E- KÜTÜPHANE VE YAYIN ŞUBESİ FAALİYETLERİ
4- TRAKYA HALKEVLERİ YAYIN FAALİYETLERİ
Com o objetivo de avaliar da estabilidade oxidativa de óleos e gorduras, na literatura estão descritos diversos métodos, cada um fornecendo informações sobre um estado em particular do processo oxidativo, que varia em função dos substratos lipídicos e das condições aplicadas (BERSET; CUVELIER, 1996; FRANKEL et al., 1994).
Para o teste de estufa os teores de compostos fenólicos totais, obtidos da análise por
Folin-ciocalteu e utilizados no cálculo das concentrações foram de 14,30 e 26,39 mg GAE/g
matéria seca para a murtilla silvestre e 14-4, respectivamente.
Tabela 18 - Índice de peróxido do óleo de soja controle, do adicionado dos extratos de frutos de murtilla silvestre e de TBHQ, submetidos ao teste de estufa
Tempo (h)
Índice de peróxido (meq O2 kg de óleo-1)*
Controle Silvestre 50mg kg-1 Silvestre 100mg kg-1 Silvestre 150mg kg-1 Silvestre 200mg kg-1 TBHQ
0 0,20±0,00B 0,20±0,00D 0,20±0,00C 0,20±0,00C 0,20±0,00C 0,20±0,00B 36 0,60±0,00Bc 6,03±0,00Ba 2,01±0,00Bb 2,01±0,00Bb 1,51±0,50Cb 0,20±0,00Bc 72 6,09±1,05Ab 4,02±0,00Cc 4,02±0,00Ac 9,07±1,01Aa 4,03±0,00Bc 0,20±0,00Bd 96 6,21±0,05Ac 9,32±0,25Ab 5,04±1,01Ac 2,01±0,00Bd 13,09±1,01Aa 2,01±0,00Ad *Médias seguidas da mesma letra maiúscula na coluna ou da mesma minúscula na linha não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade
Tabela 19 - Índice de peróxido do óleo de soja controle, do adicionado dos extratos de frutos de murtilla 14-4 e de TBHQ, submetidos ao teste de estufa
Tempo (h)
Índice de peróxido (meq O2 kg de óleo-1)*
Controle 50mg kg14-4 -1 100mg kg14-4 -1 150mg kg14-4 -1 200mg kg14-4 -1 TBHQ
0 0,20±0,00B 0,20±0,00C 0,20±0,00B 0,20±0,00C 0,20±0,00C 0,20±0,00B 36 0,60±0,00Bcd 1,51±0,50BCbc 3,02±1,01Aa 2,01±0,00BCab 2,01±1,16Bab 0,20±0,00Bd 72 6,09±1,05Aa 2,01±0,00Bcd 1,34±0,58Bcd 3,05±0,99Bcb 5,03±1,01Aab 0,20±0,00Bd 96 6,21±0,05Ab 9,07±1,01Aa 4,28±0,25Ac 5,03±1,01Abc 2,01±0,00Bd 2,01±0,00Ad *Médias seguidas da mesma letra maiúscula na coluna ou da mesma minúscula na linha não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade
A determinação do Índice de peróxido (IP) é expressa em miliequivalentes de oxigênio ativo por kg de amostra graxa, representando a diferença entre a formação e a decomposição de peróxidos (SILVA; BORGES; FERREIRA, 1999). A titulação iodométrica baseia-se na oxidação do íon iodeto por hidroperóxidos (ANTOLOVICH et al., 2002) sendo que neste método, a solução saturada de iodeto de potássio é adicionada a amostra de óleo, o iodo é liberado e titulado com uma solução padrão de tiossulfato de sódio utilizando o amido como indicador do ponto de viragem (ANTOLOVICH et al., 2002; KIRITSAKIS; KANAVOURAS; KIRITSAKIS, 2002). O IP é o método mais utilizado para a determinação
da concentração de peróxidos, pois por apresentarem uma natureza instável e intermediária, sendo altamente sensíveis à temperatura, o IP é um indicador aproximado do estado de oxidação da matéria graxa, particularmente na fase inicial de oxidação (WĄSOWICZ et al. 2004).
