1.2 Turizm Destinasyonu
2.1.1 Turizmin Ekonomik Etkileri
A presença de um evento traumático na história de vida de um sujeito pode resultar em alterações no funcionamento cognitivo, com ênfase para as alterações do funcionamento da memória, que passa a ser fonte de sofrimento psicológico, principalmente pela repetição intrusiva de lembranças fragmentadas da cena traumática.
Segundo McNally (1998) nas últimas décadas psicopatologistas experimentais tem aplicado os conceitos e métodos da psicologia cognitiva para elucidar as anormalidades no funcionamento mental de sujeitos com Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Seus estudos têm mostrado que indivíduos com TEPT:
a. processam seletivamente material relevante para o trauma no paradigma emocional de Stroop;
c. encontram dificuldade de esquecer palavras ligadas ao trauma durante tarefas de esquecimento dirigido;
d. exibem dificuldade de recuperação de memórias autobiográficas específicas em relação à recuperação de memórias gerais quando devem dar resposta a pistas de palavras, por exemplo: diante da palavra ZOO lembram-se de um zoológico em geral ao invés de lembrarem-se de uma situação específica envolvendo ZOO, como um dia em que foram ao zoológico, as pessoas envolvidas, as atividades realizadas e os animais vistos.
Para esse autor, entre todos os distúrbios de ansiedade, o TEPT é o mais dramaticamente um distúrbio de memória (McNALLY,1998, p.971) pois é caracterizado por memórias intrusivas que invadem a consciência e afetam o processamento da informação.
Nesta tese, temos como hipótese que, se a informação sobre o trauma gera acesso involuntário à memória de trabalho, então os sujeitos com TEPT devem mostrar aumento no tempo de resposta ao nomear a cor de palavras coloridas quando essas tem sentido referente ao trauma. Esse resultado é esperado porque partimos da premissa que o conteúdo emocional da palavra referente ao trauma ativa uma rota de processamento emocional paralela ao processamento cognitivo. Esse processamento emocional em paralelo seria capaz de gerar uma interferência no processamento cognitivo na forma de uma intrusão dos componentes emocionais referidos à memória do evento traumático quando o indivíduo lesse uma palavra com conteúdo referente ao trauma. Tal hipótese é corroborada repetidamente por resultados de experimentos em que sujeitos com TEPT apresentaram maior tempo de reação na leitura de palavras coloridas com significados relativos ao trauma que em palavras sem conteúdo referente ao trauma no teste de Stroop emocional. Também sujeitos expostos a um evento traumático com e sem TEPT mostraram diferenças no tempo de reação em tarefas de Stroop emocional, com aumento da interferência em sujeitos com TEPT (McNally et al.,1993; McNally, Brian &
Harvey, 1995; Cassiday et al., 1992; Kaspi, McNally &Amir, 1995; entre outros). Esse aumento parece dever-se à recuperação involuntária de recordação traumática. Quanto mais congruente o significado da palavra com a experiência autobiográfica do sujeito, mais marcante será o processamento seletivo. McNally (1990) aplicou em combatentes veteranos do Vietnam o teste Stroop de palavras com diferentes conteúdos: estímulos verbais com conteúdo emocional relativo ao trauma, com conteúdo neutro, positivo e negativo (por ex.: germes) e encontrou resultados que, quando comparados aos de ex-combatentes que não desenvolveram TEPT, indicam a interferência do TEPT como significativa (r=.64) quando as palavras tinham conteúdos referentes ao trauma. Cassiday et al., (1992) em um paradigma de Stroop computadorizado aplicado a sobreviventes de estupro, obtiveram uma correlação significante entre o tempo de latência para a resposta e auto-relato de cognições intrusivas (r=.41), sendo que palavras fortemente relacionadas ao trauma promoveram maior interferência que palavras moderadamente relacionadas ao evento traumático. Estudos realizados por McNally e outros colaboradores há mais de uma década (1996; 1990), vem comprovando que a interferência cognitiva ocorre em pessoas com TEPT e, não simplesmente naquelas expostas a eventos terríveis mas sem o desenvolvimento de TEPT correlato. Esse autor também demonstrou que a interferência no Stroop aumenta conforme aumenta a congruência entre as palavras-estímulo e as preocupações dominantes dos participantes, por exemplo: ex-combatentes do Vietnam sem TEPT mostraram pouca ou nenhuma interferência para palavras relacionadas à guerra.
