• Sonuç bulunamadı

um fim aos pedaços. Nessa pesquisa decidimos nos deter não nas culturas patriarcais neo-judaicas (i.e., Islamismo Cristianismo e judaísmo), e sim nas culturas matriarcais de forte cunho agrário (como dos povos pré-letrados e da Antiguidade Clássica), uma vez que essas são repositórios de conhecimento das coisas da Terra. Não a Terra como a conhecemos, mas como eles a interpretam: como ser vivo e pensante. Considere-se que ao nos referirmos às culturas da Antiguidade Clássica como matriarcais, contamos com o fato de que antes dos deuses homens sempre há uma deusa-mãe arquetípica e grandemente poderosa a quem se recorre permanentemente. A investigação visa descobrir a mensagem que jaz sob o manto dos mistérios e portentos que induzem um fim às coisas e as tribulações passadas e causadas pelo próprio ser humano.

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A noção de apocalipse como uma coisa de caráter místico não entra necessariamente neste projeto, porque não há nenhuma intenção mística ou misteriosa na realização do trabalho. A palavra em si contém sua própria explicação carecendo, portanto, de mais explicações. Advinda do grego apokalypsis (), que significa “revelação”, detém-se, em sua origem, no pensamento de natureza escatológica dos profetas bíblicos, que previam um fim desastroso e carregado de calamidades para os que se opunham ao credo oficial, ou simplesmente não o apoiavam, tendo assim um caráter aliado às sutilezas da educação, dos costumes e da obediência e respeito à filiação dos clãs. “Nos séculos I e II AC desenvolveu-se no judaísmo, dando continuidade ao gênero profético, uma abundante literatura que descrevia, através de forma convencional e misteriosa aos não-iniciados, a instauração do reino messiânico e fim dos tempos” (Grande Enciclopédia Larousse, 1988, vol. 1, p. 198).

Isso também leva à noção de obscurantismo, de coisa ou palavra de sentido oculto e difícil. Em O Novo Aurélio (HOLANDA, 1998), a palavra também encerra o significado de grande cataclismo, de flagelo terrível. Dessa forma, “o termo ‘apocalíptico’ tornou-se igualmente o símbolo dos derradeiros dias do mundo, que serão marcados por fenômenos espantosos […] o apocalipse torna-se, assim, símbolo do fim do mundo” (Ibid., p. 68).

A ideia de um fim catastrófico para os humanos que se interpunham, obstruíam ou enfrentavam de maneira orgulhosa as forças da natureza, destruindo-a sem outros motivos além da destruição per se, não é uma ideia nova. Ela perpassa por toda a antiguidade, podendo ser encontrada tanto no conceito das yugas do Hinduísmo Védico quanto no mito grego das Quatro Eras ou dos Quatro Sóis Maias.

O mundo cultural do Oriente Médio estava impregnado desta noção de desastre como vingança telúrica, podendo ser encontrada nos cultos de Ahura Mazda e sua antítese Agra Manyú, assim como no Zoroastrismo, que preveem um final de desastres como forma de punição aos desobedientes. Na epopeia do Gilgamesh, o herói depara-se com as forças ctônicas, sob a forma de Ereshkigal, deusa infernal, que

tenta seduzi-lo em vão e durante o diálogo entre os dois estabelece-se uma conscientização - para o herói - de que sem o arrependimento viria muito sofrimento. Fato ocorrido ao se deparar com a perda da amizade de seu melhor amigo, Enkidu. Aqui especificamente o mito se dirige ao aspecto da atitude civilizadora, pois ao rejeitar as investidas de Ishtar e cair na ira de sua irmã, Ereshkigal – uma espécie de Gaia Mesopotâmica –, Gilgamesh rejeita o amor e o zelo ao chão sagrado, que é o ventre dos grãos e dos frutos, em troca do entusiasmo pelas coisas da urbe e do mundo masculino. Aqui surge o princípio da rejeição da natureza, do campo pela cidade. A troca da cultura agrária pela cultura urbana, a troca da mãe criadora e provedora pelo pai absoluto, aqui transferido para Enkidu, o companheiro de lidas.

