4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA
4.4. Toplulaştırmanın Sulama ve Drenaj Şebekesine Etkisi
Nas duas escolas, os PCP afirmaram manter um bom relacionamento com os alunos. Bartolomeu acredita ser necessário o bom humor e a tranqüilidade para lidar com eles, mas quando necessário fica mais rigoroso ou convida os pais para conversar.
Ana reconhece a necessidade de os alunos se sentirem respeitados e importantes. As questões ligadas à afetividade e ao envolvimento cada vez mais intenso com o aluno são buscadas por ela, ao se preocupar, observar e perceber os alunos, sempre perguntando a eles se estão bem e sobre a família também. Ao realizar a enturmação, por exemplo, ela considerou tais aspectos, buscou manter as amizades e o desempenho escolar de cada um. Para ela, eles têm tantos problemas lá fora, aqui dentro [da escola] eu acho que eles têm que ter alguma coisa prazerosa.
A Escola A, nesse sentido, procura envolver os alunos em atividades cotidianas como a monitoria, com a qual os alunos têm a oportunidade de assumir responsabilidades, tais como buscar o Diário da turma na secretaria e levar para a sala de aula; ou encaminhar algum problema da turma ou de um grupo de alunos à Coordenação da escola. Segundo Ana e Ângelo, a monitoria tem auxiliado na disciplina dos alunos.
Os PCP também identificam as dificuldades de se lidar com alguns dos problemas derivados da atividade. Para Ângelo, os alunos de hoje são cada vez piores, porque a sociedade está se modificando e a escola é o espaço onde se desemboca toda essa problemática. Ana, a esse respeito, exemplifica dizendo que hoje a escola assume funções que antes eram responsabilidades da família, como o ensino da higiene pessoal ou a simples tarefa de amarrar o cadarço do tênis. Ela diz que sofre com os problemas pessoais dos alunos. Como eu não tenho filhos, eu acho que todos são meus filhos e sofro com eles. Segundo ela,
questões como abusos, violências e outras coisas que envolvem os alunos, antes a assustavam, mas agora eu não me assusto com nada. Tudo que aparecer eu falo: “Nó, é possível!”.
Ângelo reconhece que, apesar de tudo, os professores ainda recebem manifestações de carinho e reconhecimento do trabalho por parte dos alunos. Eles sempre voltam, retornam à escola, eles gostam daqui e dizem: “Pôxa, aqui é diferente!”.
No que se refere às dificuldades de aprendizagem, os PCP desempenham uma função importante. A Escola B desenvolve o Projeto de Alfabetização, que conta com uma professora alfabetizadora, a qual faz o atendimento a um número reduzido de alunos indicados pelos professores e pela Coordenação. Como no período da pesquisa não havia ainda uma professora alfabetizadora contratada, Bárbara era responsável por organizar um banco de atividades alternativas e trabalhar com cada aluno individualmente. Ela sente a dificuldade de trabalhar nessa área por não ser alfabetizadora e nem dominar as técnicas de alfabetizar, além da falta de tempo para tal atendimento. Ela observa também a importância da família nesse processo, por isso sempre procura chamar os pais, tanto para informá-los das dificuldades dos filhos como para obter informações relativas ao desenvolvimento do aluno, como, por exemplo, dificuldades psicológicas, uso de medicação ou tratamento específico de saúde.
A Escola A, até o ano anterior, desenvolvia o Projeto Rede do 3º Ciclo que visava a atender os alunos com defasagem de aprendizagem. O projeto foi substituído pelo Projeto Escola Integrada, tendo em vista a ampliação do atendimento para os outros ciclos e a formação integral dos alunos. Os PCP da Escola A afirmam que a Escola Integrada auxilia não somente nas questões de dificuldade de aprendizagem, mas também trabalha a auto- estima, a autonomia e o respeito, entre outros valores.
Os casos disciplinares, em ambas as escolas, são encaminhados à Coordenação de Turno (CT), que se responsabiliza pelo atendimento dos alunos em casos de brigas, problemas na sala de aula ou no recreio. Bartolomeu ressalta que a questão organizacional do turno e as
questões disciplinares dos alunos são de responsabilidade da CT. Já Bárbara reconhece que o trabalho de CT é muito mais complicado e puxado, pois além da situação funcional, de acompanhar o Livro de Ponto dos professores, por exemplo, há questões disciplinares. Para ela, a Coordenação Pedagógica é muito mais tranqüila. Ao invés de eu olhar esse monte de gente, eu fico com um grupo pequeno de professores, a situação administrativa não é comigo; comigo é só situação pedagógica, diz Bárbara. Mas, quando chegam aos PCP, esses procuram tratar os casos disciplinares com diálogo com os alunos, em primeiro lugar. Se a situação permanecer, encaminha-se para a Supervisora, como é o caso da Escola A, que convoca os pais.
Na Escola B, existe um Caderno de Ocorrências para cada turma, sendo uma folha para cada aluno, onde são registrados desde a falta do Para Casa até as questões disciplinares. Quando há três ou quatro ocorrências, os PCP enviam bilhetes ou telefonam para os pais solicitando a presença deles na escola.