Na determinação do IP foi possível observar que em todos os tratamentos ocorreu um aumento gradativo deste índice no decorrer do tempo, sendo que o tratamento contendo o antioxidante sintético TBHQ apresentou os menores resultados, como esperado, visto que este composto é considerado o mais indicado antioxidante para óleo de fritura, por apresentar boa atividade protetora em altas temperaturas. Nenhum dos extratos, em nenhuma concentração, conseguiu conferir a mesma proteção que o TBHQ. Analisando os resultados dos extratos de
murtilla silvestre (Tabela 18), pôde-se observar que no tempo zero, todos os tratamentos
apresentaram o mesmo teor de peróxidos (0,20±0,00 meq O2 kg de óleo-1). No tempo de 36
horas ocorreu um aumento elevado deste teor, sendo que a concentração de 50 mg kg- 1 apresentou o maior valor (6,03±0,00 meq O2 kg de óleo-1).
Após as 72 horas de estufa, o teor de peróxido continuou aumentando, porém para o tratamento de 50 mg kg- 1 não foi observada esta linearidade, provavelmente devido à instabilidade dos hidroperóxidos sob temperaturas altas. Já no tempo de 96 horas o tratamento 150 mg kg- 1 apresentou a menor formação de peróxidos (2,01±0,0 meq O2 kg de óleo-1),
mostrando-se estatisticamente semelhante ao resultado obtido pelo TBHQ (2,01±0,0 meq O2
kg de óleo-1), contudo também não demonstrou linearidade nos resultados, sendo que as causas podem ter sido as mesmas já citadas para o tratamento de 50 mg kg- 1. Para o de 200 mg kg- 1 o valor de peróxido (13,09±1,01 meq O2 kg de óleo-1) foi muito elevado e
provavelmente associado à um possível efeito pró-oxidante dos compostos antioxidantes presentes no extrato. Com relação ao efeito protetor, a eficiência dos extratos foi classificada da seguinte maneira: 150ppm = TBHQ > 100 > Controle > 50 > 200 mg kg- 1.
Nos resultados obtidos com a adição dos extratos de murtilla 14-4 (Tabela 19) no tempo zero, todas as amostras também apresentaram o mesmo valor (0,20±0,00 meq O2 kg de
óleo-1). Após 36 horas de permanência na estufa, todos os tratamentos apresentaram um aumento nos índices, sendo que a dose de 100 mg kg- 1 apresentou a maior índice de peróxido (3,02±1,01 meq O2 kg de óleo-1). No tempo 72 horas, apesar do contínuo aumento do IP, o
TBHQ apresentou o mesmo valor das 36 horas e ocorreu um decréscimo no tratamento 100 mg kg- 1, as possíveis razões podem ser semelhantes à dos tratamentos que apresentaram a mesma característica. Após as 96 horas de estufa, 100 e 150 mg kg- 1 (4,28±0,25 e 5,03±1,01 meq O2 kg de óleo-1, respectivamente) apresentaram os menores índices de peróxido e apesar
do 200 mg kg- 1 ter demonstrado um valor muito abaixo dos demais, este não poderá ser considerado válido porque observou-se que ao invés de aumentar o IP do tempo 72 horas para o de 96 horas, ocorreu uma redução deste valor, provavelmente pela degradação dos peróxidos formados na amostra. Com relação ao efeito protetor, a eficiência dos extratos foi classificada da seguinte maneira: TBHQ = 200* > 100 = 150 > Controle > 50 mg kg- 1.
Em estudo comparativo sobre a eficiência dos antioxidantes TBHQ, BHT, BHA e PG adicionados ao óleo de soja e mantidos em estufa a 60ºC, após 10 dias o TBHQ apresentou o maior efeito protetor, apresentando índice de peróxido de 4,57 meq O2kg-1 de óleo (TOLEDO;
ESTEVES, HARTMANN, 1985). Luzia e Jorge (2009) avaliaram a atividade antioxidante de extrato de semente de limão (Citrus limon) adicionado em sistema modelo a base de soja, e obtiveram valores de índice de peróxido de 2,83 meq O2 kg de óleo-1 após 3 dias a 60ºC,
sendo que para o TBHQ foi de 2,84 meq O2 kg de óleo-1. Já Jorge et al. (2009) compararam o
efeito protetor do extrato de semente de maracujá (500 mg kg-1 e 1.000 mg kg-1) com antioxidante sintético BHT em óleo de soja a 60ºC, e verificaram que as duas concentrações testadas foram capazes de reduzir a formação de peróxidos no óleo. Os autores alegam que quanto maior o tempo de aquecimento, maior a formação de peróxido em todos os tratamentos, situação observada no presente trabalho.
