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TURKISH CAPITAL MARKETS

Belgede Turkish Capital Markets (sayfa 24-85)

Embora as trajetórias das pessoas entrevistadas e que fazem parte dos empreendimentos revelem algumas diferenças de percursos, em muitos aspectos se assemelham. A grande maioria deixou a cidade de origem e veio residir na capital sergipana. São migrantes não só do interior de Sergipe, mas também de Estados vizinhos que deixaram suas famílias, ou junto com elas, foram em busca de melhores condições de vida, conforme depoimentos:

nasci em Arapiraca, Alagoas. Sou filha de uma pernambucana e de um alagoano. Logo cedo precisei sair da minha terra, porque lá não tinha em que trabalhar. Saí de lá com 12 anos e mais três irmãos, viemos pra cá só com a ‘roupa do coro’, com as malas e as roupas. Vendemos o que tínhamos para comprar a passagem e viemos embora porque aqui a gente tinha um tio da minha mãe (Renata – UNIGRUPO).

eu nasci e me criei em um município de Nossa Senhora. das Dores. Vim embora pra aqui já depois de mãe de família porque lá não tinha emprego (Rita – CARE).

eu era de Pernambuco aí fui pra Arapiraca porque minha cunhada morava lá e arranjou emprego pra mim de empregada doméstica. Depois, arrumei um rapaz que tinha uma irmã que morava em Aracaju e aí nós viemos pra qui (Margarete – CARE).

Esse processo migratório vivenciado por Renata, Rita e Margarete sofreu variação na experiência dos entrevistados. Se a grande maioria dos sujeitos desta pesquisa passou por um processo de migração que definiu, de forma permanente, um novo local de moradia na capital sergipana, isso se diferencia da vivência do grupo das marisqueiras que experenciaram migrações temporárias, ocasionando, posteriormente, o retorno a sua cidade de origem. O objetivo dessas migrações, vividas pelas marisqueiras, foi conseguir um emprego que pudesse ajudar os seus familiares que permaneciam no interior, conforme relatam as entrevistadas:

passei oito anos em Salvador, fui pra lá trabalhar, depois voltei (Angélica – Associação das Mulheres do Camarão).

fui pra Aracaju, passei uns três anos lá, trabalhei em pensionato, mas depois voltei, me casei e estou aqui até hoje (Margarida – Associação das Mulheres do Camarão).

Mesmo sendo temporários esses deslocamentos, também trazem reflexos para a vida das pessoas, que deixam suas famílias, rompem seus laços e passam a viver em outro mundo diferente do seu, sofrendo mudanças também no seu processo de socialização, sempre em razão do trabalho (MARTINS, 2003).

A falta de emprego foi uma das principais razões que levou as pessoas entrevistadas a migrarem dos seus locais de origem para Aracaju, mesmo temporariamente. Como coloca Martins (2003), é principalmente com a modernização da agricultura que se observam dificuldades de absorção e realocação da mão-de-obra. Com isso, as pessoas vão sendo expulsas do campo, procuram as cidades e passam a engrossar as fileiras do número de excluídos do acesso a bens e serviços. Alia-se a essa realidade, a grande concentração fundiária que, no caso de Sergipe, trata-se de um problema de longa data, sem solução.

A condição de pobreza material impulsiona o processo migratório que passa a ser vislumbrado, em alguns casos, como a possibilidade de encontrar melhores alternativas de vida, como condição “para subir na vida” (MARTINS, 2003 p.148). A referência de algum familiar, residente na capital, também auxiliou na definição da ida para a cidade.

No relato dos entrevistados era comum, quando crianças, o desenvolvimento de atividades laborativas, principalmente aquelas relacionadas à agricultura. A grande maioria não estudou ou mesmo passou pouco tempo na escola. Pertencentes a famílias pobres, foram conduzidas logo cedo ao trabalho, cuja renda auferida tinha como objetivo contribuir para o sustento do lar. É importante destacar que o trabalho precoce atinge todas as faixas etárias dos entrevistados, desde aqueles mais velhos (com faixa etária de 45 a 50/60 anos) até os mais jovens. O depoimento abaixo ilustra bem essa situação.

Com 10 anos, eu comecei a comprar camarão. Com doze anos, eu comecei a vender. A minha mãe me levava pra feira junto com ela me ensinando a começar a vida (Camila – Associação das Mulheres do Camarão).

Imersos em um sistema em que o pequeno produtor rural pouca chance possui de sobrevivência, a tendência é uma “inserção precoce do imaturo na lógica inexorável da reprodução do capital” (MARTINS, 1993, p.11). O trabalho

infanto-juvenil, a diversidade das atividades laborativas e as dificuldades econômicas marcam as trajetórias de vida das pessoas entrevistadas, conforme depoimentos:

fui criada na roça, trabalhei muito na adolescência, de enxada, de fazer farinha, criar bicho, porco, galinha. Trabalhava como se fosse um homem (Carmélia – UNIGRUPO).

nasci em uma família pobre que trabalhava na roça, plantando mandioca, eu comecei a trabalhar plantando mandioca, milho e feijão para ajudar a família (Regina – UNIGRUPO).

me criei trabalhando, fazendo farinhada, plantei arroz, plantei cana, cortei cana, pescava, plantava café, trabalhei muito. Depois, com 15 anos, trabalhei por 03 anos em um pensionato em Aracaju. Depois de um tempo, voltei pra cá, casei e até hoje vendo camarão (Margarida – Associação das Mulheres do Camarão).