A mesma noção de arrependimento das falhas cometidas contra a natureza também aparece nos sistemas religiosos dos povos pré-letrados. Para os Zuñi, da América do Norte, enquanto houver harmonia entre os homens e as forças da natureza, tudo sairá bem, mas o confronto e a destruição das coisas da natureza geram uma força contrária e proporcional; assim, quando o homem se coloca em confronto com as forças da natureza, estas se desencadeiam de forma negativa e destrutiva, recriando um tipo de cataclismo apocalíptico. Os Sioux também achavam que um dia a terra se esgotaria num cataclismo e todos os povos se juntariam após o evento, numa espécie de terra da abundância. Na Polinésia, se crê que um dia as ilhas afundarão, e tudo perecerá para um reencontro numa terra enxuta e segura de inundações e catástrofes marinhas.

Assim, vemos que ao contrário das religiões institucionalizadas que normalmente defendem um credo onde os problemas da Terra e da sobrevivência nela, são assuntos que podem ser corrigidos pela Providência ou por um Deus salvador dos eleitos e/ou facções que o temem, as religiões dos povos ditos ágrafos ou pré-letrados, estão conectadas à Terra e seus problemas, não através destes mecanismos mediadores mas através de uma série de visões, em sua grande maioria sistematizadas por um códice oral, passado de geração a geração, voltadas igualmente para os problemas da Terra.

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No rumo da investigação, procurando rastros dentre os aborígenes africanos, oceânicos e americanos, deparamos com um dos corpus mítico-escatológicos mais intrigante de todos: o dos aborígenes Norte Americanos, particularmente os das nações Iroquesa e Pradarias.

3.2.1 Iroqueses

Da nação Iroquesa da província de Ontario no Canadá, encontramos um complexo sistema de código ético ambiental, particularmente entre os Anishinaabe e Mohawk. Entre os Mohawk circula o seguinte ciclo dominante; o Ciclo das Sete Gerações. E, assim, contam a seguinte história:

Sete gerações após o contato dos europeus com os Onkwehonwe, esses veriam o dia em que os olmos morreriam; estranhos animais nasceriam deformados e sem as devidas entranhas; gigantescos monstros de pedra escancarariam a face da terra; os rios queimariam; o ar queimaria os olhos dos homens; os pássaros cairiam do céu; os peixes morreriam na água e o homem ficaria cada vez mais

envergonhado da maneira como tem tratado a Mãe e Provedora, a Terra. Nesse dia, os índios voltariam para Onkwehonwe em busca de guia e direção. Cabe a atual geração, a sétima, dos Kanienkehaka ter liderança e dar bom exemplo aos que falharam.

Deste segue-se o ciclo dos Sete Fogos dos Anishinaabe que é contado assim:

O demiurgo Deganawidah diz aos índios que eles iriam passar por um tempo de grandes provações, quando suspeitassem de seus líderes e dos princípios da paz. Que nesse momento, uma serpente branca iria surgir e se misturar amistosamente com a serpente índia, mas com o passar do tempo, essa se tornaria tão poderosa que tentaria destruí-los. Quando as coisas estivessem quase perdidas surgiria uma serpente vermelha que viria do Norte para libertá-los do jugo da serpente branca e que essa logo iria lutar contra aquela. Nesse ínterim, os índios fogem rastejando para uma região cheia de colinas e, aí, se reúnem e renovam a fé e os princípios no demiurgo, quando recebem uma mensagem de Deganawidah para esperarem um novo líder; um líder jovem que viria do Leste e que seria vidente por opção. Enquanto estão juntos em reunião observando a luta das duas serpentes, surge do mar uma outra, negra, vindo do Sul e pingando sal.