Gaméz-Meza et al. (1999) adicionaram extrato de bagaço de uva, nas concentrações de 0,1% e 0,3% de compostos fenólicos totais, BHA (0,02%) e TBHQ (0,02%) em óleo de soja submetido ao teste de estufa (60ºC durante 21 dias) e observaram que as concentrações dos extratos não apresentaram diferenças significativas entre os tratamentos (p < 0,05), entretanto apresentaram poder antioxidante mais alto que o BHA, porém menor que o TBHQ, podendo ser considerado uma alternativa de antioxidante natural. Caetano et al. (2009) avaliaram, por meio do teste de estufa (60ºC), o efeito antioxidante de extrato hidroetanólico de bagaço de acerola em óleo de soja. Após sete dias foram produzidos 2,13 ± 0,13 meq O2 kg de óleo-1,
resultado muito próximo ao encontrado neste estudo.
No Brasil as normas que regulamentam a adequação de óleo para o consumo, segundo a Portaria 482/99-ANVISA, estabelecem o máximo de 10,0 meq O2 kg de óleo-1 de IP para o
óleo de soja refinado (BRASIL, 1999). Neste trabalho somente o extrato de murtilla silvestre com 200ppm de fenólicos, após 96 horas, apresentou valor acima deste limite, sendo que todas as outras concentrações dos extratos das duas murtillas foram eficientes até o período de 96 horas. É possível concluir, com base nos resultados obtidos com a análise do IP, que o extrato de murtilla silvestre e da cultivar 14-4 preparados nas condições descritas neste trabalho, podem ser considerados fontes de antioxidantes naturais.
Tabela 20 - Ácidos graxos livres quantificados no óleo de soja controle, no adicionado dos extratos de frutos de murtilla silvestre e de TBHQ, submetidos ao teste de estufa
*Médias seguidas da mesma letra maiúscula na coluna ou da mesma minúscula na linha não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
Tabela 21 - Ácidos graxos livres quantificados no óleo de soja controle, no adicionado dos extratos de frutos de murtilla 14-4 e de TBHQ, submetidos ao teste de estufa
*Médias seguidas da mesma letra maiúscula na coluna ou da mesma minúscula na linha não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
O percentual de ácidos graxos livres (AGL) é considerado um parâmetro relacionado à qualidade da matéria-prima, do processamento e das condições de conservação da matéria graxa (HUI, 1996). No processo de rancidez hidrolítica, ocorre a hidrólise da ligação éster pela ação da umidade ou da temperatura, resultando na produção de ácidos graxos livres (HUI, 1996). Portanto é importante na determinação quantitativa dos ácidos graxos livres para que assim seja possível estimar o grau de deterioração do produto (CECCHI, 2003).
Segundo a American Oils Chemists’ Society (AOCS, 2009), a acidez em óleos vegetais pode ser determinada pela titulação ácido-base, podendo utilizar o NaOH como titulante e a fenolftaleína como agente indicador do ponto de viragem. O resultado desta análise é expresso em percentual (em peso) de ácidos graxos livres em relação a um ácido graxo específico, geralmente o ácido oleico, entretanto pode-se considerar qualquer outro ácido graxo predominante na amostra analisada (OSAWA; GONÇALVES, 2006).
