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A. Genel Değerlendirme

3. Tonal Müzikte Algısal Perde Hiyerarşisi Arama

3.1 Resumo

Introdução: A odontologia é uma profissão muito vulnerável a riscos ocupacionais, principalmente os relacionados às posturas de trabalho. Objetivo: Verificar a prevalência de dor osteomuscular e a correlação com a incapacidade gerada entre os profissionais da odontologia. Metodologia: trata-se de um estudo transversal, onde os profissionais responderam aos instrumentos validados: NMQ “Nordic Musculoskeletal Questionnaire” para selecionar os sujeitos com e sem dor, “ Pain Disability Questionnaire (PDQ)” para avaliar incapacidade gerada pela dor e a Escala Numérica da Dor para quantificar a dor. A análise dos resultados foi realizada através do programa SPSS – versão 21.0, e utilizou-se o teste de correlação de Spearman. Para comparação de grupos foram utilizados os testes não paramétricos de Mann Whitney e Kruskal-Wallis. Resultados: Do total de cirurgiões dentistas entrevistados (N=94), 90.4% relataram ter experiência de dor osteomuscular, dentre as quais as regiões mais prevalentes foram: pescoço (58.5%), parte inferior das costas (57.4%), parte superior das costas (55.3%), ombros (46.8%), punhos/mãos (44.7%). A média total do PDQ foi de 7.91. Para o domínio condição funcional (CF) a média foi de 5.29 e para o domínio componente psicossocial (CP) foi de 2.61. A incapacidade gerada pela dor foi classificada como moderada em 69.1% dos profissionais ao passo que o restante dos profissionais fora considerado sem incapacidade. Em relação à intensidade de dor, a média encontrada foi de 1.96; 2,1% dos profissionais classificaram a intensidade da dor como moderada, e 86.2% dos casos foi considerada nula. Foi encontrada correlação positiva e estatisticamente significante entre a maioria das questões do PDQ e da Escala de dor. A correlação entre os domínios do PDQ (CF, CP e Total) e da Escala de dor se mostraram moderadas, positivas e estaticamente significantes (ρ=0.409 e p≤0,01; ρ=0.503 e p≤0,01; ρ=0,498 e p≤0,01). Conclui- se que houve correlação positiva entre dor e incapacidade e os sujeitos sintomáticos apresentaram maior risco à incapacidade funcional. Apesar da

intensidade de dor ter se mostrado mínima, a incapacidade laboral desses profissionais foi considerada moderada.

Palavras-chave: Transtornos traumáticos cumulativos; saúde ocupacional; odontologia; fatores de risco; Pessoa com deficiência.

3.2 Abstract

Introduction: Dentistry is a profession very vulnerable to occupational hazards mainly related to working postures.Objective: To determine the prevalence of musculoskeletal pain and the correlation with the disability caused between dental professionals.Methodology: This is a cross-sectional study, where professionals responded to validated instruments: "Nordic Musculoskeletal Questionnaire" to select subjects with and without pain, "Pain Disability Questionnaire (PDQ)" to assess the disability caused by pain and the Numerical Pain Scale to quantify the pain. Results: Of the total dentists (N = 94) interviewed, 90.4% reported having experience of musculoskeletal pain, and the regions most prevalent were: the neck (58.5%), lower back (57.4%), upper back (55.3 %).The average total PDQ was 7.91 for the functional conditiondomain (FC), the average was 5.29 and 2.61 for the psychosocial component domain (PC). The disability caused by the pain was rated as moderate in 69.1% of the professionals and the remainder was classified as no disability. Regarding the intensity of pain, the mean was 1.96 and its intensity was classified as moderate in 2.1% and null in 86.2%. A positive and statistically significant correlation was found between most of the questions and the PDQ Scale pain. The correlation between the domains of the PDQ (FC, PC and Total) and the pain scale showed moderate, positive and statistically significant differences (ρ = 0.409 ep≤0.01; ρ = 0.503 ep≤0.01; ρ = 0.498 ep≤ 0.01). There was a positive correlation between the pain and disability, and symptomatic subjects had a higher risk of functional disability. Despite the intensity of pain having been shown to be minimal, the incapacity of these professionals was considered moderate.

