A fim de cumprirmos a proposta deste estudo, definiremos que a técnica qualitativa a ser utilizada será a entrevista, pois, assim como esclarece Minayo (1994, p. 57), trata-se de um:
[...] procedimento mais usual no trabalho de campo. Através dela, o pesquisador busca obter informes contidos na fala dos atores sociais. Ela não significa uma conversa despretensiosa e neutra, uma vez que se insere como meio de coleta dos fatos relatados pelos atores, enquanto sujeitos-objeto da pesquisa que vivenciam uma determinada realidade que está sendo focalizada. [...].
De acordo com as considerações da autora, a utilização dessa técnica, permite a obtenção de dados objetivos e subjetivos. Através da consulta de fontes secundárias, entre elas censos e estatísticas, é possível obter dados objetivos; já os dados subjetivos estão relacionados aos valores, atitudes e opiniões dos sujeitos entrevistados. Em nossa pesquisa, utilizamos a entrevista semi-estruturada, na qual o entrevistado pôde falar livremente sobre o tema proposto como também responder à perguntas previamente formuladas. Rosa e Arnoldi (2008, p.30-31) definem que as questões em uma entrevista semi-estruturada deverão ser:
[...] formuladas de forma a permitir que o sujeito discorra e verbalize seus pensamentos, tendências e reflexões sobre os temas apresentados. O questionamento é mais profundo e, também, mais subjetivo, levando ambos a um relacionamento recíproco, muitas vezes, de confiabilidade. Frequentemente, elas dizem respeito a uma avaliação de crenças, sentimentos, valores, atitudes, razões e motivos acompanhados de fatos e comportamentos. Exigem que se componha um roteiro de tópicos selecionados. As questões seguem uma formulação flexível, e a sequência e as minúcias ficam por conta do discurso dos sujeitos e da dinâmica que acontece naturalmente.
As entrevistas foram conduzidas pelo pesquisador, no período de fevereiro a abril de 2014, assumindo como referência um roteiro (Apêndice A), composto de itens que buscaram identificar o grau de conhecimento dos entrevistados em relação ao objeto de estudo deste trabalho. As entrevistas foram gravadas com o objetivo de analisarmos, posteriormente, os seus conteúdos, os quais foram transcritos na íintegra, facilitando a identificação dos elementos que compuseram as categorias analisadas.
Antes do início das entrevistas, esclareceu-se a cada participante a garantia do seu anonimato, como também a supressão da identificação dos setores em que atuam, evitando o comprometimento dos dados coletados. As entrevistas duraram, em média, 23 minutos - variando de acordo com as contribuições do entrevistado sobre o tema pesquisado – e foram gravadas em formato digital com a autorização prévia de acordo com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE/Apêndice B), o qual explicita o objetivo da pesquisa e versa sobre a confidencialidade dos dados coletados.
Como orientação das reflexões deste estudo de caso, elegemos o método de análise de conteúdo que, segundo Laville e Dionne (1999, p.214), “consiste em demonstrar a estrutura e os elementos desse conteúdo para esclarecer suas diferentes características e extrair um significado”.
Nessa perspectiva, Minayo (1994, p.74) esclarece que a análise de conteúdo permite “encontrar respostas para as questões formuladas”, permitindo que confirmemos ou não as hipóteses estabelecidas antes do trabalho de investigação.
O método análise conteúdo, nas considerações de Bardin (2011, p.37), consiste em:
[...] um conjunto de técnicas de análise das comunicações. Não se trata de um instrumento, mas de um leque de apetrechos; ou, com maior rigor, será um único instrumento, mas marcado por uma grande disparidade de formas e adaptável a um campo de aplicação muito vasto: as comunicações.
Em nossa pesquisa, a coleta dos dados e das informações de natureza secundária apoiou-se em artigos científicos, livros, dissertações, relatórios, entre outras fontes de informação que versam sobre os assuntos relacionados à pesquisa. Buscamos, com a utilização dessas técnicas, coletar informações que permitissem evidenciar “como” se estabelece a socialização do conhecimento e “porque” é relevante o uso das TIC’s nesse processo. Para o alcance dos objetivos desejados, foram adotados os seguintes instrumentos de pesquisa para coleta de dados:
QUADRO 13 - OBJETIVOS ESPECÍFICOS E INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS
OBJETIVOS ESPECÍFICOS INSTRUMENTOS
Descrever as principais transformações promovidas pelas TIC’s no gerenciamento dos serviços oferecidos pela Biblioteca Central/UFPB.
