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3. GEREÇ VE YÖNTEM

3.5. Veri Toplama Yöntemi

Retomando o assunto risco de crédito, nota-se a importância da definição do evento de default para que se possa mensurar este tipo de risco, como se verifica na afirmação de Westgaard e Wijst (2001, p. 339): “[...] risco de crédito é o risco de um tomador/contraparte entrar em

default”22. No caso deles, define-se que: “[...] entrar em default é fracassar em pagar uma quantia devida a um banco.”23

21 Clientes que possuem operação de crédito com valor acima de R$ 5 milhões. 22 “[…] credit risk is the risk that the borrower/counterparty will default.” 23 “[…] default is fail to repay an amount owed to the bank.”

Segundo Fitch (2000, p. 134), default significa “[...] fracasso em cumprir uma obrigação contratual, como o pagamento de um empréstimo pelo devedor, ou pagamento de juros aos detentores de títulos.”24

Altman (1993, p. 3) levanta a complexidade do assunto, apresentando quatro termos que podem caracterizar uma empresa “com problemas”25:

O insucesso de uma empresa tem sido definido de muitas maneiras na tentativa de descrever o processo formal enfrentado pela firma e/ou para caracterizar os problemas econômicos envolvidos. Quatro termos genéricos que são comumente encontrados na literatura são fracasso, insolvência, default e falência. Embora esses termos sejam algumas vezes utilizados indistintamente, eles são diferentes na sua utilização formal.26

Com isso, é possível entender porque, em vários trabalhos pesquisados, utilizam-se dos mesmos termos com diferentes significados e vice-versa. Nessa obra, o autor descreve o

default técnico como ocorrido quando o devedor viola uma condição do acordo assumido com

o credor, podendo estar sujeito a uma ação legal. O default formal ocorre quando o devedor não efetua um pagamento contratual (juros e/ou principal).

Servigny e Renault (2004, p. 119) dizem que antes de uma empresa estar formalmente em

default, se estiver enfrentando dificuldades com suas dívidas, ela será considerada “com problemas”. No entanto, o banco pode não ser capaz de identificar esse estado, e o default pode ocorrer diretamente, sem essa fase intermediária.

Note-se que há diferenças no entendimento sobre o estado “com problemas” nos dois casos citados: para Altman, seria uma definição geral, que incluiria o default; para Servigny e Renault, seria uma fase intermediária, que antecederia o default.

Bessis (1998, p. 82) apresenta várias definições possíveis de default: “[...] deixar de pagar uma obrigação, quebrar um acordo, entrar em um procedimento legal, ou default

24 “[…] failure to meet a contractual obligation, such as repayment of a loan by a borrower or payment of

interest to bond holders.”

25 O termo utilizado é distress.

26 “The unsuccessful business enterprise has been defined in numerous ways in attempts to depict the formal

process confronting the firm and/or to categorize the economic problems involved. Four generic terms that are commonly found in the literature are failure, insolvency, default and bankruptcy. Although these terms are sometimes used interchangeably, they are distinctly different in their formal usage.”

econômico.”27 Segundo ele, as agências classificadoras de risco consideram ocorrência de

default quando algum pagamento contratual não foi cumprido por pelo menos três meses, e

salienta que o evento do default não provoca perdas necessariamente, mas aumenta a chance do default final, que é a falência. Ainda, comenta: “A definição de default é importante para a estimativa das chances de default, por exemplo, através de registros históricos.”28

Segundo o BCBS (Basel Committee on Banking Supervision - Comitê da Basiléia sobre Supervisão Bancária) (2006, p. 100):

Considera-se que o default tenha ocorrido com relação a um devedor específico quando um ou ambos os eventos seguintes tiverem acontecido:

O banco considera improvável que o devedor pague as suas obrigações ao conglomerado bancário na totalidade, sem que o banco tenha que recorrer a ações, tais como realizar garantias (caso possua).

O devedor está atrasado em mais de 90 dias em alguma obrigação material com o conglomerado bancário. Saques a descoberto serão considerados como operações em atraso quando o cliente infringir um limite recomendado ou tenha lhe sido recomendado um limite menor do que a dívida atual.29

Com relação ao atraso acima citado, é apresentada a seguinte observação:

No caso de obrigações do varejo e das entidades não governamentais do setor público, com relação ao número de 90 dias, um supervisor pode substituir este número para até 180 dias para produtos diferentes, se ele considerar apropriado para as condições locais. Em um país membro, condições locais tornam apropriado utilizar um número de até 180 dias também para empréstimos concedidos pelos seus bancos para empresas; isso é aplicável no período de transição de 5 anos.30 (BCBS,

2006, p. 100)

Em um levantamento feito por Altman e Narayanan (1997) sobre os estudos de identificação e previsão de fracasso de empresas, eles verificaram que a maioria dos modelos utiliza dois grupos de amostras: empresas fracassadas e empresas “mais saudáveis”. Segundo os mesmos autores, a definição de fracasso pode variar dependendo da inclinação do pesquisador ou das

27 “[…] missing a payment obligation, breaking a covenant, entering a legal procedure, or economic default.” 28 “The definition of default is important in estimating the chances of default, for instance from historical

records.”

