MCC : 286 MNC : Turkcell :
5.6. UDP Trafikte Topoloji
5.6.9. UDP Trafikte HA ve FA Arası Uzaklık Değişim
O capítulo 20 é formado por três perícopes: Ressurreição de Jesus, Aparição a Maria Madalena e Aparição aos Discípulos.
O nosso objeto de estudo é o texto de Jo 20,1-18.
As edições da Bíblia separam esse texto como duas unidades: 20,1-10 e 20,11-1897. A primeira seção como Ressurreição de Jesus ou O sepulcro vazio; a segunda seção como Aparição a Maria Madalena ou Jesus aparece a Maria Madalena.
A estrutura de João 20,1-18 tem quatro partes. V. 1-2 formam a introdução; a história da corrida dos dois discípulos para o túmulo; há também a aparição para Maria Madalena, essas duas perícopes embora separadas, são relacionadas; v. 11-13 formam a costura entre as duas histórias. Os versículos 1-2 e 11-13 são empregados para trazer unidade e coerência para as duas perícopes separadas. O primeiro verso do capítulo 1 é quase completamente um com a abertura de versos dos sinóticos.98
Segundo Bultmann,99 as duas narrativas estão unidas, mas a ligação não é original. A história de Maria Madalena e a história de Pedro e do Discípulo Amado, se constituem em duas tradições distintas. A segunda história (v. 2-10) pode ter sido encaixada no corpo do texto a partir de uma outra fonte; fruto de trabalho de composição. Ou então, o redator joanino pode ter combinado duas redações distintas: uma sinótica e outra não sinótica. Na narrativa de Maria, a aparição dos anjos no versículo 12 é uma justaposição com a aparição de Jesus no versículo 14. A pergunta de Jesus no versículo 15 é a repetição da pergunta dos anjos do versículo 13. O episódio dos anjos é original na narrativa de Maria. Apesar de os anjos não terem a importância que têm nas narrativas de Marcos e Lucas, onde eles são os mensageiros do anúncio da ressurreição de Jesus. Em João, os anjos aparecem e
97Bíblia de Jerusalém, 2002; Bíblia do Peregrino, 2002; Bíblia de Estudo Almeida, 2006.
98 THOMPSON, Mary R. Mary of Magdala: Apostle and leader. New York and Mahwah, N.J.: Paulist Press,
1995. p. 12-21; 64-65.
desaparecem; é o próprio Jesus quem dá a notícia da sua ressurreição para Maria. O evangelista interrompeu a conclusão original da história de Maria, e no lugar ele pregou a mensagem a ser anunciada nos versículos 14-18. Essa mudança deve-se ao fato de que o evangelista não queria ser influenciado pelos versículos 19-23, ou ele não queria apresentar os discípulos como descrentes.
Já para Brown,100 o relato da visita das mulheres ao sepulcro se concentra nos versículos 1-2 e 11-13 de João. Há duas explicações para esses dois blocos.
Primeira: supõe que João oferece de forma distinta o mesmo relato; os versos 1-2 seriam uma forma mais antiga, que os versículos 11-13 que representariam uma forma posterior. E o grupo das mulheres foi reduzido a uma única personagem: Maria Madalena.
Segunda: o versículo 2 seria um elo criado para facilitar a inserção do relato em que aparece Pedro no sepulcro. Ainda nesse versículo, a palavra oidamen está no plural. Isso explica que no relato original mencionavam-se várias mulheres. Na tradição cristã, a primazia do descobrimento do sepulcro vazio é atribuído às mulheres que seguiam Jesus.
A tradição da aparição a Maria Madalena é antiga. Um argumento a favor é que todos os evangelhos colocam seu nome em primeiro lugar entre as mulheres que seguiam Jesus, sempre que se faz referência a elas. Isto podia ser pelo fato de que ela foi a primeira que viu Jesus Ressuscitado.101
O fato de Maria Madalena ser a primeira testemunha da ressurreição demonstra a importância que ela tinha perante a comunidade joanina e para o próprio Jesus. Defendemos a tese de que as mulheres que seguiam Jesus faziam parte do grupo dos discípulos; que este não era formado só por discípulos masculinos. E que Maria Madalena tinha uma grande influência entre eles e na comunidade.
100 BROWN, Raymond Edward. El Evangelio segun Juan. Madri: Ediciones Cristiandad, 1979. Vol. II. p.
1310-1315.
101 BROWN, Raymond Edward. El Evangelio segun Juan. Madri: Ediciones Cristiandad, 1979. Vol. II. p.
O segundo relato da ida de Pedro e do Discípulo Amado ao túmulo tem também paralelos na tradição. Brown102 aponta o texto de Lucas 24,12 como uma marca dessa antiga tradição. Nele lemos “Pedro, contudo, levantou-se e correu ao túmulo. Inclinando-se, porém, viu apenas os lençóis”. Pedro correndo ao sepulcro vazio se inclinando para ver os lençóis e voltando “maravilhado” seria uma matriz dessa antiga tradição. Quando lemos o texto seguindo o evangelho de Lucas os discípulos de Emaús encontramos em 24,24 o seguinte: “Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas tais como as mulheres haviam dito.”
Isso poderia apontar que a ida de Pedro ao sepulcro teria sido acompanhado de outras pessoas. Ou seja, na construção de uma tradição, a ida de Pedro ao sepulcro pode ter sido associada a esse anúncio de que “alguns dos nossos foram ao sepulcro”(24,24). Brown vai defender que essa tradição é a base do relato da ida de Pedro e do Discípulo Amado ao sepulcro. Vale destacar que em nenhum momento nessas tradições mais antigas encontramos qualquer alusão ao Discípulo Amado como companheiro de Pedro na ida ao sepulcro. Desse modo o relato do Evangelho de João ao citar o Discípulo Amado acompanhando Pedro e sendo aquele que, ao ver os lençóis, crê, necessita ser interpretado como uma ênfase joanina. Desse modo percebemos que duas antigas tradições, a 1ª da ida das mulheres e a 2ª da ida de Pedro ao sepulcro são literariamente conhecidas no Evangelho de João com forte trabalho redacional. A saber, uma redução do grupo de mulheres a Maria Madalena, uma interrupção do relato de Maria Madalena pelo relato da ida de Pedro ao túmulo e finalmente uma inserção do Discípulo Amado na tradição da ida de Pedro ao túmulo.
Com isso percebemos que a nossa perícope tem uma forte marca redacional e todas essas interferências deverão ser objeto de nosso estudo a seguir.
102 BROWN, Raymond Edward. El Evangelio segun Juan. Madri: Ediciones Cristiandad, 1979. Vol. II. p.
3 ANÁLISE LITERÁRIA DA PERÍCOPE