A seguir relacionaremos, sempre em ordem cronológica, as histórias que falam do autor, comentando apenas algumas a que tivemos acesso e limitando-nos apenas a documentar aqui as outras das quais tivemos apenas notícias ou nos chegaram às mãos tardiamente, como pode acontecer neste tipo de estudo, tornando impossível um comentário mais aprofundado.
Litteratura Italiana para uso das Escolas Brasileiras. São Paulo: Casa Editora Antonio
Tisi, 1927.
Em 1927, a Casa Editora Antonio Tisi publica um livro didático sobre a literatura italiana para o público escolar brasileiro. Trata-se da Anthologia Italiana em
prosa e versos em cada seculo da Litteratura Italiana para uso das Escolas Brasileiras,
do professor Francisco Isoldi, organização que não se realizava no Brasil desde De Simoni e seu Ramalhete.
A obra de Isoldi busca oferecer ao estudante brasileiro um quadro panorâmico da literatura da península, dividido em quatro grandes seções, “A Idade Média”; “A Renascença”; “Barocco e Classissismo” e “Do Romantismo aos nossos dias”, num itinerário que vai desde os primeiros registros em volgare até Gabriele D’Annunzio, apresentando rapidamente a vida e as realizações literárias dos autores e, quando possível, alguma apreciação crítica, seguida de trechos eleitos como significativos.
Para o autor da antologia, o conceito de “Romântico” assumiu acepções diversas na Itália, em comparação à Alemanha ou França. Na terra de Dante, romântico ligava-se a tudo que representasse inovações. Para representar as aspirações da escola, o estudioso escolhe a famosa sentença escrita por Manzoni na carta para D’Azeglio: “era necessario proporsi l’utile per iscopo, il vero per soggetto, l’interessante per mezzo” (ISOLDI, 1927. p. 215). Dentre os representantes dessa escola, Isoldi seleciona nomes como Vincenzo Monti, Carlo Botta, Pietro Colletta, Ugo Foscolo, Giovan Battista Niccolini, Giovanni Berchet, Alessandro Manzoni, Silvio Pellico, Tommaso Grossi, Massimo D’Azeglio, Giacomo Leopardi, Vincenzo Gioberti.
Na breve nota sobre Manzoni (ISOLDI, 1927, p. 241), informa os anos de nascimento e morte (1785-1873), o nome dos pais oficiais e do avô ilustre. Elenca os principais acontecimentos de sua vida, como o casamento com Henrichetta Blondel, sua conversão ao catolicismo e sua atuação no processo de unificação italiana. Cita também as principais obras literárias, como Del Trionfo della Libertà, Urania, Inni Sacri, Il
conte di Carmagnola, Adelchi, Colonna Infame (sic). Sobre os Promessi Sposi afirma
ser a principal obra do escritor, descrevendo as etapas de sua composição, desde 1821, passando pela ventisettana e culminado com a edição definitiva de 1840.
Isoldi escolheu, como excertos significativos da produção manzoniana, oito trechos, os quais batizou de “L’incontro di don Abbondio con i bravi” (Idem, p. 241),
parágrafos do início do capítulo I; “Padre Cristoforo va da Lucia” (Idem. p. 246), primeiro parágrafo do capítulo IV; “Il cardinale Federigo e l’Innominato” (Idem. p. 247), páginas que representam a quase totalidade do capítulo XXIII; “La madre di Cecilia” (Idem. p. 260), “un comovente episódio da peste em Milão” (Idem. p. 261), momento altamente lírico presente no capítulo XXXIV do romance manzoniano; “La Pentecoste” (Idem. p. 262), o mais exitoso dos Inni Sacri; “La vita umana” (Idem. p. 268), um dos últimos parágrafos do romance no qual, segundo o narrador, o escritor anônimo do século XVII constrói um paralelismo entre leitos e satisfação humana; “In si’ breve sponda” (Ibidem), que nada mais é que a ode Il Cinque Maggio; “Da’ Promessi Sposi” (Idem. p. 271), comparação das mudanças entre a edição publicada em 1827 e a quarantana, a partir do parágrafo no qual Agnese distrai Perpétua para que, além de Tonio e Gervasio, Renzo e Lucia entrem despercebidos na casa de don Abbondio, no início do capítulo VIII. Confrontando-se os dois textos, lê-se como da
ventisettana para a edição definitiva, a palavra “porta” foi substituída por “uscio”,
“segno” por “segnale”, “intese” por “sentì”, “animo” por “coraggio”, “entrambi” por “tutt’e due”, dentre outras mudanças; comenta ainda as modificações de algumas construções sintáticas que a revisão manzoniana exigiu.
