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Como ensinam Fleury e Fleury (2001), no senso comum, competência significa designar uma pessoa qualificada para alguma coisa. Os debates sobre competência se iniciaram nos Estados Unidos com a publicação de David MacClelland, em 1973, por meio do paper Testing for Competence Rather tha n Intelligence, que define competência como característica subjacente a uma pessoa casualmente relacionada com o desempenho superior à realização de uma tarefa ou em determinada situação. Pensado como a reunião de conhecimentos, habilidades e atitudes, o conceito busca circunscrever um conjunto de capacidades humanas. Antes, os modelos taylorista e fordista tinham como referencial trabalhar a relação profissional: pessoa – organização por meio da qualificação, que era igualmente definida pelos requisitos associados à posição ou ao cargo ou pelos saberes ou estoque de conhecimentos que eram certificados pelo sistema educacional (QUADRO 4).

Auto res Definição

McClell and (1 993 ) A comp et ênci a é uma caract erística individ ual apta a pro mov er um d es empenho superior n a reali zação d e uma ativid ad e e qu e atua como referênci a a o utros indi víduos para se atin gir os mesmo s result ados.

Boyatzis (1982 ), Compet ênci a se t rat a d e um conjunto d e características e traços individ uais qu e promov em um des emp enh o superior no trab alho.

Parry (1996 ) As características individuais se referem aos C HA’s (conhecimentos, habilidades e atitudes ) ess en ciais p ara que o indivídu o possa atin gir os resultad os alm ejado s.

Q uadro 4 – Conceito de comp etência - Escola Americana Fonte: Ad aptad o de Fons eca et al. (2011 ).

Na década de 1990, a Escola Francesa mudou o foco de qualificação vinculado à função para a ideia de competência (Quadro 5), associada à capacidade de mobilizar, articular e combinar recursos, valorização da aprendizagem e do autodesenvolvimento. O conceito de competência assume, dessa forma, papel de decisão, influência e participação nas questões estratégicas da empresa, quando se refere à capacidade das pessoas de assumirem iniciativas e irem além das atividades prescritas (BUNDCHEN et al., 2011).

Auto res Definição

Zari fian (2001 ) Compet ênci a se refere à capacid ad e que o indivíd uo possui p ara lidar com situ ações em const antes mud an ças.

Le Boterf (2 003 ) Compet ênci a su rg e na ação. Trata -se da apli cação do conh eciment o na prática em um a determin ada situ ação.

Sandb erg (2000 ) Compet ênci a surge a partir do mom ento em q ue o trab alhador atribui signi fi cado p ara o trab alho em su a ex periên cia viv en cial.

Cheet am e Chiv ers (2000 )

Apresentaram um a visão holística e sistêmi ca sob re o con ceito d e comp et ênci as. É composto po r quat ro com pet ên cias ess en ciais ou co mpet ên cias -chav e: (1 ) cognitiv a: possuir conh eciment o e com o saber utilizá-lo; (2) fun cion al: h abilidade para reali zar uma ativid ad e e al can çar um det erminad o res ultado; (3) comport am ental: refere -se ao compo rtam ento ad equ ado qu e deverá s er adotado em situ açõ es d e trabalh o; (4) ética: saber julgar de m anei ra adequada as di ferentes situaçõ es de trab alho.

Q uadro 5 – Conceito de comp etência - Escola Europ eia Fonte: Ad aptad o de Fons eca et al. (2011 ).

Entre os conceitos expressos, percebe-se que existe um alinhamento no sentido do que venha a ser competência: conhecimentos, habilidades e atitud es. Recentemente, as organizações incluíram um item nesta composição, que é o resultado, ou seja, competente é o profissional que entrega o resultado positivo.

2.3.1 Competência Empreendedora

Na compreensão de Zampier (2012), quando transportado para o campo do empreendedorismo, o conceito de competência assume outras conotações.

