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Ação de Sensibilização – “Bem me quero…”

Dia Internacional da Incontinência Urinária, 14 de Março

Descrição Detalhada do Projeto

Data: 14 de Março de 2013.

Local: Parque Urbano de S. Lourenço, Abrantes. Duração Total da Atividade: 1h 30minutos.

I – Objetivo Geral: Sensibilizar a população para a temática da Incontinência Urinária (IU). II – Objetivos Específicos:

1. Promover a prática de atividade física junto dos utentes dos Centros de Saúde (CS);

2. Divulgar a importância dos músculos do pavimento pélvico (MPP), assim como a sua relação com a IU.

3. Divulgar o papel do fisioterapeuta como principal interveniente no tratamento da IU.

III – Indicadores de Avaliação:

1. Adesão à ação de sensibilização: % do número de utentes presentes na ação comparativamente

com o número de utentes inscritos.

2. Grau de satisfação geral da ação: % de utentes muito satisfeitos com a ação desenvolvida

(questão 13.) em relação à % de utentes não satisfeitos.

3. Compreensão dos conteúdos teóricos da sessão: % de utentes que concordaram plenamente

quanto à exposição dos temas teóricos (questão 7.) comparando com a % de utentes que já tinham conhecimento acerca dos MPP e da sua função (questões 8., 9.)

4. Capacidade de concretização das contrações dos MPP: % de utentes que conseguiram

realizar a contração dos MPP (questão 10.2) comparando com os utentes participantes na ação de sensibilização.

IV – Destinatários: Mulheres, e especificamente mulheres com incontinência urinária. V – Meios de Divulgação:

1) Médicos das unidades de saúde Familiar de Alferrarede, Abrantes, Mação, Sardoal, Constância e Tomar (ACES do Médio Tejo);

2) Café/Restaurante Trincanela no Parque de S. Lourenço;

VI – Conteúdos da Ação:

Objetivos Conteúdos Material

necessário Tempo (min) Component e teórica 1. Apresentar de forma geral a anatomia e fisiologia do pavimento pélvico.

O que são os MPP: conjunto de músculos que formam a base da pélvis.

Quais as funções dos MPP: - Suporte dos órgãos pélvicos; - Participam no mecanismo de continência urinária e fecal;

- Suportam a pressão intra-abdominal em diversas situações (durante a tosse, riso, e exercício físico, p. ex.)

- Modelo da pélvis humana. - Elástico largo com 3 furos. - Quadro branco - Imagens dos MPP, situações de esforço, CORE, da gravidez; menopausa; alterações posturais. 8 min. 2. Explicar a forma de contração dos MPP.

A contração dos MPP implica o seu movimento no sentido cefálico e por isso dá uma sensação de compressão e ligeira elevação da pélvis para dentro, essa sensação de compressão deve ser transmitida através “do aperto” da vagina e do ânus.

5 min.

3. Correlacionar a função dos MPP e a situação de IU.

A IU pode surgir por diversas causas, sendo uma delas o enfraquecimento dos MPP que poderá estar relacionado com a entrada na menopausa (pelas alterações hormonais); com o estado de gravidez (alongamento muscular e lacerações).

3 min.

4. Realizar um

conjunto de

exercícios dos MPP.

Após realizar uma contração e sentir

a musculatura pélvica em

funcionamento realizar 2 séries de 8 repetições de contração lenta e mantida e 2 series de 8 repetições máximas e rápidas. 4 min. Component e prática 1. Exercício aeróbio (aquecimento). - Caminhada. Monitorização:

- Avaliação subjetiva de esforço através da escala de Borg.

- Avaliação da frequência cardíaca (FC).

Momento de avaliação antes de iniciar a caminhada.

- Cronómetro; - Folha para registo da FC;

- Escala de Borg.

30 min

2. Exercícios de força.

- Exercícios realizados na posição de pé com o auxílio de resistência elástica.

- Trabalho essencial dos grandes grupos musculares (MI; peito; costas).

