1.3 İşgücü Piyasasına İlişkin Temel Kavram ve Tanımlar
1.3.4 Toplum Yararına Çalışma Programı
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“Vamos fazer outra Escola Bem saidínha cá dentro da gente Não será boa e não será má Apenas será diferente” (Valente, 2006, p.32)
Célestin Freinet (1896-1966) pedagogo francês, importante referência na pedagogia da sua época, foi também modelo inspirador de Domingas Valente.
Freinet procurava formas alternativas de ensino, pois não conseguia adaptar-se aos métodos tradicionais. Comprou uma máquina de impressão para o auxiliar, já que um ferimento do pulmão dificultava que falasse por períodos longos. Foi com este recurso que imprimiu textos livres e jornais da classe para seus alunos. As crianças compunham os seus trabalhos, discutiam e editavam em pequenos grupos, antes de apresentar o resultado à classe. Os jornais eram trocados com os de outras escolas e gradualmente os textos do grupo substituíram livros didáticos convencionais.
Para Freinet, a educação deveria proporcionar ao aluno a execução de um trabalho real, para tal, propunha uma mudança da escola, pois considerava-a teórica e portanto desligada da vida. As suas propostas de ensino basearam-se em investigações sobre a forma de pensar da criança e de como ela constrói o seu conhecimento. Através da observação constante, ele percebia onde e quando tinha de intervir e como despertar a vontade de aprender do aluno. De acordo com Freinet, a aprendizagem através da experiência seria mais eficaz, porque se o aluno fizer um exercício e ele resultar, voltará a repetir e avançará no processo, ainda que, não avance sozinho e necessite da cooperação do professor.
Na proposta pedagógica de Freinet, a interação professor-aluno é essencial para a aprendizagem. Estar em contacto com a realidade em que vive o aluno é fundamental. As práticas actuais de jornal escolar, troca de correspondência, trabalhos em grupo, aula- passeio são ideias defendidas e aplicadas por Freinet desde os anos 20 do século passado.
«Para nós, o jornal escolar foi sempre elo de ligação da nossa Escola/Comunidade; um elemento integrador dos trabalhos realizados na aula; um instrumento de interdisciplinaridade; um meio de vivência democrática na sala de aula; um meio privilegiado para a aprendizagem da Língua Materna. (…) As produções infantis, baseadas na observação e na pesquisa, na experimentação, no texto livre, nas entrevistas, nos inquéritos, nos debates, revelam para além de tudo o grande interesse e a grande afectividade que a criança põe em tudo o que relata, desenha e escreve, enraizadas nas vivências do seu quotidiano.» (Valente, D. 2006, p.25)
À semelhança de Freinet, também Domingas Valente acreditava que para além das técnicas pedagógicas, o aspecto político e social ao redor da escola não deve ser ignorado
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pelo educador. Isto porque a sua pedagogia deve ter também a preocupação da formação de um ser social actuante.
«Mas isto é uma coisa que não é comum…muito, muito, muito… Não se via nada disto, eu tinha na minha sala de aula outra professora que trabalhava, eu fazia a exaltação de Abril, não havia mortos nem coisa nenhuma e… «oh Domingas, então mas a professora da tarde deixou aqui (e depois punham na parede) que morreram muitos homens, houve muito sangue», parecia que estavam a descrever Aljubarrota ou alguma coisa(…) foi um desgosto muito grande, as pessoas que me conhecem sabem… mas eu disse, mas eu assim não semeio nos futuros professores as ideias, como se pode trabalhar, como se deve trabalhar uma criança como elas têm todas as possibilidades é ajeitarmo-nos a elas e elas ajeitarem-se a nós… e foi assim que eu fui subindo degrau a degrau(…)» (Valente, D. Entrevista)
O professor deve ter a capacidade de articular o seu trabalho com a vida em comunidade, motivando as diversas formas de participação e colaboração, e, ao mesmo tempo que se envolve na formação do aluno, deve procurar direccionar o movimento pedagógico na defesa da fraternidade, respeito e crescimento de uma sociedade cooperativa e feliz.
«Os momentos mais significativos da vida escolar da criança e da turma, ficarão guardados cuidadosamente (que o digam os alunos que venham a ler este trabalho) porque o jornal escolar é “o arquivo vivo da aula”. Mesmo as crianças menos cautelosas não os deixarão perder… Cada texto, cada desenho, estão impregnados de intensa afectividade e recordam momentos felizes das suas actividades de crianças. É esta tonalidade afectiva que lhes dá um forte valor humano ao mesmo tempo que “teremos uma obra para mostrar”» (Valente, D. 2006, p.26).
No que se refere às cartilhas, também Freinet questionava o seu valor, pois os conteúdos nada tinham que ver com a realidade da criança e, portanto, não traziam nenhum estímulo à aprendizagem da leitura. Freinet dava muita importância ao trabalho, pois este deveria ser o centro de toda atividade escolar, enfatizando-o como forma do ser humano ascender e exercer seu poder.
Para Freinet, o aprender deveria passar pela experiência de vida e isso só é possível pela ação, através do trabalho. O trabalho desenvolve o pensamento, o pensamento lógico e inteligente que se faz a partir de preocupações materiais, sendo que esta, é um degrau para abstração. Freinet acreditava que no e pelo trabalho o ser humano se exprime e se realiza eficazmente. Lembrando-se que, quando o autor exalta o trabalho, não está a referir- se forçosamente ao trabalho manual, pois para ele, o trabalho engloba toda pesquisa, documentação e experimentação.
