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Se as instituições são as regras do jogo, as organizações e seus empresários são os jogadores (NORTH; 1991,1994). Organizações são compostas por grupos de indivíduos unidos por um propósito comum para atingir certos objetivos (NORTH, 1994). Organizações, no presente trabalho, incluem produtores de uva de mesa (familiares ou não) e cooperativas. A análise do ambiente institucional é importante para se entender as instituições (regras do jogo) e como estas têm afetado o mercado e seus agentes. A principal contribuição do ambiente institucional, por sua vez, tem sido a relação entre as instituições e o

10Mesoeconomia é um nível intermediário entre a macroeconomia e a microeconomia. A mesoeconomia procura

entender como as mudanças em um ambiente empresarial podem afetar a economia e a realidade da empresa envolvida. A mesoeconomia estuda preços e produtividade, sempre com foco no social (BÊRNI; LAUTERT, 2011).

desenvolvimento da economia, sendo que um dos papéis das instituições é investigar os efeitos no resultado econômico (AZEVEDO, 1997).

Para North (1991), o principal papel das instituições na sociedade é reduzir a incerteza, estabelecendo uma estrutura estável entre as interações humanas (não necessariamente eficientes).

Belik, Reydon e Sebastião-Neto (2007) estudaram as instituições em quatro níveis: “embeddedness”, ambiente institucional, governança (ou custos de transação) e economia neoclássica. A primeira é bastante estudada na história econômica e na sociologia e leva em consideração as instituições mais estáveis e formais, como religião e o Estado, e informais, como tradições e costumes (BELIK; REYDON; SEBASTIÃO-NETO, 2007). Para North (1993), a história demonstra que as ideias, ideologias, mitos, dogmas e preconceitos importam, e uma melhor compreensão da evolução é necessária para compreender o desenvolvimento da mudança social. Crenças se transformam em estruturas sociais e econômicas por instituições (tanto pelas regras formais quanto por normas informais de comportamento) (NORTH, 1993). Já a segunda, principal objeto de estudo do presente trabalho, toma por base as regras formais que medem as relações entre os agentes. O ambiente institucional analisa as mudanças na legislação, no sistema judiciário, na burocracia governamental e, ainda, nos direitos de propriedade (BELIK; REYDON; SEBASTIÃO- NETO, 2007). A terceira está relacionada com as transações econômicas. Neste caso, as instituições buscam reduzir os custos de transação. Coase e Williamson desenvolverem muitos trabalhos ricos nesta área. O último nível, da economia neoclássica, foca nos custos de produção de bens e serviços. É aqui que estão as relações econômicas de preços, compra e venda e, também, as questões de qualidade (BELIK; REYDON; SEBASTIÃO-NETO, 2007).

Já Azevedo (2000) divide as instituições em dois pontos, mas ainda bastante relacionadas com a de Belik, Reydon e Sebastião-Neto. O primeiro é o microanalítico, que regula transações entre as partes. As regras são decisivas para a competitividade dos participantes de um determinado grupo de produtores, no caso do agronegócio, por permitir maior coordenação do sistema. O segundo ponto é o do ambiente institucional, que se assemelha com os dois primeiros níveis destacados por Belik, Reydon e Sebastião-Neto (2007). Para Azevedo (2000), esse ponto também pode ser chamado de macroinstituições, especialmente importante para o agronegócio por conta três fatores: “a) regras formais (políticas agrícolas e regulamentação); b) regras informais (códigos de ética, laços familiares, valores culturais e étnicos);” além de destacar os “direitos de propriedade da terra” (que podem ser inseridos tanto em regras formais quanto informais) (AZEVEDO, 2000, p. 35).

a) As regras formais como já destacado por North (1990) são as leis da sociedade. Azevedo (2000) ainda cita a constituição e o conjunto de políticas públicas como importantes no agronegócio – nesta última, ainda, se encaixam políticas agrícolas e de reforma agrária. Essas regras tem papel fundamental nas decisões e investimentos de longo prazo por parte dos agentes, neste caso, de produtores rurais. Por outro lado, se as regras forem instáveis, pode causar incerteza (NORTH, 1994), reduzindo os investimentos (AZEVEDO, 2000).

b) As regras informais foram destacadas por North (1990). Para este autor, são originadas na cultura de sociedades menos complexas e são retransmitidas entre as gerações. Belik, Reydon e Senastião-Neto (2007) abordaram também este ponto. Para Azevedo (2000), um tópico interessante é que essas regras não podem ser manipuladas, tendo em vista que não são escritas nem explícitas. Essas instituições podem, ainda, reduzir custos de coordenação por permitir fácil interação entre os agentes (AZEVEDO, 2000).