- 2 séries de cada exercício com 10 a 15 repetições.

- Trabalho específico dos MPP (entre séries dos restantes exercícios), séries de 6 a 8 repetições. - Cronómetro; - Bandas elásticas de resistência média; - Sistema de som. 30 min.

3. Alongamentos (retorno à calma).

- Alongamento dos principais grupos musculares, realizando cada alongamento durante 15-20 segundos.

Monitorização no final da sessão:

- Avaliação subjetiva de esforço através da escala de Borg.

- Avaliação da FC.

- Folha para registo da FC;

- Escala de Borg.

Fim da

Ação Finalizar a ação de

sensibilização.

- Preenchimento do questionário de satisfação da ação.

- Agradecimento aos participantes e entrega dos flyers de agradecimento.

- Questionários de satisfação. - Canetas. - Flyers de Agradecimento. 10 min.

VII – Material Didático Necessário:

 Cartaz de divulgação;

 Folha explicativa do programa da ação para entregar aos médicos dos CS.  Flyers de convite;

 Folhetos da APF acerca dos MPP, para distribuir no dia da ação;

 Flyer de agradecimento de participação;

 Lista de confirmação de presenças na ação;

 Questionários de satisfação;  Bandas elásticas;

 Sistema de som (música);  Canetas;

 Cronómetro;

 Folha de registo da FC;  Escala de Borg;

 Elástico largo (para simular os MPP);  Modelo da pélvis humana;

 Quadro branco;

 Imagens da gravidez; menopausa; alterações posturais, etc.

 Plastificante de papel.

VIII – Recursos Humanos: 2 Fisioterapeutas.

IX – Recursos Financeiros: o custo inerente à impressão e fotocópias dos documentos necessários:

cartazes de divulgação, flyers de convite e de agradecimento, folhas explicativas do programa, questionários de satisfação, e escalas de Borg.

X – Lista de Responsabilidades

Ft. Cláudia Antunes

Ft. Ana

Figueiredo Concretizado Observações

Desenvolver o projeto da ação de sensibilização.

X X

Construir o cartaz de divulgação. X

Construir os convites de divulgação. X

Construir os flyers de agradecimento. X

Construir a folha explicativa da ação de

sensibilização. X

Construir a base de inscrição no programa. X

Verificar a autorização de realização da

ação e respetiva divulgação nos vários CS. X

Divulgação no

CS de

Alferrarede.

Verificar a autorização de utilização do

parque de S. Lourenço. X

Fotocopiar o diverso material construído. X

Forrar os flyers de agradecimento de

participação. X

Organizar em dossier o material construído

para levar no dia da ação. X

Arranjar bandas de resistência elástica. X

Solicitar empréstimo a

um ginásio.

Arranjar sistema de Som. X

Descrever a componente teórica a abordar

na ação. X X

Descrever a componente prática da ação. X X

XI – Fases de Implementação da Ação/Cronograma

Datas Tarefas Semana de 18-24 de Fevereiro. Semana de 25 Fev. a 3 de Março. Semana de 4 a 10 de Março. Semana de 11 a 17 de Março.

Elaborar o projeto da ação de sensibilização. Elaborar o cartaz de divulgação e respetivos flyers. Redigir a carta a entregar aos médicos dos CS abrangidos pela ação.

Construir os questionários de satisfação para aplicação no dia da ação.

Verificar a autorização de realização da ação e respetiva divulgação nos vários CS e no parque de S. Lourenço.

Solicitar os folhetos da APF.

Elaborar a componente teórica e prática da ação de sensibilização.

Distribuir os cartazes de divulgação e flyers de convite da ação.

Realizar as inscrições na ação. (até dia 13

de Março)

Realização da Ação de Sensibilização – “Bem me

quero…” Dia 14 de Março.

Balanço e Análise da Ação de Sensibilização.