Analisando o percentual de ácido oleico nos tratamentos com extratos de frutos de
murtilla silvestre, observou-se que no tempo zero, todos apresentaram baixas porcentagens
(0,07 a 0,47%), já após 36 horas na estufa, o percentual aumentou, sendo que o tratamento 150 mg kg-1 apresentou o maior valor (0,47±0,04 % ácido oleico). No tempo de 72 horas os tratamentos 150 e 200 mg kg-1 apresentaram os maiores percentuais sendo os dois foram
Tempo (h)
Ácidos graxos livres (%ácido oleico)*
Controle Silvestre 50mg kg-1 Silvestre 100mg kg-1 Silvestre 150mg kg-1 Silvestre 200mg kg-1 TBHQ
0 0,07±0,00C 0,07±0,00B 0,07±0,00D 0,07±0,00D 0,07±0,00D 0,07±0,00C 36 0,15±0,00Bc 0,07±0,00Bd 0,15±0,00Cc 0,47±0,04Ca 0,36±0,00Cb 0,11±0,00Bcd 72 0,13±0,02Bc 0,79±0,01Ab 0,79±0,01Bb 0,89±0,02Aa 0,89±0,02Aa 0,07±0,00Cd 96 0,18±0,00Ad 0,80±0,00Acb 0,83±0,02Aa 0,81±0,00Bab 0,78±0,00Bc 0,15±0,00Ae
Tempo (h) Ácidos graxos livres (%ácido oleico)
*
Controle 50mg kg14-4 -1 100mg kg14-4 -1 150mg kg14-4 -1 200mg kg14-4 -1 TBHQ
0 0,07±0,00C 0,07±0,00B 0,07±0,00C 0,07±0,00C 0,07±0,00C 0,07±0,00C 36 0,15±0,00Bc 0,07±0,00Bd 0,15±0,00Cc 0,24±0,04Bb 0,44±0,00Ba 0,11±0,00Bcd 72 0,13±0,02Bc 0,78±0,01Ab 0,79±0,01Bb 0,79±0,01Ab 0,83±0,01Aa 0,07±0,00Cd 96 0,18±0,00Ac 0,79±0,01Ab 1,43±0,07Aa 0,78±0,00Ab 0,81±0,00Ab 0,15±0,00Ac
estatisticamente semelhantes (0,89±0,02%ácido oleico). Ao final das 96 horas de estufa, o óleo contendo o antioxidante TBHQ apresentou o menor valor (0,15±0,0%ácido oleico) sendo inferior ao controle (0,18±0,00%ácido oleico). Para os tratamentos de murtilla 14-4, também para o tempo zero todos os tratamentos apresentaram o mesmo índice de acidez, entretanto no tempo 36 horas ocorreu um aumento no qual o tratamento 200 mg kg-1 (0,83±0,01%ácido oleico) foi considerado estatisticamente diferente dos demais. Após as 72 horas, além do tratamento 200 mg kg-1, os tratamentos 50, 100 e 150 mg kg-1 apresentaram valores muito altos de acidez (0,78±0,01, 0,79±0,01 e 0,79±0,01% em ácido oleico, respectivamente) sendo superiores ao controle (0,18±0,00% em ácido oleico).
Para todas as concentrações, tanto de extrato de frutos de murtilla silvestre quanto da 14-4 após as 72 horas de estufa, o percentual de ácido oleico foi elevado e isto pode ter ocorrido pelo fato dos extratos possuírem em sua composição 50,5% de água. Este resultado era esperado uma vez que o aumento da acidez indica o desenvolvimento de reações hidrolíticas com a produção de AGL, que são aceleradas pela à presença de água e alta temperatura (CELLA; REGITANO D‘ARCE; SPOTO, β00β).
Osawa e Gonçalves (2006) analisaram amostras comerciais de óleos de arroz, algodão, canola, girassol, milho e soja refinados e obtiveram valores de ácidos graxos livres de 0,028 a 0,096%, expressos em ácido oleico, resultados estes semelhantes ao encontrado neste estudo no tempo zero para o TBHQ. Coimbra, Del Ré e Jorge (2009) avaliaram o efeito protetor de extratos metanólicos de alho em óleo de soja, armazenados a 65ºC. Após quatro dias obtiveram 0,11% ácidos graxos livres para as amostras de óleo de soja adicionadas de 1.500 e 2.000 mg kg- 1 de extrato. Ravelli (2011) avaliou o efeito de extratos hidroalcoólicos etanol:água (80:20, v/v) de alecrim, sálvia, orégano, manjerona, tomilho, louro, cominho e endro em óleo de soja refinado e após 72h na estufa, obteve resultados que variaram de 0,09 a 0,10, valores aproximados aos encontrados neste estudo porém em diferente tempo.
De acordo com a Resolução RDC nº482, de 23 de setembro de 1999 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que aprova o regulamento técnico para fixação de identidade e qualidade de óleos e gorduras vegetais, o valor máximo de acidez permitida é de 0,3% (BRASIL, 1993). Como após as 36 horas de permanência na estufa os resultados desta análise (exceto TBHQ e controle) se encontram acima deste valor, pode-se concluir que os extratos de murtilla silvestre e 14-4, produzidos a 30ºC com 49,5% de etanol e 50,5% de água, propiciam o aumento da produção de ácidos graxos livres em óleo de soja refinado.
