H) Warthin benzeri varyant: Nadir görülür Mikroskobik olarak tükrük bezlerindeki warthin tümörüne benzer, tümör hücreleri geniş eozinofilik
2.4.8. Tiroid Kanserlerinde Teda
2.4.8.4. Tiroid Lenfomasında Teda
A saúde na Aldeia Central de Tadarimana é administrada pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Cuiabá – Polo Base de Rondonópolis, com execução de atividades atribuídas à Organização Não Governamental SPDM (Associação Paulista para Desenvolvimento da Medicina), conveniada que contrata os agentes de saúde e os agentes de saneamento. Localmente, quem administra é o Conselho de Saúde, composto por 12 pessoas, com representantes da Aldeia Central e dos demais povoados. Um dos entrevistados disse que a constituição do Conselho de Saúde é uma forma de os brancos observarem se os índios sabem trabalhar.
A unidade de saúde foi inaugurada em 7 de dezembro de 2007 e batizada com o nome do ex-cacique Otávio Kodo Kodo, primeiro índio a trabalhar na área de saúde em Tadarimana. Ela possui sala de vacina, farmácia, salas para odontologia e inalação, consultório médico, 2 dormitórios para a equipe de saúde, 4 banheiros e escovódromo. Na época em que o posto foi construído, havia um quadro político em Rondonópolis favorável aos Bororo. O prefeito da época chegou inclusive a receber nome bororo, criando vínculo de parentesco com eles.
Figura 8 - Fachada do Posto de Saúde Otávio Kodo Kodo
Os serviços prestados pelo posto à comunidade são a vacinação das crianças, a distribuição de leite de soja para crianças e idosos, a orientação às famílias quanto à higiene da casa para prevenção de doenças, a orientação às mães quanto aos cuidados com as crianças, principalmente em período de seca, quando as doenças respiratórias se agravam, cuidados de primeiros-socorros, encaminhamento dos doentes mais graves à Casai (Casa de Saúde do Índio), acompanhamento das gestantes e de outros pacientes em tratamento na aldeia, tratamento dentário.
Dos profissionais que atuam no posto, três eram não indígenas: um dos motoristas e um enfermeiro e uma atendente de enfermagem. A mulher trabalha entre os Bororo há mais de 12 anos e, inclusive já morou na aldeia. Ela tem uma relação marcada por cobranças e conflitos com alguns e por defesa a ela por parte de outros. Em situações de tensão, decorrentes de problemas de saúde, ou em caso de óbito, ela chega a ser desafiada por parentes dos doentes, mas muitos reconhecem a sua capacidade nos primeiros-socorros às vítimas encaminhadas aos hospitais de Rondonópolis, quando estão em estado mais grave. São situações que muitos profissionais da saúde, inclusive os próprios indígenas, enfrentam, decorrentes da própria fragilidade que as circunstâncias impõem ou por expectativas de cura que não puderam ser atendidas.
A coexistência de padrões diferentes nos cuidados com a saúde entre povos indígenas provoca situações curiosas para se pensar. Na Aldeia Central de Tadarimana, o diagnóstico médico para a causa da morte de uma mulher foi câncer no colo do útero. Durante o funeral dela, uma equipe do DSEI esteve na aldeia para fazer palestra e o exame preventivo com as mulheres.
A palestra aconteceu à noite, no posto de saúde, e nem todas as mulheres da aldeia foram, mas as mulheres enlutadas, parentes da finada que ficam reclusas em casa durante o funeral, estavam lá. Durante os dias em que a equipe de saúde realizou o exame, o posto teve uma circulação grande de mulheres. O dado curioso da situação é que o funeral acontece porque, na cosmologia bororo, Bope é o causador da morte, e as cerimônias fúnebres entre o primeiro e o segundo sepultamento representam o tempo de cura para a aldeia entristecida com a morte e para a refiguração do corpo (as partes imperecíveis) do falecido, desfigurado com a morte. Essa maneira de o Bororo lidar com situações desse tipo mostra a sua predisposição em ouvir a orientação do outro, em atentar para os seus conhecimentos, mas sem perder de vista os seus modos próprios de vida
O alcoolismo é considerado um dos graves problemas de saúde na aldeia. As ações do posto de saúde em relação aos alcoólatras, durante o período em que estive em campo, restringiram-se mais a encaminhar os dependentes para tratamento na Casa de Saúde do Índio (Casai) e a ministrar medicamento aos que estavam na aldeia, quando procuravam o posto. Houve um tempo, porém, em que os profissionais do posto foram mais atuantes quanto a essa questão. Em 2008, foi firmada uma parceria entre DSEI Cuiabá, Fundação Uniselva, Secretaria Estadual de Saúde e Projeto Vigisus. O projeto envolveu indígenas, profissionais da saúde e antropólogo, alcançando grande projeção.
