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ULUSAL GÜVENLİK AMAÇLI TESLİM ve HİZMETLER ile İLGİLİ İSTİSNA (13/f)

MEYDANLARININ İNŞASINI YENİLENMESİNİ GENİŞLETİLMESİNİ YAPAN VEYA YAPTIRAN MÜKELLEFLER İLE GENEL BÜTÇELİ İDARELERE BU İŞLERE İLİŞKİN OLARAK YAPILAN

6. ULUSAL GÜVENLİK AMAÇLI TESLİM ve HİZMETLER ile İLGİLİ İSTİSNA (13/f)

Como pontuado na descrição da construção do objeto de estudo, muitos foram os momentos de aproximação com o campo de pesquisa, desde as incursões iniciais, ainda motivadas pelas minhas práticas devocionais, ao me identificar com a religiosidade popular local, em especial as romarias a Juazeiro do Norte, até o surgimento de um interesse investigativo envolvendo essa realidade.

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Inicialmente, me encantei com o cenário da pesquisa que, sem dúvida nenhuma, é instigante. Aos poucos, fui saindo do ponto de deslumbramento para o ponto de questionamento. Imbuída do espírito investigativo, ajustei as lentes de observação e aquietei a efervescência de sentimentos e emoções, que este espaço me causou e causa até hoje, porém não de forma paralisante ou cega, muito pelo contrário, me anima a querer saber sempre mais sobre as forças sociais, culturais e religiosas que atuam nele.

Para conhecer melhor o campo de pesquisa, realizei, inicialmente, observações simples, não estruturadas que, de acordo com Gil (1999, p.112), são adequadas à fase exploratória, pois possibilitam conhecer e/ou identificar os sujeitos do estudo e a descrever o cenário da pesquisa. No decorrer da pesquisa, foi inevitável a vivência da observação participante, enquanto instrumental do trabalho etnográfico, a que me propus realizar, como apoio na construção dos materiais biográficos trabalhados na fase seguinte.

A observação participante é considerada por François Laplantine, em a Descrição Etnográfica, como uma atividade perceptiva no campo de pesquisa, envolvendo um olhar dinâmico e atento, pois é “antes de tudo uma atividade visual” (LAPLANTINE, 2004, p.9), e a escuta, que demanda uma interação necessária entre observador e observados, exige familiaridade, disposição para vivenciar com os interlocutores a dinâmica do cenário estudado. Portanto, esse movimento possibilita a proximidade e o desenvolvimento de interrelações subjetivas. Para que isso ocorra, de forma fluida e reveladora, é preciso que se abandonem preconceitos e posturas impositivas, “numa atitude de ruptura com uma concepção assimétrica da ciência fundada sobre a captação de informações para um observador absoluto, sobrevoando a realidade estudada, mas sem fazer parte dela. Não existe etnografia sem confiança e sem intercâmbio” (LAPLANTINE, 2004, p.9).

Além disso, a observação participante conduz a uma descrição, que é expressa na escrita; assim, “não consiste apenas em ver, mas em fazer ver, ou seja, em escrever o que vemos”. Pressupõe, nessa ação de olhar e escrever, uma relação entre “o visível e o dizível, ou mais exatamente entre o visível e o lisível”, ou seja, “a transformação do olhar em linguagem" (LAPLANTINE, 2004, p.10), no momento de descrever o que foi observado, vivenciado e sentido na experiência de campo; isso desperta o olhar e a sensibilidade do pesquisador; portanto, é um momento de impregnação e aprendizado.

Para Oliveira, R. (2000, p.18), “olhar, ouvir e escrever” constituem as etapas imprescindíveis da pesquisa etnográfica, são instrumentais de apreensão dos fenômenos

estudados e de produção de conhecimento. Na fase exploratória, exerci o mais detidamente a prática do olhar; este se tornou uma via de acesso ao ouvir, momento de sensibilidade, interação e afetação que deu o tom das elaborações biográficas, empreendidas no trabalho de campo, retomado e retrabalhado pela escrita elaborada, a partir do material construído no percurso da pesquisa.

Acrescento, em sintonia com a percepção de Cavalcante (2011, p.27), “uma quarta etapa: o sentir, perpassando todas as etapas, pois estas não se configuram como estáticas e isoladas entre si nem paralisadas, inertes, sem o movimento do fluxo do sentir”, principalmente pela implicação no campo de pesquisa, gerada pelos laços afetivos construídos nesse itinerário. Como, também, pela participação no movimento romeiro, através das atividades organizadas pela Pastoral da Romaria e do próprio processo de identificação com esse cenário sociorreligioso. Nessa perspectiva, o sentir “não fica atrelado somente à busca de interpretar o outro, mas de permanecer inteiro e presente no tempo de descobertas e revelações do outro que, de alguma forma, reverbera em nós”.

Nesse ritmo, fluido e em movimento, deixei-me levar pelo encanto e estranhamento do começo; assim, durante a etapa exploratória, participei mais do que observei, rezei, cantei, e chorei mais do que registrei. Deixei-me implicar no campo, que me seduziu e despertou lembranças de vivências romeiras na infância, mais que isso: despertou em mim memórias ancestrais, difíceis de serem descritas, por fazerem parte dos aspectos imponderáveis do vivido e experienciado, no espaço da pesquisa.