Bárbara diz que primeiro se busca conversar com o aluno em uma tentativa de convencimento para ele mudar o comportamento dele. Se isto não resolver o problema, os pais são chamados, apesar de ela reconhecer a dificuldade da presença deles na escola, por causa do trabalho ou mesmo por causa do descaso com a vida escolar dos filhos. Aí a gente vai chamando o responsável aqui até cansar. Mas não temos outra condição.
A prática de colocar o aluno para fora da sala de aula, encaminhando-os à Coordenação Pedagógica ou Coordenação de Turno, é presente nas duas escolas observadas. Apesar de ser uma situação reconhecida pelos PCP como inaceitável, eles reconhecem a dificuldade de alguns professores em lidar com situações de indisciplina. Ana questiona o fato de ter ouvido falar que a Prefeitura proíbe tal procedimento, e desabafa: Aí eu acho que então eles têm que vir aqui ver como é que tá. Porque é muito fácil falar sentando numa mesa de gabinete, não é?
Ficar sem uma parte do recreio, sair da sala somente quando todos os alunos estiverem em silêncio, pedir aos alunos que reflitam sobre seu comportamento, e alguns castiguinhos assim, nas palavras de Ana, são algumas das práticas adotadas como mecanismos para conter a indisciplina.
Ângelo, por já ter atuado durante oito anos como Coordenador de Turno, acredita que o caminho para a questão disciplinar seria através de um maior e melhor envolvimento dos alunos nas questões de aprendizagem e de participação na escola. A gente tem que buscar meios para fazer com que seja divertido, para eles verem que é gostoso aprender, que o conteúdo é importante e que faz parte da vida deles. É por isso que Ângelo não assumiu mais a CT, pois acredita que a tarefa representa a transferência da responsabilidade do turno para as mãos de uma única pessoa.
Ana e Bárbara afirmam não gostarem de atuar na função disciplinar e que preferem atuar com as questões pedagógicas. Ana só a exerce quando é solicitada. Bárbara a considera muito cansativa e diz se incomodar com a função, que exerceu durante um ano e detestou. Entretanto, apesar de todos os PCP rejeitarem a função disciplinar, reconhecem ser fundamental a presença do Coordenador de Turno, pois, sem a presença dele, o trabalho da Coordenação Pedagógica não fluiria.
Bárbara critica também a falta de acompanhamento especializado, como psicológico, psicopedagógico, fonoaudiólogo ou neurológico, por parte da PBH. Segundo ela, os alunos têm muita dificuldade de conseguir esse tipo de atendimento nos serviço de saúde do município.
Como se observa, o atendimento aos alunos, seja por questões disciplinares, seja pelas dificuldades de aprendizagem, constitui a principal atividade dos PCP, tomando-lhes a maior parte do tempo. Ana, por exemplo, considera que, sem os alunos, o seu trabalho não tem razão de existir.
Tardif e Lessard (2005, p. 31) compreendem a docência como uma profissão de interação humana, isto é, “ensinar é trabalhar com seres humanos, sobre seres humanos, para seres humanos”. Para os autores, os alunos constituem “objeto” central do trabalho docente, ou seja, constituem o âmago da tarefa docente, exigindo-lhes a dedicação da maior parte do seu tempo, seja realizando atividades centradas nos alunos, seja desenvolvendo-as na presença deles. Os autores caracterizam esse objeto como seres individuais, sociais, heterogêneos, ativos e capazes de resistir frente às iniciativas dos professores. E ressaltam que, frente a esses alunos, os professores desempenham tarefas de ensino, vigilância, atividades de recuperação e a participação na organização de atividades estudantis, além das outras tarefas próprias da atividade docente, tais como preparação de aulas ou atividades fora do local de trabalho.
É por isso que a relação dos professores com os alunos tornou-se cada vez mais complexa, com o prolongamento significativo do tempo de trabalho e na deteriorização da atividade profissional. Essa relação insere-se em um contexto escolar e social mais amplo de violência, de pobreza e de transformações sócio-culturais, que são determinantes nessa relação e invocam sentimentos ambivalentes de gratificação e alegria, por um lado, e de provações e dificuldades, por outro.
Isso se justifica, para os autores, pela atividade docente tratar-se de um “trabalho emocional”, ou seja, por haver uma relação afetiva entre professores e alunos. “Em boa medida, o trabalho docente repousa sobre emoções, afetos, sobre a capacidade não só de pensar dos alunos, mas também de perceber e sentir suas emoções, seus temores, suas alegrias, seus próprios traumas, etc.” (TARDIF e LESSARD, 2005, p. 258). A complexidade do trabalho docente deriva, portanto, de seu objeto de trabalho mais do que da variedade de tarefas desempenhadas. Mesmo assim, os professores afirmam possuírem o sentimento de contribuição para a formação de seres, que formarão a sociedade, e o amor pelo ofício, assim como reconhecem que a indisciplina, os problemas de motivação discente e o esgotamento
profissional geram um sentimento de impotência para atender às necessidades dos alunos, evidenciando seus próprios limites pessoais e profissionais.