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ULUSAL GÜVENLİK HARCAMALARI İLE İLGİLİ İSTİSNA (13/f)

İSTİSNA KAPSAMINA GİRMEYEN MAKİNE TEÇHİZAT

6. ULUSAL GÜVENLİK HARCAMALARI İLE İLGİLİ İSTİSNA (13/f)

A partir das propostas dos autores anteriormente citados, mesclei procedimentos da análise de discurso e análise narrativa, procurando trabalhar os relatos sobre a trajetória de vida das mulheres romeiras de Alagoas, coletadas e produzidas no trabalho de campo. Nesse sentido, planejei o processo de análise em três fases, descritos na figura 33.

Figura 32 – Fases de análise das entrevistas narrativas

Fonte: Arquivos de planejamento da pesquisa

A unitarização faz parte da fase de codificação aberta das entrevistas, consiste na segmentação do texto, conforme explicitado no modelo de Roque Morais. Seguindo esse modelo, a fase de unitarização se subdivide em três etapas – fragmentação e codificação do texto; reescrita de cada unidade e identificação das unidades de análise. Essa parte exige uma leitura atenta do texto narrativo analisado, é o momento de familiarização com a narrativa, sua estruturação e seu enredo. É dessa fase que se extraiem as unidades de análise que indicam as categorias a serem trabalhadas, na fase seguinte. Para tanto, criei um quadro para sintetizar as informações trabalhadas nessa fase, como podemos observar na figura 12.

Figura 33 – Quadro-síntese do processo de unitarização

Fonte: Arquivo de planejamento da pesquisa

Na segunda fase do processo de análise, foi feita a categorização, um trabalho de detalhamento da segmentação dos textos, a partir da codificação seletiva, quando procurei identificar nos textos as temáticas centrais, os aspectos individuais, os pontos semelhantes e divergentes, conforme indicado por Moraes e Galiazzi (2011, p. 73 a 91). Para tanto, o autor

Codificação aberta das entrevistas

Codificação seletiva das entrevistas

Síntese do processo de análise

•processo de unitarização

•processo de categorização •comunicação das

compreensões atingidas.

PROCESSO DE UNITARIZAÇÃO

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sugere que os dados construídos e coletados no processo de pesquisa sejam, após o processo de unitarização, divididos em dois tipos de categorias: (1) categorias “a priori” e (2) categorias emergentes.

As categorias “a priori” são aquelas “traduzidas para a pesquisa, antes da análise propriamente dita” (MORAIS; GALIAZZI, 2011, p. 86); podem ser definidas, a partir do objeto de estudo e problemática da pesquisa, dos objetivos da pesquisa e das teorias e metodologias que fundamentam a pesquisa. Já as categorias emergentes são as “construídas a partir dos dados” (MORAIS; GALIAZZI, 2011, p. 86) extraídos do processo de pesquisa de campo. Essa forma de trabalhar com as categorias do estudo pode ser classificada como modo fechado e modo aberto. Entretanto, de acordo com a proposta de Morais, pode também conjugar as duas formas, constituindo-se num terceiro modo, o misto.

Adotei para essa pesquisa o modo misto, pois este me possibilitou ir da teoria aos dados empíricos, de forma convergente, num processo flexível e aberto. Essa forma me ajudou, também, a trabalhar com os aspectos inusitados do trabalho de campo e com as evidências das singularidades de cada interlocutora.

Busquei, através desse processo, categorizar os dados construídos na pesquisa, de forma a poder organizar um conjunto de informações que permitisse a descrição e interpretação das informações relativas aos fenômenos estudados (MORAIS; GALIAZZI, 2011, p. 90), tendo como norte a questão central da pesquisa: Como os aprendizados sociorreligiosos tornam-se experiências fundadoras e formadoras das identidades e subjetividades das mulheres romeiras, e como essas contribuem para um empoderamento pessoal e coletivo?

A partir das categorias empíricas, identifiquei, no processo de categorização das entrevistas narrativas, duas subcategorias que denominei de categorias gerais, ou seja, aquelas referentes às características plurais/comuns entre as entrevistadas, e as categorias específicas, referentes às singularidades de cada uma. Sintetizei essas informações no quadro descrito na figura 13, com o intuito de facilitar a construção das histórias de vida das mulheres romeiras, elaboradas na terceira fase do processo de análise.

Figura 34 – Quadro síntese do processo de categorização

Fonte: Arquivos de planejamento da pesquisa

Para complementar o processo de categorização sintetizado na figura 35, utilizei, também, um procedimento de categorização que destaca os detalhes do texto analisado, a partir da identificação de materiais indexados e não indexados, conforme Schütze (2010) e (1977), que foram fundamentais para a construção das trajetórias sociorreligiosas das mulheres romeiras, interlocutoras da minha pesquisa.

Dessa forma, na terceira fase, foi realizada a síntese do processo de análise, denominada por Morais de comunicação – conceituação. Essa fase contemplou a construção e comparação das trajetórias, elaboradas a partir do processo de categorização, descrito anteriormente. Para finalizar esse processo, discuti os aspectos plurais das histórias de vida das mulheres romeiras, com a intenção de identificar as trajetórias coletivas. Para a construção textual dessas interpretações, utilizei fontes de informação, conforme descritas na figura 36. Figura 35 – Fontes utilizadas para a construção das histórias de vida das mulheres romeiras de Alagoas.