29 “A default is considered to have occurred with regard to a particular obligor when either or both of the

following events have taken place:

The bank considers that the obligor is unlikely to pay its credit obligations to the banking group in full, without recourse by the bank to actions such as realising security (if held).

The obligor is past due more than 90 days on any material credit obligation to the banking group. Overdrafts will be considered as being past due once the customer has breached an advised limit or been advised of a limit smaller then current outstanding.”

30“In the case of retail and PSE obligations, for the 90 days figure, a supervisor may substitute a figure up to 180

days for different products, as it considers appropriate to local conditions. In one member country, local conditions make it appropriate to use a figure of up to 180 days also for lending by its banks to corporates; this applies for a transitional period of 5 years.

condições locais: “Fracasso poderia significar falência sofrida por uma companhia, default de título, default de empréstimo bancário, remoção de uma empresa da lista oficial da bolsa, intervenção governamental através de financiamento especial, e liquidação.”31 (1997, p. 2). Servigny e Renault (2004, p. 119) expõem, quando se referem a empréstimos bancários, que ainda há muita incerteza quanto à definição de default no mercado financeiro. Eles apresentam as seguintes considerações:

• A definição do mercado para default está relacionada aos instrumentos financeiros. Corresponde ao atraso do principal ou dos juros.

• A definição do Basiléia II considera um evento de default com base em diferentes opções alternativas, como atraso de 90 dias em instrumentos financeiros ou provisionamento. Pode também ser baseado em uma avaliação julgamental de uma firma pelo banco.

• A definição legal está relacionada com a falência da firma. Isso dependerá tipicamente da legislação nos diferentes países.32

Eles observam que a dificuldade de se entender o default provém do fato de não ser uma conseqüência lógica de um único e bem definido processo. Um outro aspecto é a não convergência de interesses dos envolvidos sobre o momento em que se deve declarar o

default. Por exemplo, os empresários tentarão comandar a empresa o máximo possível, mas,

para os bancos, o ponto ótimo do estabelecimento do default poderia ser a data em que o valor da garantia fosse equivalente ao valor do empréstimo acrescido dos custos de realização da garantia.

Ainda, Sicsú (2003, p. 330) relata:

A dificuldade surge na definição do conceito de inadimplência para um determinado produto. Alcançar o consenso entre os analistas de crédito de uma instituição tem-se mostrado uma árdua tarefa na prática. Além da dificuldade natural ao definir inadimplência, os objetivos dos analistas envolvidos na definição operacional de inadimplência podem ser conflitantes. Alguns analistas adotarão definições extremamente rigorosas, objetivando que o modelo de escoragem aprove o crédito de forma parcimoniosa. Outros analistas, preocupados com a possibilidade de gerar um sistema muito conservador, que limite os negócios da instituição financeira, procurarão uma conceituação menos restritiva de inadimplência.

31 “Failure could mean bankruptcy filing by a company, bond default, bank loan default, delisting of a company,

government intervention via special financing, and liquidation.”

32 “• The market definition for default is related to financial instruments. It corresponds to principal or interest

past due.

The Basel II definition considers a default event based on various alternative options such as past due 90 days on financial instruments or provisioning. It can also be based on a judgmental assessment of a firm by the bank.

The legal definition is linked with the bankruptcy of the firm. It will typically depend on the legislation in various countries.”

Na tese defendida por Veiga (2006, p. 33), o termo default foi utilizado como sinônimo de inadimplência33.

Verrone (2007, p. 119) apresenta a preocupação de algumas IFs quanto à definição do prazo a ser considerado nos seus modelos internos para a caracterização da inadimplência, que poderia ser de 90 dias, conforme consta em Basiléia II, ou de 60 dias, conforme a prática mais comum de mercado.

Neste trabalho, considera-se o termo default como sinônimo de inadimplência, e adota-se, como definição do evento de default, que caracteriza a variável dependente da regressão logística, o atraso superior a 90 dias de parcela material da dívida de uma empresa, em relação a uma IF.

Benzer Belgeler