5 Sanat Yapıtının Özerkliği
5.2 Oluşturulan Mekânlar
5.2.20 Thomas Hirschhorn(Zihnimde Yürürken)
A elaboração do currículo aqui analisado situa-se em uma rede de discussões e ideologias, além das diretrizes do MEC (2002). Uma discussão sobre o currículo do curso de Letras da UFSJ iniciou-se quando, em 1993, a Professora e ex-coordenadora do curso de Letras da UFSJ, que vinha da Universidade Federal de Minas Gerais UFMG, chegou à então Fundação Universitária de São João Del-Rei. Esta discussão iniciou-se por observações desta professora e pela chegada, neste mesmo período, de professores recém mestres, de diferentes universidades e regiões do país. Como explicita a entrevistada e ex-coordenadora:
Eu entrei na UFSJ em 1993, logo que eu entrei, eu particularmente, eu vinha da UFMG, eu fui professora de Letras lá muitos anos, e o currículo daqui me pareceu muito pesado, e junto comigo, no mesmo ano, um pouco depois, entraram alguns professores que tinham o mestrado e professores novos, jovens, porque eu já não era jovem, mas eu estava sempre muito ligada a estas questões [...].
A discussão foi iniciada, como se refere a ex-coordenadora , muito solta, mas a um certo momento, os professores resolveram se unir, fazer reuniões para discutir mais sistematicamente o currículo em funcionamento no curso, com o intuito de mudá-lo depois.
Segundo a entrevistada, estas reuniões iniciaram-se em 1995, com a participação de todos os professores do departamento. Contudo, com muitos encargos, o grupo foi diminuindo, restando um grupo pequeno, o que fez com que o Chefe de Departamento nomeasse quatro professores como comissão para essa discussão.
70 Neste contexto, em que faziam parte da comissão36 a Professora Magda Velloso Fernandes de Tolentino, Professor Antônio Luiz Assunção, Professora Cláudia Braga e Eliana da Conceição Tolentino, retornou à UFSJ o Professor Mário Neto Borges37, do doutorado na Inglaterra. Segundo a Professora e ex-coordenadora, este professor é da Engenharia Elétrica, mas cursou o doutorado em Educação, em que lidou com questões do currículo. Quando este professor foi nomeado Diretor do Centro de Ensino, que presidia aos departamentos, segundo a ex-coordenadora, ele “trouxe essa discussão pra dentro da universidade”, havia a necessidade e a possibilidade de se atualizar os currículos.
Como esta discussão já estava em andamento, houve uma aproximação com as novidades deste professor no campo do currículo e da aprendizagem. Suas idéias nortearam as discussões que eram feitas internamente no departamento. Como a professora entrevistada afirma, “ele foi um grande nome na orientação de como que a gente ia dirigir pro currículo”.
Desde 1995, como contextualiza as discussões e reuniões, a comissão havia chegado a um currículo ideal. Este currículo, explicita a entrevistada, “eu tinha até uma folha de isopor em que a gente começou a criar o currículo ideal por período e quais as disciplinas que seriam naquele, em tais períodos”. Neste momento possuíam uma idéia do que seria um currículo modernizado para o curso de Letras, com nomes das disciplinas e quais períodos encaixá-las.
De acordo com a entrevistada e ex-coordenadora, que morava em Belo Horizonte, ficava em São João Del-Rei de segunda à sexta, “aquilo não saía da minha cabeça, quando foi uma noite, eu acordei de madrugada e pensei assim: Gente, não é nada daquilo, nós estamos repetindo a mesma estrutura curricular”.
A entrevistada reconhece e afirma que estavam apenas mudando nome, modernizando o conteúdo, mas mantendo a mesma estrutura curricular. E após repensar e concluir que não era o que buscavam para o novo currículo, foi realizada uma reunião em que,
[...] dramaticamente, eu peguei o currículo que a gente tinha feito, rasguei pros meus colegas, gente, ó, não é nada disso, nós estamos no caminho errado, nós temos que pensar em outro tipo de currículo, vamos fazer um currículo mais tutorial, não mais de disciplinas, mas mais tutorial, essa foi a primeira ideia que me ocorreu [...].
Segundo esta professora, “era preciso pensar no século XXI, já estava nas beiras do século XXI”. Neste período, portanto, já em 1996/1997, com o apoio de Mario Neto Borges, o novo currículo foi sendo remodelado em sua estrutura e conteúdo. Mais uma conclusão a que chagaram dizia respeito às disciplinas: “se a disciplina é uma disciplina fechada, não vai ter
36 Conforme documento Projeto de Modernização Curricular do Curso de Letras, de janeiro de 2003
37 Graduou-se em Engenharia Elétrica pela PUC, em 1978, Mestre em Acionamentos Elétricos pela UFMG, doutorado em Inteligência Artificial Aplicada à Educação pela University of Huddersfield (Inglaterra). Foi chefe do Departamento de Engenharia Elétrica da UFSJ, Diretor do Centro de Ensino (Cursos de Graduação) e chegou a Diretor-Executivo em 1998, sendo o responsável pela transformação da instituição em Universidade em 2002,e reitor até 2004. Atualmente é presidente da FAPEMIG.
