4. BANKACILIK SİSTEMİNDE MALİ ORANLARIN İNCELENMESİ
4.1. Ticari Bankalarda Mali Tablolar
2.3.2. A questão agropecuária
Conforme Grilo (2009), no arraial de Passos, até a criação da Vila, em 1848, foi o
modelo das fazendas e roças que prevaleceu, combinando igualmente cultivos de
mantimentos e cana com criação bovina e suína. Isso ocorria praticamente em ambas as
margens do Rio Grande e em todos os povoados.
O ciclo aurífero dos ―Sertões do Jacuhy‖, que foi relativamente curto, coincidiu
com a ocupação da região por fazendas e roças, processo esse que foi favorecido por diversas
circunstâncias particulares, entre elas um sintomático programa de doação de sesmarias
desenvolvido pelo governo de Minas, desde as últimas décadas de 1800, conforme afirma
Barbosa (1971, p. 112)
Nessa segunda metade do século XVIII é que se realizou a verdadeira expansão da capitania, com o povoamento mais intenso de todo o Alto São Francisco. As sesmarias aí concedidas, quase todas, faziam referência a ―fazenda de gado vacum e cavalar e outras criações.
Ao longo do caminho do ouro foram-se formando, conforme visto anteriormente,
povoados e vilas que precisavam de produtos alimentares, entre outras coisas. Esses lugarejos eram
mercados consumidores em potencial, portanto era preciso atendê-los o mais rápido possível.
Essas novas condições materiais podem, então, ser resumidas quanto à formação
das unidades agropecuárias em dois grupos: a) as fazendas, caracterizadas pelos cultivos de
mantimentos e de cana, em geral comum a todas, para atendimento dos interesses da
reprodução e da comercialização; pela criação de gado com vistas aos interesses de mercado;
e ainda pela produção de artesanatos de transformação, destacando-se os derivados da
pecuária (carne seca, couros, solas, sebos, mantas de toucinho) ou dos cultivos (açúcar
mascavo, rapaduras, ―águas ardentes‖), todos voltados para os interesses comerciais; as
fazendas quase sempre dispunham de equipamentos especiais, como engenho tocado a bois ou
a água, alambique de atafona, moinhos d‘água para obtenção do fubá de milho, e os monjolos,
que eram os mais comuns; b) as roças, produtoras de alimentos, com rebanho bovino
diminuto, mas que sempre permitia a comercialização de pequeno porte; uma ou outra
touceira de cana; criação de porcos para consumo próprio, mas também, sempre que possível,
direcionada para o mercado, e produção artesanal de derivados, especialmente o toucinho, os
queijos, além da venda ocasional de galinhas e ovos.
Em ambos os casos, a atividade tipicamente ―agrária‖ está sempre acoplada à
fabricação artesanal de derivados, acima mencionados, que também contribuem de forma
residual ou não para os interesses de acumulação via mercado. Vale a pena ressaltar o caso do
leite e dos laticínios.
Tanto o segmento das fazendas quanto o das roças produziam queijos, mas o
volume e a comercialização eram diferenciados: as roças, de pequeno porte, atendiam a si e à
vizinhança imediata; as fazendas, com maior produção, atendiam a si e ao mercado mais
distante. Sem fazer essa distinção, Frieiro (1966, p.158-159) observou bem que ―nas fazendas
fabricava-se o que se chamou o ‗queijo de Minas‘, queijo branco, muito apreciado em todo o
país‖. Na região aqui focada, pode-se dizer que foi do complexo das fazendas e seus mercados
que adveio a fama do produto da região, o até hoje famoso ―queijo da Canastra‖.
Igualmente, tanto nas fazendas quanto nas roças, esses produtos alimentavam os
porcos, e o excedente do consumo próprio era comercializado. À medida, porém, que se amplia
o comércio de gado voltado para a comarca do rio das Mortes, também as lavouras de cana e a
existência de pequenos engenhos para fabricação e comercialização de açúcares, rapaduras e
aguardentes, assim como a criação de porcos, encontram novas perspectivas. Quanto à pecuária
suína, roças e fazendas detinham condições mínimas para o seu desenvolvimento: o espaço, a
ração, a força de trabalho. O espaço era sempre o
―chiqueiro‖, que se prolongava no
―mangueiro‖; ―porcos cevavam no chiqueiro, outros, na rebaixa, fuçam no lamaçal junto ao
regato‖ (FRIEIRO, 1966, p.169). A ―ceva‖, ou ração, era constituída da ―lavagem‖ (os restos da
alimentação humana), de abóboras e de milho, quase sempre na forma de fubá misturado a soro
de leite, quando existia. A força de trabalho, em várias modalidades, compreendia formas
variadas e combinadas. Assim, nas pequenas roças, baseadas no trabalho familiar, ―levar
comida dos porcos e despejá-las no chão ou no cocho do chiqueiro‖ era tarefa dos meninos, ou
rapazes, filhos do roceiro, ou deste mesmo; nas fazendas, mesmo nas pequenas, quando
dispunham de um ou mais cativos, era o escravo do terreiro que se incumbia dessas tarefas.
Enfim, o volume de trabalho e os custos alimentares com a criação de porcos podiam ser
bastante reduzidos. Nas fazendas, onde predominava a pecuária bovina, a criação suína ficava
quase sempre em plano secundário. Mas esta não é uma situação padronizada, uma vez que são
referidas unidades de grandes rebanhos bovinos, onde a criação de porcos absorviam até mais
investimento e trabalho do que os bois nas invernadas.
Apesar de pouco estudado, o porco era indispensável na dieta mineira regional,
garantindo suprimento de carnes e gorduras. A gordura se obtinha pela fritura do toucinho.
Mesmo nesse nível primário de suas forças, a produção já contava com técnicas simples de
conservação do alimento, em um tempo em que refrigeradores nem eram imaginados. O
toucinho, retalhado em cortes transversais e salgado, podia ser preparado em mantas, postas a
defumar sobre o fogão de lenha, ou ao sol, em vaias. A carne, depois de frita, podia ser
guardada na própria gordura e, assim, se conservava por bom tempo. Além disso,
desenvolveu-se um artesanato de transformação específico em relação à carne: a produção das
famosas linguiças, que também podiam ser defumadas, e dos ―chouriços‖
9.
Todas as evidências apontam justamente o leque dessas atividades como
responsável pela complexidade dos nexos sociais, econômicos e históricos dessa
regionalidade. A questão dos caminhos, por exemplo, é indicadora de transformações tanto
nas bases produtivas quanto nas bases de mercado. Esse assunto será o tema do nosso
próximo item. Passemos a ele então.
FOTO 07 – Chiqueiro de porcos na fazenda Santo Antônio das Areias – Passos /MG