8. UÇUCU KÜLLERİN KULLANIM ALANLARI
8.1. Uçucu Küllerin İnşaat Sektöründe Kullanılması
8.1.5. Uçucu Küllerin Yapı Malzemesi Üretiminde Kullanılması
Não há possibilidade de provar que um saber é verdadeiro, porque não existe uma única verdade pronta e acabada. A subjetividade do pesquisador e os sistemas de interpretação dão origem a diferentes formas de compreensão do fenômeno.
Como lembra Thompson (2002), cabe a cada pesquisador adotar na fase da análise formal das formas simbólicas os procedimentos que julgue ser os mais apropriados para o objetivo de sua pesquisa. Empregamos, assim, como outras pesquisas realizadas no âmbito do Núcleo de Psicologia Política e Movimentos Sociais, um conjunto de técnicas de análise de conteúdo, com base em Bardin (1977).
Nesta pesquisa, as transcrições das entrevistas constituíram o corpus, ou seja, o “[...] conjunto dos documentos tidos em conta para serem submetidos aos procedimentos analíticos”. (BARDIN, 1977, p.96).
Finalizada e etapa de transcrição das entrevistas, empreendemos sucessivas leituras de cada uma, visando estruturar nosso plano de análise com foco nos aspectos comuns dos discursos da maioria dos entrevistados e não em suas falas individuais e identificar, em um primeiro momento, os temas de maior visibilidade e destaque.
O tema, portanto, foi a unidade de significação e de registro que utilizamos. Segundo Bardin (1977, p. 105-106):
Fazer uma análise temática consiste em descobrir os “núcleos de sentido” que compõem a comunicação e cuja presença, ou frequência de aparição, podem significar alguma coisa para o objetivo sentido e não da forma que não é fornecida uma vez por todas, visto que o recorte depende do nível de análise e não das manifestações formais reguladas. [...] O tema é geralmente utilizado como unidade de registro para estudar motivações de opiniões, de atitudes, de valores, de crenças, de tendências, etc.
Fundamentando-nos no conteúdo temático das entrevistas, e com base no roteiro das questões, procuramos construir quadros que permitissem a codificação das respostas. Estes quadros contêm sínteses ou citações de cada entrevista, organizadas em torno de categorias, e serão apresentados ao longo do texto para permitir ao leitor uma melhor visualização dos dados.
Após a análise dos discursos, foi possível estabelecer uma apresentação dos resultados em torno de quatro eixos, a saber:
Eixo 1: Os contextos sociais dos entrevistados;
Eixo 2: Descrédito em relação à eficácia da lei e das ações do governo; Eixo 3: Álcool e direção/ cultura;
Eixo 4: Fiscalização/Impunidade e corrupção.
Por meio da elaboração desses eixos foi possível inferir teorias da Psicologia Social que nos ajudassem a compreender os discursos dos entrevistados.
CAPÍTULO VI
Entrevistando os condutores infratores da lei seca
Este capítulo descreve as entrevistas, englobando o contexto de produção e conteúdo. Em um primeiro momento, explicitaremos os procedimentos que nortearam a coleta de dados e, na sequência, apresentaremos a análise do conteúdo apreendido.
Antes da análise das entrevistas,será necessário descrevermos o contexto em que foram produzidas, isto é, a descrição do local onde cada uma foi realizada, a qualidade da interação entre pesquisadora e entrevistado (a), incluindo sentimentos, perguntas ou outros comentários que possam ter sido expressos e que também devem ser considerados na análise.
Quanto ao contexto no qual foram produzidas, vale lembrar que as entrevistas envolveram diferentes atores sociais. Um primeiro ator fui eu, a pesquisadora: Psicóloga, cientista política, com idade entre 30 e 35 anos, casada, sem filhos, também moradora de Cambuí e pertencente às camadas médias da sociedade, representando a academia e a universidade. Um segundo ator foram os condutores (as) entrevistados (as), profissionais, a maioria com nível superior, com idade variando entre 25 e 37 anos, casados e solteiros, moradores de Cambuí e representantes das camadas médias que discursaram não somente como agem em relação à lei seca e à fiscalização, mas também a respeito de seus posicionamentos sobre o governo, a impunidade e a corrupção.
A descrição do contexto de produção de cada entrevista se mostra também bastante útil ao pensarmos que, embora tenham sido gravadas, as entrevistas foram analisadas tomando por base a transcrição das falas, o que não registra entonações, importantes referências para interpretar seu conteúdo. Todas as transcrições, ainda que correspondam o mais fielmente possível ao que foi gravado e tenham sido totalmente realizadas por esta pesquisadora, como recomendado por Queiroz (1983), não revelam por completo o ambiente das entrevistas e as suas condições de produção.
A seguir, apresentaremos uma breve descrição introdutória sobre cada uma das entrevistas.