Consoante alcançou Mamede e Moreira (2005, p. 4), “a competência empreendedora pode ser tratada tanto como competência do indivíduo quanto relacionada à prática administrativa, devido às diferentes tarefas que desempenham”. Para eles, as ações empreendedoras, como senso de identificação de oportunidades, capacidade de relacionamento em rede, habilidades conceituais, capacidade d a gestão, facilidade de leitura, posicionamento em realidades conjunturais e comprometimento com interesses individuais e da organização estão associadas com o conceito de competências.

Após todo um levantamento sobre competência e competência empreendedora, Zampier (2010) opta por considerar:

Compet ênci as emp reen ded oras como um corpo d e con hecimento, área ou habilid ade, qu alid ad es pessoais ou características, atitud es ou visões, motivaçõ es ou direcion amentos, que pod em, de di ferentes form as, contribui r p ara o p ens amento ou ação efetiva d o negóci o e qu e vi abilizam a um indivídu o imprimi r açõ es, estratégias e sua vis ão na criação de v alor, tangí veis e int angív eis, para a so cied ad e (ZAMPIER, 2010).

Para Man e Lau (2000), a competitividade nas micro e pequenas empresas (MPE) encontra-se intensamente influenciada pelas competências do empreendedor. Como tal

pressuposição, os autores realizaram diversos estudos empíricos de 1993 a 1999, que resultaram em uma categorização de competências em seis áreas distintas, conforme descrito no QUADRO 6.

Áreas de Co mpetências Foco Compo rtamental

Compet ênci as de Oportu nidades Compet ênci as relacion ad as ao reconh ecim ento d e oportu nidad es de mercados em suas di ferent es fo rmas.

Compet ênci as de R elacion amento Compet ênci as relacion ad as às interaçõ es bas eadas nos rel acio nam entos entre indivíduos e indiví duos e grupos. Compet ênci as Con ceitu ais Compet ênci as relacion ad as às di ferentes habilid ades con ceitu ais

que est ão refl etidas no compo rtam ento do empreend edor.

Compet ênci as Administ rativ as

Compet ênci as relacion ad as com a o rganização d e di ferentes recurs os internos e ext ernos, recu rsos hum anos, físicos, fi nan ceiros e t ecn ológicos.

Compet ênci as Estratégicas Compet ênci as relacion ad as à es colh a, avali ação e impl ementação das est rat égias d a emp resa.

Compet ênci as de Comp rom etimento Compet ênci as qu e dem and am habilidad e de m anter a dedicação do dirigent e ao n egó cio.

Q uadro 6 – Áreas de competên cias e seus focos comportamentais Fonte: Ad aptad o de M an e Lau (200 0).

Esta tipologia ou modelo possibilitou a identificação, por parte dos pesquisadores, das competências necessárias de conhecimentos, habilidades e atitudes, no desenvolvimento das atividades empresariais.

Na pesquisa sobre competências empreendedoras de gerentes/proprietários de pequenas e médias empresas do setor de serviço de Hong Kong, Man e Lau (2000), que estruturaram as seis áreas de competências (de oportunidade, de relacionamento, conceituais, administrativas, estratégicas e de comprometimento), identificaram o fato de que os comportamentos são observáveis e condicionantes da capacidade de realização de ações estratégicas e de expansão empresarial.

No Quadro 7 os comportamentos estão organizados por área de competência, pois, segundo Man et a l. (2002), a influência do fator humano, considerando a abordagem da competência, é vista da perspectiva comportamental ou do processo.

Área de

Comp etência Compon entes Co mporta men tais Oportu nidade

Identi ficar - op ortuni dad es de n egó cios e lacun as d e mercado;

Avali ar - m ercados não aten didos, tend ênci as e mud an ças d o mercado; Buscar - pes quisar opo rtunid ades atrav és de pes quisa d e mercado/m arketing.

Relacion amento

Construir e mant er red es de relacion am entos; Utilizar-s e das red es de rel acio nam entos;

Expor su as habilidad es à mídi a para co nstrui r imag em; Comunicar - efetivam ent e e efi ci entem ent e;

Neg oci ar - com sócios ou p arceiros;

Administrar con flitos - evitar e resolv er os co n flitos; Construir cons enso com os parceiros d e negó cios.

