Para responder às questões levantadas e alcançar os objetivos delineados, estabe- leci como ambiente experimental um Curso de Construções Geométricas no Ambiente Virtu- al de Ensino TeleMeios. Elaborei o curso que foi ministrado a um grupo de estudantes e com base nas informações e observações compiladas durante todas as fases da intervenção (plane- jamento, aplicação e avaliação), retirei os dados que embasaram as análises e conclusões a que cheguei sobre as questões propostas. No desenvolvimento do experimento, foi fundamen- tal a participação dos sujeitos, e como pesquisador estive envolvido diretamente em todas as etapas do processo por ter desempenhado a função de professor.
Antecipo, para depois detalhar todos os aspectos do curso, que ele foi desenvolvi- do com características notadamente originais por ter sido aplicado a distância, através de computadores, com compartilhamento total de aplicativos, áudio e imagem.
Metodologicamente, o desenvolvimento deste trabalho se escudou nas bases teóri- cas da pesquisa-ação participativa.
Durante muito tempo, sob forte influência positivista, os meios acadêmicos reco- nheciam como válidas apenas as pesquisas que se desenvolviam seguindo as etapas do méto- do científico. Entre as características mais marcantes desse procedimento, há que se destacar a defesa do maior distanciamento possível entre o pesquisador e o problema analisado, bem como a neutralidade na coleta e tratamento dos dados e posterior publicação de um relatório final onde se privilegiava a descrição do fenômeno e não a atuação sobre ele. Esse modelo, hegemônico até época recente, sem dúvida favoreceu um vertiginoso crescimento da ciência, principalmente das ciências exatas. Ele começou a ser questionado, entretanto, como opção
84 única de estratégia de investigação e, notadamente nas ciências sociais, novos métodos de pesquisa começaram a irromper.
Nas metodologias tradicionais, a pesquisa científica objetiva identificar, analisar e interpretar um determinado problema sem nele interferir. O tratamento das situações é emi- nentemente técnico e teórico. Desde os meados do séc. XX, para a investigação na área edu- cacional, começou a se perceber que esse procedimento era insuficiente, pois se compreendeu que não bastava levantar informações e exibir estatísticas sobre os problemas da Educação; era necessário ir além. A nova proposta sustenta que os sujeitos não deveriam mais ser consi- derados apenas como índices e fornecedores de informações, e que, para o pesquisador, a par de compreender a complexidade da realidade educacional, era imperioso propor opções que visassem a transformar as práticas educativas vigentes. A grande nova é que se começa a i- maginar os sujeitos como coprodutores de conhecimento e que os resultados dos experimen- tos serão propulsores de ações que resultarão em mudanças no comportamento do grupo. Des- sa forma, passa-se a aliar a experimentação com a práxis.
É nesse âmbito que surge a pesquisa-ação. Não se pode nominar exatamente um criador para ela tampouco determinar uma datação precisa para o seu surgimento, mas se cos- tuma situar suas origens em torno dos anos 1950.
Dentre as várias definições que poderia escolher ficarei, inicialmente, com a que emergiu, em 1986, em um evento no Institut National de Recherche Pédagogique, conforme citam Hugon e Seibel (1988 apud BARBIER, 2007, p. 17):
Trata-se de pesquisas nas quais há uma ação deliberada de transformação da realidade; pesquisas que possuem um duplo objetivo: transformar a realidade e produzir conhecimentos relativos a essas transformações.
Progredindo mais ainda no que tange ao envolvimento concreto do pesquisador, avança-se para a pesquisa-ação participativa - uma metodologia que tem como objetivo a elaboração de conhecimentos propositivos e reformadores aliando a teoria à prática. Ela se desenvolve por meio de debates e reflexões entre os diversos participantes dos experimentos, não sendo tarefa exclusiva do pesquisador especialista. Desse modo, a produção dos saberes é de responsabilidade do coletivo, o que favorece a tomada de ações transformadoras com ori- gem nos resultados verificados na pesquisa.
A pesquisa, objeto desse trabalho, visa, inicialmente, observar e analisar os pro- cessos de ensino e aprendizagem, priorizando os aspectos relacionados com a mediação, pe- rante uma nova metodologia de ensino de Matemática que se apoia firmemente nas Tecnolo-
85 das pessoas em múltiplas atividades, no que tange à Educação, não ocorreu a grande revolu- ção anunciada desde os anos 1980. Na realidade, nesse campo, suas aplicações ainda são mui- to incipientes, limitando-se, nas mais das vezes, à produção de trabalhos com editores de tex- to, pesquisas e cópias da internet. Por isso, como é certo que estou trilhando um caminho no- vo, onde as convicções são poucas e a práxis está muito aquém do que se afirma na teoria, pretendo na conclusão deste projeto, propor, mediado por instrumentos tecnológicos e práti- cas metodológicas, opções ao ensino tradicional de matemática que, como apontam todos os indicadores, não obtém resultados satisfatórios.
Assim, embasado na argumentação tecida e reforçando o fato da participação ati- va do pesquisador e dos sujeitos, creio na adequação da opção feita pela pesquisa-ação parti- cipativa como metodologia para o desenvolvimento deste projeto.
Como a minha investigação estava vinculada a uma intervenção (aplicação de um curso de Geometria) para a análise dos dados, preocupei-me em encontrar um apoio teórico para o posicionamento que deveria adotar como professor durante as aulas e uma metodologia consistente para elaborar as sessões didáticas. Privilegiei os dois aspectos por meio da Se-
quência Fedathi e da Engenharia Didática.