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Degen (2009), em seu estudo sobre as redes sociais gerando inovação, enfatiza que as organizações necessitam desenvolver mecanismos para promover a inovação sustentada, responsável pelo incremento na performance e estabilização de produtos e serviços produzindo valor para seus principais clientes. Esses esforços resultam na superação dos concorrentes, por meio da diferenciação de seus produtos, o que faz com que a lucratividade aumente em razão dos preços e da margem dos lucros. Enfatiza que o processo de comunicação com os clientes é uma importante fonte, uma vez que gera demandas para o aprimoramento de produtos e serviços. As redes sociais propiciam a comunicação e interação com os clientes orientando o processo de inovação como pode ser observado na figura 10.

Figura 10: Processo de inovação com loop de feedback e pequenos circuitos criativos

Geração de idéias

Triagem de idéias

Desenvolvimento das idéias

Teste das idéias

Analise do negócio

Beta teste e teste de marketing

Implementação técnica

Comercialização e melhoria continua

Etapas sociais e analíticas de um processo de inovação

Interação social Trabalho de análise

Fonte: DEGEN, 2009, p.12 Fe ed ba ck em to da s as e ta pa s Ci rc ui to cr ia tiv o

A figura 10 demonstra as etapas de um circuito criativo que pode ser desenvolvido com clientes, fornecedores e pesquisadores em geral. O processo inicia-se com a geração de ideias que, após triagem, são desenvolvidas. Essa triagem elimina ideias que não são percebidas com potencial para o mercado. Depois, inicia-se o teste e a análise das ideias enquanto negócio. Nessa etapa é considerada a viabilidade e outros aspectos financeiros. A próxima etapa consiste no beta teste, quando são utilizadas ferramentas de marketing. De acordo com o resultado do beta teste13, passa-se à implementação e posterior comercialização. O autor destaca que, apesar da ordem sequencial de apresentação das etapas, o processo não necessita ser tão sequencial e, em alguns casos, podem não ocorrer todas as etapas.

Degen (2009) sinaliza que cada etapa do processo de inovação é intensificada pela interação entre os colaboradores da organização - técnicos, pessoal de marketing, clientes existentes, clientes em potencial, analistas financeiros, executivos, distribuidores, etc. e duro trabalho de análise. Essa interação social pode ocorrer por meio da utilização de redes sociais como facebook,

twitter, myspace e outras semelhantes com as mesmas características de promoção

da interação. Algumas organizações utilizam também comunidades online combinadas com webpages e blogs.

Como ação para captação de ideias externas dos clientes, Degen (2009) descreve a campanha da Starbucks, em 2009 que promoveu inovações com esses por meio do website My Starbucks Idea. Esta organização além de perguntar aos seus clientes formas inovadoras de apresentar os produtos, incentivou-os a participar em comunidades virtuais com esse propósito. As ideias apresentadas eram votadas e comentadas pela comunidade virtual de clientes. A figura 11 contém a imagem do site My Starbucks Idea.

Figura 11: “My Starbuck Idea” site que convida os clientes a apresentar formas inovadoras para os produtos

Fonte: http://mystarbucksidea.force.com/

Outro exemplo descrito por Degen (2009) foi da companhia Dell Computers que desenvolveu o site Idea Storm onde os clientes foram convidados a comentar sobre a companhia, suas ideias, produtos e propagandas. A figura 12 contém a imagem do site Idea Storm.

Figura 12: “Idea Storm” site da DELL onde os clientes comentam sobre a companhia, produtos e propagandas

A Fiat também percebeu a necessidade de perguntar aos consumidores como deve ser o carro que vão dirigir e foi a primeira montadora a construir o primeiro carro colaborativo, o Fiat Mio, que recebeu opinião e ajuda de 160 países, incluindo o Brasil. Os colaboradores contribuíram com opiniões e ajudaram a finalizar o carro. As especificações estavam disponíveis para que qualquer consumidor pudesse baixá-las e montar um protótipo personalizado. Pela figura 13 pode-se ver a apresentação do site.

