado de trabalho e os movimentos negros alteraram a composição da classe trabalhadora, bem como ampliaram os contingentes de seres humanos que se juntaram na luta contra a opressão e as imposições do capital.

Assim, no atual estágio do capitalismo, convivem diversas formas e categorias de trabalho, mas, basicamente, se pode dizer estarem os trabalhadores divididos entre os que conhecem as novas tecnologias e fazem uso delas no seu trabalho, e aqueles que não possuem acesso a elas. No caso dos trabalhadores tradicionais, não há dificuldade em aproximá-los daqueles outros trabalhadores, que viviam na época em que Marx fez a sua análise do trabalho alienado. Mas, no caso dos trabalhadores que possuem os novos conhecimentos tecnológicos, e que exercem suas atividades nas mais diversas áreas da economia, essa aproximação não é tão direta. No entanto, isso não quer dizer que ela não possa ser feita.

Quando Marx criticou o regime de opressão e desumanização a que estavam submetidos os trabalhadores de seu tempo, ele o fez estudando as relações de trabalho que se davam num capitalismo eminentemente industrial. Toda a organização e todos os movimentos de expansão do regime capitalista de produção estavam baseados na indústria. Ela era a grande força motriz que permitia a acumulação capitalista e a concentração da riqueza nas mãos dos proprietários dos meios de produção. Portanto, era natural que o proletáriado industrial fosse o centro, a partir do qual o filósofo alemão fez sua crítica do trabalho

94 "O modo pelo qual o capitalismo se globaliza, articulando e rearticulando as mais diversas formas de

organização técnica da produção, envolve ampla transformação na esfera do trabalho, no modo pelo qual o trabalho entra na organização social da vida do indivíduo, da família, do grupo, da classe e da coletividade, em todas as nações e continentes, ilhas e arquipélagos. Visto em perspectiva ampla, o desenvolvimento do capitalismo global tem transformado as condições sociais e técnicas das atividades econômicas, influenciando ou modificando as formas de organização do trabalho em todos os setores do sistema econômico mundial, compreendendo os subsistemas nacionais e regionais. Modificam-se bastante e radicalmente as técnicas produtivas, as formas de organização dos processos produtivos, as condições técnicas, jurídico-políticas e sociais de produção e reprodução das mercadorias, materiais e culturais, reais e imaginárias" (Ianni, 2001, p. 19).

alienado. Entretanto, ao se tentar verificar a atualidade dessa crítica, deve-se ter presentes todas as mudanças ocorridas, desde a sua elaboração, tanto na forma de reprodução do capital, quanto na maneira como o trabalho se apresenta. E as mudanças foram muitas e profundas.

Uma das conseqüências mais marcantes do avanço tecnológico, ocorrido no último século, é que grande parte das atividades presentes no setor industrial, antes exercidas por trabalhadores, hoje são executadas por máquinas. Dessa forma, muitos desses trabalhadores foram deslocados para outros setores da economia, passando a exercer o seu trabalho na área comercial ou na de prestação de serviços95. O desenvolvimento acelerado da informática e das

telecomunicações tem criado novas necessidades de trabalho, bem como propiciado novas formas de realizar antigas atividades. Porém, se, em decorrência desses avanços, o capitalismo globalizado requer, por um lado, trabalhadores altamente especializados, com alta capacidade de assimilação de novas técnicas e conhecimentos, por outro, a despeito desses mesmos avanços, requer trabalhadores com baixíssima especialização, com alta produtividade e que possam produzir riquezas a um custo cada vez mais baixo. Diante desse quadro, cumpre perguntar se, por causa dessas profundas mudanças ocorridas na sociedade, desapareceram as características, apontadas por Marx, as quais indicam que o trabalho, exercido sob o regime capitalista de produção, é alienado em relação ao trabalhador. Mas, também, se deve perguntar se as formas de trabalho, existentes no atual estágio do capitalismo, podem ser consideradas como representativas do trabalho alienado.

Deve-se considerar, pois, que as modificações, ocorridas no seio da sociedade, fizeram que surgissem novas necessidades de trabalho, e que os trabalhadores tivessem que se adequar a esse novo contexto. O trabalho, por causa disso, vem assumindo diversas configurações, que requerem trabalhadores com as mais diversas formações. A partir dessa nova situação, o conjunto dos trabalhadores passa a ser cada vez mais heterogêneo, o que tem por conseqüência a fragmentação dos mesmos em grupos distintos. Essa divisão dos trabalhadores, além de facilitar o domínio do capital sobre o trabalho, cria a falsa idéia de que certos trabalhos – os que requerem conhecimentos mais elevados, ou que são eminentemente intelectuais – poderiam estar livres da alienação96, que é inerente ao sistema capitalista de

95 Outros tantos passaram a engrossar o contingente de trabalhadores que trabalham em regime de subemprego,

em empregos informais ou, simplesmente, enfrentam as agruras do desemprego.

96 "Só há uma correção introduzida pela História no conceito marxista de alienação. Marx acreditava ser a classe

operária a mais alienada; daí a emancipação da alienação ter de começar necessariamente pela libertação dessa classe. Marx não previu até que ponto a alienação chegaria a ser o destino da vasta maioria das pessoas, especialmente do segmento cada vez maior da população que manipula símbolos e homens, em vez de máquinas. Se possível, o empregado de escritório, o comerciário, o diretor de empresa, estão hoje em dia mais alienados ainda que o operário especializado. O funcionamento deste último ainda depende da expressão de certas qualidades pessoais, como habilidade, confiança de que é merecedor, etc., e ele não é obrigado a vender sua

produção. No entanto, se deve observar que todo o trabalho, que esteja integrado no sistema produtivo capitalista, ou contribui diretamente para realizar as finalidades acumulativas e concentradoras do mesmo, ou serve para dar suporte e propiciar as condições para que isso seja feito.

Por isso, todo o trabalho, executado sob os auspícios do capitalismo, é alienado97,

embora nem todo seja explorado. Um profissional autônomo, altamente especializado, e que tivesse uma atuação destacada no mercado de trabalho, poderia, ele mesmo, estabelecer o valor a ser pago pelo seu trabalho. Sendo assim, não se poderia dizer que ele pertence à classe dos trabalhadores que são explorados pelo capitalismo. Entretanto, como todos os outros trabalhadores, ele não trabalha para si mesmo, e o seu trabalho não visa o desenvolvimento das suas capacidades e potencialidades enquanto ser humano, mas, tão-somente, atender às necessidades capitalistas de produção.

Dessa forma, o trabalho vem se complexificando, à medida que acompanha as transformações sofridas pela sociedade. Isso quer dizer que as novas funções de trabalho são diferentes das que existiam na época de Marx. Entretanto, deve dizer-se que o trabalho alienado não está relacionado a uma função específica exercida pelo trabalhador, seja na indústria ou em qualquer outro ramo econômico, e, sim, com a forma como capital e trabalho operam entre si no âmbito do sistema capitalista de produção. Sendo assim, não é pelo fato de novas funções, que requerem muitas vezes uma alta especialização, serem executadas pelos trabalhadores, que as conseqüências do trabalho alienado deixam de existir. Portanto, embora a análise marxiana do trabalho alienado tenha sido feita com base no trabalho industrial de sua época, isso não significa que o trabalho alienado se restrinja a essa esfera da produção econômica de riquezas.

Benzer Belgeler