3. MATERYAL VE METOT
3.3. Ulaşım Ağı Veri Yapısı
Inicialmente, será feita uma breve caracterização dos bolsistas participantes da pesquisa. Para tanto, serão utilizadas informações fornecidas pelos próprios bolsistas no questionário que responderam. Tais informações são: idade, sexo, renda familiar mensal e situação domiciliar, além do turno e natureza administrativa da instituição no qual está ou estava matriculado. Essas informações são importantes para contextualizar a população estudada e dar subsídios à problematização da situação atual do PIBIC no Brasil.
É importante, primeiramente, ressaltar que os alunos bolsistas PIBIC/CNPq representam menos de 0,5% do número total de matriculados na educação superior (que por sua vez, representa apenas 14,5% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos). Nos cursos de Psicologia essa proporção se mantém. Dessa forma, o que se espera nessa seção é entender se esses jovens bolsistas representam a população de matriculados na educação superior no Brasil ou, se ao contrário, compõem um grupo de exceção. Para tanto será usado como referência para comparação os dados do Censo da Educação Superior no Brasil de 2009 e o artigo de autoria de Yamamoto, Falcão e Seixas (2011) intitulado “Quem é o estudante de Psicologia do Brasil?”, que elucida questões relativas
aos dados sociodemográficos dos alunos de Psicologia, fornecidos pelos questionários do ENADE 2006.
Sobre as instituições que têm cota de bolsa PIBIC na área da Psicologia já foi feito um panorama na segunda seção deste trabalho, o que se espera a partir daqui é problematizar as IES dos bolsistas respondentes com base em dois dados: natureza jurídico-administrativa e turno no qual o bolsista está matriculado. Essas informações foram tomadas porque dão subsídios a uma discussão acerca do acesso ao ensino superior e podem ser relacionadas às características sociodemográficas dos alunos respondentes, e então, serão também utilizadas para averiguar se o aluno bolsista PIBIC de Psicologia representa o total de alunos de Psicologia do Brasil.
Tabela 1
Caracterização das instituições de ensino dos participantes
n %
Natureza jurídico-administrativa Pública 69 66,3
Privada 20 19,2 Privada Confessional 15 14,4 Total 104 100,0 Turno Não respondeu 3 2,9 Diurno (integral) 47 45,2 Diurno (matutino) 18 17,3 Diurno (vespertino) 11 10,6 Noturno 18 17,3 Diurno e noturno 7 6,7 Total 104 100,0
A Tabela 1 traz as duas informações requeridas e, segundo ela, 66,3% dos bolsistas estão em instituições públicas. Tal dado corrobora a informação de que no Brasil, as instituições que mais investem em pesquisa são as públicas, majoritariamente as instituições universitárias. Os motivos para essa divisão são diversos: o investimento em pesquisa é caro (bolsas pagas, qualificação dos professores, carga horária dedicada à pesquisa e não apenas sala de aula, investimento em estrutura, entre outros), e geralmente está relacionado às pós-graduações stricto sensu. Além disso, as instituições privadas privilegiam o investimento em áreas que atraem maior número de alunos, como estágios e o retorno em empregos, o investimento em pesquisa não é tão “visível”. A maior parte dos alunos de Psicologia está matriculada em instituições privadas, pode-se constatar isso de acordo com os dados do ENADE 2006 (Yamamoto, Falcão &Seixas, 2011), segundo o qual 83,7% dos alunos de Psicologia frequentam IES da rede privada de ensino, contra 16,3% que estão matriculados na rede pública. De acordo com o Censo da Educação Superior de 2009, existem 502 IES com o curso de Psicologia, dessas, 111 são públicas (22,1%) e 391 são privadas (77,9%). A situação da Psicologia não é diferente da dos demais cursos superiores no Brasil, Yamamoto, Falcão & Seixas (2011), ao discutirem o perfil dos alunos de Psicologia no Brasil, afirmam que “os dados referentes à Psicologia replicam, em linhas gerais, a situação geral do sistema de ensino superior brasileiro” (p.210).
Em relação ao turno, na amostra pesquisada neste trabalho, 45,2% dos alunos estão matriculados no turno diurno integral, mas se somar todas as possibilidades do diurno (integral, apenas matutino e apenas vespertino), totalizam 73%; apenas 17% dos bolsistas são do turno noturno. De acordo com o Censo da educação Superior 2009, das 73.903 vagas oferecidas, 36,6% estão no turno diurno, 56,7% no noturno e 6,7% no integral. O oferecimento de vagas diurnas e noturnas parece estar relacionado à
categoria jurídico-administrativa da instituição, pois segundo Yamamoto, Falcão e Seixas (2011), nas instituições públicas federais as matrículas diurnas representam 70%, enquanto nas privadas 73% dos alunos estão matriculados no turno da noite.
O grande volume de alunos no ensino noturno está diretamente relacionado à questão da ampliação das vagas na educação superior, principalmente voltada para as classes mais baixas, dos alunos que têm a necessidade de trabalhar (Bittar, Almeida & Veloso, 2008).