RUBBIANI, Ferruccio. Primo Libro di Prose e Poesie Italiane. São Paulo: Typografia do Orphanato Christovam Colombo, 1938.
BANDEIRA, Manuel. Noções de História das Literaturas. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura, 1940.
LEONI, Giulio David. Bosquejo histórico da literatura italiana, São Paulo, Loja do Livro Italiano, 1941.
Neste livro, o professor Leoni, à maneira de De Sanctis, escreve uma história da Literatura Italiana, das origens aos contemporâneos. O décimo sexto capítulo é dedicado ao Romantismo e o seguinte a Alexandre Manzoni (sic), autor do romance da Providência, figura importantíssima para a Unidade Nacional. Para a Segunda Edição, de1962, esta obra é “completamente renovada” (LEONI, 1963, página de rosto). Agora, Alessandro Manzoni integra o quarto e penúltimo capítulo desta obra revista e ampliada, intitulado “O Romantismo”, sendo o sétimo escritor dessa escola a receber a atenção de Leoni, logo após Giacomo Leopardi.
portuguêsa e um ensaio acerca da poesia religiosa italiana. São Paulo, Sonora, 1944.
LEONI, Giulio David. A antologia italiana para os brasileiros. São Paulo: Nobel, 1946. LEONI, Giulio David. Literatura Universal: esboço geral duma história comparada das literaturas. São Paulo: sonora, 1949.
LEONI, Giulio David. A antologia italiana para os brasileiros. São Paulo: Nobel, 1956. SALMONI, Anita; MAINA, Alma. Corso di língua italiana. São Paulo; Nobel, 1959. CARPEAUX. Otto Maria. História da Literatura Ocidental. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1962-1963. v. IV. p. 1799.
Em sua monumental obra, Otto Maria Carpeaux dedica alguns parágrafos a Manzoni, suas obras e, particularmente, a I Promessi Sposi, para quem além de ser “o maior romance histórico que jamais se escreveu”, como havíamos visto anteriormente, tem como principal personagem o povo. Reconhece que não se trata de um idílio feliz, leitura edificante para jovens católicos, e sim a representação completa dos sofrimentos do mundo: fome, peste, carestia, ignorância, covardia. Para Carpeaux, Manzoni é responsável por “um dos mundos mais completos que jamais um poeta criou”.
LEONI, Giulio Davide. Bosquejo histórico da literatura italiana. Segunda edição completamente renovada. São Paulo, Loja do Livro Italiano, 1962.
LEONI, Giulio Davide. Antologia da Literatura Italiana. Petrópolis: Vozes, 1967 D’ONOFRIO, Salvatore. Literatura Ocidental: Autores e obras fundamentais. São Paulo: Ática, 1990. pp. 336-337
Nesta obra de grandiosas pretensões, Manzoni é citado em um parágrafo do capítulo sobre o Romantismo como autor da “obra-prima do gênero narrativo da literatura italiana” (p. 337), visto que Os noivos possui profundo sentido patriótico e religioso.
D’ONOFRIO, Salvatore. Pequena Enciclopédia da Cultura Ocidental. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. p. 339.
DISTANTE, Carmelo; COELHO, Flora Simonetti. Antologia della Letteratura Italiana. São Paulo: Hucitec, 2008. pp. 597-654.