Como não dizer que me impliquei profundamente nesse cenário e com seus personagens? Essa é uma pesquisa implicada, quando as relações estabelecidas entre pesquisadora e interlocutoras mudaram nossas vidas; criou afetos, identificações e estranhamentos. Para Favret-Saada (2005), “ser afetado” é uma modalidade central do trabalho de campo, numa perspectiva qualitativa, pois incide nos aspectos subjetivos das interrelações construídas nesse espaço, principalmente quando é estabelecida uma comunicação involuntária entre pesquisador e interlocutores, como pontuado pela autora.

Ao considerar a noção afeto, no campo de pesquisa, Favret-Saada (2005) chama a atenção para vínculos que podem ser construídos nesses contextos que vão além da empatia, cordialidade e reciprocidade que, muitas vezes, são estabelecidas em pesquisas em que o investigador se envolve profundamente com seus interlocutores e modos de vida, principalmente quando opta por metodologias participativas, como a observação participante,

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a construção das narrativas biográficas e a composição da síntese integradora. Mas ela destaca que a categoria “ser afetado” é mais que empatia, pois gera implicações de ambas as partes.

Assumo essa dimensão, pois não ignorei essa condição, em nenhum momento durante a imersão no trabalho de campo, porém, mesmo afetada, não me perdi nesse emaranhado de fatos, vivências e sentimentos. Pelo contrário, quando percebi que estava afetada e estava afetando pessoas e situações, pude visualizar as tessituras do campo, com mais nitidez, entrega e crédito nas possibilidades criativas e inusitadas dessas interrelações. Isso fez com que meu interesse e opção pela abordagem (auto)biográfica ganhassem sentido empírico, já que a prática estava me proporcionando um entendimento que vai além do que prescreve a teoria.

Para ajudar no processo de olhar as dinâmicas do cenário de pesquisa e as singularidades de seus personagens, utilizei, também, como instrumental de captação da realidade estudada, a fotografia digital e a gravação de áudio e vídeos. As fotografias foram utilizadas, no decorrer do trabalho de campo, desde a fase exploratória até as atividades de finalização da pesquisa. A decisão de utilizar imagens das mulheres romeiras, captadas através de fotografias, deveu-se, em primeiro lugar, à necessidade de conhecer e registrar as diversas manifestações da religiosidade popular, percebidas no espaço das romarias; bem como, em segundo lugar, no âmbito mais específico, à necessidade de extrair do fragmento visual do trabalho de campo as características do sujeito visitado74, pois, como destaca Frehse (2005, p. 186), a fotografia é “testemunho do encontro físico entre o fotógrafo e os sujeitos que este capta visualmente, por meio da câmera”.

Os áudios foram usados como meio de registro das entrevistas focalizadas, dos fragmentos biográficos e das entrevistas-narrativas, realizadas na fase posterior. Essa forma de registro possibilita coletar dados visuais, não captados na fala, pois configuram gestos, atitudes, posturas e comportamentos, característicos da individualidade de cada pessoa. Nesse sentido, as expressões denunciam a importância ou o impacto de um acontecimento, assim como os incômodos ou o prazer de uma lembrança. Utilizei essa ferramenta, na fase de construção das

74Como detalhado no texto Mulheres em romaria na terra da Mãe das Dores, publicado no livro Vidas em

Romaria, organizado por Ercília Maria Braga de Olinda, minha orientadora, e por mim. Nesse texto apresento o que estou denominando de imagem das mulheres romeiras e retoma aqui no que 5 capitulo quando apresento as mulheres romeiras que participaram dessa pesquisa.

entrevistas-narrativas, assim como na fase de conclusão da pesquisa, no encontro da Vivência Biográfica Integrativa/Síntese Integradora.

Esses instrumentais possibilitaram uma aproximação dos sujeitos pesquisados, facilitando o registro de diversas expressões sociorreligiosas, percebidas no espaço da romaria e, mais especificamente, na Reunião das Três Horas. Ajudou, ainda, na descrição da imagem das mulheres romeiras, devotas e engajadas, especialmente no que diz respeito à indumentária usada, aos adereços usados e outros aspectos da aparência externa, que podem caracterizar a estética dessas mulheres. Foi com esses fragmentos visuais que procurei iniciar o desafio de conhecer o “outro”, naquilo que ele traz de específico, ao adentrar o espaço extracotidiano, extraordinário e multifacetado das romarias.

Descobrir a pessoa do outro implica descobrir sua imagem, como destaca Brandão (2005). Procurei, assim, através dessas imagens, os sinais da experiência sociorreligiosa dessas mulheres. Fui encontrando em suas fisionomias, às vezes, cansadas e tristes, às vezes, alegres e vibrantes, e em suas atitudes, diante do sagrado, expressões revestidas de uma aura mística traduzida em gestos, comportamentos e performances próprias da prática romeira engajada.