Nota: Devido a alguns constrangimentos e burocracias inerentes à divulgação de informação pelos

CS do ACES do Médio Tejo, não foi possível amplificar a divulgação da ação de sensibilização de acordo com o pretendido. Assim, a divulgação foi realizada no CS de Alferrarede e o convite de participação era estendido à comunidade feminina do concelho de Abrantes, em que as utentes do CS podiam convidar amigas e conhecidas para participar.

XII – Resultados da Ação de Sensibilização

Caracterização da Amostra – Dados sociodemográficos

De acordo com a caracterização da amostra da ação de sensibilização verificou-se que a média de idade das utentes se situa nos 56 anos, variando entre um mínimo de 31 anos e um máximo de 83 anos (tabela 1). Analisando o grau de escolaridade da amostra pode constatar-se um predomínio de escolaridade igual ou inferior ao 6º ano, com uma percentagem correspondente de 57,7%, o ensino secundário apresentou uma percentagem de 23,1% e por fim o ensino superior com 19,2% (tabela 3). Em 100% de participantes femininas (população-alvo da ação), a maioria das participantes (92,3%) são casadas e apenas 7,7% são solteiras (tabela 2). Verificando a localidade das participantes, todas elas pertencem a freguesias do concelho de Abrantes.

Idade mínima 31 anos

Idade máxima 83 anos

Média de idades 56,2 anos

Tabela 3- Média da idade das participantes.

Indicadores de Avaliação

Indicador 1 – Adesão à ação de sensibilização: % do número de utentes presentes na ação

comparativamente com o número de utentes inscritos.

N.º inscritos N.º participantes %

30 26 87% taxa de adesão

Indicador 2 – Grau de Satisfação dos participantes: % de utentes muito satisfeitos com a ação

desenvolvida (questão 13.) em relação à % de utentes não satisfeitos.

Grau de satisfação % Grau de satisfação

Muito insatisfeito 0 0%

Insatisfeito 0 0%

Indiferente 0 0%

Satisfeito 3 12%

Muito Satisfeito 23 88%

Indicador 3 – Compreensão dos conteúdos teóricos: % de utentes que concordaram plenamente

quanto à exposição dos temas teóricos (questão 7.) comparando com a % de utentes que já tinham conhecimento acerca dos MPP e da sua função (questões 8., 9.).

Estado civil n.º pax. %

casada 24 92,3% solteira 2 7,7% Escolaridade n.º pax. % < 6ºano 15 57,7% 6º - 9º ano 0 0% Ens. Sec. 6 23,1% C. Sup. 5 19,2%

Tabela 4- Dados relativos ao estado civil das

participantes.

Tabela 5- Dados referentes ao grau de

Questão 7. Questões 8. e 9. Discordo plenamente 0 20/23* 100 = 87% Discordo 0 Não Sem opinião 0 6 Concordo 3 Sim Concordo plenamente 23 20

Indicador 4 – Capacidade de concretização das contrações dos MPP: % de utentes que

conseguiram realizar a contração dos MPP (questão 10.2) em relação ao número total de participantes na ação.

Questão 10.2

26 100%

XIII – Análise e Discussão dos Resultados

Através da aplicação de um questionário de satisfação no final da ação de sensibilização, em que o mesmo foi construído para avaliar a ação através da elaboração de indicadores objetivos, é possível realizar uma análise da forma como decorreu a ação e os resultados obtidos na mesma.

Tendo em conta os resultados dos dados sociodemográficos das participantes verificou-se que as mesmas têm idades compreendidas entre os 31 e os 83 anos, sendo a média de idades de 56 anos. Por sua vez, o grau de escolaridade predominante é a formação igual ou inferior ao 6º ano (58,8%) enquanto o ensino superior corresponde a apenas 17,7%. Em última análise verifica-se que todas as participantes pertencem a diversas freguesias do concelho de Abrantes. De acordo com os dados apresentados, constata-se que a maioria das participantes está na casa dos 50 anos e o seu grau de escolaridade é baixo, correspondendo a 6 ou menos anos de frequência escolar. Tal facto poderá dever-se à incapacidade que existia nos anos 50/60 em dar a possibilidade às crianças de frequentarem o ensino escolar, integrando a área laboral precocemente, sobretudo em regiões dedicadas à agricultura como a região centro do nosso país, onde se inclui o concelho de Abrantes.

