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2. LİTERATÜR ARAŞTIRMASI

2.5. Trichoderma spp

Essa discussão baseia-se no entendimento, por parte da visão convencional, da necessidade de poupança prévia para o financiamento do investimento nos moldes da síntese da teoria convencional apresentada na seção 1.1 do capítulo 1, e mais especificamente, na seção 1.4 com a teoria da repressão financeira de Shaw-McKinnon. A argumentação foca na deficiência de poupança doméstica e interpreta a identidade contábil expressa em S = I (poupança = investimento) como uma relação de causalidade da direita para a esquerda, ou seja, há a necessidade de poupança acumulada previamente para financiar o investimento. Decompondo a poupança agregada (S):

S = I

Sp + Sg + Sx = I

onde: Sp = poupança doméstica privada Sg = poupança do governo

Sx = poupança externa absorvida pelo país = déficit em conta corrente Fazendo Sp + Sg = Sd = poupança doméstica, obtém-se:

Sd + Sx = I , e rearranjando: Sx = (I – Sd)

Ou seja, a ocorrência de um déficit em conta corrente (Sx > 0), ou a absorção de poupança externa, é equivalente em valor, e tem como causa, o excesso de investimento sobre o montante de poupança doméstica existente igual a (I – Sd). Uma vez interrompida a entrada

de poupança externa no país haverá restrição ao crescimento, explicado pela insuficiência de poupança doméstica (HERMANN, 2002(a): 256).

Corroborando a visão convencional, Malan (2002: 188) afirma que o crescimento da economia brasileira em uma perspectiva de médio e longo prazo envolve o aumento da poupança privada doméstica:

(...) mediante a criação de instrumentos financeiros que permitam decisões de poupança e de investimento de médio e longo prazo. (...) Um déficit do balanço de pagamentos em conta corrente é uma expressão de um excesso de investimento sobre poupança interna disponível. (...) Quando não se deseja reduzir o investimento privado e o público, a poupança agregada precisa aumentar, isto é, a poupança privada precisa aumentar e a despoupança, ou poupança negativa, ou déficit público consolidado, precisa ser reduzida.”

No mesmo sentido, Giambiagi (2002: 130-132) afirma que:

De modo geral, os indícios disponíveis apontam para a importância de que a taxa de investimento se recupere, como condição sine qua non para poder alcançar taxas de crescimento maiores, o que deverá requerer, concomitantemente, uma elevação da taxa de poupança agregada da economia. (...) uma melhora das perspectivas de crescimento, baseada na recuperação do investimento, terá que consistir na contenção do crescimento do consumo – público e privado – a taxas inferiores às do PIB. (...) mecanismos de estímulo à poupança doméstica privada desempenharão um papel importante nesse processo. Ao mesmo tempo, a continuidade da austeridade fiscal, combinada com uma redução gradual da taxa de juros deveria permitir uma diminuição das necessidades de financiamento do setor público e uma melhora da poupança pública.

As duas citações acima introduzem uma “versão fiscal” do argumento de insuficiência de poupança doméstica que aponta o desequilíbrio fiscal (em países como o Brasil) como a principal causa de tal deficiência, uma vez que baixa poupança do governo (Sg), a médio prazo, restringe também a poupança doméstica privada (Sp) através da redução do crescimento econômico. Nessa versão, para se recuperar os mecanismos de financiamento de longo prazo é necessário alterar a composição da renda nacional aumentando a poupança doméstica (Sd) através da diminuição do consumo privado e/ou público e ajuste fiscal (HERMANN, 2003(a): 257).

