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4. BULGULAR

4.3 Tutum Ölçeği

O concelho do Barreiro é um dos catorze concelhos do Distrito de Setúbal, estando situado na parte Norte deste, na região do Vale do Tejo onde é banhado pelo rio Tejo. Tem uma área de 36,4 km2, apresentando um comprimento máximo de 8 km na direcção Este-Oeste e de 12 km na direcção Norte-Sul. Na Figura 4.1 pode visualizar-se a área de estudo no seu contexto geográfico, assim como as oito freguesias que a compõem.

Figura 4.1. Área de estudo: concelho do Barreiro. As oito freguesias que a compõem são: 1 – Barreiro, 2 – Lavradio, 3 – Verderena, 4 – Alto do Seixalinho, 5 – Santo André,

6 – Santo António da Charneca, 7 – Palhais, 8 – Coina Adaptado de INE (2013a)

4.1.2. Território e população

O concelho do Barreiro é um dos nove concelhos da NUTS III Península de Setúbal (Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Motijo, Palmela, Sesimbra, Seixal e Setúbal), pertencendo ao distrito de Setúbal. Está também inserido na Área Metropolitana de Lisboa (AML), constituindo, juntamento com a NUTS III Grande Lisboa, a NUTS II Lisboa. Encontra-se rodeado pelo concelho da Moita a Leste, pelo concelho de Palmela a Sudoeste, pelos concelhos de Setúbal e Sesimbra a Sul, pelo concelho do

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Seixal a Sudoeste e é ainda banhado a Norte pelo rio Tejo e a Oeste pelo Esteiro (com cerca de 6 km), onde confluem o rio Tejo e o ribeiro de Coina.

É constituído por oito freguesias – Barreiro, Lavradio, Alto do Seixalinho, Verderena, Santo André, Palhais, Santo António da Charneca e Coina – sendo que é naquelas mais próximas do rio Tejo (as primeiras cinco) que se concentra a maior parte da população do concelho. Embora esta tenha vindo a decrescer nas últimas duas décadas, trata-se de uma área densamente povoada cuja densidade populacional é deveras superior à média da Península de Setúbal. A freguesia do Alto do Seixalinho constitui o principal aglomerado populacional do concelho, enquanto a freguesia de Palhais apresenta uma reduzida proporção da população concentrada nos seus limites territoriais. Este concelho é ainda caracterizado por uma forte concentração de actividades industriais e de logística pesadas, principalmente relacionadas com a indústria química. Estas concentram-se essencialmente na freguesia do Lavradio. Na Figura 4.2 podem observar-se os distintos padrões de ocupação que caracterizam tanto a freguesia do Barreiro como do Lavradio.

Figura 4.2. Fotografia aérea das freguesias do Barreiro e Lavradio

4.1.3. Infra-estruturas de transportes e acessos viários

O concelho do Barreio dispõe de um serviço de transporte fluvial eficiente que determina uma boa acessibilidade aos concelhos a Norte, através de uma travessia do rio Tejo cuja distância percorrida é de 10 km. O acesso ao terminal rodo-ferro-fluvial do Barreiro é assegurado por um conjunto vasto de transportes públicos rodoviários, encontrando-se ainda nas suas proximidades um parque de

estacionamento de elevada capacidade. Em Coina, localiza-se ainda a estação ferroviária de Coina também servido por um extenso parque de estacionamento.

No entanto, a sua posição central do estuário do Tejo, distancia o concelho do Barreiro dos dois acessos rodoviários proporcionados pelas pontes 25 de Abril (a Oeste) e Vasco da Gama (a Este), obrigando a percursos relativamente longos – de aproximadamente 40 km – para chegar a Lisboa. Também as ligações aos concelhos mais a Sul são limitadas e pouco desenvolvidas, constituindo a A2 o acesso rodoviário mais relevante (AM&A 2007). O concelho de Setúbal, capital de distrito, encontra-se a cerca de 35 km do Barreiro. Na Figura 4.3 podem observar-se os principais acessos ao concelho, onde aqueles que se encontram marcados a preto se referem a ferrovias e os restantes a acessos rodoviários.

Figura 4.3. Principais acessos ao concelho do Barreiro Fonte: CMB (2013b)

4.1.4. Enquadramento histórico e desenvolvimento do território

O concelho do Barreiro era, antes do século XX, especializado em actividades de pesca, salicultura e moagem (AM&A 2007). Contudo, um número crescente de actividades industriais começou a fixar-se no concelho a partir da inauguração da linha de caminho-de-ferro, em 1861, que levou o concelho do Barreiro a constituir um importante eixo de ligação Norte-Sul. Em 1907, o desenvolvimento do grande complexo fabril da Companhia União Fabril (CUF), veio determinar a estrutura de emprego do concelho, assim como o desenvolvimento do seu território, tendo criado no início do século XX

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dinâmicas de atracção populacional sem precedentes até então (AM&A 2007). O desenvolvimento do Bairro Operário da CUF com extensos blocos de moradias, todas iguais, de piso único e com pequeno quintal, iniciado em 1908, e o Bairro Ferroviário, finalizado em 1935, constituíram assim os primeiros passos de um desenvolvimento do território cujo carácter se iniciou industrial.