João (Infrator 1)
João foi o primeiro condutor a ser entrevistado e me recebeu em sua residência às 20 horas, depois de ter trabalhado durante todo o dia. A entrevista durou 30 minutos, sem
qualquer interrupção e pudemos contar com privacidade e silêncio para sua realização. O entrevistado participou bastante, apesar de ter comentado, em dado momento, ser uma pessoa tímida. Minha percepção era a de que o entrevistado se sentia à vontade, o que, de fato, ele confirmou após o término da entrevista.
João relatou ter sido a segunda vez que participou de uma pesquisa e comentou ter achado muito interessante poder apresentar o seu ponto de vista sobre o assunto.
De forma geral, o relacionamento entre entrevistadora e entrevistado foi marcado pela cordialidade. Ao final, obtive do entrevistado o número de telefone de seu amigo (que estava com ele no carro no dia em que acontecera o acidente) para, eventualmente, conseguir outra versão sobre o ocorrido para entrevistas posteriores.
Na análise pessoal de minha postura durante a entrevista, percebi que, embora eu tenha me mantido atenta ao que o entrevistado respondia, em alguns momentos, fiquei um pouco ansiosa por ser a primeira.
Joana (Infratora 2)
Joana me recebeu no local em que trabalha, no período da manhã, antes de começar o expediente. A entrevista durou 35 minutos, foi realizada em sua sala, que era bastante reservada. Pudemos contar com privacidade e silêncio, e o clima entre pesquisadora e entrevistada também foi de cordialidade.
A entrevista pareceu-me bastante tranquila e focada no tema. Antes de nos despedirmos, porém, Joana me perguntou como eu havia conseguido consultar o Boletim de Ocorrência. Contei-lhe como procedi e lhe expliquei novamente o caráter privativo de minha pesquisa e garanti a ela que seu nome não apareceria em hipótese alguma. Mesmo assim, tornou a me questionar, motivo pelo qual lhe mostrei a minha cópia do Boletim no qual a entrevistada pôde verificar que o seu nome já não mais constava. Desse modo, senti que ela ficou mais tranquila.
José (Infrator 3)
Fui recebida pelo terceiro entrevistado, José, na casa da mãe dele, onde reside nos dias em que trabalha em Cambuí. Ele me recebeu no período da tarde, disse que estava bastante cansado das idas e vindas de São Paulo, cidade onde também trabalha. Ao agradecer
sua disponibilidade em participar, comentei que a entrevista não duraria muito tempo, tendo em vista seu cansaço. Realmente, durou apenas 25 minutos.
O entrevistado pareceu-me estar à vontade. Notei uma atitude expansiva e bastante participativa por parte dele, o que talvez possa ser justificado pela profissão de vendedor. Apesar de ter sido bastante comunicativo, demonstrou-se alterado quando falou sobre impunidade e o governo.
O entrevistado falava muito rápido e no início tive um pouco de dificuldade em acompanhá-lo em seu raciocínio, mas, depois de alguns minutos, me acostumei ao seu modo de ser e me senti mais à vontade.
Joaquim (Infrator 4)
Joaquim me recebeu em seu local de trabalho, no período da tarde, depois que a loja que administra já estava fechada.
No início da entrevista, agradeci-lhe a gentileza por ter aceitado me receber e participar da pesquisa, mesmo estando bastante ocupado naquela época do ano, como havia me alegado quando do nosso contato via telefone.
Joaquim me disse que havia aceitado porque conhecia o meu trabalho, já estivera presente em uma palestra minha na câmara do vereadores da cidade e sabia que era realmente para pesquisa, mas que não se sentia muito à vontade com gravadores. Disse-lhe que eu poderia, então, não gravar a entrevista e depois escreveria nossa conversa, mas que esse procedimento seria um trabalho complicado para mim. Expliquei-lhe em detalhes os procedimentos da pesquisa e assegurei-lhe que seu nome não apareceria de modo algum. Assim, depois de eu ter lido o termo de consentimento, finalmente, afirmou que estava tudo bem, ou seja, ele concordava com a pesquisa e que eu gravasse a conversa. Do mesmo modo que a entrevistada já referida, Joana, ele também me perguntou se eu estava com o Boletim de Ocorrência que o mencionava, ao que respondi afirmativamente e lhe mostrei que eu já havia apagado seu nome, o que, a meu ver, deixou-o mais tranquilo.
A entrevista durou 28 minutos e, assim que formulei a primeira pergunta, o entrevistado se mostrou totalmente revoltado e incrédulo com o governo.
Ao final, Joaquim ressaltou que a entrevista tinha sido diferente do que ele havia imaginado. Ele esperava que fosse questioná-lo mais sobre questões relativas à sua vida pessoal.
Conforme proposto no capítulo metodológico, após a análise das entrevistas, foi possível estabelecermos uma apresentação dos resultados em torno de quatro eixos, a saber:
Eixo 1: Os contextos sociais dos entrevistados;
Eixo 2: Descrédito em relação à eficácia da lei e das ações do governo; Eixo 3: Álcool e direção/ cultura;
Eixo 4: Fiscalização/Impunidade e corrupção.