Prosseguindo a análise da ação debruçamo-nos sobre os indicadores definidos para a avaliação da mesma. O primeiro indicador definido avalia a adesão à ação através da comparação entre o número de inscritos e o número de participantes, a taxa de adesão à ação foi de 87%. Por sua vez, os indicadores 2, 3 e 4 foram elaborados para avaliar aspetos como a satisfação e a compreensão dos conteúdos tanto teóricos como práticos da ação. De acordo com o segundo indicador a taxa de satisfação das participantes foi de 88%, sendo este valor referente às participantes muito satisfeitas, 12% das participantes ficaram satisfeitas com a ação, nenhuma das participantes se mostrou como não satisfeita ou indiferente à ação. Analisando a componente teórica pode constatar-se uma compreensão destes conteúdos de 87% e a componente prática da ação que tinha como objetivo a compreensão e a capacidade de concretização das contrações dos MPP,

avaliado pelo quarto indicador apresenta uma taxa de sucesso de 100% uma vez que todas as participantes responderam que conseguiram realizar as contrações dos MPP.

Pela análise descrita anteriormente pode concluir-se uma taxa de sucesso da realização da ação de sensibilização “Bem me quero…” uma vez que todos os indicadores analisados obtiveram percentagens acima dos 80%. Pode ainda verificar-se que a forma como a mesma foi elaborada e os conteúdos teóricos e práticos agradaram e satisfizeram as expectativas das participantes – satisfação 88%, acrescentando-se ainda que a título de sugestões a maioria das participantes solicitou a repetição deste tipo de iniciativa. A componente teórica da ação em que constou a anatomia e fisiologia do pavimento pélvico, incluindo a sua forma de contração e ainda a relação entre a função dos MPP e a IU. E por sua vez, a componente prática que foi composta por exercícios aeróbios (caminhada), exercícios de força onde constaram exercícios específicos para os MPP e por fim alongamentos. Conduzem à análise dos indicadores 3 e 4 em que se pode concluir que os conteúdos apresentados e exercícios elaborados foram de fácil compreensão e respetiva execução, tendo em conta as características (e.g. grau de escolaridade e idade) das participantes.

Para divulgação dos resultados foi elaborado um poster com o intuito de expor no CS e divulgar a iniciativa através do Grupo de Interesse em Fisioterapia na Saúde da Mulher, presente em Apêndice I.

IXX Conclusão

A iniciativa desenvolvida foi pertinente na medida em que a IU é uma condição caracterizada pela perda involuntária de urina, incidente principalmente em mulheres e que implica um problema físico com consequências sociais, económicas e tem também um grande impacto da QV dos indivíduos. Além disso, a epidemiologia demonstra que em Portugal a prevalência da IU é nas mulheres de 21,4% e que existe uma desigualdade entre a prevalência de IU autodeclarada e a existência de um diagnóstico médico desta condição, concluindo-se assim uma necessidade de educação da população assim como um alerta para os profissionais de saúde.

De acordo com os dados supracitados e sendo o dia 14 de Março o dia Internacional da IU, foi desenvolvida a ação com o intuito de alertar a população feminina para este facto. Pela aplicação dos indicadores definidos para a avaliação da ação, e tendo em conta o constrangimento burocrático que não permitiu uma maior divulgação, os resultados foram bastante positivos, verificando-se uma taxa de satisfação de 88%. Conclui-se então que iniciativas semelhantes são necessárias e o papel dos profissionais de saúde necessita de ser ativo para chegar a este tipo de condição e oferecer os melhores e mais adequados cuidados de saúde.

Benzer Belgeler