DALIŞ BİLGİSAYARI SATIH ÖZELLİKLERİ VE ÇALIŞMA MODLARI
U GRUBU AYARLARI (SET U-UTILITIES) U Ayarları Sıralaması:
Ao coletarmos os dados, atentamos para o fato de que as mensagens que circulam na CVL são, basicamente, de dois tipos: as de caráter mais informacional (avisos, textos de divulgação de eventos etc.) e as de cunho mais argumentativo (comentários opinativos sobre temas polêmicos). Selecionamos para fazerem parte do corpus que organizamos apenas textos que se enquadram no segundo tipo. São mensagens veiculadas “em cadeia”, as quais, por um dado período de tempo, serviram à troca de idéias em torno de uma mesma temática.
Ao selecionarmos esse tipo de mensagens, atentamos para o que afirma Mondada (1999), referindo-se ao funcionamento dos fóruns e das listas de discussão. Para a autora, o enunciador, nesses ambientes, “põe em cena” o discurso do outro para interpretá-lo e, ao fazer isso, “constrói um espaço de intersubjetividade”, que será sucessivamente modificado por novos interlocutores (p. 3). Sob esse critério, que objetivou garantir a responsividade do discurso, reunimos grupos de mensagens tratando dos seguintes temas: COTAS PARA
ESTUDANTES NEGROS, ENSINO DE LÍNGUA, PRECONCEITO LINGÜÍSTICO, ESTRANGEIRISMO, PUBLICIDADE e O STATUS DA FILOLOGIA, alguns dos quais renderam um grande número de mensagens. A discussão sobre cotas, por exemplo, produziu 60 mensagens120.
Na coleta, as mensagens de cada série temática foram, de início, enviadas para uma pasta. Em seguida foram abertas, copiadas em um documento do Word e, finalmente, organizadas por ordem cronológica, dentro de cada bloco temático.
Essa idéia de dispor os textos em um documento do Word surgiu como uma tentativa de visualizar a seqüência em que as réplicas haviam acontecido e, a partir daí, recuperar o “diálogo” entre os autores das diversas mensagens. Quando comparamos o funcionamento da lista de discussão com o dos fóruns ou o dos chats, por exemplo, vemos que, nestes dois últimos casos, há uma página em que as diversas “falas” ficam expostas. Em alguns tipos de fóruns, que apresentam uma configuração arbórea, o leitor, ao acessar uma única página, toma conhecimento do conteúdo dos comentários, da ordem cronológica em que estes foram produzidos, assim como de quem interagiu com quem. Já nas listas como a CVL, esse fluxo não é tão visível, uma vez que a participação se faz por meio de e-mails, mensagens autônomas (do ponto de vista da configuração), que precisam ser abertas uma por uma. A leitura de cada nova mensagem que chega depende, então, de que o leitor, ao verificar sua correspondência, atente para o título e resolva abri-la. Considerando essa não-linearidade do discurso, podemos dizer que a lista funciona como um hipertexto121. Em função dessas peculiaridades, a nova formatação dada às seqüências de mensagens pareceu-nos de
120 Vale esclarecer que esse número se refere à soma das mensagens que lemos, sobre o tema, em nossa caixa de
correspondência. Há possibilidade de ele não corresponder exatamente ao somatório das mensagens sobre o tema que de fato circularam na CVL, isto é, esse número pode ser maior. Não descartamos, por exemplo, a hipótese de alguma ter sido apagada involuntariamente.
121 Koch (2002, p. 63) vê o termo hipertexto designando “uma escritura não seqüencial e não-linear, que se
ramifica e permite ao leitor virtual o acessamento praticamente ilimitado de outros textos, a partir de escolhas locais e sucessivas em tempo real”. Já Xavier distingue entre os textos que “oferecem caminhos alternativos” que podem levar a uma leitura não-linear (como seria o caso das notas de rodapé) e o discurso que tem a “deslinearização” e a “ausência de foco dominante de leitura como regras constitutivas. Segundo o autor, este último tipo seria o verdadeiro hipertexto (2004, p. 175, grifos do autor). A nosso ver, a lista se enquadraria no primeiro grupo, isto é, no grupo dos hipertextos mais “acidentais”.
fundamental importância para a compreensão do discurso, principalmente quando se trata de uma leitura a posteriori122.