Desse trabalho desenvolvido, foi produzida uma cartilha, na qual se tem a informação de todas as pessoas que compuseram essa equipe. Segundo o cacique, eles estavam em busca de parcerias para dar continuidade ao projeto. Enquanto não conseguem, as lideranças recomendam aos familiares dos alcoólatras acolherem-nos, não os deixando sem alimentação.
De acordo com Viertler (2002, p. 10), a bebida alcoólica entre os Bororo remonta ao início do século XIX e foi introduzida entre eles como uma forma de neutralizar a sua reação frente à invasão de seus territórios. É mais um legado triste deixado pelas relações de dominação e contribui para a construção de uma imagem negativa do índio pela sociedade. A propósito disso, algumas pessoas da Aldeia Central de Tadarimana manifestaram sua preocupação com a imagem de Bororo construída pela população de Rondonópolis, em razão do consumo da bebida.
O posto de saúde é bastante procurado para consultas, principalmente durante a manhã e no fim de tarde. Para os que nele trabalham, ele é motivo de orgulho, por causa da estrutura que possui, e tem-se muito cuidado com a sua preservação. Além dos remédios fornecidos pelo posto, os Bororo de Tadarimana também fazem uso de remédios do mato e procuram os benzedores (tomei conhecimento da existência de três na Aldeia Central de Tadarimana) para rezar sobre as crianças, principalmente.
Nos cuidados da saúde das crianças, a aldeia conta com o trabalho desenvolvido pela Pastoral da criança. Duas agentes frequentavam mensalmente a aldeia e, junto com um grupo de voluntários indígenas, promovem a pesagem das crianças de 0 a 5 anos a fim de registrar e acompanhar os casos de desnutrição infantil na comunidade. No dia da pesagem, era preparado e servido um lanche para as crianças e, algumas vezes, eram trazidas doações de roupas e calçados para as pessoas da aldeia.
Figura 9 - Fachada da Pastoral da Criança
A educação na Aldeia Central de Tadarimana é administrada pela Secretaria de Educação de Rondonópolis. A escola indígena Leosídio Fermau foi inaugurada no dia 19 de abril de 1997, num convênio firmado entre FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), MEC e Prefeitura Municipal de Rondonópolis, conforme exposto na placa de inauguração afixada no prédio escolar. Ela é administrada localmente pelo cacique da aldeia e por dois coordenadores indígenas, chamados de colaboradores pela coordenadora (não indígena) das escolas indígenas de Rondonópolis. Essa coordenadora, que mora em Rondonópolis, ia à escola duas vezes por semana.
O prédio de alvenaria em que a escola funciona possui quatro salas de aula, cozinha, secretaria, diretoria, duas salas anexas de palha e madeira e dois banheiros. Com exceção da coordenadora pedagógica e do professor de Educação Física, todos os demais professores e funcionários eram indígenas. A escola atendia alunos da educação infantil até o 8.º ano do Ensino Fundamental. A partir do 9.º ano, os alunos eram matriculados em duas escolas de Rondonópolis, nos períodos matutino e noturno. Há um ônibus contratado pela prefeitura que faz o transporte desses alunos.
Houve uma situação em que a escola precisou confrontar as regras administrativas da Secretaria de Educação. No início do ano letivo de 2012, a secretaria submeteu os funcionários de serviços gerais da escola à prova escrita para que garantissem os seus empregos. Não houve aprovados, mas mesmo assim as pessoas continuaram a trabalhar sem receber pagamento com a promessa de que a situação seria resolvida.
Como a recontratação demorasse a acontecer, o cacique convocou representantes de cada família para que fossem até à Secretaria de Educação em busca de uma solução. Depois disso, a secretária de educação veio à aldeia, um novo edital foi lançado, as pessoas fizeram novas provas e foram recontratadas.
Segundo a coordenadora da escola, a situação chegara a esse ponto, porque o Tribunal de Contas está na Secretaria e faz as exigências, desconsiderando as especificidades. Isso também criaria para ela uma situação delicada com as lideranças da aldeia, quando o aprovado não corresponde ao profissional pretendido pelos líderes ao cargo.
Figura 10 - Fachada da Escola Municipal Indígena Leosídio Fermau