Keywords: cumulative trauma disorders; occupational health; dentistry; risk factors; person with disability.

3.3 Introdução

As dores osteomusculares representam um dos principais problemas de saúde pública nos países desenvolvidos.1 São comuns em trabalhadores e na

população geral, sendo sua origem multifatorial.2-6 Têm despertado a

atenção de pesquisadores, preocupados com questões relativas à saúde e ao trabalho, devido ao custo e seu impacto na qualidade de vida. Ocasionam prejuízos funcionais, limitações nas atividades, redução da qualidade de vida, incapacidade, diminuição da produtividade no trabalho e gastos médicos diretos.7,8 Dessa forma, representam problemas na

população devido à sua elevada prevalência e morbidade e desencadeiam grande potencial de incapacidade2.

Como a Odontologia é uma profissão que demanda atenção e precisão nos movimentos, o cirurgião dentista é destacado pela vulnerabilidade e por experimentar problemas de diversas naturezas no âmbito ocupacional9.

Dentre estes, são ressaltados aqueles relacionados às posturas específicas adotadas durante sua atividade clínica.9-11 Na prática odontológica, os

profissionais acabam flexionando acentuadamente ou realizando rotações das regiões do pescoço e coluna e abdução do ombro para melhorar o campo de visão e acesso mais fácil à cavidade oral.3,9,10-14

A compressão das estruturas musculoesqueléticas torna-se um fator de risco para o desenvolvimento de lesões entre estes profissionais, comprometendo suas saúde, podendo levar até ao afastamento da carreira.8,11.14 Isso ocorre

quando os profissionais adotam postura estática e por vezes desajeitada, combinadas aos movimentos repetitivos, contribuindo para o agravamento dos sintomas dolorosos.8,11,14A maioria desses sintomas podem ser aliviados

com atitudes preventivas adequadas, especialmente antes de danos crônicos se instalarem.3,8,11-14

Apesar das altas taxas de prevalência de queixas osteomusculares descritas, muito pouco se conhece sobre esses sintomas entre os cirurgiões dentistas e seus fatores predisponentes.15A valorização de métodos de avaliação dos

distúrbios osteomusculares tem-se mostrado constante, com o intuito de ajudar a definir a relação dos sintomas com o tipo de trabalho e a região do corpo mais acometida pela dor.16Organizações e pesquisadores,

preocupados com questões relativas à saúde e ao trabalho, têm estudado medidas para avaliar a dor e o nível de incapacidade em sujeitos com sintomas osteomusculares, por meio de questionários e escalas que têm sido considerados muito úteis para avaliar os diferentes aspectos desses problemas ocupacionais.2,16-18

Esses instrumentos avaliam se a capacidade funcional do trabalhador está alterada devido a problemas psicossociais e de saúde e se estes estão causando impactos ou limitações na atividade laboral.2,16-19 Assim, o objetivo

desse estudo é o de verificar a prevalência de dor osteomuscular e a correlação com a incapacidade gerada entre os profissionais da odontologia.

3.4 Metodologia

Trata-se de um estudo epidemiológico transversal, seguindo as normas éticas preconizadas para estudos realizados com seres humanos.

A amostra foi constituída por cirurgiões dentistas matriculados em cursos de pós-graduação de diversas especialidades (dentística, endodontia, periodontia, cirurgia, prótese, implantodontia, odontopediatria e ortodontia) de um município de médio porte do estado de São Paulo, Brasil, durante o ano 2013. O conselho da classe odontológica preconiza que cada turma de especialização seja constituída por 12 alunos (N=96). Foram excluídos do estudo portadores de limitações físicas e gestantes.