O que os dados sugerem é que os alunos de Psicologia que têm bolsa PIBIC estão em sua maioria matriculados no turno diurno e em instituições públicas. Contudo, a maior parte dos alunos de Psicologia (bolsistas e não bolsistas) está matriculada em instituições privadas e no turno da noite.
Tabela 2
Caracterização sociodemográfica dos participantes
n % Idade 18 a 20 anos 6 5,8 21 a 23 anos 67 64,4 24 a 26 anos 22 21,2 27 a 29 anos 2 1,9 Acima de 30 anos 7 6,7 Total 104 100 Sexo Feminino 74 71,2 Masculino 30 28,8 Total 104 100
Renda Familiar em Faixas 1 a 3 SM 18 20,2 4 a 6 SM 35 39,3 7 a 9 SM 9 10,1 10 a 12 SM 13 14,6 13 a 15 SM 6 6,7 Mais de 16 SM 8 9 Total 89 100 Não respondeu 15 Total 104 100
Com quem mora
Não respondeu 1 1,0
Pais e/ou com outros familiares 71 68,3
Cônjuge e/ou filho(s) 10 9,6
Com amigos (compartilhando despesas ou
não) 15 14,4
Com colegas, em alojamento universitário 1 1,0
Sozinho(a) 6 5,8
Total 104 100,0
O primeiro dado a ser analisado é a idade. Mais da metade (64,4%) dos bolsistas respondentes tem entre 21 e 23 anos, sendo a média de idade igual a 23,64 anos, o bolsista com menor idade tem 18 e o com maior idade tem 51 anos. Esse dado não se diferencia dos alunos de Psicologia, pois de acordo com os microdados do Censo do Ensino Superior de 2009, 65.040 (52%) alunos têm entre 19 e 24 anos. Em relação
ao número total de matriculados na educação superior no Brasil, metade dos estudantes do ensino superior tinha menos de 24 anos e a média de idade nos cursos presenciais era de 26 anos de acordo com o Censo da Educação Superior de 2010. A média de idade está um pouco abaixo dos alunos do ensino superior como um todo, o que não surpreende, uma vez que para se dedicar ao PIBIC o aluno não pode exercer outras atividades remuneradas. Quanto mais alta a idade, maiores serão as chances de o aluno precisar trabalhar para se sustentar ou ajudar no sustento da família.
Em relação ao sexo dos bolsistas, temos que 71,2 % são do sexo feminino. No ensino superior (ES) como um todo, as mulheres são maioria, representam 57% das matrículas desde 2001. Nos cursos de Psicologia do Brasil, 100.832 dos matriculados são mulheres, o que representa 80,7%. Um olhar displicente para este dado afirmaria apenas que as mulheres são maioria também entre os bolsistas PIBIC na área da Psicologia. No entanto, a análise a ser feita aqui deve comparar esse número com o efetivo total de homens e mulheres nos cursos de Psicologia do Brasil. Pode-se perceber que proporcionalmente há mais homens do que mulheres bolsistas, pois entre os estudantes de psicologia do Brasil há um homem para cada 4,18 mulheres, enquanto entre o universo de bolsistas pesquisados há 2,47 mulheres para cada homem.
Em relação à renda familiar, 59,5% têm até 6 salários mínimos, enquanto 30% ganham 10 ou mais salários. A média da renda familiar do estudante de Psicologia bolsista PIBIC é de 7,6 salários mínimos. Em Psicologia no Brasil, 22,6% dos estudantes têm até três salários como renda familiar mensal, 21,4% mais de três até cinco salários e 71,8% até 10 salários mínimos (Yamamoto, Falcão & Seixas, 2011).
Quanto à moradia, 68,3% moram com os pais e outros familiares; 14,4% com amigos; com cônjuge e/ou filho 9,6%; 5,8% moram sozinhos; e apenas 1% vive em alojamento universitário.
Como se pode constatar, o perfil do aluno bolsista PIBIC não corresponde ao perfil do aluno de Psicologia. Yamamoto, Falcão e Seixas (2011) ao investigarem a questão da elitização dos cursos de Psicologia, utilizaram os dados sociodemográficos do ENADE 2006 para tentar compor, por meio de uma ferramenta estatística, agrupamentos que poderiam elucidar possíveis perfis e/ou trajetórias desses estudantes. Eles chegaram a dois agrupamentos distintos, “que indicam percursos acadêmicos claramente demarcados e divergentes tendo, na base, a seletividade socioeconômica: um, não-elitizado (...) e outro, elitizado (...)” (p. 227). Uma discussão possível é a aproximação com a análise acima. Há indicativos (renda, situação de moradia, natureza jurídica da IES e turno) de que os alunos de Psicologia bolsistas do PIBIC/CNPq seriam alunos do grupo elitizado. Contudo, essa aproximação não pode ser feita de forma categórica, pois não se está lidando com as mesmas variáveis, nem foi feito o mesmo procedimento estatístico.