Durante esta luta, há uma pequena trégua que logo termina, para que a luta recomece com mais força que é então quando as montanhas iriam rachar, os rios ferver, os peixes boiar de barriga para cima, todas as folhas das árvores na área cair, a grama desaparecer e estranhos besouros e bichos rastejar pelo chão e atacar ambas as serpentes, até que a serpente vermelha ataca a branca pelas costas e lhe arranca um pelo vermelho que é soprado por um grande vento para as mãos da serpente negra. Enquanto estuda o pelo, esse se transforma numa moça branca que lhe conta das coisas ruins que estão acontecendo. Enfurecida com o relato a serpente negra dispara para o Norte e entra na luta com tanta determinação, que derrota as duas serpentes já exaustas da luta entre si. Uma vez vencidas, as serpentes vermelha e branca, após olhar todas as direções, a serpente negra olha para o Leste e vê uma luz cegante, que é Deganawidah vindo para ajudar os índios, movendo-se do Leste para o Oeste. Horrorizada, a serpente dispara de volta ao Sul e nunca mais é vista pelos índios. A serpente branca ao ver a luz faz um débil esforço para ir em direção a essa luz. Mas uma porção sua recusa-se a ir e vai à região das colinas e junta-se aos índios. A porção que vai para a luz mergulha no mar e reaparece na crista da onda das águas, juntando-se a luz para nunca mais ser vista. A serpente vermelha, assustada pela luz, foge para o Norte numa trilha de sangue e destruição e nunca mais é igualmente vista.

Entrementes, na época em que viviam em paz, sete profetas se reuniram e profetizaram o futuro em sete profecias e cada profecia era chamada de Fogo; sendo Fogo uma referência a uma época de tempo futuro. Daí, os ensinamentos dos profetas serem chamados de Os Sete Fogos.

O primeiro profeta disse para os Anishinaabe procurarem uma ilha em forma de tartaruga que estava ligada a purificação da Terra. Essa ilha seria encontrada no início e no fim da jornada e haveriam sete paradas no caminho. Ela seria identificada por ser uma terra onde a comida cresce na água;

O segundo profeta disse que o Segundo Fogo seria reconhecido quando um grande corpo de água ocupasse, temporariamente, toda a terra da nação Anishinaabe; quando então, nasceria uma criança que apontaria o caminho de volta aos costumes tradicionais.

O terceiro profeta disse que no Terceiro Fogo os Anishinaabe trilhariam o caminho de volta à terra escolhida, uma terra à Leste onde a comida cresce na água e para onde deviam mudar suas famílias; O quarto Fogo foi predito por dois profetas unidos em um só. Um disse que uma raça de Pele Clara iria chegar e que o futuro dos Anishinaabe dependeria da face que a raça de Pele Clara usasse. Se usassem uma face de irmão, surgiria um tempo de maravilhas ao se juntar o conhecimento e artigos destes com o conhecimento da terra que os índios tem de maneira que duas nações fariam uma só e que essa seria juntada por mais duas outras para criar uma nação poderosa. Reconhecer-se-ia a face do irmão se este não usasse armas. Mas o segundo profeta disse para ter cuidado com a raça de Pele Clara se essa viesse usando a face da morte, pois ambas as faces eram muito parecidas e, portanto, difícil de reconhecer. Disse também que o irmão com a face da morte, carregaria armas e os rios iriam correr envenenados e os peixes inadequados para se comer.

O quinto profeta disse que, na época do Quinto Fogo viria um tempo de grande luta que iria dominar as vidas de todos os nativos. Nesse momento, surgiria um povo que viria com uma promessa de alegria e salvação. Seriam promessas falsas que se fossem ouvidas, causariam a quase destruição dos povos.

O sexto profeta disse que, no tempo do Sexto Fogo, tornar-se-ia evidente que as promessas do Quinto Fogo eram falsas. Os enganados por essa promessa tomarão seus filhos dos Anciãos e netos e netas se voltarão contra os avós. Assim os Anciãos perderão sua razão para viver e surgirá uma nova doença entre as pessoas. O equilíbrio entre elas será perturbado. O cálice da vida transbordará e se transformará num cálice da dor.

O sétimo profeta disse que, no Sétimo Fogo, surgiria um Novo Povo e que este iria procurar os Anciãos em busca de guia para sua jornada. Mas os Anciãos não falariam ou por nada terem a oferecer ou por medo. Essa rota teria de ser empreendida por si mesma e que o Oitavo Fogo dependeria da escolha para que houvesse o restabelecimento da paz ou destruição total. Os caminhos seriam o da tecnologia ou da espiritualidade.

