4.3. Tüketim Alışkanlıklarına Yönelik Ankete İlişkin Bulgular ve Yorumlar
4.3.2. Ulaşım Araçlarının Kullanımı Alışkanlıklarına İlişkin Bulgular ve
O orador oficial do clube, em algumas noites, era o responsável por abrir o espetáculo com um discurso ou uma “palestra literária”. Esses eram importantes momentos educativos. Quando da inauguração do Club Dramático Arthur Azevedo, na primeira parte do espetáculo o orador oficial Augusto Viegas proferiu, segundo A Tribuna de 05 de setembro de 1915, uma “belíssima palestra literária (...), discorrendo com acerto e brilho sobre a Arte, nas diversas manifestações”277. Essa palestra pretendia contribuir para formar o gosto do público são- joanense, ou seja, convencê-lo não só sobre qual seria o “bom teatro”, mas, também, sobre a importância das outras artes. Mas, o público se interessava por estes discursos?
Sobre a mesma palestra do “vibrante orador oficial do Clube”, O Zuavo de 02 de setembro relata que teria sido um “esplêndido discurso, verdadeira peça literária que prendeu a atenção da plateia durante 20 minutos”. Diante disto, é possível dizer que os espectadores se envolveram com a exposição. Mas, o que atraiu o público? Teria sido a retórica, ou seja, o efeito produzido do pensamento, por meio da palavra ao demonstrar, refutar, suscitar emoções, majorar ou minorar o valor das coisas278? Haveria prazer na retórica?
Ivo José Dittrich (2008) compreende a Retórica como a teoria da argumentação, a teoria sobre a arte de persuadir. De acordo com o autor, o orador utiliza quatro elementos para persuadir: os argumentos técnicos, a organização discursiva, a expressividade das palavras e um jogo de representações. Os argumentos técnicos estão relacionados com a qualidade
277 A Tribuna de 05 de setembro de 1915. Imagem: Album1(34v)
“racionalizadora” do discurso – que diz respeito à “capacidade de organizar os raciocínios de natureza técnica, objetiva, intelectual” (p.22). A organização discursiva e a expressividade das palavras estão vinculadas à qualidade emotiva do discurso – “capacidade de organizar o discurso para ativar a sensibilidade do interlocutor, que deriva das emoções” (p.22). O jogo de representações confere a qualidade representacional – “capacidade para construir uma imagem de legitimidade e de credibilidade do orador perante o auditório” (p.22). De acordo com Dittrich (2008), o orador atua simultaneamente nas três frentes:
(...) por meio dos argumentos técnicos, procura mostrar que se trata de uma opinião tecnicamente (cognitivamente) verossímil, sustentável; por meio dos argumentos emotivos, apoiando-se em recursos da expressão, objetiva sensibilizar o auditório para angariar seu interesse, procurando mostrar que se trata de uma opinião viável, boa e útil; por meio da argumentação representacional, objetiva constituir seu credenciamento, apresentando-se com legitimidade e com capacidade para emitir a opinião em causa. (p.23)
Dittrich (2008) comenta que o argumento da emoção correlaciona e integra a racionalização com a legitimidade. Ele seria da ordem do prazer e do criar. Dittrich menciona que
As reações de ordem emotiva, sentimental ou de prazer proporcionadas pelas palavras – expressividade – não dependem apenas dos diferentes sentidos que elas evocam; também se originam no inusitado, na musicalidade, na agradabilidade que proporcionam e, em consequência, um discurso impressionará mais ou menos, de acordo com sua capacidade de atingir (e ativar) as paixões do auditório, atraindo seu interesse, prolongando a sua atenção e motivando-o para a adesão. (2008, p.27-28)
Dessa forma, podemos concluir, com base nas ideias do autor, que há prazer na retórica. Um discurso emotivo seria capaz de, por meio dos sentidos das palavras e de sua expressividade, atingir as paixões dos interlocutores. As “palestras” oferecidas pelos amadores revelam a força da declamação nos gestus são-joanenses. A declamação estava presente na encenação dos amadores, como observamos anteriormente, mas também, e apesar das críticas da imprensa, estava no gosto do público. Por meio das declamações e palestras literárias, sensibilidades eram acionadas durante os espetáculos.
Segundo Zumthor (2007) um texto poético é aquele que produz efeitos de prazer. Então, se o discurso do orador envolveu a plateia, podemos dizer que também havia poética naquela fala. Ao considerarmos a teoria de Zumthor, juntamente com as análises de Dittrich,
poderíamos dizer que há poética na retórica e que ela estaria relacionada com a qualidade emotiva do discurso. Mas, Zumthor (2007) acrescenta que a poética se dá unicamente pela performance, portanto, pela situação onde estão presentes corporalmente o ouvinte e o intérprete, uma “presença plena, carregada de poderes sensoriais, simultaneamente, em vigília” (p.68).
O redator d’A Tribuna, de 5 de setembro daquele ano, acrescentou que Augusto Viegas teria colocado em “evidência, mais uma vez, as suas qualidade de orador eloquente, imaginoso e que [maneja] com graça e sobriedade esta língua sonora e [cantante], língua... tão rica e bem dotada como filha primogênita da latina”. Essas qualidades conferidas ao orador, pelo redator d’A Tribuna (antes espectador, ouvinte da palestra), nos dizem, também, sobre o discurso: ao imaginar sua eloquência somos levados a delinear uma capacidade de falar, mas não só, é possível imaginar uma expressividade singular que se dá com determinado uso do corpo e da voz. Ao inferirmos o que seria essa sua capacidade de manejar a língua, sonora e cantante, nos transportamos à performance do orador, que com seu corpo e voz pronunciava as palavras com ritmo e harmonia.
O termo “manejar” nos remete ao gesto, portanto, o manejo da língua sonora e cantante, poderia se referir à habilidade de levar a beleza do verbo, por meio do corpo e da voz, de forma harmônica aos ouvidos do outro, no caso do público. Portanto, ao proferir tal palestra literária, o orador do clube realizou uma performance. Todavia, a performance não pressupõe a poética e é a poética do discurso que envolveria a plateia. O relato de que Augusto Viegas teria prendido a atenção da plateia por 20 minutos279 e os elogios dos redatores dos jornais – A Tribuna e O Zuavo – antes ouvintes da palestra, (que para eles teria sido belíssima, acertada, brilhante, esplêndida, comparável a uma peça literária) nos permitem dizer, que ali existiu uma poética e foi esta poética que envolveu a plateia.
Além dos discursos proferidos no palco, fica-nos evidente que, por meio do jornal publicado pelo clube teatral, os amadores pretendiam formar o gosto do público para apreciar determinada arte dramática. Na apresentação feita pelo clube são-joanense em seu jornal nº 1, é possível observar a crença dos redatores sobre seu papel educativo.
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Vinte minutos pode ser considerado um tempo curto para uma palestra, no entanto, naquela circunstância em que o orador abria um espetáculo teatral, ou seja, ele não era o centro das atenções e expectativas. Considerando as circunstâncias e o público, Augusto Viegas julgou o tempo suficiente. Aqui mais nos interessa o fato de que a palestra, da forma como foi proferida pelo orador, prendeu a atenção da plateia.
TEATRO
S. João del-Rei está atualmente em plena floração de clubes dramáticos e