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Turquality Kapsamında Sağlanan Destekler

3.8. İLK VE TEK DEVLET DESTEKLİ TURQUALITY PROGRAMI

3.8.8. Turquality Kapsamında Sağlanan Destekler

A partir da análise das obras selecionadas, “The Swimmer” de J. Cheever, e Cosmópolis, de Don DeLillo, almeja-se então uma síntese concreta dos resultados obtidos; contudo, esbarramos, ao mesmo tempo, em uma aporia: a própria natureza dos textos estudados nos impede de chegarmos a um balanço final, ou seja, a uma conclusão de caráter totalizante.

Aproximá-las, portanto, sobretudo no que negam, não no que agregam, torna-se assim viável. Sob suas nuances intertextuais, baseando-se nas exposições teóricas sobre os diferentes conceitos e faces do poder, ideologia, capitalismo e sociedade do espetáculo, temos um retrato de uma sociedade totalmente à deriva, sem rumo. A proposição de Marx, de que “tudo que é sólido se desmancha no ar”, aplica-se à linha de desenvolvimento de ambas as tramas, com suas personagens fluidas, bem como suas motivações e destinos impalpáveis.

Tais semelhanças entre elas constatam-se em vários níveis: primeiramente, a crítica do capitalismo como vilão permeia tanto o conto quanto o romance, como o retrato pleno do poder ideológico de nossa era, que produz circularmente o isolamento,

fabricando indivíduos alienados, unidos apenas pelo materialismo e consumismo, escravos do espetáculo. Evidenciando a degradação do “ser”, vê-se que o “ter”, mola- mestra de “The Swimmer”, em si, não mais contempla; torna-se também imprescindível que, eventualmente, como em Cosmópolis, também o “parecer” fale mais alto. A imagem e os “bons” costumes, atrelados aos cartões de crédito, ditam as regras do comportamento social e sua estratificação no conto de Cheever; não menos, no romance de DeLillo, como agravante, a escolha do “ter” torna-se ainda mais requinta e emblemática.

Assim, Neddy Merril e Eric Packer são igualmente adeptos a este estilo de vida, “condicionado[s] por todos os aspectos de sua despossessão fundamental” (DEBORD, 2015, p. 141). Em “The Swimmer” encontramos um protagonista consumidor dependente de espetáculos, divertimentos e prazeres efêmeros, enquanto em Cosmópolis, o cínico bilionário gasta seu dinheiro apenas pelo número em si, visando o valor de representação do objeto, desconsiderando sua função primária de uso (como nos mostra o exemplo de seu apartamento). Ambos contemplam sua não realização no consumível, mas, alienados, perpetuam a mesma prática já que “uma pseudojustificativa torna-se necessária para a falsa vida” (DEBORD, 2015, p. 34).

Da mesma forma, o capital, modificando incessantemente a sociedade no qual é incorporado, é representado no momento em que sua dominação é máxima; e a sua falta, associada à derrota, ao caos. O advento do dinheiro como o objeto maior do desejo, representação de tudo e intensa fonte de poder pessoal, acomoda o individualismo exacerbado, reduz e mascara as relações sociais tradicionais, permitindo ignorar a subjetividade do outro, promovendo o processo de reificação, no qual o indivíduo é visto apenas em termos instrumentais, e sua identidade como mercadoria.

Dessa maneira, as relações de poder entre os que detém ou não esta fonte econômica aparecem explicitadas pelo convívio dos protagonistas com outros personagens. Em “The Swimmer”, Neddy, enquanto ainda se encontra dentre o grupo de privilegiados, é tratado como uma “figura lendária” pelos outros, ao mesmo tempo em que se recusa a se relacionar com aqueles cujas condições são inferiores à sua. Após sua queda financeira, ocorre uma reversão irônica das posições de poder, na qual o protagonista encontra-se marginalizado conforme as mesmas regras sociais que o tornavam soberano em primeiro lugar – evidenciada a partir da sua rejeição por seus

pares, como no caso dos Biswangers, ou de sua antiga amante. Já em Cosmópolis, Packer, embevecido e revestido com o poder que seu imenso fundo monetário proporciona, trata seus empregados puramente como objetos, esmagando qualquer resistência que se apresente, como se vê nos eventos que se acercam do personagem Torval, colocando em evidência a “sociedade do desperdício”, até que ele próprio se vê desperdiçado.

No plano da estética, talvez a mais significativa semelhança estaria na metáfora da trajetória dos protagonistas, um balanço de vida, que termina no vermelho. O constante deslocamento dos personagens no enredo (de piscina à piscina de um; ou atravessando a ilha de Manhattan, de outro) acontece paralelamente a sua gradativa derrocada. Ambos entregam-se, em seu respectivo percurso autodestrutivo, a desfazer- se de uma maneira ou outra, dos recursos que lhes conferiam poder e os constituíam como indivíduos em seu meio. Levando-os a um estado psicológico de visível desorientação, visto que esta é a única perspectiva de sua existência do qual detinham conhecimento, suas vidas são suspensas, face ao vazio. Talvez, exatamente porque nenhum dos textos se atreva a dar respostas, sugere-se o vício e o dano, simplesmente.

Outro aspecto importante está no plano das diferenças e não das semelhanças. No conto, Neddy Merril é retratado como uma personagem tão alienada de si mesmo, que nunca chega a compreender os eventos que se acercam de sua própria queda e a reversão de poderes a que está sendo submetido. Sua angústia genuína o coloca num patamar de quase-vítima, e evoca a simpatia do leitor. Eric Packer, por outro lado, é o retrato do predador capitalista, explorando as engrenagens do sistema e os indivíduos que o compõem, colocando-o num patamar de vilania. Além disso, grande parte de sua decadência é autoconsciente e intencional, contrapondo-se, também neste aspecto, à Neddy.

Considerando-se todos estes aspectos, fica nítida a postura crítica que adotam tanto John Cheever, quanto Don DeLillo, sobre as práticas sociais da pós-modernidade. Essa linha de expressão seria o denominador que os aproxima, ao redigir obras de caráter de ruptura do discurso dominante, apropriando-se deste e subvertendo-o; enfim, projetando personagens que caminham para sua própria desconstrução, a partir da manifestação de suas falhas e fissuras, contraditoriamente, constitutivas de seu próprio ser.