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1. ELEKTRONİK TİCARET (E-TİCARET) : TANIMI, FAYDALARI,

1.6. E-Ticaret Ödeme Araçları 21

No Brasil, por questões históricas e também por ter sido, até 1891, a religião oficial do Estado, a hegemonia da filiação à religião católica apostólica romana foi verificada desde o primeiro recenseamento nacional até a década de 1970. Os levantamentos seguintes, no entanto, indicaram uma constante redução, em todas as regiões, no número de pessoas que se declaravam católicas.

Os resultados do Censo Demográfico 2010, por situação do domicílio, evidenciam que 64,6% (sessenta e quatro vírgula seis por cento) da população brasileira declaram-se adeptos da religião católica apostólica romana, 22,2% (vinte e dois vírgula dois por cento) evangélicos;

336 Ibid., p. 155.

337 “No Brasil, o termo “macumba” designava um culto que, particularmente no Rio de Janeiro, misturava ritos de

origem nagô com outros de origem angolana ou congolesa. Sucessivamente, porém, a palavra “macumba” passou a designar os despachos maléficos (magia negra): nesse sentido é chamada também de quimbanda. E a umbanda acabou designando os despachos benéficos.” (RAMPAZZO, 2014, p. 159).

338 SALEM, Marcos David. História da polícia no Rio de Janeiro: 1808 a 1930: uma instituição a serviço das

2% (dois por cento) espíritas; 0,3% (zero vírgula três por cento) pertencentes a grupos de religião umbanda e candomblé, enquanto 8,0% (oito por cento) das pessoas declararam-se sem religião.339

Dissolvida a Assembleia Constituinte, pelo Decreto de 12 de novembro de 1823, D. Pedro I jurou a Constituição de 1824, cujo projeto fora elaborado por uma comissão de dez membros escolhidos por ele. A religião católica apostólica romana era a religião oficial do Império (artigo 5º), garantindo-se, no entanto, a liberdade restrita de outros cultos. Naquela época, era vedado o proselitismo e a ostentação de práticas e rituais não católicas, exigida a fidelidade à fé católica aos que assumissem cargos públicos.340

A Constituição de 1824 proibia o culto relativo a outras religiões em casas que tivessem a forma exterior de templo, prescrevendo que ninguém seria perseguido por motivo religioso, desde que respeitasse a religião do Estado e não ofendesse a moral pública (artigo 179, n. 5).341

Foi adotado o regime do Padroado342, como em Portugal343. Nele, enquanto o Estado

provia os cargos eclesiásticos e os remunerava, sendo encarregado da construção dos templos e da organização das irmandades, por meio do beneplácito exercia o controle sobre as prescrições rituais e normas canônicas baixadas pela Santa Sé, declarando nulas e sem efeito, no território brasileiro, as disposições que “invadissem o terreno secular, se as considerasse atentatória contra o princípio da soberania nacional, se ferissem leis brasileiras e se limitassem a autonomia do poder monárquico.”344 Não havia o registro civil e o registro dos batismos e a

realização dos casamentos e funerais ficavam a cargo das igrejas.

339 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÉSTICA. Censo Demográfico 2010: características

gerais da população, religião e pessoas com deficiência. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. p. 91.

340 FERREIRA, 2014, p. 6.

341 Constituição de 1824, artigo 179, V: “Ninguem póde ser perseguido por motivo de Religião, uma vez que

respeite a do Estado, e não offenda a Moral Publica”. No Brasil, lembra Galdino, a partir do Decreto n. 001144 de 11.9.1861, o Império adotou uma posição mais tolerante quanto às outras religiões que não a católica. (cf. GALDINO, Elza. Estado sem Deus: a obrigação da laicidade na Constituição. Belo Horizonte: Del Rey, 2006. p. 71).

342 Com a Independência, o novo Império manteve três institutos jurídicos herdados de Portugal: o patronato, o

beneplácito e o recurso à Coroa. “A partir de então, a organização eclesiástica, durante os 67 anos de duração do império brasileiro, funcionou quase como que um departamento ordinário do governo. Mediante o padroado, o Estado nomeava bispos e outros membros da hierarquia, interpretando unilateralmente a extensão de sua jurisdição. Também mediante o padroado, o governo recolhia os dízimos e pagava o clero, que era tratado como se fosse mais um grupo de funcionários públicos.” (CALLIOLI, Eugenio C. Religión y derecho en Brasil. In: FLORIA, Juan Gregorio Navarro (Coord.). Estado, derecho y religión en América Latina. Buenos Aires: Marcial Pons, 2009. p. 92, tradução livre).

343 Em Portugal, havia o regime do Padroado, que, “impulsionado pelo papa Calisto III, em 1456, delegava ao

monarca lusitano a organização da Igreja Católica em seus domínios [...]. O rei era encarregado de construir igrejas além de nomear padres e bispos, garantindo ao Estado português uma dimensão religiosa, além de política e administrativa.” (FERREIRA, op. cit.. p. 3).