Em diferentes estudos com diferentes populações utilizando a aplicação do paradigma de Stroop em sujeitos com TEPT, McNally e seus colaboradores encontraram aumento do tempo de resposta na leitura de palavras coloridas relativas ao trauma, demonstrando assim cognições intrusivas ativadas pelo sentido da palavra (palavras com valência positiva para o trauma). Houve diferenças nos resultados entre sujeitos que viveram situações traumáticas e
não desenvolveram o TEPT e aqueles que, diante de situações semelhantes desenvolveram o transtorno. Cassiday et al. (1992) realizaram um estudo computadorizado do paradigma de Stroop Emocional com sobreviventes de estupro. Para tanto usaram palavras com alto grau de alerta para perigo (por ex., estupro), com perigo moderado (por ex., machucado), palavras positivas e neutras (por ex., moderado). Os resultados mostraram que o Stroop Emocional captou processos relevantes para a memória intrusiva. Esses resultados foram verificados para sujeitos com TEPT clínico e tiveram interferência moderada para a população sub-clínica. A interferência também não se verificou para pacientes vítimas de estupro tratadas com terapia cognitivo-comportamental, em combatentes sem TEPT ou em casos de fobias simples.
Sobre as alterações cognitivas no TEPT, Kristensen (2005) em sua tese de doutoramento faz uma revisão da literatura onde diversos autores apontam uma associação entre o TEPT e o prejuízo em funções cognitivas:
[...] o resultado desse conjunto de estudos favorecem uma associação entre o TEPT e o prejuízo em funções cognitivas dependentes, em certo grau, do funcionamento executivo, como a memória prospectiva15 (Moradi, Neshat-Doost et al., 1999), raciocínio abstrato
(Beers & De Bellis, 2002; Gil et al., 1990, citado em Horner & Hammer, 2002), flexibilidade mental (Kristensen & Borges, 2004; Stein et al., 2002) e memória de trabalho (Stein et al.). KRISTENSEN (2005,P.119-120).
Quanto à repetição no TEPT, parece haver uma ligação entre a persistência dos sintomas e uma idéia de perigo iminente que se mantém mesmo sem bases reais. Essa crença disfuncional no perigo e uma avaliação negativa de suas consequências mantêm o indivíduo em estado de alerta e ativa mecanismos de memória constantemente repetidos e fortalecidos
15 A memória prospectiva (MP) também chamada memória de agenda, refere-se a um conjunto de habilidades
cognitivas que permitem ao indivíduo lembrar de algo a realizar no futuro. Estudos de neuroimagem associam os lobos frontais ao desempenho do componente prospectivo da MP (lembrar a intenção) e as estruturas mesiais temporais ao componente retrospectivo da MP (lembrar o conteúdo da atividade).
que aparentemente procuram manter o indivíduo pronto para uma resposta primitiva de luta ou de fuga.
Não é sem razão que os circuitos neurais ativados no TEPT envolvem as amígdalas, o hipocampo e a hipófise, um conjunto de áreas responsáveis pela explicação da sintomatologia adrenérgica, da intrusão de memórias dolorosas, de alterações no processamento emocional e das alterações psicossomáticas correlatas ao TEPT.
Nesse estudo o uso do Stroop Emocional atende a uma necessidade metodológica de um instrumento cognitivo para avaliação do TEPT que seja adaptado às características da população local e que não dependa exclusivamente de auto-relato. Foram selecionadas palavras que se referiam às emoções, substantivos com sentido relacionados à violência ou a sintomas conhecidos derivadas da vivência de eventos traumáticos e não palavras diretamente relacionadas aos eventos em si, uma vez que não podíamos saber de antemão quais seriam os tipos de eventos apontados pelos participantes. A aplicação do Stroop Emocional em população universitária vem atender a uma lacuna nos estudos sobre as conseqüências cognitivas da vivência de estressores extremos fora da camada social de baixa renda. O processamento cognitivo nessa faixa etária também é favorecido pela maturação do lobo frontal que se completa apenas ao final da adolescência e pelo pico do desenvolvimento cognitivo, principalmente da atenção e das funções executivas, esperado ao término da adolescência e início da vida adulta (Pennington, 1997; Kingsley & Lambert, 2005). Pode ser incluído como medida de avaliação cognitiva pré e pós-tratamento clínico em sujeitos com TEPT, como um instrumento adicional ao relato verbal para a verificação de resultados das intervenções psicoterapêuticas adotadas na clínica.
Neste estudo pretende-se abordar o TEPT decorrente de violência sofrida na infância e adolescência – violência essa, definida operacionalmente por Minayo (2002, p.95), como uso
da força com vistas à exclusão, ao abuso e ao aniquilamento do outro - e suas repercussões na cognição e emoção humanas. O capítulo a seguir aborda os aspectos do método utilizado nesse estudo: seus fundamentos, procedimentos e instrumentos utilizados e seus backgrounds.