2.1.4. Otel İşletmeciliği Eğitimi ve Staj Faaliyetler
2.1.4.2. Turizm ve Otelcilik Eğitiminde Genel Sorunlar
O estouro da bolha veio com o “calote” de tomadores, o consequente prejuízo dos investidores que compraram papéis relacionados a lotes desses empréstimos de risco e o resultante declínio do preço dos imóveis – além, é claro, da perda de confiança dos investidores, levando a uma crise que se espalhou rapidamente para o que muitos chamam de “economia real”.
O momento decisivo que marcou a crise de 2008, o ponto em que ficou clara toda sua extensão no que diz respeito ao comprometimento do sistema bancário norte- americano e em que o pânico se alastrou para outras economias foi a quebra do banco Lehman Brothers. A esse respeito, escrevem Torres Filho e Borça Júnior, ainda no calor do desdobrar dos acontecimentos, em outubro de 2008, ao fazer um apanhado da situação:
Ainda em setembro, foi a vez do Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimento americano, enfrentar dificuldades. Após o anúncio de um prejuízo de US$ 3,9 bilhões no terceiro trimestre de 2008 e da negativa do governo americano em fornecer respaldo financeiro a uma possível operação de compra da instituição – o banco inglês Barclays e o americano Bank of America tinham interesse na aquisição –, o Lehman Brothers entrou com um pedido de concordata na Corte de Falências de Nova York.
A decisão das autoridades americanas de não prover apoio financeiro ao Lehman Brothers agravou profundamente a crise, gerando um forte pânico nos mercados globais. Bancos e empresas, mesmo possuindo condições saudáveis do ponto de vista financeiro, passaram a ter amplas dificuldades na obtenção de novos recursos e linhas de crédito de curto prazo. Na esteira da piora da crise financeira, cresceram as preocupações e desconfianças com relação à solvência do sistema bancário norte-americano e seus impactos recessivos sobre o lado real da economia. Nesse sentido, a quebra do Lehman Brothers é, efetivamente, o ponto nevrálgico de agravamento da crise financeira (TORRES & BORÇA JR., 2008, p. 132).
E a crise acabaria por se mostrar de tal forma devastadora nos países centrais do capitalismo que chega a configurar um ponto de inflexão no qual tais países perdem algo de seu peso na balança do poder econômico mundial e em que ganham importância no tabuleiro internacional países periféricos, especialmente os chamados emergentes. E isso traz à baila algumas questões importantes para a comunicação midiática. Conforme afirmava Maria Immacolata Vassallo de Lopes em 199016:
É dentro dessa dinâmica cultural concreta e específica dos países capitalistas periféricos que se insere o objeto de estudo da Comunicação entre nós. Esse objeto é, em síntese, o domínio das relações entre Comunicação de Massa e Cultura das classes sociais numa sociedade subdesenvolvida (LOPES, 2001, p. 15).
Se então o objeto de estudo da comunicação no país era visto com base na condição de país periférico, de sociedade subdesenvolvida, essa lógica deve, num momento em que os países vistos como potências emergentes, entre eles o Brasil, movem-se em direção ao centro do capitalismo mundial, ser reavaliada.
No que diz respeito a implicações sociais mais amplas, a crise foi colocou em dúvida a capacidade de auto-regulação dos mercados e a eficácia dos instrumentos de supervisão existentes, uma vez que um risco sistêmico real foi criado. Foi a atuação do FED (o banco central dos EUA) e dos bancos centrais europeus que dissiparam, pelo menos naquele momento crítico, a possibilidade de efeitos mais catastróficos, não obstante os efeitos recessivos observados nas principais economias ocidentais desde então. Assim, um período de maior intervenção do Estado na economia deve ser a tendência para o futuro próximo em tais economias.
Como tratava de todos esses acontecimentos que punham em cheque a estabilidade da economia mundial o blog de Míriam Leitão é o que veremos neste trabalho, mas do ponto de vista da comunicação, levando em conta, como a seguir, aspectos como a própria linguagem do jornalismo voltado à cobertura dos acontecimentos econômicos. E quanto a esta, procura-se demonstrar que ela tem sido analisada mais a partir de um dos lados do arco ideológico proposto por Bobbio, levando a conclusões, se não são consensuais, são em muito parecidas, mas que merecem ser consideradas a partir de outros pontos de vista.
16 A edição de seu livro usada neste trabalho é de 2001, mas não informava modificações em relação à primeira edição de nove anos antes.
Em agosto de 2008, mês em que a crise norte-americana se transformaria finalmente em uma crise global, a primeira referência a ela no blog é no dia cinco, em postagem de Alvaro Gribel sobre os preços do petróleo:
Um relatório da International Energy Agency (IEA) indica que os preços do petróleo podem ficar menos pressionados até 2011, para então voltar a ter tendência de alta até 2013.
Isso tudo como resultado do desaquecimento da economia mundial, puxada pela crise americana. Segundo a IEA, nesse primeiro momento haverá crescimento da capacidade ociosa da OPEP (como mostra o gráfico abaixo). Depois, com o mundo voltando a consumir, a capacidade ociosa irá diminuir, até atingir a mínima em 2013.17
Naquele momento, supunha-se que por volta de 2011, o que então era uma crise da economia norte-americana, já estaria superada, o que, hoje se sabe, não foi o caso. Mas o fragmento serve para mostrar uma das características mais marcantes do jornalismo econômico: tanto quanto (ou mais do que) relatar os fatos, contextualizá-los e explicá-los, ele busca fazer previsões com base nesses fatos.