Bibliográfica e entrevista
Identificar as mudanças ocorridas no acesso à comunicação científica disponível na Biblioteca Central.
Bibliográfica e entrevista Descrever os instrumentos tecnológicos desenvolvidos pelo
IBICT disponibilizados pela Biblioteca Central/UFPB.
Bibliográfica e Documental Relatar a experiência da implantação da BDTD/UFPB/IBICT Bibliográfica e Documental
Nesta pesquisa, assumimos a técnica da análise temática ou categorial que, segundo Bardin (2011),é uma das formas que melhor se adequa às investigações qualitativas. O autor esclarece que três etapas constituem a aplicação dessa técnica de análise, a saber: pré-análise; exploração do material e tratamento dos resultados e interpretação.
De acordo com Bardin (2011, p.125) a pré-análise “possui três missões: a escolha dos documentos a serem submetidos à análise; a formulação das hipóteses e dos objetivos e a elaboração de indicadores que fundamentem a interpretação final”.
Nessa perspectiva, a pré-análise teve início com a realização de uma atividade conhecida como “leitura flutuante”, a qual objetivou gerar impressões iniciais acerca do material a ser analisado Bardin (2011). Na pesquisa aqui apresentada, o “corpus de análise” resultou das informações obtidas por meio de entrevista semi-estruturada.
A formulação da hipótese e do objetivo foi definida a priori, direcionando a pesquisa a investigar se uma biblioteca universitária, ao utilizar as TIC’s no
gerenciamento de suas atividades e nas ferramentas de pesquisa disponibilizadas aos seus usuários, está contribuindo efetivamente na socialização do conhecimento.
Nessa proposta, nosso objetivo é investigar de que forma a Biblioteca
Central da UFPB contribui com a socialização do conhecimento científico ao utilizar as TIC’s e as ferramentas tecnológicas disponibilizadas pelo IBICT no gerenciamento de suas atividades.
Nessa perspectiva, no processo de coleta dos dados, buscou-se compilar as concepções dos entrevistados sobre as seguintes categorias: TIC’s; comunicação científica e instrumentos tecnológicos do IBICT. As categorias de análise foram definidas antes da realização das entrevistas a fim de inserir as unidades de registros (respostas) nas categorias escolhidas e, dessa forma, sistematizar a análise. De acordo com Franco (2012, p. 64), nessa escolha metodológica, “as categorias e seus respectivos indicadores são predeterminados em função da busca a uma resposta específica do investigador”.
Acerca dessa orientação metodológica, Bardin esclarece que a análise por categorias se estabelece a partir de:
[...] operações de desmembramento do texto em unidades, em categorias segundo reagrupamentos analógicos. Entre as diferentes possibilidades de categorização, a investigação dos temas, ou análise temática, é rápida e eficaz na condição de se aplicar a discursos diretos (significações manifestas) e simples. (BARDIN, 2011, p.201)
Como mencionado anteriormente, as categorias de análise e indicadores foram definidas a priori a partir da revisão da literatura e dos documentos consultados. No quadro abaixo, estão relacionadas as categorias e os indicadores delineadas pelo referencial teórico que foram utilizadas na elaboração do roteiro de entrevista.
QUADRO 14 – CATEGORIAS DE ANÁLISE
CATEGORIAS INDICADORES QUESTÕES DO ROTEIRO
DA ENTREVISTA
Tecnologias da Informação e Comunicação
- Espaço virtual (atuação); - Redes Sociais;
- Comunicação (usuários); - Serviços oferecidos;
Questões 1 e 2
Comunicação científica - Acervo físico;
- Acervo eletrônico (uso) - Repositórios institucionais; - Competência informacional33; - Autonomia (pesquisador); Questões 3,4 e 5 Instrumentos Tecnológicos do IBICT
- Importância dos instrumentos (visão dos gestores);
- Socialização do conhecimento (Concepção sobre o tema);
- Socialização do conhecimento (dificuldades).
Questões 6,7 e 8
Fonte: elaborado pela autora (2014)
Definidas, nesses parâmetros, as entrevistas gravadas foram transcritas na íntegra, realizando-se, em seguida, a releitura dos dados e sua sistematização prevista no roteiro. Após essa etapa, desenvolvemos a análise e a interpretação contextual dos dados, bem como a explicitação dos resultados alcançados.