• Sonuç bulunamadı

Ver as graças que Nossa Senhora operava em sua vida, fez com que Biló se empenhasse nas comemorações de Sua festa de forma esmerada. Essa grande disposição foi ensejada, segundo ele, pelo fato de que Nossa Senhora gostava e queria que aquele momento se cumprisse.

A gente vê assim: eu acho que Ela gosta, que eu sinto que Ela gosta da festa, com o tempo, porque a gente vê tantas coisa que podia acontecer no dia da festa e não acontece. Então, eu acho que Ela quer que essa festa acontece. A

Capítulo 02 – Análise da entrevista com Biló

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gente teve aqui, ó... a gente não tem um campo de ganhar dinheiro aqui no Morro, a gente não tem. Essa festa nossa fica cara. Às vez, dinheiro aparece... quando ocê olha, dá pra pagar conta, dá tudo. Cê vê tanta foguete sobe, tanta... cê não vê ninguém... Um maço desse não... um maço perigoso... não dá problema nenhum. Então, eu acho que Ela... Ela quer... nunca deixou de fazer essa festa por conta de chuva nem por conta de nada. O dia 8 já mudou muitas vezes, mas o dia 7 nunca ficou sem fazer... nunca, nunca, nunca! Então, eu acho, eu sinto que Ela gosta e quer que isso aconteça... Teve uma vez aqui... papai falou comigo... Tem um ano aí que o fogueteiro chegou aí no Morro, nós não tinha um tostão. O fogueteiro querendo ir embora... Lá ia embora no dia 8... nós sem um tostão... Aí, tem um livro de mandar de Nossa Senhora de

Nazareth, ou de mordomo que eles fala... Aí, que... eles falaram: “Vâmo lá vê se o...”. Um tal de Francisquinho que mexia com o livro de mordomo... “Vão lá vê se ele já tem algum dinheiro, lá”. Aí, chamou: “Ô Francisquinho, já tem algum dinheiro pra mordomo?”, “Não tem nem um tostão! Agora que eu vô sair pra vê se eu arrumo”. Aí, diz que ele saiu na praça aí, deu umas volta, chegou e falou assim... falou com o pai assim: “Ô Abílio, pó meter o pé na bunda desse fogueteiro, que o dinheiro tá aqui pra pagar ele”. Que ele já tava com raiva porque o fogueteiro tava só atrás dele, caçando o dinheiro: “Pó meter o pé na bunda dele, pra mandar que o... tá aí, já!”. Só deu uma volta... Então, eu acho

que Ela quer que aconteça... É, ué! Senão, Ela ia só montar dificuldade pra nós. Então, é isso que eu sinto que Ela, né? Ela quer a festa, o dia que Ela não quiser... é uma vez só. É, ué! Então, é por isso que eu mexo ni festa, porque eu sei que Ela quer. O que eu posso fazer pra Ela, eu mimo isso aí. Eu mimo. Porque a gente faz porque Ela tá fazendo pra nós. Trabalho mesmo. Trabalho mesmo! Pra festa eu trabalho mesmo. Então, é por isso que nós trabalha31.

Biló sentia que a Padroeira gostava da festa e o que sustentava essa impressão era que, naqueles dias, poderiam ter acontecido tantas situações inesperadas e desfavoráveis e, no entanto, não ocorriam. São os fatos que mostraram para Biló o quanto Ela desejava que a festa acontecesse: a festa da Cavalhada, que nunca mudou de dia; conseguir dinheiro inesperadamente para poder pagar o fornecedor dos foguetes. Biló partia dessa certeza para se dedicar com afinco à festa: Ela é quem quer32; do contrário Ela só colocaria dificuldades para a realização daquele momento e do trabalho preparatório. E o que surgiu dessa evidência foi a sua dedicação à festa expressa na fidelidade à Santa e a gratidão às graças que Ela concedeu.

31 Lopes (2001), op. cit.

32 O empenho de Biló associado à certeza de que é Nossa Senhora quem quer que a festa aconteça, assemelha-se à maneira como ele sente que Ela lhe suscita os pedidos.

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Num pode deixar acabar

O devotamento de Biló à festa de Nossa Senhora partia da certeza de que Ela desejava que a festa acontecesse. Ele chegou a essa constatação, sobretudo, através de fatos que contribuíam para a efetivação dessa festividade. Essa convicção foi alcançada dentro de um percurso histórico no qual ele recebeu uma tarefa.

Papai, quando mexia com nós, até xingava também. Às vez, tava com um...

“oh, ajuda a carregar os pau aqui, uai, „cês agüenta, leva um” – xingando!

Nós carregando e trem... A gente pra mexer falei: “Tô gostando”, aí já foi passando as coisa pra nós também. Eu lembro, às vez, ele afastava até do

Silvinho, se deixava a gente ficar, pra poder... ele falava assim: “ocês tem que aprender”. Hoje eu tô mexendo, mais tarde é ocês mesmo. Então, assim

foi, foi tendo graça em Nossa Senhora aí, mais fé foi dobrando que eu já tive muitas. Então, é nisso que a gente vai tendo fé com Ela e com a festa também. Num pode deixar acabar33.

Na convivência com seu pai, ajudando-o nas atividades concretas da festa, Biló deu-se conta de uma inclinação para aquele tipo de trabalho. Fazendo-o, ele entendeu que algo lhe estava sendo passado com o intuito de, posteriormente, ter uma continuidade. Assumindo aquela responsabilidade, Biló experimentou a intervenção positiva de Nossa Senhora em sua vida, servindo ainda mais para aumentar a sua fé n´Ela e na festa.

Nesse percurso, ele descobriu algo que lhe era valioso, de forma que não poderia deixar acabar.

[...] Aí... e assim nós tão aí... tá mexendo com esse trem aí. É com a fé e é com... mexendo, já tô, já... minhas filha também... num mexe na parte de nós que é fogueteiro, mas a mãe dela também já tá pondo elas também... ensinando elas a trabalhar, mais tarde elas vão mexer. Então, assim que foi34.

Assim, a continuidade aparecia não apenas através de seu devotamento à festa e à Santa, mas também por meio do aprendizado que oferecia às suas filhas.

33 Lopes (2001), op. cit. 34 Ibid.

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Benzer Belgeler