A versão fiscal aponta para o problema do chamado crowding out, que corresponde ao desvio de recursos da poupança doméstica para o financiamento dos gastos do governo, em detrimento do financiamento dos investimentos privados. Essa disputa por recursos eleva a taxa de juros provocando uma redução nos investimentos, e o aumento da poupança privada

(graças à elevação das taxas de juros) irá financiar o déficit público (CÂNDIDO Jr, 1999: 21). Assim sendo:

o equacionamento das contas públicas é de fundamental importância para se evitar um hiato de recursos disponíveis no financiamento dos investimentos. Para garantir a efetividade dos investimentos, é necessário agir em duas frentes: a) em primeiro lugar, é preciso adotar mecanismos de incentivo à poupança, os quais podem ser conseguidos por meio de uma reforma tributária que penalize menos a produção e mais o consumo (...) e garantir uma reforma previdenciária que tenha impacto positivo sobre a poupança do governo central e poupança privada (...); b) em segundo lugar, é preciso contar com um sistema financeiro capaz de garantir um fluxo de financiamento de longo prazo, a custos compatíveis com aqueles observados no mercado internacional. (CÂNDIDO Jr, 1999: 25)

Essa discussão engloba também o 1º canal de transmissão do Modelo de Shaw- McKinnon (seção 1.4 do capítulo 1), ou seja, a relação positiva entre o nível da taxa de juros reais e a disponibilidade de poupança agregada. O que se verificou no Brasil, na 2ª metade dos anos 90, foi que mesmo em um ambiente com taxas de inflação baixas e controladas e taxas de juros nominais elevadas, e portanto taxas de juros reais elevadas, a taxa de retorno real líquida sobre os ativos de longo prazo mantiveram-se baixas devido a ocorrência da alta tributação sobre operações e lucros financeiros, o alto custo associado às reservas compulsórias, regra da Basiléia, entre outros, e os riscos elevados das operações de crédito.

Do outro lado da discussão acerca da insuficiência de poupança doméstica como fator limitante do financiamento de longo prazo encontra-se a teoria pós-keynesiana (como apresentada na seção 1.2 do capítulo 1). De acordo com a literatura pós keynesiana, a visão clássica equivoca-se ao colocar a disponibilidade de poupança privada doméstica no centro da discussão, e coloca em seu lugar a disponibilidade de condições adequadas de instrumentos e instituições financeiras. Corroborando os escritos de Keynes acerca da questão referente à alocação da poupança ou disponibilidade de liquidez, Carvalho (2005: 13) afirma que: “Poupança é menos um problema por seu volume que por sua estrutura, que tem a ver menos com hábitos da população que com estruturas do mercado financeiro”. O que pode restringir o financiamento de longo prazo é o excesso relativo de preferência por liquidez dos bancos e investidores institucionais privados, excesso este não compensado por uma elevação na oferta de crédito público, e não a insuficiência de poupança (CARVALHO, 2005: 13; HERMANN, 2003(a): 264).

De acordo com a teoria keynesiana, o volume de poupança existente somente será um fator limitante ao financiamento quando a economia estiver operando em pleno emprego de

maneira que não será possível haver crescimento sem diminuição do consumo. Além disso, ao contrário do que afirma a visão dominante, a absorção de poupança externa não implica em incapacidade de geração de poupança interna, já muitas vezes refere-se a preços relativos como por ex., a ocorrência de taxas de câmbio sobrevalorizadas (CARVALHO, 2005: 16-17).

Para a visão pós-keynesiana, o Brasil, desde o 2º mandato do Presidente Fernando Henrique Cardoso (1998-2002), apresentou uma combinação de política de juros reais elevadas e política fiscal restritiva caracterizada pela busca de superávits primários crescentes, de acordo com a recomendação da visão convencional para a resolução da questão de insuficiência de financiamento do investimento. Porém, a literatura pós-keynesiana afirma que tal combinação de políticas não alcançou os resultados desejados:

(...) os efeitos restritivos dessa política sobre o consumo agregado, e consequentemente, sobre as vendas e os lucros empresariais, tendem a desestimular novos investimentos, limitando, em vez de expandir, a capacidade de crescimento da economia. Nesse processo, a própria poupança agregada acaba por ser também reduzida, acompanhando a queda da renda, e o esforço de ajuste fiscal tende a tornar-se inócuo, devido à queda da arrecadação tributária e ao aumento das despesas do governo com juros sobre a dívida pública – exatamente como se tem visto no Brasil desde o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso.” (HERMANN, 2003(a): 264-265)

Benzer Belgeler