O concelho do Barreiro viu a sua população aumentar ao longo das décadas seguintes, o que levou ao desenvolvimento urbano do concelho. As freguesias em redor da zona industrial e mais próximas do rio Tejo – Barreiro, Lavradio, Alto do Seixalinho, Verderena e Santo André – foram aquelas onde a expansão urbana ocorreu primeiramente e que apresentam actualmente os maiores níveis de densidade populacional. Das restantes, destaca-se a freguesia de Palhais cujo território é maioritariamente ocupado pela Mata Nacional da Machada, um local de elevado potencial para actividades de recreio e lazer. Actualmente, o concelho do Barreiro apresenta carcaterísticas demarcadamente urbanas.

A inauguração da linha de caminho-de-ferro em 1861 foi um dos principais factores de crescimento do concelho uma vez que contribuiu para a decisão de localizar CUF no concelho do Barreiro, cujo acesso ao Sul se encontrava então facilitado (CMB 2007). Actualmente, a sua presença constitui um elemento de segregação territorial. Também o recinto da Quimiparque forma uma barreira territorial que impede um desenvolvimento urbano contínuo. A requalificação almejada das freguesias mais a Norte, que pretende uma maior unificação dos diferentes tecidos urbanos, depende assim da redefinição do conjunto actual de usos do solo.

4.1.5. Situação actual

A presença das instalações fabris da CUF durante décadas condicionou a estrutura de emprego do concelho, tendo-se verificado uma diminuição da competitividade económica e social do território após o encerramento na última década e meia de um número elevado de actividades industriais e empresariais. A variação da população na década de 90, definida por uma acentuada perda populacional, decorreu assim da alteração dos padrões da dinâmica económica do concelho (AM&A 2007).

Actualmente, o concelho do Barreiro é caracterizado por uma fraca atractibilidade de residentes e um fraco crescimento do número de empresas, estabelecimentos e trabalhadores, ao contrário de todos os outros concelhos da Península de Setúbal (AM&A 2007). Na Figura 4.4, pode observar-se a taxa de atracção/repulsão do concelho do Barreiro entre 2001 e 2005 em comparação com a taxa dos concelhos vizinhos, sendo que o território é considerado atracttivo quando esta é positva e repulsivo quando o seu valor é negativo. Apesar de o concelho do Barreiro se assumir como um pólo

populacional, sendo densamente povoado, apresenta características que conduzem ao êxodo da população (AM&A 2007).

A par desta desvitalização demográfica e económica, ocorreu uma desvitalização urbanística, tendo aumentado no mesmo período o número de fogos vagos, nomeadamente nas freguesias do Barreiro e do Lavradio (AM&A 2007). Na freguesia do Barreiro localiza-se o aglomerado original da cidade, o Barreiro Antigo, uma zona cuja necessidade de intervenções de qualificação urbana é premente a vários níveis – valorização urbanística, reabilitação do edificado e acções de apoio de âmbito social e económico. Assim, nos últimos anos o município tem vindo a desenvolver um conjunto de projectos e planos que pretendem a reabilitação e requalificação urbana desta área. Apesar da desvitalização ocorrida nesta zona nos últimos anos, trata-se de uma área urbana fortemente consolidada com tais elementos de referência que a sua centralidade ao nível do concelho se mantém (AM&A 2007).

Figura 4.4. Taxa de atracção/repulsão do concelho do Barreiro em 2005 Adaptado de AM&A (2007)

No entanto, a centralidade do concelho face à Grande Lisboa permite, numa visão estratégica, recuperar a atractividade do território tanto ao nível da população empregada como residente (AM&A 2007). Recentemente têm sido elaborados planos que visam aumentar a capacidade de atracção do concelho para novas empresas e novos investimentos. A importância da exploração do seu potencial reside não só no desenvolvimento económico do território como também na redução de deslocações pendulares em direcção ao distrito de Lisboa e na melhoria de uma rede de comunicação e interligação actualmente ineficaz, particularmente na margem sul.

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Devido aos diferentes padrões de urbanização o conjunto de freguesias do concelho do Barreiro proporciona uma análise comparativa entre as suas características predominantes e as implicações destas no seu desempenho energético.

4.2.

Análise de características demográficas, urbanísticas e de

Benzer Belgeler