Tabela 22 - Absortividade no UV 232nm do óleo de soja controle, do adicionado dos extratos de frutos de murtilla silvestre e de TBHQ, submetidos ao teste de estufa
*Médias seguidas da mesma letra maiúscula na coluna ou da mesma minúscula na linha não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade
Tabela 23 - Absortividade no UV 232nm do óleo de soja controle, do adicionado dos extratos de frutos de murtilla 14-4 e de TBHQ, submetidos ao teste de estufa
Tempo (h)
UV 232nm*
Controle 50mg kg14-4 -1 100mg kg14-4 -1 150mg kg14-4 -1 200mg kg14-4 -1 TBHQ
0 4,63±0,13C 4,63±0,13C 4,63±0,13C 4,63±0,13B 4,63±0,13B 4,63±0,13A
36 3,60±0,25Dc 4,84±0,13BCabc 5,90±0,73Ba 5,09±0,10ABab 5,25±0,48ABab 4,29±0,09Bbc
72 10,70±0,11Ba 6,18±0,37Bb 5,61±0,24BCb 4,83±0,12Bc 4,82±0,42ABc 4,31±0,05AB
96 13,19±0,17Aa 9,21±0,66Ab 7,86±0,52Ac 5,60±0,37Ad 5,61±0,28Ad 4,32±0,20ABe *Médias seguidas da mesma letra maiúscula na coluna ou da mesma minúscula na linha não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade
A oxidação de ácidos graxos poliinsaturados promove a formação de hidroperóxidos e imediatamente após sua formação, as ligações duplas não conjugadas presentes nos lipídios insaturados sofrem um rearranjo gerando os dienos conjugados (GERTZ; KLOSTERNMANN; KOCHHAR, 2000), compostos estes que originam um pico de absorção a 230-235 nm na região do ultravioleta (UV) (SHAHIDI; ZHONG, 2005).
A análise espectrofotométrica na região do ultravioleta pode fornecer informações sobre a qualidade da amostra, seu estado de conservação, além das modificações provocadas pelos processos tecnológicos (REGITANO-D’ARCE, β006). Os valores das absorbâncias são expressos como coeficiente de extinção ou absorbância específica E1%1cm (absortividade de
uma solução de matéria graxa a 1% no solvente prescrito, em célula com passagem ótica de 1cm), segundo a metodologia da International of Pure and Applied Chemistry (IUPAC, 1979). De acordo com Regitano-d’Arce (β006), a análise de UV pode fornecer informações, em termos relativos, da auto-oxidação dos ácidos graxos absorvida em comprimentos de onda específicos na faixa do ultravioleta (232nm para os dienos conjugados).
Analisando os resultados da Tabela 22 observou-se que no tempo 36 horas todos os tratamentos, com exceção do controle (3,60±0,25 E1%1cm), apresentaram altos valores de
dienos conjugados. Após 72 horas de estufa todos exibiram um aumento no valor sendo que o controle expressou o índice mais elevado (10,70±0,11 E1%1cm). Ao final das 96 horas de
Tempo (h)
UV 232nm*
Controle Silvestre 50mg kg-1 100mg kgSilvestre -1 150mg kgSilvestre -1 200mg kgSilvestre -1 TBHQ
0 4,63±0,13D 4,63±0,13B 4,63±0,13C 4,63±0,13BC 4,63±0,13C 4,63±0,13A 36 3,60±0,25Cd 4,84±0,26Bbc 5,68±0,07Ba 4,49±0,43Cc 5,18±0,10Bab 4,29±0,09Bc 72 10,70±0,11Ba 5,27±0,36Bc 5,27±0,05Bc 7,26±0,23Ab 5,00±0,15BCc 4,31±0,05ABd 96 13,19±0,17Aa 9,26±0,73Ab 6,81±0,38Ac 5,18±0,01Bd 12,72±0,26Aa 4,32±0,20ABd
estufa os tratamentos que demonstraram os maiores valores de dienos conjugados foram o controle, 200 e 50 mg kg- 1(13,19±0,17; 12,72±0,26 e 9,26±0,73 E1%1cm, respectivamente). No
decorrer do tempo o TBHQ demonstrou um efeito protetor contra a oxidação do óleo muito maior que os outros tratamentos. Entretanto considerando que o resultado apresentado pelo tratamento 150 mg kg- 1 foi estatisticamente semelhante ao TBHQ no tempo de 96 horas, é possível afirmar que nesta concentração o extrato de murtilla, produzido nas condições descritas por este trabalho, e adicionado na concentração de 150 mg kg- 1 em óleo de soja, apresenta um significativo poder antioxidante, retardando a reação de oxidação. Todos os tratamentos apresentaram valores que aumentavam gradativamente com o decorrer do tempo, entretanto as amostras 100 e 200 mg kg- 1 não exibiram esta linearidade devido possivelmente à influencia da distribuição na disposição das amostras dentro estufa. Deste modo podemos afirmar que em relação ao efeito protetor a eficiência dos extratos foi classificada da seguinte maneira: TBHQ > 150 > 100 > 50 > 200mg kg- 1 > Controle.