3.2.2 Cherokee

Para os Cherokee do Alasca existem quatro ciclos. Primeiro o do mineral, da rocha. Depois, o ciclo da planta. Estamos, agora, no ciclo do animal, que está findando para dar início ao último ciclo, o do homem.

No princípio de tudo, durante o primeiro ciclo, o Grande Espírito apareceu juntou todos os povos e disse:

vou lhes mandar para as quatro direções, e ao longo do tempo vou lhes mudar para quatro cores, mas vou lhes dar alguns ensinamentos, e vocês chamarão estes de

Ensinamentos Originais; quando vocês voltarem a se juntar novamente uns aos outros, partilharão esses ensinamentos de modo que possam viver e ter paz na terra, e uma grande civilização surgirá. Durante o ciclo do tempo, eu vou dar a cada um, duas tabuletas de pedra. Quando lhes der essas tabuletas não as jogue no chão. Se algum dos irmãos e irmãs jogar a tabuleta no chão, não somente os seres humanos terão tempos difíceis, mas toda a própria terra por pouco, morrerá. (Adaptado de

http://www.crystalinks.com/cherokee/html).

E assim foi passada uma responsabilidade chamada de a Guarda.

Aos índios, o povo vermelho do Leste, foi dado a Guarda da Terra. A tarefa era aprender os ensinamentos da terra: as plantas que dela nascem, coisas que se podem comer, ervas que curam e demais coisas relacionadas ao conhecimento da terra.

Ao povo amarelo do Sul foi dada a Guarda do Vento. Seu dever era aprender sobre o céu e a respiração e como levar isso para dentro de si em busca de progresso espiritual.

Ao povo negro do Oeste foi dada a Guarda da Água. Sua tarefa era aprender os ensinamentos da água que é o mais poderoso, importante e humilde dos elementos.

Ao povo branco do Norte foi dada a Guarda do Fogo. Sua tarefa era aprender sobre as qualidades do fogo, seja numa centelha de motor, num lampejo de lâmpada ou no centro de um avião. O fogo consome, mas também se move. Eis porque a raça branca começou a se mover na Terra e nos reunir como família humana.

Assim temos o Quadro 3.1de valores dessa distribuição:

Quadro 3.1 - Distribuição das Raças segundo os Cherokees

PONTO CARDEAL RAÇA ELEMENTO LOCAL DE GUARDA

L Vermelha Terra Arizona

S Amarela Vento Tibete

O Negra Água Kenya

N Branca Fogo Suíça

O tempo passou e o Grande Espírito também deu, a cada uma das quatro raças, duas tabuletas de pedra que foram guardadas em lugares especiais. A dos índios estão guardadas na Reserva Hopi na terceira Mesa da região de Quatro Cantos do Arizona; as da raça negra estão guardadas pela tribo Kukuyu no Monte Kenya; as da raça branca estão guardadas na Suíça; e as da raça amarela estão guardadas pelos Tibetanos que são antípodas dos Hopi.

Há de considerar uma intrigante situação sobre profecias antigas desses Guardiões. Diz uma profecia Tibetana, que quando águias de ferro voarem e cavalos andarem sobre rodas, o povo Tibetano será espalhado pela Terra e o dharma irá para a terra do povo vermelho; enquanto uma profecia Hopi diz que, quando aves de ferro voarem o povo dos mantos vermelhos do Leste e que perderam sua terra aparecerão e os dois irmãos separados pelo oceano se juntarão. Esses fatos aconteceram, aviões e caminhões chineses invadiram o Tibete, e os tibetanos que não foram mortos ou aprisionados fugiram

para todas as partes. O Dalai Lama refugiou-se nos Estados Unidos onde se reúne ocasionalmente com os anciãos Hopi.

Conta-se também nas antigas profecias que os primeiros irmãos e irmãs a voltarem a se reunir aos índios, viriam como tartarugas, humanos, mas como tartarugas. E assim foi. Chegaram os espanhóis vestidos em armaduras. Como tartarugas. Os índios se reuniram para recebê-los e estenderam as mãos para saudar. Mas não houve aperto de mão, pois as dos espanhóis estavam armadas com machadinhas. Eles não tinham a face do irmão, pois vinham armados.