Adotei esses procedimentos de pesquisa, como meio de documentação audiovisual e por ser uma forma de representação privilegiada da interação sociorreligiosa, estabelecida nesse espaço. Fui, assim, me dando conta da complexidade que envolve essas práticas, da subjetividade de ações repetidas, revividas ou mesmo renovadas entre os que vivenciam essa experiência, assim como fui me deixando tocar por esse cenário.

Esses registros geraram um acervo fotográfico com mais de 5000 mil fotos, que foram organizadas em um arquivo digital, identificadas por ano e por romaria, ou evento acompanhado. O acervo de áudio foi organizado por entrevista realizada, identificando a romeira entrevistada, a data e o local. Esse consta em torno de 20 horas de gravação. Estas foram transcritas e impressas para o procedimento de análise. O acervo videográfico consta de várias filmagens, feitas no espaço da reunião com os romeiros e romeiras, em momentos específicos das romarias, como procissões e visitações aos lugares sagrados, além do registro das entrevistas narrativas e da Vivência Biográfica Integradora.

Analisar esses registros fez-me refletir sobre as formas de expressões sociorreligiosas dessas mulheres, indo além dos estereótipos de devoção e fé, próprios do espaço das romarias. Percebi que havia aspectos subjetivos perpassando suas atitudes e práticas,

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assim como características de engajamento e liderança. Esses aspectos foram revelados e tencionados nas narrativas biográficas, que mostraram as implicações das tessituras entre o coletivo e o individual, na constituição de sua religiosidade.

Portanto, a fase exploratória me ajudou a conhecer o contexto e dinâmica da Reunião das Três Horas, quando percebi a força e o caráter inovador do movimento romeiro, na esfera sociorreligiosa de Juazeiro do Norte. Nesse cenário, a participação dá-se na dimensão social, expressa nas redes de apoio e suporte social, que é gerado pelas ações da Pastoral da Romaria, projetando-se como viabilizadora de enfrentamento, resistência e empoderamento de seus participantes.

Essa mobilização produz um fluxo complexo de pluralidades de engajamentos, aderências e inovações que configuram as transformações ocorridas nas romarias juazeirenses. Dessa perspectiva, vislumbrei os percursos de estruturação e sustentação do movimento social e religioso, estabelecido nesse âmbito, o qual apresenta um potencial de criar uma nova tradição romeira, pautada por processos pedagógicos informais e engajamento social. Perceber a complexidade e diversidade dessa dinâmica levou certo tempo; a cada imersão no campo fui juntando elementos para compreender essa convergência de fatos e forças simbólicas. Vivenciei uma aproximação do campo da pesquisa, de forma intensa e implicada; por meio de identificações e estranhamentos, fui me deixando “ser afetada”, no sentido que Jeanne Favret- Saada (2005) atribui à expressão. Ou seja, fui impactada social e espiritualmente pelo campo e sua multiplicidade de relações intersubjetivas.

Nesse fluxo, fui conhecendo os personagens principais e coadjuvantes desse cenário, o que possibilitou conhecer romeiras de várias localidades, participantes ativas do encontro romeiro; realizei entrevistas focalizadas com muitas delas, além das conversas informais que se deram intensamente, nesse período da pesquisa. Mas, optei por aquelas que demonstraram mais interesse pela pesquisa. A aproximação das romeiras selecionadas deu-se graças ao envolvimento que fomos construindo, a partir das vivências compartilhadas, nos espaços sociorreligiosos das romarias a Juazeiro do Norte. Essas experiências se deram, principalmente, no momento de encontro, partilha e festividade da Reunião das Três Horas, assim como nas celebrações eucarísticas tradicionais desse período, como a Despedida do Chapéu, as procissões e as pausas nos ranchos.

Esse movimento ocorreu, de forma cumulativa, permitindo nos conhecermos mutuamente, construir laços de afetividade e confiança essenciais para a continuidade da

pesquisa, tendo em vista que tanto a pesquisa (auto)biográfica como a observação etnográfica exigem uma parceria no processo de construção de informações e interpretações. Esse processo me ajudou a conhecer suas formas de participação e engajamento sociorreligioso, no encontro romeiro. Percebi que o envolvimento delas nesse espaço expressa uma atuação ativa na programação da Reunião das Três Horas, como representantes de suas localidades, levando e trazendo informações, assim como no encaminhamento de propostas e mobilização do movimento romeiro, tanto em Juazeiro como em seus locais de procedência.

Não pude ignorar esse aspecto: primeiro, porque evidencia as transformações socioculturais e religiosas, explicitadas nas ações de resistência e empoderamento da tradição religiosa popular, na contemporaneidade em Juazeiro; e segundo, porque demonstra características individuais de atuação nesse cenário. Penso que esse aspecto contribui para uma possível tipificação de engajamento no encontro romeiro. Entretanto, não amarrei a pesquisa a esse dado, pretendia apenas tê-lo como um referencial a mais para sondagem da realidade que, sem dúvida nenhuma, ajudou no processo de seleção das interlocutoras do estudo.

Benzer Belgeler