Figura 13: Site Fiat Mio

Fonte: http://www.fiatmio.cc/

Pesquisas realizadas no Brasil sobre a cocriação por meio da experiência, em 2007, pela Symnetic em parceria com H2R e pela Forrester, na America Latina, em maio de 2011, evidenciaram que 75% das pessoas que acessam a internet são cocriadores, sendo que 32% apenas em produtos, 8% em processos e 60% em processos e produtos. Das empresas pesquisadas 92% buscam os clientes como co-criadores. Como fatores para o sucesso do engajamento colaborativo dos clientes, foram identificados: alto nível de engajamento com a mídia social; elevado grau de interação com as empresas por meio das mídias sociais; vontade de colaborar com as empresas.

No Brasil encontram-se exemplos semelhantes com empresas da área de construção civil, bancos, hospitais, montadores e empresas de eletrodomésticos.

A Tecnisa, considerando que a população brasileira está envelhecendo e que se faz necessário considerar suas necessidades na construção de imóveis, montou uma equipe multidisciplinar para elaboração de um projeto de arquitetura inclusiva para idosos. Por meio das redes sociais buscou a colaboração de diversos parceiros. Uma das estratégias utilizadas foi oferecer R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) em vales compras para toda ideia que pudesse ser utilizada, sendo que três participantes ganharam o prêmio. Obtiveram mais de 10.000 interações e mais de 200 ideias o que propiciou mais consciência e inclusão social. Atualmente 45% das ideias em análise são geradas por fontes externas. A figura 13 apresenta o site da Tecnisa.

Figura 14: Site Tecnisa

Fonte: http://www.blogtecnisa.com.br/inovacao/

Outra experiência brasileira é a do Hospital Moinhos de Vento um dos mais importantes hospitais do Rio Grande do Sul. Em 2007 começou a estudar o conceito de co-criação como um caminho em direção a diferenciação e de construção de estratégias sustentáveis, apesar de a época ser marcada por um cenário de conflitos de interesse entre hospitais e planos de saúde. A proposta era incluir o grupo interno como enfermeiras, auxiliares e o pessoal de atendimento, aos clientes, e externo como plano de saúde, médicos e empresas diversas, além dos parentes dos pacientes.

A estratégia utilizada para engajamento do grupo foi a promoção e facilitação do diálogo construtivo considerando a experiência de cada parte envolvida visando a co-criação de experiência ideais e de valor para todos. O resultado das interações propiciou que o hospital pensasse além e promovesse uma oferta única e inovadora de serviços de saúde, com feiras de inovação, mudança no modelo de negócio, programas preventivos com enfoque positivo e pacotes personalizados para empresas. Afirmam, os diretores, que mais da metade das iniciativas estratégicas utilizadas no ano de 2010 são oriundas do processo de co-criação utilizado para gerar novas ideias, avaliar o valor e implementação dessas, além de usar as experiências existentes para promover futuras interações.

Na área bancária o Banco Itaú lançou em 2011 a campanha batalha de universitários, onde foram distribuídos R$ 15.000,00 (quinze mil) em prêmios. Foi a primeira vez que o banco Itaú participou do Battle of Concepts, portal virtual que conecta empresas e seus desafios com jovens criativos e inovadores por meio de batalhas de conceitos. Estudantes universitários e jovens profissionais de até 30 anos puderam participar da competição. Os autores das melhores ideias acumulam "Battle Points" no ranking dos jovens destacando-se assim os mais inovadores do

site. Cada batalha durou em torno de três meses. O tema da batalha foi "Como

aproximar o Itaú do universitário, fazendo com que ele reconheça que somos um banco feito para ele".

Pelos casos apresentados nessa seção evidenciam-se alguns exemplos de empresas estrangeiras e brasileiras, de diversos segmentos, empreendendo ações de IA, podendo-se concluir que a IA já é uma prática adota e em expansão.