«Continuo a pensar que em certa medida substitui (com vantagem) a rotina dos manuais escolares, iguais de norte a sul, do litoral ao interior, do meio rural ao urbano; o uso e abuso dos trabalhos de casa e de muitas lições impostas, na
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maioria dos casos pouco ou nada tendo a ver com o universo da criança, com a sua vida activa e criadora.
As produções infantis baseadas na observação e na experimentação, na investigação, revelavam uma forte componente afectiva e não podiam deixar indiferentes os Pais que sempre tentados a comparar a “sua Escola” com a dos filhos já iam concluindo: É uma Escola “diferente”. É nisso que apostamos, dizia eu. É nisso que continuo a apostar.» (Valente, 2006, p.28)
Ao professor, competia organizar o trabalho, sem precisar de imposições ou ameaças. Para ele, a disciplina escolar resume-se a executar uma atividade que envolva e torne a criança automaticamente disciplinada.
«(…) O 25 de Abril era festejado com programa e tudo e portanto, (…) eram mesmo crianças fora do normal… reportagens de rua… o Carnaval, com o refrão, canção, Dia da Mulher… a senhora Gandhi… as crianças!!!... não os infantilize (…) a criança não escrevia o que não fazia, e isto era o registo, segundo Paulo Freire, os textos, selecção de textos (…) bibliografia consultada: jornais da época, livros, dicionário da História de Portugal e outros elementos(…) todos assinavam o que faziam(…)» (Valente, D. Entrevista)
Outro aspecto importante para Freinet é a liberdade, relativa e não desvinculada da vida e do trabalho de cada um. Para ele, a liberdade é a possibilidade do ser humano vencer obstáculos. Freinet buscou técnicas pedagógicas que pudessem envolver todas as crianças no processo de aprendizagem, independentemente da diferença de caráter, inteligência ou meio social, (lembrando-se mais uma vez que ele afirmava que o conteúdo estudado no meio escolar deveria estar relacionado às condições reais de seus alunos).
«Através do Jornal Escolar todas as crianças (até as menos aptas) são bem sucedidas. Entram num processo de auto-valorização, participam na medida das suas capacidades, quer a nível de texto, quer no embelezamento da obra comum. O professor, progressivamente também se irá libertando de técnicas que de há muito vêm conduzindo ao fracasso e utilizando outras que visam o sucesso, uma pedagogia do sucesso… (…) Facilita a integração social das crianças, tendo em conta as experiências culturais que veiculam. Voltamos a frisar a vivência democrática que proporciona na sala de aula; a própria elaboração do jornal resulta do trabalho de equipa, “faz a preparação prática para a cooperação social das crianças”» (Valente, D. 2006, p.27)
E continua,
«Eu mandava as minhas notícias para o Fonte Nova, os meus alunos mais adiantados escreviam artigos e colaboravam no Fonte Nova e quando se viam assinados por fulano tal a auto-estima se existia, não me apercebi dela e foi preciso elevar porque tirei partido disso porque é bom para eles mas é bom para nós.» (Valente, D. Entrevista)
Ao estudar o problema da educação, Freinet, propunha que ao mesmo tempo em que o professor almejasse a escola ideal, criativa e libertadora, deveria também estudar as
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condições concretas que estariam impedindo a sua realização. Também aqui, encontramos coincidências com a postura de Domingas Valente:
«A espontaneidade dos nossos alunos, só é possível em sistemas de educação abertos, projectados num mundo aberto ao humano, à mudança, ao futuro. A espontaneidade pré-existe à inteligência memória e imaginação, e revela-se pelo poder de respostas adaptadas a situações novas.
Não esqueçamos que a espontaneidade não pode coexistir em universos pedagógicos rígidos, regidos por normas rígidas, fechadas à originalidade e à novidade.» (Valente, D. 2006, p. 38)
Há princípios no saber pedagógico que Freinet considerava invariáveis, ou seja, independentemente do local ou período histórico, certos pressupostos deveriam sempre ser levados em conta na prática educacional. Desta forma, postulou as chamadas "Invariantes Pedagógicas”, consideradas como pilares de sua proposta Pedagógica, que foram adoptadas e adaptadas por Domingas Valente às suas práticas escolares: a Aula-Passeio: aulas de campo, voltadas para os interesses dos estudantes, o Plano de trabalho: atividade realizada em pequenos grupos que sob a orientação do educador, com base em um dado tema, desenvolvem um plano a ser realizado num certo intervalo de tempo, a Imprensa escolar: os textos escritos pelos alunos tinham uma função social real, já que não serviam meramente como forma avaliativa, já que eram publicados e lidos pelos colegas e pela população em geral, ou o Texto Livre: tipo de texto em que o aluno não é obrigado a escrever como nas escolas tradicionais. É livre em formato e em tema. Relaciona-se com a técnica da Imprensa Escolar, Livro da vida e Correspondência Interescolar.
«Fiquei a pensar… A semente já estava a germinar? As palavras AMOR, SOLIDARIEDADE e outras implícitas neste gesto e que desde o início vinha tentando transmitir através das minhas atitudes, estavam a ser assimiladas! Muitas vezes tínhamos vivido situações em que sempre dizia: Não há que “afligir”, há que “ajudar”; Não há “eu”, há “nós”; Não há tarefas para “meninos” e tarefas para “meninas”; todos somos capazes de fazer o que de momento for necessário… Naquele dia senti-me mais segura, podíamos continuar a nossa aprendizagem. Para já e na base, “estaria o Amor, a Solidariedade e… “ OUTRA ESCOLA”.» (idem, p.32)