• Sonuç bulunamadı

Turistlerin Sosyal ve Psikolojik Mekân Algılarının Yapılan Seyahatin

3.2. Bulgular

3.2.11. Turistlerin Sosyal ve Psikolojik Mekân Algılarının Yapılan Seyahatin

Os atendimentos ocorriam na sede do CREAS e na rua, embaixo de pontes, viadutos, terrenos baldios, estacionamentos, na frente de lojas e praças. Após a primeira abordagem ou acolhimento, construído o vínculo, iniciávamos os acompanhamentos. Cada integrante da equipe atendia a um número de casos, tornando-se referência para os sujeitos. Isso não impossibilitava que os outros integrantes da equipe pudessem atender a esses sujeitos, acompanhá-los e dar-lhes suporte quando fosse necessário70. Quando o profissional de

referência entrava em férias ou se ausentava, todos sabiam o suficiente sobre o caso (sujeito), de forma que este continuava sendo encaminhado. Se, por ventura, o trabalhador saísse do CREAS, os atendimentos continuariam, pois eram realizados coletivamente.

Atendíamos e acompanhávamos diversas demandas: mulheres grávidas em final de gestação, pessoas com o vírus HIV e/ ou com doenças sexualmente transmissíveis, garotas de programa, sujeitos com sofrimento psíquico e com impasses nos processos de subjetivação, idosos e pessoas com deficiência que se perderam de casa, toxicômanos e alcoolistas, pessoas desempregadas, vítimas de violência e ameaçadas pelo tráfico, etc. Todas essas situações tinham em comum o fato de os sujeitos estarem em situação de rua, não terem acesso aos serviços de proteção social e de outras políticas, estarem em pobreza extrema, sem trabalho com remuneração equivalente às suas necessidades de sobrevivência.

Eram casos complexos, para cuja solução apenas ações simples, como encaminhamentos para inserção no mercado de trabalho, para a volta para a família ou o referenciamento para outras políticas, não eram suficientes. Os anos de rua, a baixa escolaridade, os baixos salários a que sempre estiveram submetidos e o longo tempo de uso de drogas dificultavam e, em muitos casos, impossibilitavam que eles arcassem com despesas básicas, como aluguel, alimentação e cuidado com o próprio corpo.

Quando se está há pouco tempo na rua, as chances de reinserção no mercado de trabalho e de saída da rua por meio dele são maiores. A escolaridade tem um papel importante, uma vez que facilita arrumar empregos com maior remuneração. As PSR, no entanto, em sua maioria, apresentam pouco tempo de escolaridade, e ausência de documentos e, por isso, só conseguem trabalhos com baixa remuneração e sem registro em carteira. São presas fáceis para “gatos” e empreiteiros que buscam mão de obra barata. Tentávamos inserir as pessoas em frentes de trabalho da própria prefeitura, mas o trabalho era muito pesado e mal

70Um coletivo de trabalho(OURY, 2009) com PSR faz o trabalho ficar menos denso e desgastante, pois pulveriza os impasses, uma vez que aumenta as trocas entre os participantes desse coletivo.

remunerado, o que não contribuía para a saída da rua: o que recebiam não dava para pagar um aluguel barato. O auxílio aluguel seria um benefício interessante, mas não era concedido para as PSR. Era recebido apenas por pessoas que moravam em áreas de risco ou que tinham sido vítimas de calamidade pública, em razão do que sua casa tinha ficado inabitável. Tais critérios fizeram-nos interrogar o por que de esses casos receberem esse auxílio e as PSR não. Tentamos solicitar um número desses benefícios para os sujeitos atendidos por nós, mas a resposta foi enfática - “o auxílio aluguel mal dá para quem precisa” -, como se eles não precisassem.

Sobre a escolaridade, reiteramos que eles apresentavam pouco tempo de estudo, geralmente, o ensino fundamental incompleto. Quando se é pobre e se precisa trabalhar, o estudo acaba ficando em segundo plano, e o tempo que seria utilizado na escola é gasto no trabalho. A pobreza tem impacto direto no acesso à escolaridade.

Havia também os sujeitos que apresentavam sofrimento psíquico e exigiam uma abordagem mais complexa, principalmente os que estavam há muitos anos na rua. Muitas dessas pessoas recusavam as ofertas de abordagem da equipe ou a aproximação de qualquer pessoa que julgassem ser estranhas. Uma aproximação pensada com cautela aumentava as chances de o sujeito responder assertivamente ao contato com o trabalhador-intercessor. Às vezes, abordávamos as PSR com auxílio de pessoas da comunidade ou ofertando algo que poderia ser do seu interesse imediato, como comida, dinheiro, roupa, cobertor, cigarro, etc. Após a vinculação, essa oferta era suspensa. Essas ações tinham como propósito aproximar a equipe de trabalhadores dos sujeitos e conhecê-los, com também nos tornar conhecidos no território.

Ao passarmos pelas proximidades de um pronto-socorro, encontramos um sujeito com calça e blusa de moletom e com capuz na cabeça, sentado na calçada de cabeça abaixada. Pela estatura física, aparentava ser um adolescente de 12 anos. Ao abordá-lo, descobrimos que era uma senhora, Dona Zaza. Com um discurso confuso contou que trabalhava para Sílvio Santos, estava extremamente suja e era muito magra. Tentamos contato, mas ela não quis conversa. Fizemos perguntas a seu respeito para os comerciantes, mas eles afirmaram que não a conheciam. Após outras tentativas, conseguimos construir um vínculo com Zaza. Descobrimos que, além dos impasses subjetivos, ela acumulava outros problemas de saúde e era moradora daquele mesmo bairro. Ofertamos a possibilidade deacompanhá-la ao pronto- socorro, mas ela se recusou, dizendo não ter boas lembranças de hospital, pois a tinham levado algumas vezes à força.

Entramos em contato com o Serviço Social do hospital e conseguimos o endereço da família. Fizemos algumas visitas domiciliares, mas não encontramos ninguém em casa, deixamos nosso contato com os vizinhos. Um dia, o filho de Zaza entrou em contato conosco. Contou que tinha acolhido novamente a mãe em casa, mas, como ela não gostava de sua esposa, em geral acabava indo para a rua. Falamos-lhe do CAPS II e de como o atendimento psíquico poderia trazer alguns benefícios para Zaza. Quando os sujeitos configuram um problema para os familiares e quando essa situação se mantém por um grande período de tempo, os membros da família abrem a porta de casa para os sujeitos irem embora e, quando isso não acontece, fazem de tudo para que não queiram ficar. Apostávamos que as ações do CAPSII junto com a família poderiam proporcionar modos de Zaza lidar com seus impasses subjetivos.