Os dados foram obtidos com o auxílio dos questionários validados para língua portuguesa: NMQ “Nordic Musculoskeletal Questionnaire” e o The Pain Disability Questionnaire (PDQ), e Escala Numérica da dor. O NMQ “Nordic Musculoskeletal Questionnaire” é composto pela vista posterior de uma

figura humana, dividida em nove regiões anatômicas: pescoço, ombros, parte superior e inferior das costas, cotovelos, punhos/mãos, quadril/coxas, joelhos e tornozelos/pés. O entrevistado responde sobre a presença de dor musculoesquelética em alguma das nove áreas anatômicas, sobre o impedimento para realizar atividades normais e sobre a necessidade de consulta por um profissional da área de saúde.13The Pain Disability

Questionnaire (PDQ) avalia a incapacidade gerada pela dor.2É composto

por dois domínios, sendo que um domínio mede a Condição Funcional e é formado por nove itens(1,2,3,4,5,6,7,12,13), e o outro domínio mede o Componente Psicossocial, composto por seis itens (8,9,10,11,14,15). A análise do PDQ pode ser realizada por domínios separadamente, como também pelo seu valor total. O domínio correspondente à Condição Funcional pode variar de 0 a 90 e o Componente Psicossocial pode variar de 0 a 60 pontos. Para análise do PDQ total, a pontuação do instrumento pode variar de 0 a 150 e é utilizada a seguinte classificação: escore 0 (zero) significa sem incapacidade, escores de 1-70 indicam incapacidade moderada, escores de 71-100 demonstram uma incapacidade severa e escores de 101-150 indicam incapacidade extrema.2 Com o intuito de quantificar sintomatologia

dolorosa, utilizou-se a Escala numérica de dor com pontuação de 0 a 10 para avaliar a intensidade da dor. O zero significa ausência de dor e dez significa a pior dor imaginável.17Para complementar as informações

coletadas e traçar o perfil desses profissionais, foram realizadas um conjunto de perguntas com caracterização sociodemográfica, aspectos ergonômicos do ambiente de trabalho, organização e hábitos pessoais, idade, estatura e peso dos profissionais, queixa atual, caracterização do sintoma, procura de assistência, diagnóstico, tratamento e limitações impostas. Os questionários foram entregues pessoalmente aos sujeitos da pesquisa, os quais após esclarecimento e consentimento realizavam o preenchimento.

Os dados foram digitados no banco de dados e suas análises foram realizadas no programa SPSS versão 21.0. Para a análise da relação entre as variáveis sociodemográficas e a presença de dor foi utilizado a Regressão

logística e Análise multivariada, a correlação entre a incapacidade e a intensidade da dor entre os sujeitos sintomáticos foi medida pelo coeficiente de correlação de Spearman. Para comparação de grupos foram utilizados os testes não paramétricos de Mann Whitney e Kruskal-Wallis. Foi realizada também associação por razão de Máxima Verossimilhança, associando as questões gerais “Nordic Musculoskeletal Questionnaire” (NMQ) (Questão A:Nos últimos 12 meses teve algum problema como dor,formigamento ou dormência?; Questão B:Nos últimos 12 meses, você foi impedido de realizar atividades normais do cotidiano?; Questão C: Nos últimos 12 meses você consultou algum profissional da saúde por causa dessa condição?; Questão D: Nos últimos 7 dias teve algum problema com as variáveis sociodemográficas e ocupacionais?. Em todos os testes foi considerado o nível de significância estatístico de 5%.

3.5 Resultados

Do total de cirurgiões dentistas entrevistados (N=94), 60(63.8%) são do gênero feminino e 34(36.2%) masculino e a média de idade foi de 30.68 anos (dp ± 6.16 anos). Apesar da amostra apresentar um percentual maior do gênero feminino, nesse estudo, essa variável não foi um fator de risco para a presença de dor osteomuscular. A tabela 1 apresenta a frequência de todas as variáveis socioeconômicas e o perfil ocupacional utilizados no estudo.