Note-se que a independência do clero católico no Brasil e as constantes interferências do poder secular acabaram levando a um desgaste entre as relações da Santa Sé e o Império. A chamada Questão Religiosa, uma disputa ente D. Pedro II e a Igreja Católica, é apontada com um dos fatores que enfraqueceram o regime monárquico.345

Apesar disso, Maximiliano aponta as causas que contribuíram para o predomínio da autoridade espiritual, ou seja, “a excomunhão que abatia os monarchas”, a “superioridade intellectual do sacerdocio, conhecedor único, a principio, da arte da escripta, depositario depois dos thesouros seculares da sciencia, da arte e da philosophia” e, por fim, a “fortuna colossal, producto de dadivas e de uma administração sem par.”346

Maximiliano relata como a liberdade religiosa era protegida nos Estados Unidos347,

lembrando que a liberdade de consciência e de culto fez parte dos programas do Partido Liberal Radical, em 1868, do Partido Liberal Puro em 1869, sendo reclamada “nos manifestos do Partido Republicano Brasileiro e do Paulista em 1870”348 e instituída pelo Governo Provisório,

através do Decreto n. 119 A, de 7 de janeiro de 1890.349

Realmente, proclamada a República, a Constituição de 1891, em seus artigos 11, § 2º, 72, §§ 3º, 28 e 29, garantiu a liberdade religiosa, proibindo a subvenção oficial de culto ou igreja ou mesmo que mantivessem relações de dependência ou aliança com o governo da União e dos Estados, no seu parágrafo 7º, sendo curioso notar que a este dispositivo a reforma constitucional de 1925-1926 acrescentou o seguinte: “A representação diplomática do Brasil junto à Santa Sé não implica a violação deste princípio.”350

Na verdade, é por meio do Decreto 119-A, de 07 de janeiro de 1890, que o Brasil “abandona o catolicismo como Religião do Estado, extingue o Padroado no Brasil e declara que todas as religiões são iguais e que todos têm liberdade de expressão”351, tornando-se um Estado

laico, leigo ou aconfessional.

345 Ibid., p. 7-8.

346 MAXIMILIANO, Carlos. Comentários à Constituição brasileira de 1891. Ed. fac-similar. Brasília: Senado

Federal, 2005. p. 217.

347 A Constituição Americana originariamente dispunha que “nenhuma declaração de fé religiosa jamais se exigirá

como condição para o exercício de qualquer função ou cargo público sob o governo dos Estados Unidos” (artigo VI, cl. 3ª). Posteriormente, a Emenda nº 1 dispôs que “o Congresso não poderá fazer lei alguma relativa ao estabelecimento de qualquer religião, ou que vede o livre exercício de alguma delas”. (COOLEY, Thomas McIntyre. Princípios gerais de direito constitucional nos Estados Unidos da América. Trad. Ricardo Rodrigues Gama. Campinas, SP: Russell, 2002. p. 203-206).

348 MAXIMILIANO, op. cit., p. 220.

349 Maximiliano cita Jefferson ao traçar o preâmbulo do Acto para estabelecer a Liberdade Religiosa, aprovado

pela assembleia do Estado da Virgínia, em 1785, apontando os abusos praticados em nome da religião (Ibid., p. 218).

350 CASTRO, Araújo. A Constituição de 1937. Ed. fac-similar. Brasília: Senado Federal, 2003. p. 272. 351 SCALQUETTE, 2013, p. 166.

Foi exatamente em consideração à liberdade religiosa, diz Barbalho, que a República “logo nos primeiros e gloriosos passos com que entrou no caminho das reformas de caracter politico-social que teve de emprehender”, de modo que o poder público passasse a “assegurar aos membros da comunhão política que êlle preside, a livre pratica do culto de cada um e impedir quaesquer embaraços que o difficultem ou impeçam, procedendo n’isso de modo egual para com todas as crenças e confissões.”352

Comentando sobre o artigo 72, § 7º, da Constituição de 1891, o mesmo Barbalho afirma que, ao contrário do que muitos poderiam pensar, a separação entre a Igreja e o Estado assegura ao crente o livre exercício de sua doutrina religiosa, sem que corra o risco de tornar-se instrumento de governo ou de sofrer qualquer tipo de ingerência.353

Castro, escrevendo sobre a Constituição de 1937, distingue, na liberdade religiosa, a liberdade de consciência e a liberdade de culto. A primeira delas, consistindo “no direito que o indivíduo tem não só de se filiar à religião que entender como de não professar religião alguma”354 seria ilimitada, ao contrário da liberdade de culto, que estaria sujeita às

restrições legais. Ele prossegue, dizendo que a Constituição de 1937, seguindo, no ponto, as Constituições de 1934 e de 1891, assegurou a completa liberdade religiosa.355

O quadro não mudou muito com as outras Constituições356, mesmo com a de 1988,

senão por esta última ser muito mais enfática na proteção e defesa dos direitos fundamentais e na fixação dos princípios republicanos e democráticos.

O artigo 19, I, da CF/88 manteve a afirmação de que o Brasil é um Estado laico, proibindo à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, estabelecer “cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público” (inciso I), proibindo-lhes, ainda, “criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si” (inciso III), dispondo, no artigo 5º, que todos são iguais perante a lei, “sem distinção de qualquer natureza” (“caput”) e que “ninguém será privado de seus direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política” (inciso VIII), declarando a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, “sendo assegurado o livre

352 BARBALHO, João. Constituição Federal brasileira (1891): comentada. Ed. fac-similar. Brasília: Senado

Federal, 2002. p. 305.

353 BARBALHO, op. cit., p. 315. 354 CASTRO, 2003, p. 271. 355 Ibid., p. 273.

exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção dos locais de culto e suas liturgias” (inciso VI).

É nesse contexto que a temática da liberdade religiosa se apresenta na Constituição, irradiando-se, a partir daí, sobre todo o ordenamento jurídico brasileiro.