3. METODOLOGIA

3.1. CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA

Esta pesquisa pode ser considerada básica uma vez que “[...] objetiva gerar conhecimentos novos úteis para o avanço da ciência sem aplicação prevista” (SILVA; MENEZES, 2001).

Do ponto de vista da abordagem do problema, segundo Creswell (2010, p. 129), numa pesquisa qualitativa o pesquisador descreve um problema de pesquisa “[...] que possa ser melhor compreendido ao explorar um conceito ou fenômeno [...]”. Sugere também que a pesquisa qualitativa é exploratória uma vez que os pesquisadores a utilizam para explorar um tópico onde as variáveis e a base teórica é desconhecida. Com base nas considerações de Creswell (2010) essa pesquisa caracteriza-se como qualitativa e exploratória.

Quanto aos procedimentos técnicos classifica-se como pesquisa bibliográfica, pois foi elaborada a partir de material já publicado, constituído de livros, artigos publicados em periódicos e material disponibilizado na internet (GIL, 1991).

Considerando o método, enquadra-se no método dedutivo uma vez que tem o “[...] objetivo de explicar o conteúdo das premissas. Por intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente, de análise do geral para o particular, chega a uma conclusão [...]” (SILVA; MENEZES, 2001).

3.2. OBTENÇÃO DE DADOS

Para obtenção dos dados realizou-se levantamento bibliográfico em bases de dados internacionais e nacionais, realizado nas bases: Emerald, Springerlinker,

IEEE Xplore, Nature, Wiley, Science AAAS, SpringeLinker , Wiley Online, Google e Google Acadêmico.

Foram identificadas as produções científicas publicadas até 15 de agosto de 2011. De todas as referências listadas foram selecionadas apenas as publicadas em periódicos de língua portuguesa e inglesa totalizando 54 (cinquenta e quatro).

A busca pelas referências foi realizada pelo acesso disponibilizado pela Universidade Católica de Brasília – UCB, no portal da Coordenação de

Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (CAPES). A consulta concentrou-se em duas áreas de conhecimento: engenharia e multidisciplinares, usando a opção de pesquisa ‘assunto’, nas modalidades de busca simples e avançada.

3.3. ANÁLISE DE DADOS

Os dados obtidos foram analisados considerando seu conteúdo, similaridade e complementariedade. Para a categorização das áreas temáticas foram analisados os títulos e o conteúdo, uma vez que o título nem sempre exprime o conteúdo do trabalho.

Os artigos foram classificados em pesquisa e não pesquisa, sendo considerados pesquisa os artigos que divulgam resultados a partir de uma atividade de investigação conforme critérios da metodologia científica. Consideraram-se não pesquisa os artigos que divulgam conhecimento independente da realização de uma investigação (OLIVEIRA; PERSINOTTO, 2001).

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A abordagem da IA é consistente com estudos anteriores ao afirmar que as inovações são cada vez mais o resultado de um esforço conjunto de um número de partes (redes de inovação e as inovações sistêmicas).

Apesar do termo IA ter sido introduzido por Chesbrough em 2003, ações de IA são anteriores, estando ancoradas na compreensão do estabelecimento de parcerias e redes, tais como:

• economia evolucionista – abordada por Dosi (1997), em seu artigo “Opportunities, incentives and the collective patterns of technological change”; e por Nelson e Winter (1982) na análise sobre as mudanças na evolução da teoria econômica;

• nos sistemas de inovação – estudado por Nelson (1993) e Lundvall (2010) onde descrevem o processo de vários países de estabelecer parcerias internas, com universidades, governos e outras empresas, visando a inovação e o desenvolvimento nacional;

• estabelecimento de redes e alianças estratégicas – onde podemos citar o estudo de Ahuja (2000) sobre as redes de colaboração para inovação; Vale et al (2006) que aborda a criação e gestão de redes como estratégia competitiva para empresas e regiões; Balestrin et al (2005), que realizaram pesquisa sobre o efeito rede em polos de inovação; e Serra et al (2008) com o estudo sobre inovação e redes de relacionamento na geração de conhecimento em incibadoras.