Tabela 1 – Distribuição dos cirurgiões dentistas segundo as variáveis socioeconômicas e ocupacionais. Araçatuba-SP, Brasil, 2014.

Variáveis n % Sexo Feminino 60 63,8 Masculino 34 36,2 Faixa etária 20 a 24 anos 12 12,8 25 a 29 anos 34 36,1 30 a 34 anos 22 23,4 35 a 39 anos 14 15 40 a 53 anos 9 9,7 Sem informação 3 3,2 Estado civil Casado/ vive maritalmente 37 39,4 Solteiro 57 60,6 Lado de trabalho Destro 87 92,6 Canhoto 6 6,4 Ambidestro 1 1,1 IMC Abaixo do peso 5 5,3 Normal 47 50 Sobrepeso 30 31,9 Obesidade 12 12,8 Local de trabalho Público 22 23,4 Privado 52 55,3 Ambos 18 19,1 Sem informação 2 2,1 Carga horária/dia 6 horas 12 12,8 8 horas 28 29,8 > 8 horas 34 36,2 Sem informação 20 21,2 Pausas entre os atendimentos/dia Sim 52 55,3 Não 39 41,5 Sem informação 3 3,2 Especialidade Cirurgia 11 11,7 Odontopediatria 9 9,6 Prótese 16 17 Ortodontia 17 18,1 Dentística 9 9,6 Implantodontia 16 17 Endodontia 8 8,5 Periodontia 8 8,5 TOTAL 94 100

A experiência de dor osteomuscular foi relatada por 90,40 % em pelo menos uma parte do corpo nos últimos 12 meses em decorrência da atividade profissional (Tabela 2). As regiões mais prevalentes relatadas pelos profissionais foram: pescoço (58.5%), parte inferior das costas (57.4%), parte superior das costas (55.3%), ombros (46.8%) e punhos/mãos (44.7%) (Tabela 2).

Tabela 2 - Distribuição dos cirurgiões dentistas segundo prevalência e gravidade dos sintomas osteomusculares. Araçatuba-SP, Brasil, 2014.

Regiões

Não(%) Sim(%) Não(%) Sim(%) Não(%) Sim(%) Não(%) Sim(%)

Pescoço 41.5 58.5 93.6 6,4 81.9 18.1 74.5 25.5

Ombro 53.2 46.8 94.7 5,3 86.2 13.8 85.1 14.9

Superior das costas 44.7 55.3 95.7 4,3 81.9 18.1 80.9 19.1

Cotovelos 87.2 12.8 98.9 1,1 96.8 3.2 96.8 3.2

Punhos/Mãos 55.3 44.7 96.8 3,2 87.2 12.8 85.1 14.9

Inferior das costas 42.6 57.4 89.4 10,6 78.7 21.3 80.9 19.1

Quadril/Coxas 87.2 12.8 97.9 2.1 96.8 3.2 94.7 5.3 Joelhos 71.3 28.7 94.7 5.3 90.4 9.6 87.2 12.8 Tornozelos/Pés 81.9 18.1 93.6 6.4 94.7 5.3 94.7 5.3 Total 9.6 90.4 72.3 27.7 55.3 44.7 47.9 52.1 Apresentou dor nos últimos 12 meses Impossibilidade de realizar atividades Consultou algum profissional da saúde nos últimos

12 meses

Apresentou algum problema nos últimos 7 dias

Ao avaliar a intensidade e a incapacidade gerada pela dor, 69,1% dos cirurgiões dentistas apresentaram incapacidade “moderada” para o trabalho gerada pela dor (Tabela 3). A pontuação média obtida na escala numérica da dor, que pode variar de 0 a 10, foi de 1,96(dp ± 0,86).

Tabela 3: Distribuição percentual e frequência obtidos junto aos cirurgiões dentista com auxílio do “Pain Disability Questionnaire “(PDQ) e “Escala numérica da dor”. Araçatuba-SP, Brasil,2014.