Segundo a Tabela 23, no tempo 36 horas todos os tratamentos exibiram resultados muito próximos, porém o controle foi considerado estatisticamente o menor (3,60±0,25 E1%1cm). Após 72 horas na estufa observou-se um aumento na concentração de dienos
conjugados, entretanto os tratamentos 150 e 200 mg kg- 1 exibiram uma redução destes compostos (de 5,09±0,10 para 4,83±0,12 e de 5,25±0,48 para 4,82±0,42 E1%1cm,
respectivamente). No tempo de 96 horas, todos os tratamentos exibiram aumento no teor de dienos conjugados, sendo que o tratamento 150 e o 200 mg kg- 1exprimiram valores bem próximos ao do TBHQ (5,60±0,37, 5,61±0,28 e 4,32±0,20, respectivamente). Deste modo, em relação ao efeito protetor, a eficiência dos extratos foi classificada da seguinte maneira: TBHQ > 150 > 200 > 100 > 50mg kg- 1 > Controle.
Anwar et al. (2010) avaliaram a atividade antioxidante de extratos metanólicos de três variedades de cevada na estabilização de óleo de girassol a 60ºC, e 10 dias obtiveram resultados que variaram de 8,38±0,37 a 9,97±0,83 E1%1cm, valores bem acima dos encontrados
neste estudo. Papuc, Nicorescu e Durdun (2009) avaliaram o efeito protetor de extrato de calêndula e espinheiro adicionado ao óleo de girassol, milho e soja e armazenado a 65ºC. Os autores reportaram que a absortividade em 232nm foi progressiva com o passar do tempo para todos os óleos, sendo que os dois extratos testados induziram a diminuição da absortividade em 232nm, demonstrando seu efeito protetor. Anwar e colaboradores (2007) avaliaram o efeito de extratos hidrometanólicos de folha de Moringa aloeifera em óleo de girassol e obtiveram que a concentração de 600 mg kg- 1exibiu o menor teor de dienos conjugados, refletindo maior proteção do extrato contra a oxidação. Coimbra, Del Ré e Jorge (2009)
relataram baixos valores de dienos conjugados na adição de extrato metanólico de alho (nas concentrações de 50mg/kg e 1500mg/kg) em óleo de soja refinado. Os valores obtidos dos extratos de murtilla silvestre e 14-4 na análise de UV apresentaram boa correlação com os dados obtidos da análise do IP, correlação está já observada por Almeida-Doria e Regitano d- `Arce (2000), Vieira e Regitano d-‘Arce (1999), Ravelli (2011) e Shimano (2012).
4.3 Conclusões
Atualmente existem diversas metodologias para avaliar e quantificar os compostos produzidos pela oxidação em óleos e gorduras, entretanto é importante considerar que o método escolhido depende do tipo de amostra a ser analisada e do estágio de oxidação em si. Há uma grande necessidade da padronização dos métodos utilizados e dos resultados apresentados para possibilitar uma comparação mais fidedigna com os trabalhos citados por outros autores. É imprescindível elucidar que a comparação da estabilidade oxidativa e da eficiência do composto antioxidante em sistemas modelos lipídicos só será fiel quando forem consideradas as condições de oxidação utilizadas, o método analítico e o indicador de oxidação escolhido, sendo que cada método apresenta vantagens e desvantagens que devem ser consideradas no momento da seleção da metodologia.
Os extratos de frutos de murtilla analisados neste experimento demonstraram uma correlação positiva entre o conteúdo de compostos fenólicos totais e a atividade antioxidante em sistema in vitro. Entretanto para estabelecer uma relação direta com cada composto fenólico em particular se faz necessário um estudo mais aprofundado. Quando adicionados em sistema modelo a base de óleo de soja refinado, os extratos demonstraram atividade protetora em comparação a outros estudos reportados na literatura. Embora os extratos não tenham atingido o grau de proteção do antioxidante sintético TBHQ, pode-se concluir que os extratos hidroalcoólicos de murtilla silvestre e 14-4, produzidos nas condições estabelecidas neste estudo, podem ser considerados fontes de antioxidantes naturais para aplicação em produtos ricos em lipídios.
Referências
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Alimentos, Campinas, v. 20, n. 2, p. 197-203, 2000.
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