Segundo Ferro (2010, p. 56) a contribuição de Chesbrough centra-se na “[...] proposição de uma remodelagem no modelo de negócio da empresa, pautada na sistematização de interações com atores externos no processo de inovação [...]”. Ou seja, para que a IA possa ser implantada se faz necessário: sua incorporação a estratégia organizacional, a adequação dos processos internos, a mobilização de recursos humanos e financeiros, o desenvolvimento de competências internas e a adaptação da cultura organizacional ao novo modelo.

Apesar de Chesbrough (2006) considerar o modelo da IA como um novo modelo, a revisão bibliográfica demonstra que esse movimento já caminha há muito.

A relevante contribuição de Chesbrough (2006), além de estar na proposição de um modelo de negócio focado na busca sistemática e no aproveitamento de fontes externas de inovação (FERRO, 2010), engloba a operacionalização da IA que desencadeou e/ou correlacionou uma série de estudos e pesquisas referentes as fontes (VON HIPPEL, 1986; GASSMANN, ENKEL, CHESBROUGHT, 2010; FAGERBERG, 2004), as formas (CHOEN, LEVINTHAL,1990; GASSMANN, ENKEL, 2004; KATZ, ALLEN, 1982; DU CHATENIER et al, 2010) e ferramentas (GASSMANN, ENKEL, CHESBROUGHT, 2010) utilizadas para esse fim.

A revisão de literatura sobre a IA revela um campo recente de pesquisa onde se é possível observar um fascínio sobre o tema. O quadro 9 relaciona os diferentes autores com o tema pesquisado.

Quadro 9: Autores X Temas pesquisados

Autores Temas

Chesbrough, 2006; Gassmann, Enkel, 2004; West et al, 2006; Chesbrough, Schwartz, 2007; Fetterhoff, Voelkel, 2006; Jacobides, Billinger, 2006; Tao, Magnotta, 2006; Vanhaverbeke, et al, 2008.

Conceitos sobre a IA.

Chesbrough (2006); Chesbrough, Schwartz, 2007; Rufat et al, 2010; Katz, Allen, 1982; Meer (2007); Gassmann et al, 2006; Witzeman et al, 2006; Huston, Sakkab, 2006; Oest, Gallagher; 2006; Gassman, Enkel, 2004; Lazzarotti et al, 2011; Bunduchi; Smart, 2009.

Adequação do Modelo de Negócios e Implementação da IA

Cohen, Levinthal, 1990; Lichtenthaler, Ernest,

2006; Huges, Wareham, 2010. Absorção do conhecimento na IA

Du Chatenier et al, 2010; Ritter, Gemeenden,

2002; Fagerberg, 2004; Wi et al, 2011. Perfil dos Profissionais em Times de IA Chesbrough 2006; Dengen, 2009; Buganza,

Verganti, 2009; Miotti, Sachwald, 2003; Gasmann et al, 2010; Mansfield, 1991,

Cohen et al, 2002; Hall, 2000; Peppers, Rogers, 2007; Geer, Lei, 2010; Ferro, 2010.

Parceiros na IA

Chesbrough, 2006; Gassmann et al, 2010. A IA e os diversos segmentos Dodgsoon et al, 2006, Piller, Walcher, 2006;

Gassmann et al 2010. Sistema que propiciam a IA

Hahnet al, 2006; Ahuja, 2000; Schiavone, Simoni, 2011; Casalo et al, 2009; Boutellier et al, 1998; Borges, 2011; Dreyfuss, 2011

Degen, 2009. A IA na prática

Quanto a serem consideradas pesquisa (trabalho com revisão de literatura e aplicação) ou não pesquisa (trabalho apenas de revisão de literatura) o quadro 10 apresenta esta classificação.