Variáveis n % PDQ – Total Sem incapacidade 20 21,3 Moderada 65 69,1 Sem Dor 9 9,6 Escala de dor Mínima - - Moderada 2 2.1 Sem informação 2 2.1 Sem Dor 90 95.8 TOTAL 94 100

As correlações da Escala numérica de Dor com as questões do PDQ, quando significativas, se mostraram fracas e positivas. A intensidade de dor foi classificada como moderada (2.1%) e nula (95.8%). Já a correlação entre os domínios do PDQ (Condição Funcional-CF, Componente Psicossocial-CP e Total) e Escala de dor se mostraram moderadas, positivas e estaticamente significantes. A correlação entre os domínios do PDQ (Condição Funcional- CF, Componente Psicossocial-CP e PDQ-Total) e Escala de dor se mostraram moderadas, positivas e estaticamente significantes (ρ=0.409 e p≤0,01; ρ=0.503 e p≤0,01; ρ=0,498 e p≤0,01)(Tabela 4).

Tabela 4: Correlação entre intensidade de dor e incapacidade funcional dos cirurgiões dentistas, obtidos com o auxílio do “Pain Disability Questionnaire (PDQ)” e “Escala numérica da dor”. Araçatuba-SP,Brasil, 2014.

Coeficiente p-valor A dor que vocêsente

interfere no seu trabalho

dentro e fora de casa 0,404* 0,000 A dor que você sente

interfere na realização de seus cuidados pessoais(tomar

banho,vestir-se, etc) 0,183 0,100 A dor que você sente

interfere na sua

locomoção 0,094 0,399 A dor que você sente

afeta sua capacidade de sentar-se ou ficar em

pé 0,275* 0,012 A dor que você sente

interfere na sua

capacidade de levantar e segurar objetos acima

da cabeça ou alcançar 0,223* 0,042 A dor que você sente

afeta sua capacidade de levantar objetos do chão, curvar-se,inclinar-

se ou abaixar-se 0,284* 0,009 A dor que você sente

afeta sua capacidade

de caminhar ou correr 0,237* 0,031 A sua renda mensal

diminuiu desde que sua

dor começou 0,253* 0,022 Você tem que tomar

medicamentos todos os dias para controlar sua

dor 0,382* 0,000 A dor que você sente o

obriga a procurar médicos com muito mais frequência do que antes

da sua dor começar 0,218* 0,047 A dor que você sente

interfere na sua capacidade de ver as pessoas que são importantes para você

tanto quanto gostaria 0,189 0,088 A dor que você sente

interfere nas atividades de recreação e lazer que são importantes pra

você 0,326* 0,003 Você precisa de ajuda

de seus familiares e amigos para terminar suas tarefas

diárias(incluindo tanto trabalho fora de casa quanto o doméstico)por

causa da dor 0,370* 0,001 Atualmente você se

sente mais deprimido,tenso ou ansioso do que antes de

sua dor começar 0,420* 0,000 Você apresenta

problemas emocionais causados pela dor, que interferem no

relacionamento familiar,na vida social ou nas atividades de

trabalho 0,397* 0,000 PDQ

Escala de dor

Tabela 4: Correlação entre intensidade de dor e incapacidade funcional dos cirurgiões dentistas, obtidos com o auxílio do “Pain Disability Questionnaire (PDQ)” e “Escala numérica da dor”. Araçatuba- SP,Brasil, 2014. (Continuação) Coeficiente p-valor Condição Funcional 0,409* 0,000 Componente Psicossocial 0,503* 0,000 PDQ - Total 0,498* 0,000 PDQ Escala de dor *Estatisticamente significativo

Quem apresentou sintomatologia dolorosa nos últimos 12 meses e utilizou medicamentos para dor apresentou mais chance de incapacidade do que os que não fizeram. Esses mesmos resultados foram encontrados nas comparações do Componente Psicossocial e Condição Funcional(Tabela 5).

Tabela 5: Comparação das médias entre os componentes do “Pain Disability Questionnaire (PDQ)” e variáveis sociodemográficas e ocupacionais dos cirurgiões dentistas de Araçatuba-SP,Brasil, 2014.