Os direitos de propriedade da terra (formais e informais) são muito explorados nos trabalhos de Harold Demsetz. Segundo Demsetz (1967), os direitos de propriedade são um instrumento da sociedade. Sua importância deriva do fato de que ajudam um indivíduo a formar expectativas nas relações com os outros. Essas expectativas encontram expressão nas leis, costumes e atitudes de uma sociedade. Para Azevedo (2000), os direitos de propriedade da terra podem ter importantes impactos econômicos, tendo em vista que alguns problemas podem reduzir investimentos, sobretudo em lavouras permanentes (como a uva), que tem maior probabilidade de expropriação em relação às lavouras temporárias.

E como as instituições afetam o mercado e seus agentes? O mercado está em constante mudança no contexto da globalização. Mudança econômica é um processo onipresente, contínuo e incremental que é consequência das escolhas que os agentes das organizações fazem todos os dias (NORTH, 1993). O mercado, para Buainain (2007), é a principal forma que baseia as decisões dos produtores. Ainda segundo este autor, “no mundo real, o mercado é uma instituição imperfeita, sujeita a falhas e ao mau funcionamento” (BUAINAIN, 2007; p. 55).

Em algumas situações o governo pode interferir eficientemente no mercado, porém, na maioria das vezes, experiências históricas detalharam que o Estado é impotente e que as intervenções podem produzir mais falhas (BUAINAIN, 2007). Não é que os governantes tenham tido mau desempenho, é que a dificuldade de transformar as economias ao redor é uma função da natureza dos mercados e políticas (NORTH, 1993).

O mercado, ainda, oferece incentivos aos produtores, porém, a partir deste podem surgir algumas consequências (MILGROM; ROBERTS, 1996). Estes problemas são agravados quando assimetrias de informação estão presentes, antes ou após as transações (MILGROM; ROBERTS, 1996). Para Cook e Chaddad (2000), os arranjos em um ambiente institucional são projetados para substituir os mercados ausentes ou surgem como uma resposta à informação imperfeita em mercados competitivos do agronegócio.

As instituições do mercado se projetam para induzir os agentes a adquirir as informações essenciais que vão levá-los a corrigir seus modelos, principalmente quando existem custos de transação significativos. Porém, os agentes normalmente têm informações incompletas (NORTH, 1993), sobretudo em mercados com baixo custo de transação.

Segundo Azevedo (2000), há diversos estudos incluindo instituições como tema principal, porém, não há uma abordagem única. Ainda de acordo com este autor, “tem sido crescente o interesse pelo estudo das instituições em trabalhos sobre a organização da atividade agrícola e seu desempenho” (AZEVEDO; 2000, pg. 34). Alguns estudos mais recentes elucidam como as instituições ainda são pauta e tem afetado o cenário do agronegócio no Brasil e no mundo.

No Brasil, Nogueira e Zylbersztajn (s/d), estudaram a coexistência de arranjos institucionais, sobretudo o papel dos contratos e das transações de mercado, no setor de avicultura de corte no estado de São Paulo, mais especificamente em 30 processadores. Os autores buscaram as respostas do porque coexistem diversos arranjos (via mercado, contratos de fornecimento, contratos de parceria e integração vertical) neste setor. Além dos arranjos institucionais, os autores encontraram o perfil dos fornecedores de aves e identificaram as transações de mercado. As principais transações (médias) foram contratos de parceria (33%), de fornecimento (27%), integração vertical (25%) e via mercado (11%). Dentre as hipóteses de transação de mercado, ainda, foi considerado o fator da tecnologia – para este quesito, quanto maior a mudança no nível tecnológico percebida do fornecedor que transaciona via mercado, menor a participação dos contratos e da integração.

O ambiente institucional também já foi estudado em relação ao crédito agrícola. Almeida e Zylbersztajn (2008) estudaram as principais mudanças ocorridas no ambiente institucional no financiamento agrícola no Brasil e seus impactos para o setor da soja. Um grande problema no mercado de crédito agrícola são os riscos associados às negociações e a insegurança por parte dos agentes. Os autores concluíram que este cenário melhorou até o ano do estudo, diminuindo a incerteza nas transações por conta do maior uso dos contratos,

atraindo até mesmo investidores nacionais e internacionais (ALMEIDA; ZYLBERSZTAJN, 2008).

Olsson e Svensson (2010) estudaram o crescimento da agricultura na União Europeia, sobretudo da Suécia, para verificar os efeitos de mudanças institucionais, simultaneamente com a comercialização, a fim de entender, na história, os fatores importantes por trás do crescimento entre os anos de 1700 e 1860. No período, a produtividade no campo aumentou substancialmente, sobretudo para atender a grande demanda interna de alimentos. Como conclusão, as mudanças nos direitos de propriedade impactaram bastante: quando o produtor era dono da terra, ele investia mais e produzia mais frente àquele que arrendava a terra. Ao mesmo tempo, a liberalização do comércio contribuiu para o crescimento, e os produtores reagiram aos incentivos, aumentando a produção.

Benzer Belgeler