As variáveis dia, hora e minuto, assim como outras informações que aparecem no cabeçalho dos e-mails – remetente, destinatário e assunto (subject) – revelaram-se necessárias à compreensão das mensagens. Em alguns casos, como veremos mais adiante, são praticamente esses elementos “externos” (não a materialidade lingüística do texto em si) que possibilitam a interpretação coerente do discurso. Em razão disso, mantivemos junto a cada mensagem o cabeçalho, que é gerado automaticamente pelo programa de e-mails. Para evitar a identificação dos usuários, apagamos os nomes dos remetentes e dos destinatários, conservando apenas as iniciais.
Além do cabeçalho, mantivemos, no caso das réplicas, a(s) mensagem(s) anterior(es), anexada(s), também de forma automática, pelo programa de e-mails. Esse procedimento, em alguns casos, foi o que nos permitiu recuperar a seqüência de “turnos” e, assim, perceber a continuidade do discurso. As mensagens (acompanhadas de seus anexos originais) estão numerada por ordem cronológica, dentro do bloco temático, separadas entre si por quebras de página. Para tornar mais compreensível essa forma de organização que elegemos, apresentamos no Apêndice o bloco temático ESTRANGEIRISMOS, composto por 9 mensagens. Essa seqüência constitui uma amostra dos procedimentos que adotamos em todo o
corpus.
Durante a organização dos dados, surgiu uma dúvida quanto ao que poderíamos considerar unidades textuais. O fato de algumas mensagens se assemelharem aos turnos conversacionais levou-nos a refletir sobre os limites da materialidade gráfica dos textos. Dada a interdependência entre as mensagens, a pergunta era até que ponto seria válido tratar cada e-
mail como um texto. Para resolver essa questão, recorremos à noção bakhtiniana de
122 Apesar de a pesquisa nos exigir esse tipo de leitura, isto é, o olhar para os dados como um produto já
distanciado da situação enunciativa, participamos, como membro da CVL, do processo discursivo que se desenvolveu durante a troca de e-mails. As mensagens foram colhidas da nossa própria caixa de correspondência, não da página da lista na Web. Embora nossa participação tenha sido no papel de leitora, não no de autora, vivemos a experiência “de estar dentro do processo”, concordando com ou discordando dos argumentos que eram apresentados.
enunciado. Segundo Bakhtin “As fronteiras do enunciado concreto, compreendido como uma unidade da comunicação verbal, são determinadas pela alternância dos sujeitos falantes, ou seja, pela alternância dos locutores” (2000a, p. 293-294, grifo do autor). Uma vez que, no ambiente da lista, essa alternância é marcada pela troca de mensagens, podemos dizer que cada mensagem constitui um enunciado. E, tendo em vista que, de acordo ainda com Bakhtin, o texto corresponde ao “enunciado na comunicação verbal” (2000b, p. 331), concluímos que as mensagens poderiam ser tidas como unidades textuais123.
Nenhum tratamento estatístico foi dispensado aos dados, de vez que nosso foco de atenção não são os aspectos quantitativos. Partimos, como já dissemos, da observação de fenômenos referenciais – nas mensagens da CVL – e passamos a buscar, nas propostas de abordagem, explicações condizentes com os fatos que observamos. Em um constante transitar entre os dados e as teorias, verificamos, nas mensagens, uma grande incidência do que corresponderia ao fenômeno que Conte (2003) chama de “encapsulamento anafórico”. A forma peculiar como se apresenta tal fenômeno nas mensagens da CVL124 nos pareceu encontrar explicação em um dos princípios da teoria da acessibilidade, de Ariel, o que nos orientou a selecionar alguns exemplos que serão discutidos em (4.1.2).
Para uma melhor compreensão dessas questões metodológicas, acrescentamos, a seguir, algumas informações sobre o gênero lista de discussão e, mais especificamente, sobre o funcionamento da CVL.