Condição Funcional Componente Psicossocial PDQ Total

Desvio- p- Desvio- p- Desvio- p-

padrão valor padrão valor padrão valor Sexo* Feminino 54 4,56 6,66 0,091 2,67 3,44 0,888 7,22 9,62 0,214 Masculino 31 6,58 6,98 2,52 2,87 9,1 9,37 Estado civil* Casado 33 7,09 7,22 0,013* 3,3 3,32 0,064 10,39 9,75 0,012* Solteiro 52 4,15 6,34 2,17 3,12 6,33 9,1 Jornada de trabalho/dia** 6 horas 10 1,7 3,16 0,005** 1 1,7 0,016** 2,7 4,83 0,003** 8 horas 26 4,81 7,06 2,31 3,4 7,12 10,06

Mais que 8 horas 32 7,69 7,04 3,84 3,51 11,53 9,69

Realiza pausas* Sim 47 4,47 5,89 0,235 1,89 2,48 0,040* 6,36 7,77 0,154 Não 36 5,97 7,33 3,53 3,86 9,5 10,81 Presença de dor* Sim 23 8,35 7,21 0,005* 4,52 3,15 0,000* 12,87 9,71 0,001* Não 62 4,16 6,34 1,9 2,98 6,06 8,83 Usa medicamento* Sim 49 7 7,45 0,002* 3,43 3,53 0,003* 10,43 10,38 0,001* Não 35 3,06 5,09 1,43 2,39 4,49 7,06 Média Média Variáveis n Média

* Teste de Mann-Whitney / **Teste de Kruskal-Wallis

No modelo multivariado, por Regressão Logística, foram incluídas todas as variáveis que apresentaram associação no nível de p<0.100. Nessa Análise, variáveis como estado civil, presença de dor e idade se mostraram significativas, sendo que os profissionais casados apresentam um risco 25.54 vezes maior de ter incapacidade moderada causada pela dor (PDQ) do que os sujeitos solteiros. Foi encontrada diferença estatisticamente significante do PDQ -Total com Estado Civil, sendo os profissionais casados os com maior incapacidade gerada pela dor do que os que se declararam solteiros. A idade se mostrou como um fator de proteção (Tabela 6).

Tabela 6: Análise multivariada, por Regressão logística dos fatores que podem interferir na medida de incapacidade gerada pela dor entre os cirurgiões dentistas de Araçatuba-SP,Brasil, 2014.

OR ajustado Estado civil Casado 0,027 25,548 1,452-449,481 Solteiro 1 - Jornada trabalho/dia 6 horas 1 - 8 horas 0,187 5,636 0,432-73,509

Mais que 8 horas 0,132 8,13 0,532-124,183

Presença de dor Sim 0,04 18,384 1,139-296,739 Não 1 - Usa medicamento Sim 0,07 5,846 0,864-39,563 Não 1 - Idade 0,031 0,834 0,707-0,983 Variáveis Análise multivariada p-valor IC 95%

A jornada de trabalho diária da maioria dos cirurgiões dentistas foi superior a 8 horas (36.36%) atingindo até 12h de trabalho em alguns casos, e a realização de pausas foi relatada por 55.3% (Tabela 1) e apresentou significância com a incapacidade funcional, sendo que os profissionais que trabalham até 6 horas/dia tem escore menor em relação à incapacidade do que os profissionais que prolongam a sua jornada diária (Tabela 5). As pessoas que apresentaram sintomatologia dolorosa nos últimos 12 meses têm um risco 18.38 vezes maior de terem incapacidade moderada causada pela dor (PDQ) do que os assintomáticos na análise Multivariada (Tabela 6).