Quadro 10: Classificação dos trabalhos em pesquisa e não pesquisa

Autores Temas Pesquisa/Não pesquisa

Chesbrough, 2006; Chesbrough, Schwartz, 2007; Vanhaverbeke, et al, 2008.; Fetterhoff, Voelkel, 2006

Conceitos sobre a IA Teórico

Gassmann, Enkel, 2004; Tao, Magnotta, 2006; West et al, 2006 Jacobides, Billinger, 2006

Conceitos sobre a IA Teórico prático

Chesbrough (2006); Rufat et al, 2010; Huston, Sakkab, 2006; Oest, Gallagher; 2006; Bunduchi; Smart, 2009

Adequação do Modelo de

Negócios e Implementação da IA Teórico

Gassman, Enkel, 2004; Meer (2007); Witzeman et al, 2006; Lazzarotti et al, 2011; Gassmann et al, 2006; Katz, Allen, 1982

Adequação do Modelo de

Negócios e Implementação da IA Teórico prático

Cohen, Levinthal, 1990;; Huges,

Wareham, 2010 Absorção do conhecimento na IA Teórico prático

Lichtenthaler, Ernest, 2006 Absorção do conhecimento na IA Teórico Du Chatenier et al, 2010; Wi et al,

2011

Perfil dos Profissionais em Times

de IA Teórico prático

Fagerberg, 2004; Ritter,

Gemeenden, 2002 Perfil dos Profissionais em Times de IA Teórico Buganza, Verganti, 2009; Miotti,

Sachwald, 2003; Cohen et al,

2002; Ferro, 2010 Parceiros na IA Teórico prático

Geer, Lei, 2010; Chesbrough 2006; Dengen, 2009; Gasmann et al, 2010; Mansfield, 1991, ; Hall, 2000; Peppers, Rogers, 2007

Parceiros na IA Teórico

Chesbrough, 2006; Gassmann et

Dodgsoon et al, 2006, Piller,

Walcher, 2006 Sistema que propiciam a IA Teórico prático

Gassmann et al 2010 Sistema que propiciam a IA Teórico

Hahn et al, 2006; Ahuja, 2000; Schiavone, Simoni, 2011; Casalo et al, 2009; Boutellier et al, 1998; Borges, 2011

As redes, a colaboração e a IA Teórico prático

;Ahuja, 2000; Dreyfuss, 2011 As redes, a colaboração e a IA Teórico

Degen, 2009 A IA na prática Teórico

A análise do quadro 10 permite concluir que há um número semelhante de trabalhos de cunho teórico e teórico prático.

Considerando os conceitos apresentados pelo diversos autores sobre a IA observa-se que não há divergência entre as definições e sim complementariedade. A mudança da IF para a IA envolve uma mudança de modelo em relação ao binômio competição/cooperação. Os concorrentes passam a ser vistos como parceiros e diversas formas de colaboração se estabelecem.

O movimento da IA caminha par e passo com a open sciense e a wikinomics, impulsionado pelo movimento das redes.

Sobre o modelo de negócios da IA, a literatura é unânime em abordar as adequações que se fazem necessárias na estratégia organizacional, cultura, processos, tecnologia, liderança, responsabilidade e papéis. Meer (2007) aborda a importância da utilização flexível de diversos modelos de negócios, onde esses modelos passam a converter-se em valor econômico.

Quanto aos processos operacionais da implantação da IA há também similaridade de visão entre os autores. A contribuição de Rufat (2010) evidencia a mudança de mentalidade baseada em competências que altera significativamente o modelo de negócios.

No que se refere a absorção do conhecimento fica evidente o novo papel dos setores de P&D que passam a ser a ponte entre conhecimento interno e externo na prospecção, aquisição, assimilação, transformação e sua exploração visando a vantagem competitiva. Os estudos apresentados da literatura estrangeira evidenciam esse novo papel dos centros de P&D, contudo o trabalho de pesquisa científica identificado na literatura brasileira, de Ferro (2010), relata a experiência da

criação de outro setor para operacionalização do processo da IA, o que levou a resistências por parte do setor de P&D interno da organização pesquisada.

