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O processo de incubação desenvolvido na Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Econômicos Solidários/UNITRABALHO/UFS envolve o acompanhamento sistemático a grupos que desejam constituir e organizar seus EES. Trata-se de um processo educativo que tem como propósito não só a disseminação de conhecimentos teóricos e técnicos, produzidos no âmbito da universidade, mas também a experiência e os conhecimentos daqueles que estão inseridos ou desejam iniciar seus EES. É, portanto, um processo que envolve troca, construção e reconstrução de saberes, sempre numa relação dialógica e de interação entre a equipe da incubadora, os cooperados/associados e parceiros.

Essa construção acontece mediante uma ação educativa que compartilha e troca saberes e experiências, respeitando-se a cultura e história dos cooperados/associados, o saber fazer, o saber acumulado dos trabalhadores envolvidos no trabalho coletivo autogestionário. Assim, não se tem a intenção de “transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (FREIRE, 1999, p.25), tendo em vista que se trata de “um processo pedagógico educativo, que deve ser criativo, de ação coletiva e modificador da realidade” (CULTI, 2006, p.4).

As equipes dos núcleos/incubadoras orientam na constituição e organização dos empreendimentos, abrangendo os aspectos administrativos, de gestão, jurídicos, contábeis, elaboração de planos de negócio, entre outros. A formação, como diz Eid (s/d) “deve ser continuada e integrada nas dimensões administrativa, técnica e política (...) deve ocorrer fundamentalmente através de oficinas com aprendizagem teórica e prática, articulando-se conhecimentos técnicos sobre a atividade fim do empreendimento”.

Portanto, a incubação envolve algumas etapas metodológicas155 que, apesar de não lineares, auxiliam na organização dos trabalhos da incubadora

155Essas etapas apesar, de não lineares, dependem do estágio em que se encontra o EES e da

dinâmica do mesmo, envolvem, entre outros: 1) contatos iniciais com os grupos que demandam incubação; 2) levantamento/mapeamento da trajetória ocupacional e pessoal dos interessados, bem como os objetivos e motivos de cada interessado para a formação do empreendimento; 3) formação do grupo beneficiário; 4) discussão sobre o cooperativismo e associativismo e suas modalidades em relação à empresa privada; 5) avaliação de alternativas e decisão sobre a atividade-fim do empreendimento, tais como: pesquisa de mercado, concorrentes, pré-projeto

respeitado o estágio em que se encontra os grupos, sua história e cultura. A metodologia de incubação deve ter a clareza da necessidade de superar a fragmentação do conhecimento por intermédio de um processo interativo entre os agentes externos, cooperados/associados.

Conforme Eid (s/d), as incubadoras universitárias têm como objetivos:

incentivar a formação de empreendimentos de economia solidária (...), produzir, disseminar e transferir conhecimentos sobre Economia Solidária, de forma transdisciplinar, tornando-o acessível à sociedade; capacitar multiplicadores para a difusão e desenvolvimento de conhecimentos produzidos na universidade visando à criação de assessoria aos empreendimentos solidários; introduzir nos programas institucionais da universidade, de forma indissociada, em nível de pesquisa, ensino e extensão, os princípios e objetivos da Economia Solidária; assessorar técnica, administrativa e politicamente, de forma integrada e continuada, grupos sociais interessados na criação e fortalecimento de empreendimentos solidários visando sua autonomia; incentivar a formação de Redes de Cooperação voltadas para o fortalecimento da Economia Solidária; contribuir para a formação de incubadoras universitárias com a difusão dos princípios da Economia Solidária (EID, s/d).

A Incubadora/UFS vem desenvolvendo em sua atividade de incubação três momentos: primeiro, o trabalho de acompanhamento sistemático com a formação continuada desenvolvida junto aos empreendimentos; segundo, a formação de formadores cujo propósito é capacitar técnicos de diversas instituições públicas que desenvolvem ações na área de geração de renda, representantes dos movimentos sociais, associações, ONG`s; e o terceiro referente à formação periódica da equipe da Incubadora.

Os empreendimentos desta pesquisa estão sendo acompanhados pela equipe da Incubadora/UNITRABALHO/UFS e adentraram o processo de incubação em estágios diferenciados. A CARE iniciou os contatos com a equipe

econômico-financeiro; 6) avaliação sobre as possibilidades de parceria; 7) avaliação das possibilidades de inserção em cadeia produtiva assim como em planos/políticas de desenvolvimento local ou regional e elaboração de Planos de Negócios; 8) capacitação técnica; 9) capacitação administrativa; 10) elaboração do estatuto e regimento Interno do empreendimento; 9) legalização do empreendimento; 11) acompanhamento sistemático ou assessoria pontual para inserção e manutenção do empreendimento no mercado e conquista da autonomia; 12) avaliação do grau de autonomia do grupo; 13) final do processo de incubação. Cf. Culti (2006, p.64-65) e Eid (s/d).

da incubadora no final de 2004, quando já era um empreendimento formalizado e em funcionamento. Inicialmente foi dada uma assessoria na elaboração de um projeto para implantação de uma unidade de processamento do PET, resultando, posteriormente, em uma ação mais sistemática, principalmente diante da necessidade de se trabalhar as relações interpessoais e a gestão cooperativa. Por isso, a ação de incubação, inicialmente, foi direcionada para esses aspectos.