Fonte: Arquivos de planejamento da pesquisa

O processo de análise ajudou na interpretação das narrativas, quando procurei responder aos seguintes questionamentos:

1. Como as romarias repercutem na constituição de experiências fundadoras e formadoras? 2. Como essas experiências se tornam aprendizados vitais?

Histórias de Vida Fragmentos biográficos Entrevista narrativa Àlbuns autobiográfic os e mandalas de saberes Unidades de

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3. Como os aprendizados vitais contribuem para a formação sociorreligiosa? 4. Como essas experiências formativas favorecem a um empoderamento? 5. Como as romeiras devotas engajadas constroem uma figura pública de si?

Procurei identificar, na narrativa das romeiras, três aspectos da construção biográfica de si, expressos nas perguntas:

• O que me aconteceu?

• O que isto que me aconteceu fez comigo? • O que faço hoje com isto que me aconteceu?

Esses questionamentos possibilitaram interpretar como elas construíram sentidos para as experiências vividas. Nesse sentido, guiaram-me na construção do capítulo 6, referente às experiências fundadoras e formadoras das experiências sociorreligiosas da trajetória das mulheres romeiras, interlocutoras do estudo. Esse capítulo foi organizado, a partir de quatro aspectos marcantes da construção da experiência romeira: tornar-se romeira, ser romeira devota e o fazer-se romeira devota e engajada, a partir da correlação com a condição de ser, estar e permanecer em romaria, representadas na figura 37.

Figura 36 – Categorias de análise da experiência romeira

Fonte: Arquivos de planejamento da pesquisa

As disposições, apresentadas na figura 38, são ilustrações que retratam o modo como me apropriei desses dispositivos metodológicos, para construir as categorias da pesquisa e, consequentemente, as análises e interpretações das produções elaboradas.

Figura 37 – Entrecruzamento das fontes e categorias usadas para a produção das histórias de vidas

Tornar-se Romeira: o chamado da Mãe de Deus

Ser Romeira Devota: o caminhar, rezar e agradecer

Fonte: Arquivos de planejamento da pesquisa.

Dessa forma, o cruzamento das fontes me ajudou a pensar o singular e o plural, na trajetória sociorreligiosa das romeiras, assim como as subjetividades constituintes de suas identidades. A partir desse conjunto de fontes, pude construir as histórias de vida das mulheres romeiras de Alagoas, que apresento a seguir.

Fontes

Entrevistas narrativas Fragmentos biográficos coletados na Reunião das

Três Álbuns autobiográficos Mandalas de saberes Categorias Experiências fundadoras e formadoras da trajetória sociorreligiosa Figuração pública de si Formas de participação e engajamento e imagem de si, pessoas e

situações significativas saberes da experiência

romeira

Produção

Histórias de vida das mulheres romeiras de Alagoas: Lúcia Cabral, Perolina, Quitéria Tota,

Renilda e Quitéria Meyer

5 HISTÓRIAS DE VIDA DAS MULHERES EM ROMARIA À TERRA DA MÃE DAS DORES

Somos romeiras, mulheres de muita fé; Somos filhas de Deus e Maria de Nazaré.

As mulheres romeiras nunca perde a fé; Quando vem ao Juazeiro vão para o Horto a pé.

Vamos seguindo Maria, porque Ela é nossa luz, caminhando com Maria nós chegamos a ti, Jesus. Maria, mulher de fé. É quem vai nos ensinar. A combater o inimigo e a nossa fé aumentar.

Maria, nossa mãezinha, vem conosco caminhar, queremos seguir teus passos até Jesus encontrar. Nossa Senhora das Dores, Mãe do nosso Salvador, Ajude as mulheres romeiras, em qualquer parte que for.

(Trecho do bendito Romeiras mulheres de fé)

LÚCIA PEROLINA QUITERINHA TOTA

Neste capítulo, apresento as histórias de vida das cinco mulheres romeiras de Alagoas, que participaram da pesquisa. Para construir a trajetória romeira dessas mulheres, parto da discussão epistemológica acerva das histórias de vida, no contexto do método biográfico, a partir das obras de Pineau (2006 e 2011), Pineau e Le Grand (2012), Franco Ferrarotti (2014) e Delory-Momberger (2012 e 2014). Depois, trago a discussão sobre as narrativas biográficas, enfocando “a tríplice dimensão da narrativa: como fenômeno (o ato de narrar-se), como método de investigação e como processo de ressignificação do vivido” (ABRAHÃO, 2006, p. 149), em articulação com as temporalidades do vivido. Em seguida, apresento as histórias de vida das romeiras: Lúcia, Perolina, Dona Quitéria Tota, Renilda e Quiterinha Meyer, construídas a partir de diferentes técnicas e fontes: entrevistas narrativas, fragmentos biográficos coletados na Reunião das Três Horas, nos álbuns autobiográficos e nas mandalas de saberes; como demonstrado na figura 38.

Benzer Belgeler