Enquanto a perseguição e matança dos índios pelos espanhóis se ampliam, estes se reúnem para saber o que o incerto futuro lhes reserva. E vêm as visões do futuro:

I. Eles (da outra raça) vão construir uma fita negra e nessa fita negra vai ser posto um besouro em movimento e quando esse besouro começar a se movimentar, esse vai ser o sinal do Primeiro Abalo da Terra (Primeira Guerra Mundial?);

II. esse abalo será tão violento que jogará o besouro no ar e ele vai começar a se mover e voar no ar e, no final do abalo, esse besouro estará voando pelo mundo todo;

III. depois disso, será construída uma teia de aranha em torno da terra e as pessoas conversarão por intermédio dessa teia e quando essa teia estiver pronta surgirá um sinal de vida a Leste que se enristará. Esse sinal virá com o sol, mas o próprio sol irá nascer, um dia, no Oeste;

IV. quando o sol nascer e se inclinar no Leste e o sinal da vida ficar invertido (a suástica) a Grande Morte descerá na terra e haveria um Segundo Abalo que será pior que o Primeiro;

V. o pior mau uso de todas as Guardas, será a do fogo, quando construir a cabaça de cinzas. Eles dizem que quando essa cabaça de cinzas cair do céu as pessoas pegarão fogo e nada crescerá durante muitas estações;

VI. depois que a cabaça de cinzas cair, será feito tentativas de acordo de paz, para isso será construída uma casa de mica. Mas os índios serão mantidos fora dela, e enquanto forem mantidos fora dela, suas profecias não serão ouvidas e nada poderá ser feito para impedir a chegada do Dia da Purificação.

Assim, após várias tentativas infrutíferas de fazer parte das Nações Unidas e após uma reunião dos anciãos, falou Thomas Bannyacia, Hopi:

Vocês verão um tempo em suas vidas em que os seres humanos irão descobrir o esquema de que somos feitos. [...] Eles vão cortar esse esquema. [...] Vão criar novos animais na Terra, e vão achar que esses vão nos ajudar. E assim vai parecer. Mas talvez os netos e bisnetos venham a sofrer. [...] Eles liberarão essas coisas e eles as usarão. E isso não vai muito distante de agora. Eles estão fazendo novos animais. [...] Os anciãos falaram disso. Eles disseram, Vocês verão novos animais, e mesmo os animais antigos voltarão, animais que as pessoas pensavam ter desaparecido. Eles os encontrarão aqui e ali. Eles começarão a reaparecer.

(http://www.dreamscape.com/morgana/atlas.html)

Profetizam igualmente que, logo após a águia pousar na lua, as coisas vão começar a correr cada vez mais rápido. A mensagem é que, quanto mais as coisas acelerarem, mais devemos nos desacelerar.

Então, aparecerá o sinal para o Terceiro Abalo. O último. Esse sinal será construção de Uma Casa no Céu. Quando as pessoas estiverem morando no céu, o Grande Espírito vai abalar a Terra não com uma só mão, mas com ambas. Nesse tempo, vão se construir cidades de pedra e as pessoas que vivem nelas são como conchas vazias. E, numa manhã, o sol vai se levantar e as cidades de pedra estarão ali, mas, ao anoitecer, não haverá nada ali além de vapor quente. Tudo será vapor. E começará o Terceiro Abalo que não será uma coisa boa de se ver.

Assim falaram os Cherokee do Alasca. Mas de todos os corpus escatológico-apocalípticos, o mais enigmático e requintado é do Hopi. Os Hopi são descendentes diretos dos Anasazi, assim como seus irmãos Zuñi e Acona são povos Pueblo ou civilização do Chaco.

3.2.3 Pueblos

Os Anasazi foram grandes construtores, com legados de cidades semicirculares, centradas em torno de poços chamados de Kiva (Figura 3.1a) (Esses poços serviam de via religiosa, pois se acreditava que serviam de porta de comunicação com os espíritos, além de os lembrarem de uma antiga época quando tiveram de viver escondidos sob o chão). Essas cidades condominiais tinham uma forma de D

Benzer Belgeler