3.6 Discussão

Neste estudo, a presença de dor osteomuscular foi observada em 90.4 % dos profissionais, sendo essa prevalência bem alta quando comparada a outros estudos que também apresentaram taxas elevadas de dor.6,20-24A dor é o

principal sintoma decorrente dos distúrbios osteomusculares, podendo gerar diferentes graus de incapacidade funcional, motivo pelo qual é considerado um dos problemas mais graves no que diz respeito à saúde do trabalhador.2,17

As regiões mais prevalentes de sintomas osteomusculares encontrados foram: pescoço, parte superior das costas, ombros, punhos/mãos e parte inferior das costas. As dores se manifestam em maior e menor grau, de acordo com as exigências diárias da sobrecarga estática que cada profissional se submete.6,20As regiões mais sobrecarregadas pelo esforço

muscular estático são cervical, ombro e lombar, pois o cirurgião dentista executa movimentos de flexão e de abdução dos ombros para servir de base de sustentação para os movimentos finos e precisos realizados com as mãos.4,21,23-26Além disso, a postura sentada, por um tempo prolongado, pode

diminuir a flexibilidade muscular e a mobilidade articular, levando à fadiga dos músculos extensores espinhais. A somatização desses fatores compromete a estabilidade e o alinhamento da coluna vertebral, sobrecarregando principalmente a região lombar.21,24

A maioria dos cirurgiões dentistas apresentou incapacidade “moderada” para o trabalho, gerada pela dor (69,1%), tanto na capacidade funcional como nos aspectos psicossociais. Esse resultado pode ser explicado quando se verifica a média de idade da população estudada, de 30.68 anos (dp ± 6.16 anos), e, ao se analisar o valor médio da intensidade de dor apresentado pelos sujeitos, verificou-se que o mesmo foi de 1,96 (dp ± 0,86), o que indica uma predominância de dor leve.2,18,27

Foi encontrada correlação positiva e estatisticamente significante entre a maioria das questões do PDQ e a Escala numérica de dor. A correlação entre os domínios do PDQ (Condição Funcional-CF, Componente Psicossocial-CP e PDQ-Total) e a Escala numérica de dor se mostraram moderadas, positivas e estaticamente significantes (ρ=0.409 e p≤0,01; ρ=0.503 e p≤0,01; ρ=0,498 e p≤0,01). O instrumento PDQ permite aprofundar a compreensão sobre a limitação dos sujeitos sintomáticos e sua relação

com a intensidade da dor.2,27Quando houve a validação do PDQ para a

população brasileira, foi obtida uma correlação positiva e moderada entre os valores obtidos pelas duas escalas.2Os valores encontrados pelo

coeficiente de correlação entre os escores do PDQ e da Escala numérica da dor sugerem que há relação entre a intensidade e percepção de incapacidade funcional.2

Os cirurgiões dentistas com sintomatologia dolorosa nos últimos 12 meses, e que utilizaram medicamentos para dor, apresentaram mais chance de incapacidade do que os que não fizeram. Os profissionais que apresentam sensação álgica, primeiramente utilizam algum tipo de terapia medicamentosa para alívio da mesma e buscam ajuda profissional especializada somente após persistência dos sintomas.21,22,28,29

É importante destacar que sendo os distúrbios osteomusculares de origem multifatorial,3-6ao estudar a relação entre intensidade da dor e a

incapacidade por ela gerada, deve ser considerada uma série de variáveis, tais como frequência e localização da dor, presença de depressão e crenças sobre dor entre outros.2A incapacidade gerada pela dor não ocorre

somente pela sensação álgica, mas envolve, também, interação entre os aspectos físicos, psicológicos, sociais e laborais.2,5,23,30,31

No modelo multivariado, Regressão logística, foram incluídas todas as variáveis que apresentaram associação estatisticamente significante (p<0.100). Ao realizarmos a Análise multivariada, variáveis como estado civil, presença de dor e idade se mostraram significativas, sendo que os profissionais casados apresentam um risco 25.54 vezes maior de ter incapacidade moderada causada pela dor (PDQ) do que os sujeitos solteiros. Estes resultados diferem de estudos semelhantes já realizados.15,32

Benzer Belgeler