• Sonuç bulunamadı

A escolha pela entrevista semiestruturada se justificou porque, neste tipo de procedimento metodológico, o roteiro formulado precisava ser bem flexível, posto que, segundo o que afirma Manzini (1990/1991, p. 154), “a entrevista semiestruturada está focalizada em um assunto sobre o qual confeccionamos um roteiro com perguntas principais, complementadas por outras questões inerentes às circunstâncias momentâneas à entrevista”. Ou seja, conforme o autor, esse tipo de entrevista pode fazer emergir informações de forma mais livre e as respostas não estão condicionadas a um modelo limitado de alternativas. Isso se justificou ainda porque, como afirmam Collis e Hussey (2005, p. 160), as “perguntas são feitas a participantes selecionados para descobrir o que fazem, pensam ou sentem. As entrevistas facilitam a comparação de respostas”.

Nessa perspectiva, julgamos que a escolha por essa técnica foi apropriada, pois a flexibilidade do roteiro possibilitou maior liberdade de investigação à pesquisadora, assim como maior livre-arbítrio de respostas por parte dos sujeitos colaboradores. A cada nova resposta do entrevistado, tivemos a oportunidade de introduzir e de ampliar perguntas

elaboradas no momento da aplicação da técnica, a fim de esclarecermos alguma eventual dúvida e/ou de buscarmos por maiores informações. Daí decorre o fato de preestabelecermos um certo número de perguntas fixas (ver Apêndices A e B), mas que também nos oportunizaram ampliar a busca por informações para alcançar os objetivos da pesquisa através da semiestruturação.

Esse recurso foi montado a fim de buscarmos respostas para uma indagação específica desta pesquisa, a qual foi formulada da seguinte maneira: “Como o processo de editoração do jornal escolar é descrito e vivenciado sob a ótica dos estudantes do Clube do Jornal?” Ele foi igualmente pensado para atender ao primeiro objetivo específico, o qual visa descrever o processo de editoração do jornal escolar sob a ótica dos estudantes do CJ. Nessa perspectiva, a entrevista foi realizada com os dois sujeitos, anteriormente descritos: o Paulo – o presidente do CJ – e a Roberta – a secretária temporária, a fim de que pudéssemos compreender as posturas dos educandos durante a editoração, sob a ótica deles mesmos.

Dessa forma, aplicamos as mesmas doze perguntas para os dois sujeitos para que realizássemos comparações e chegássemos a categorias de análise, que serão exploradas na seção dos dados (COLLIS; HUSSEY, 2005). O estudante Paulo, além desses questionamentos, respondeu perguntas extras, logo no início da investigação, para que pudéssemos entender o processo de forma preliminar e para que nos auxiliasse também na técnica da observação. Todas as perguntas das entrevistas estão disponíveis nos Apêndices A e B desta dissertação.

Os instrumentos para a realização dessas entrevistas foram, além de um roteiro aberto e flexível de perguntas preestabelecidas, um dispositivo de gravações em áudio de um aparelho celular. Assim, para que pudéssemos planejar o roteiro que compôs as entrevistas, buscamos, inicialmente, realizar conversas informais com o presidente do jornal e com a diretora da escola para termos uma ideia geral da presença do jornal na Escola da Imprensa. Após esse primeiro contato com o lócus e com os sujeitos, elaboramos três perguntas voltadas apenas para o Paulo – como já mencionado - acerca do funcionamento mais detalhado do projeto (ver Apêndice B). Essas três questões se desdobraram em outros questionamentos secundários devido à busca por mais esclarecimentos por parte da pesquisadora.

A partir dessa conversa inicial, estruturamos também as doze perguntas que faríamos posteriormente para ambos os sujeitos (ver Apêndice A) – como já proferido – a fim de buscarmos, não apenas semelhanças e diferenças nas respostas, mas conhecermos o cerne das significações daquela atividade para eles. No caso, essas doze perguntas voltaram-se a três pilares de investigação – pautados nas primeiras impressões que a pesquisadora teve

através das visitas iniciais à instituição e às conversas informais com o presidente do jornal e com a diretora da escola – os quais foram:

a) aspectos de motivação, através dos quais buscamos entender os motivos, as causas, os incentivos que impulsionam os estudantes a participar do Clube do Jornal;

b) aspectos de funcionamento e de organização, por meio dos que procuramos pesquisar o processo editorial em sua divisão, inclusive com os papéis dos componentes e com as etapas de preparo jornalístico; por fim,

c) aspectos de reflexão, pelos quais intencionamos compreender os posicionamentos pessoais dos educandos em relação à presença do jornal na escola, como: vantagens, desvantagens, dificuldades, desafios e planos para o futuro.

Esses três pilares para a semiestruturação da entrevista também foram situados na inquietação de Bonini (2011), quando afirma que pouco ainda se sabe a respeito do processo de produção dos jornais escolares no Brasil, em relação aos conteúdos de Língua Portuguesa.

As entrevistas foram sempre realizadas dentro do laboratório de informática da

Escola da Imprensa, pois se tratava de um ambiente fechado, climatizado, com certo conforto

e sem maiores barulhos que atrapalhassem uma boa gravação em áudio das perguntas da pesquisadora e das respostas dos entrevistados, no caso, o Paulo e a Roberta. É pertinente explicar que esses áudios foram convertidos em transcrições, pela própria pesquisadora, que realizou tal procedimento com bastante cuidado a fim de preservar ao máximo os aspectos orais desses sujeitos quando convertidos para a modalidade escrita. Ao final, analisamos as transcrições dessas entrevistas e, não apenas os áudios, pois o registro escrito, no caso desta pesquisa, de abordagem qualitativa e etnográfica, ofereceu-nos maior riqueza de detalhes para o desenvolvimento de uma reflexão mais bem fundamentada e organizada.

Outro cuidado que tivemos na aplicação das entrevistas foi o afastamento dos dois sujeitos selecionados no ato de sua realização, ou seja, dedicamos momentos distintos para cada entrevistado – o Paulo e a Roberta - para que eles respondessem com maior espontaneidade, sem receio de censuras, com autonomia e desenvoltura, estando presente somente a pesquisadora no ato dessa aplicação. Outro motivo que nos levou a essa metodologia foi que, dessa maneira, por exemplo, o Paulo não ouviria a resposta da Roberta – e vice-versa -, o que poderia ocasionar influências prejudiciais, mesmo que não intencionalmente. Isso refletiria em um sério prejuízo para a idoneidade da pesquisa pois não

poderíamos comparar as respostas autênticas após o processo, uma vez que um sujeito teria recebido influência do outro.

Nesse sentido, não podemos deixar de registrar que a técnica da entrevista semiestruturada muito colaborou para a busca de respostas coerentes com relação aos aspectos que investigamos, principalmente voltados ao primeiro objetivo específico, que versou sobre o processo editorial, na visão dos próprios estudantes-autores. A seguir, portanto, falaremos de um outro recurso de levantamento de dados, que nos foi de grande relevância, a fim de buscarmos entender detalhes e características necessárias, na visão dos próprios estudantes do CJ, para a confecção de um jornal escolar.

Benzer Belgeler