O UNIGRUPO contou com a presença da equipe da Incubadora, desde o início da sua constituição, em 2003, tendo em vista a realização pelo Núcleo/Incubadora/UFS do curso de corte e costura industrial e a decisão de suas participantes em formar um grupo de produção.

A Associação das Mulheres do Camarão também passou a ter a assessoria da Incubadora, depois da sua constituição. Já contava com o acompanhamento de um técnico da AEDIULS. Este convidou a equipe da incubadora para discutir o processo de legalização do grupo. Entretanto, na medida em que iam se dando as primeiras aproximações, verificou-se a necessidade de um acompanhamento mais sistemático do grupo e que envolvia, além da realização de reuniões, um processo de formação, tendo em vista algumas demandas apresentadas pelo grupo e observadas pela equipe da Incubadora.

Os três empreendimentos, a partir do momento de adesão ao processo de incubação, foram inseridos no plano de formação156 elaborado pela equipe da

incubadora, diante das demandas oriundas da realidade dos mesmos, tendo-se como parâmetro o estágio de conhecimento dos cooperados/associados.

Apesar de os grupos adentrarem o processo de incubação em estágios diferenciados, percebeu-se que era necessário pensar um plano de formação no qual eles pudessem ser envolvidos, ressaltando-se as demandas específicas de cada um, principalmente aquelas relativas à qualificação técnica. Nesse sentido, um plano geral de formação foi discutido entre a equipe da incubadora e os grupos, tendo sido definido que todos eles passariam por momentos que demandassem qualificação nos aspectos gerais pertinentes à formação política,

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Em novembro de 2004, foi aprovado o Projeto “ITCP: um caminho para a cidadania” financiado pela FINEP/PRONINC II que contribuiu para a execução do plano de formação envolvendo a participação de seis empreendimentos que estavam sendo acompanhados pela equipe da incubadora, incluindo os três empreendimentos aqui pesquisados.

economia solidária, trabalho em grupo, envolvendo a participação em seminários, palestras, cursos e oficinas temáticas, organizadas com base em alguns conteúdos: 1) formação social e política – análise de conjuntura, mudanças no mundo do trabalho, economia solidária e empreendimentos econômicos solidários, desenvolvimento local e integração grupal; 2) qualificação para empreendimentos – princípios de gerenciamento, legalização do empreendimento, orientação contábil e jurídica e elaboração de um plano de negócios, sendo que este último foi construído no próprio empreendimento com a participação direta dos cooperados/associados; 3) habilidades técnicas por empreendimentos – demandas específicas de cada grupo157; 4) atividade de

campo – desenvolvimento de algumas vivências em feiras, a exemplo da feira de negócios em artes visuais e as I e II feiras de economia solidária de Sergipe.

A formação, além dos cursos, oficinas e seminários, aconteceu de forma processual e continuada por meio das reuniões periódicas realizadas pelos técnicos, docentes e estagiários que compõem a equipe da incubadora, normalmente um encontro a cada semana. Nas reuniões são repassados conteúdos já abordados, são aplicadas dinâmicas de grupo para reforçar aspecto do trabalho coletivo e autogerido, além do exercício prático necessário ao cotidiano da organização e administração coletiva do empreendimento.

Esse aprendizado diário é fundamental no processo de incubação tendo em vista que, por meio dele, é possível não somente a assimilação de conhecimentos técnicos e teóricos, mas também o exercício de valores e princípios, bem como o estabelecimento de uma rede de relações que refletem na vida das pessoas envolvidas nos empreendimentos. A troca de experiências, as vivências pessoais e profissionais, somam-se ao processo de incubação como elementos importantes na formação que se dá não apenas nos seminários, palestras, reuniões, mas, principalmente, no cotidiano do trabalho.

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No UNIGRUPO, por exemplo, no aspecto da qualificação técnica, foram realizadas três oficinas de qualificação: modelagem, desenho, corte e costura de calcinhas, sutiãs e cuecas – que aconteceu de forma gradativa durante todo o ano de 2005. Na CARE, por exemplo, a formação técnica aconteceu no sentido de orientar quanto ao uso do espaço para o acondicionamento do lixo; a utilização adequada dos equipamentos de proteção individual; etc. Na Associação das Mulheres do Camarão, a formação deu-se muito mais no sentido da comercialização do produto: acondicionamento, embalagem etc.

Assim, durante os anos de 2005 e 2006, a CARE, a Associação das Mulheres do Camarão e também o UNIGRUPO estiveram envolvidos em um processo de formação que teve como propósito contribuir para a ampliação dos conhecimentos dos cooperados/associados, a partir da realidade e estágios em que se encontravam, numa relação pedagógica de troca e construção de saberes entre aqueles que estão nos empreendimentos e a equipe da incubadora.

Portanto, o processo de formação permeia todas as etapas da incubação e, como tal, também não acontece de forma linear, tendo em vista as demandas e estágios em que se encontra o grupo. Compreende diferentes momentos, cuja preocupação é envolver elementos e conteúdos que auxiliem na qualificação técnica e política dos envolvidos com ou no processo de incubação, tendo-se como perspectiva a autogestão.

Benzer Belgeler