71 lugar para a gente incorporar um saber novo, não podemos ter disciplina fechada”. Desta forma, o que se criou, segundo a entrevistada, foram as áreas de estudo, as Unidades Programáticas.
Neste processo, entre 1997 e 2003, o novo currículo foi elaborado, aprovado em 2002 e implantado em 2003. Contudo, como revelou a professora, que era coordenadora do curso neste período, receberam a notícia de que o MEC estava criando as diretrizes, o que fez o desenvolvimento do projeto parar e esperar. Após a nova portaria da Licenciatura, foi necessária uma nova adaptação, já que a portaria previa 800h, sendo 400 de estágio e 400h de prática. Com o conhecimento e definição das DCN‟s (2002), bem como a legislação da licenciatura, adaptaram o que havia sido construído e implantaram o novo currículo em 2003.
Importante destacar, como explicita a entrevistada, que o novo currículo levou mais tempo para ser compreendido pelos professores do que para ser elaborado. “Porque quem elaborou, a gente discutia, e a gente ia se entendendo, mas os que estavam, os professores que estavam de fora, não acompanharam aquele desenvolvimento”. Portanto, foi difícil para alguns professores a compreensão de como aquilo funcionava, e segundo a entrevistada, “até hoje tem alguns professores que não se adaptam, que não gostam deste tipo (...)”.
Como a entrevistada foi coordenadora durante cinco anos, a pedido dos colegas, já que a implantação do novo currículo exigia explanações, pode afirmar que não foi todo mundo “que comprou a idéia”.
Em relação aos graduandos deste contexto na graduação em Letras, com a implantação no ano de 2003, ficou determinado que os graduandos que estavam até no quinto período, já participariam do novo currículo. O que foi apresentado pela entrevistada sobre a recepção dos alunos ao novo, é que “foi criada uma revolta muito grande naquele momento, porque eles não estavam entendendo muito, apesar de ter feito muita reunião, explicar (...)”. Como havia a questão do orientador, e muitos professores também não compreenderam bem o currículo, todos iam à coordenadoria. Segundo a ex-coordenadora na entrevista, a coordenadoria neste período era uma “romaria de alunos” e a coordenação atendia a todos, “porque era mais do que lógico que nós déssemos uma atenção individual porque eles precisavam saber o que estava acontecendo”.
Como neste primeiro momento houve esta revolta, alguns alunos questionaram o tempo de graduação, o aproveitamento das disciplinas já cursadas, e o medo de serem prejudicados. Contudo, a entrevistada afirmou que no final todos ficaram satisfeitos, visto que muitos deles se formaram em quatro anos e meio, já que o curso era de cinco anos, o currículo anterior previa cinco anos para qualquer habilitação, sendo uma licenciatura ou duas, Língua Inglesa e Língua Portuguesa.
Sobre alterações e mudanças neste currículo, que foram perguntas do roteiro de entrevista, apresentou-se ao pesquisador que não houve alterações, mas sim adaptações,
72 resoluções38, de 2003 a 2011. “Aprimoramento”, como afirma a Professora e ex-coordenadora, conforme explica que, enquanto estava na presidência do colegiado, formulavam as resoluções dentro do colegiado para corrigir lacunas “que você não percebe na elaboração de um projeto, e que vai perceber na prática, a necessidade de alguma coisa”.
A partir da Resolução Nº 029, de 15 de setembro de 201039, segundo a atual coordenadora, veio à tona alguns problemas40 situados pela atual coordenadora sobre o currículo em atividade, o que proporciona novas resoluções ou realmente mudanças na estrutura curricular do curso. Segundo a entrevistada e atual coordenadora, o currículo realmente deve passar por uma reformulação até 2013, mas que não alterará a estrutura deste, “(...) Agora você vai parar essa máquina neste funcionamento também não acho produtivo, entende? Então eu acho que não pode ficar escancarado nem ficar travado, aí nós resolvemos fazer essa reforma”. Uma outra proposta de modificação diz referência a uma nova lei do MEC, em que as entradas no vestibular serão separadas, do Inglês e do Português. Mas, mesmo com tais modificações, a proposta é manter a idéia do “novo” currículo em ação.