As contribuições sobre o perfil dos profissionais para projetos de IA e a seleção desses favorecem a alocação com a finalidade de maximizar a possibilidade de sucesso.

A análise dos possíveis parceiros nos processos propõe modelos visando à eficácia da ação quanto a clientes e universidades, porém cabe ressaltar que existem modelos ainda não testados o que impede a verificação de sua eficácia. A parceria com fornecedores é um campo ainda pouco explorado.

Quanto aos segmentos e porte das organizações em processos de IA, a literatura apresenta estudos da aplicação dessas em diversos segmentos e em empresas de diferentes portes, sendo encontrados com maior frequência em empresas de grande porte. A IA é viável nas áreas de alta e baixa tecnologia, serviços, farmacêutica, biotecnologia, telecomunicações, construção e indústria.

A disseminação das práticas da IA permitiram a criação de softwares que intermediam necessidades, apresentadas pelas empresas, e soluções, expostas por meio de comunidades web. É interessante observar que se estabelece aí uma forma de negócio, onde a empresa que disponibiliza a plataforma web é remunerada por intermediação entre necessidade e solução. Obviamente, também ganham no processo quem propõe a solução e quem a recebe. Contudo não existem informações claras sobre a proporcionalidade de ganhos entre as três partes. Há a informação de que uma das empresas que intermedia, por meio de sua plataforma, necessidades e soluções, distribuiu em 2008 três milhões de dólares em prêmios, mas não há a informação do lucro das empresas que foram agraciadas com a solução.

Considerando a IA e a colaboração, os estudos evidenciam que o compartilhamento e a construção coletiva de conhecimento, que podem resultar em inovação, demandam confiança e interação. Os projetos de construção coletiva de

software OSS foram estudados por diferentes autores em diferentes abordagens tais

como: existência de laços anteriores entre os participantes como fator de motivação para a participação; a existência de laços diretos, indiretos e a falta de conexão afetam positiva ou negativamente a inovação; o compartilhamento de recursos e conhecimento e a troca de informações; o efeito da experiência anterior bem sucedida pelos participantes do grupo; e a reputação dos participantes que inibe a

ação de oportunistas. Cabe ressaltar a diversidade de estudos existentes sobre os OSS.

Outro foco de pesquisa é a utilização das TIC´s em times dispersos de P&D, onde as TIC´s se caracterizam como ferramentas que auxiliam e viabilizam esses times, sem, contudo, substituir as reuniões face-a-face em determinados estágios dos projetos.

Os clientes são considerados uma relevante fonte de colaboração e são acessados por meio das redes sociais. Cabe ressaltar que o desenvolvimento tecnológico e as redes sociais em muito contribuíram para a operacionalização dos projetos de IA.

A revisão de literatura sobre a IA enfatiza, de forma muito positiva a colaboração e os resultados positivos para os envolvidos, mas não deixa de explorar a tensão existente entre o compartilhamento de conhecimento e a proteção desses em projetos colaborativos de P&D. Ao mesmo tempo em que colaborar e construir coletivamente se faz necessário existem pontos de conflitos em razão da competitividade e sustentabilidade organizacional.

Sobre os direitos da propriedade intelectual, do ponto de vista do conflito existente entre o valor e impacto social da produção do conhecimento e a propriedade em dominios abertos, foi encontrado apenas um trabalho que suscita reflexão sobre o tema.

Quanto a prática da IA em empresas internacionais e nacionais observa-se a experiências em diversas empresas de segmentos e portes diferentes, envolvendo diferentes autores (universidades, clientes, fornecedores e pesquisadores).

5. CONCLUSÃO

Este trabalho de pesquisa elaborou revisão de literatura sobre o tema IA com

Benzer Belgeler