O “trabalho na roça” tinha como finalidade a ajuda à família, sem remuneração direta, mas que contribuía para a renda familiar, tendo em vista os resultados auferidos, a partir da utilização do trabalho de crianças e adolescentes e da não-contratação de adultos para desenvolver as tarefas. Tratava-se do desenvolvimento de atividades que envolviam o cuidado com a lavoura e com animais, geralmente em pequenas propriedades da própria família. Essas atividades garantiam, quando não enfrentavam períodos de seca, a sobrevivência das pessoas com uma alimentação mínima, ficando, pois, outras necessidades básicas sem atendimento. Muitas vezes a opção pela migração aparecia como uma possibilidade de melhoria dessas condições.

A migração e o trabalho na infância e na adolescência estão fortemente presentes na vida das pessoas entrevistadas. A infância e adolescência tiveram sabor de vida adulta, ou no dizer de Martins (1993) o tempo de ser criança foi sendo ocupado amplamente pelo tempo do adulto. As brincadeiras de criança foram substituídas pelo trabalho, pelo sentimento de responsabilidade face à necessidade de realizar as atividades domésticas, o trabalho na roça e de contribuir financeiramente para o sustento da família. São crianças sem infância, conforme relata Rosa:

eu não tive infância, eu não brinquei, desde pequena que eu trabalho. Com dez anos tomava conta da casa, vendia camarão, geladinho, pastel. Com quatorze, casei, não tive nem adolescência (Rosa – Associação das Mulheres do Camarão).

Como diz Martins (1993, p. 14), “a supressão da infância suprime ao mesmo tempo processos sociais vitais, pois submete as novas gerações a relações sociais e a uma socialização enferma que já não estão mais sob o domínio do homem e sim da coisa”.

O processo de socialização dessa etapa da vida não é visto como momento de esperança e de sonho, mas de um período em que a responsabilidade e o cumprimento do dever de adulto aparecem como uma marca fundamental: “com 15 anos, comecei a trabalhar no comércio, em pé, vendendo

tecido, sapato, bolsa, depois trabalhei no Supermercado GBarbosa um tempo, fiz de tudo um pouco na vida” (Renata – UNIGRUPO).

Se na área rural as atividades desenvolvidas na infância e na adolescência não eram remuneradas, no meio urbano elas tinham como referência algum tipo de remuneração que auxiliava no sustento da família. Entretanto, em ambos os casos, são situações inseridas dentro de um sistema de produção e reprodução perverso, uma vez que se suprime ”a infância, em nome dos interesses e da lógica de uma opção política de desenvolvimento econômico, que mutila no berço aqueles que poderiam um dia construir a sociedade nova” (MARTINS, 1993, p.12).

Essa supressão não é temporária, “ela se insere no complicado e perigoso processo de ampliação forçada do chamado exército industrial de reserva, que torna descartável e sem esperança parcelas amplas da humanidade” (MARTINS, 1993, p.15).

Nesse sentido, a cidade aparece como a esperança de melhoria das condições de vida, mas que logo é visualizada pelo migrante como uma possibilidade remota, na medida em que vai enfrentar um cenário completamente adverso, um mercado de trabalho que vai exigir habilidades técnicas, escolarização e qualificação, que não são comuns entre aqueles que viviam no campo. Como conseqüência disso, tem-se a ocupação, quando possível, de postos de trabalho que exigem a força física, em serviços domésticos, ou trabalhos temporários, “bicos” e atividades por conta própria.

É oportuno enfatizar que as dificuldades da vida urbana são enfrentadas de forma diferenciada pelos entrevistados e que a maioria deles ainda permanece no centro urbano. Todavia, foi possível encontrar, nos relatos, aqueles que retornaram à cidade de origem. Esta situação se revelou predominantemente na experiência das mulheres da Associação do Camarão.

Quando eu vim [de Salvador para o Povoado São José] já grávida foi que eu comecei a vender camarão. Por que grávida pra onde vai? Casa de família ninguém quer, né? (...). Aí comecei a vender camarão! (Angélica – Associação das Mulheres do Camarão).

Desde os 10 anos, que eu trabalho com o camarão (...) Parei um tempo, uma ano mais ou menos, fui trabalhar em Aracaju, em casa de família, mas não dava certo não (...) Em casa de família, é uma pessoa só dentro de casa e o camarão não, distrai a gente, é cansativo, mas é bom (Camila- Associação das Mulheres do Camarão).

A minha tia trabalhava em Aracaju, arranjou um trabalho pra mim aí eu fui. Eu trabalhei 03 anos, aí depois que eu sempre vinha pra cá de 15 em 15, de mês em mês, me apaixonei de meu marido, aí nós casou e até hoje tá vivendo. Eu trabalho com camarão desde que eu me casei com ele, porque ele pescava e todo dia eu tinha meu camarão pra cuidar (Margarida- Associação das Mulheres do Camarão).

A pesca, além de ser uma atividade comum no município onde residem as entrevistadas, juntamente com a agricultura, foi se caracterizando, com o passar do tempo, como uma possibilidade de gerar renda entre as gerações, apresentando-se como alternativa ao desemprego, para os que continuaram em seu município ou a ele retornaram, após passarem por outras experiências laborativas na cidade.

Aqueles que migraram e fixaram residência na capital sergipana, no caso dos entrevistados da CARE e do UNIGRUPO, foram enfrentando um mercado de trabalho difícil e com pouca chance para a melhoria das condições de vida.

O trabalho e a responsabilidade precoces ainda na infância e na adolescência, trouxeram rebatimentos para os entrevistados que vão se tornando adultos herdeiros das formas de desigualdades sociais, visualizadas nas dificuldades de sobrevivência e nas formas de inserção no mundo do trabalho.

5.1.2. Desemprego, buscas de geração de renda e os motivos de participar dos

Belgede Turkish Capital Markets (sayfa 24-85)

Benzer Belgeler