Conceituais

Pensar intuitivam ente;

Ver por ângulos di ferent es - observ ar, an alisar e av aliar de form a subjetiv a; Inov ar - di feren ciar-s e em m ercados, produto s e tecnologi as;

Avali ar ris cos.

Administrativa

Planej ar as op eraçõ es e utilização de recurs os; Adquiri r e us ar recursos d e forma efici ent e; Liderar emp reg ado s;

Motivar emp reg ados p ara atingi rem as met as;

Del egar respons abilid ad es para pro fission ais cap acit ados; Controlar.

Estrat égi ca

Ter visão ab rang ente e de longo p razo; Estab elecer e avali ar met as;

Fazer uso dos recurso s e capacid ad es da em presa; Reali zar mudanças est rat égicas;

Defi nir e avali ar posi cion amento em um nich o de mercad o; Execut ar as m etas est ab elecid as;

Usar táticas frent e aos cli ent es e com petido res;

Estimar a viabilid ade fi nan ceira na implement ação d a estratégia; Monitorar os resultados da impl ementação das est rat égias.

Comprom etimento

Mant er o com promiss o com o negócio; Comprom eter-s e com m etas d e longo prazo; Dedi car-s e ao trab alho;

Ser respons áv el pel a atu ação dos em pregados; Comprom eter-s e com cren ças e valo res; Comprom eter-s e com os p rópri os interess es;

Disposição p ara rei nici ar a atividad e mes mo após situ açõ es d e insucesso. Q uadro 7 – Competências emp reendedoras

Fonte: Ad aptad o de M an e Lau (200 0).

Zampier (2010, p. 44) cita, em seu trabalho, o fato de que que várias pesquisas científicas nacionais utilizaram o modelo de Man e Lau (2000) como maduro e validado. Assim, a autora definiu a utilização desta tipologia, e destaca: “estes estudos permitiram também constatar que o desenvolvimento das competências, embora diferenciadas nos diversos setores, está associado a um processo de aprendizagem”.

Continua a autora:

Segu ndo Barini Filho (20 08), exist e um p rocesso educacion al qu e s upo rta a form ação de emp reen ded ores. Assim, a aprendi zag em representa o processo o u o meio pel o qual s e ad quire a comp etên cia, enqu anto a comp etênci a repres enta um a mani festação do qu e o indivíduo ap rendeu.

Portanto, a competência resulta da aplicação de conhecimentos, habilidades e atitudes adquiridos pela pessoa em qualquer aprendizagem.

Com base no levantamento sobre competência empreendedora, Bitencourt (2005) descreve:

Compet ênci as e aprendi zagem são, port anto, ab ord ag ens complement ares, pois, para que h aja des env olvimento d a ap rendizag em, é preciso repensar as com pet ên cias d as pesso as, ao mes mo temp o em qu e o des envol viment o das comp etên cias é bas eado num pro cess o contín uo de ap ren dizagem, cri ando um círculo virtu oso. Afin al, não há d esenvolvim ento s em aprendi zag em, constituindo -se est a de um processo necess ário para aquisi ção de comp et ênci as. Port anto, a m esm a ên fas e encontrad a no poten cial expli cativ o dos estu dos, qu e con ect am as cat ego rias d e aprendi zag em e comp etên ci as n a literatu ra de nív el individu al e o rganizaci onal, t em sido dad a n a literatu ra de em preen ded orismo, ain da qu e mais incipi ent e.

Assim, os modelos escolhidos para este ensaio já foram validados por diversas pesquisas empíricas, quer sejam nacionais ou internacionais, e são os que melhor cobrem as especificações de competências empreendedoras e de aprendizagem empreendedora, o que servirá de base para atender ao objetivo geral e específico deste relatório de investigação científica. pesquisa.

Benzer Belgeler