UM OLHAR SEGUNDO REFLEXÕES DE EDGAR MORIN
Margareth Anne Leister (UNIFIEO e PUC-SP)
Elisaide Trevisam (UNIFIEO e PUC-SP)
3.1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho é fruto de uma constatação: até que ponto a especialização no Ensino Superior, tão prestigiada nos dias atuais, contribui para o desenvolvimento do profissional do Direito? Estar- se-á, efetivamente, preparando o jurista para os constantes desafios que lhe são colocados, em face do surgimento de novas questões jurídicas, e contribuindo, assim, para a efetivação da cidadania e do desenvolvimento da sociedade?
Partindo desses questionamentos, será feita uma reflexão sobre a educação em si, demonstrando a questão da transversalidade do conhecimento, seu conceito e a sua importância no campo edu- cacional, buscando-se uma resposta para o questionamento formulado, adentrando no campo do ensino jurídico.
Enfatizar-se-ão a transdisciplinaridade e a interdisciplinaridade no currículo educacional, que muitas vezes são tratadas como um modismo, porém têm a finalidade do comprometimento de atingir o objetivo da necessidade de novas disciplinas no ramo jurídico, para um conhecimento dos problemas enfrentados pela sociedade atual e efetivação da função da Justiça.
3.2. CONTEXTO EDUCACIONAL NA ATUALIDADE BRASILEIRA
Apesar dos grandes avanços do Brasil, em face da economia crescen- te, a sociedade depara-se, hoje, com um sistema educacional cada vez mais carente, inobstante o “espetáculo do desenvolvimento” verifi- cado nos últimos anos, constata-se um total descuido com a educação, com professores, com alunos e a própria instituição educacional, que se encontram em um conjunto cada vez mais desmotivados.
Nas últimas décadas, o desenvolvimento da educação brasilei- ra, no Ensino Superior, mostrou uma real ampliação em razão do
objetivo do país de aumentar o acesso do cidadão nacional à insti- tuição educacional frente à necessidade trazida pelo avanço da economia em época de globalização.
Essa ampliação se apresentou com um aumento considerável dos cursos superiores em todo o país, principalmente com a proliferação de faculdades particulares sem o mínimo de estrutura educacional, que, no afã de alcançar um maior poder econômico, não estão preo- cupadas com a qualidade de ensino.
Trata-se de um problema cada vez mais complexo e com poucas alternativas de solução. A educação no Brasil, de fato, encontra-se totalmente relegada ao segundo plano, não havendo nela qualquer compromisso com a qualidade.
Proliferam instituições de ensino, como se o desenvolvimento do conhecimento estivesse atrelado ao número de estabelecimentos criados. Preocupa-se com a quantidade, sem compromisso com a mis- são maior de educar cidadãos para o futuro.
Em recente avaliação efetuada mediante o Índice Geral de Cur- sos (IGC), o Ministério da Educação reprovou cerca de 37% das instituições de Ensino Superior, o que equivale a mais de 500 insti- tuições com nota insuficiente.
Basta verificar os resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), avaliação do rendimento dos alunos dos cur- sos de graduação em relação aos conteúdos programáticos dos respec- tivos cursos, que integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e que, no ano de 2009, aprovou com nota máxima apenas 25 das 1.793 instituições avaliadas. Ainda, mostra a necessida- de de melhorias, tais como contratação e/ou capacitação de professo- res. Apontou que 1.767 cursos, de um total de 7.576, têm conceito na faixa 1 ou 2 – quase um quarto dos cursos superiores, a comprovar a problemática enfrentada do baixo nível da educação no país.
No ano de 2011 (FOREQUE, 2012), de todos os cursos avalia- dos pelo Ministério da Educação, apenas 2,7% obtiveram nota 5 (máxima) no Conceito Preliminar de Curso (CPC), que é um indi- cador prévio da situação dos cursos de graduação no país, e aponta para cerca de 13% de cursos insatisfatórios. Essa avaliação conside- ra os fatores de desempenho dos estudantes no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), a titulação dos professores e a infraestrutura dos cursos.
Segundo Romualdo Portela de Oliveira, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), essa reprovação tem origem na falta de critério na criação de novos cursos, confor- me entrevista concedida ao Jornal Terra (CHAGAS, 2011).
Desde os Ensinos Fundamental e Médio, percebe-se uma vasta deficiência que se prolonga até o curso universitário, o que acaba por gerar profissionais totalmente despreparados.
A educação continua estagnada naquilo que é ensinado, geralmen- te pelo motivo de os docentes ficarem subordinados ao que é ditado nos livros didáticos e esquecerem completamente o papel importan- te que devem desempenhar na formação do aluno em relação ao seu papel perante a sociedade. Importante notar que a aprendizagem é sempre relacional, o que equivale a dizer que as novas informações são elaboradas a partir de conhecimentos anteriores, que passam a compor novos sentidos.
Urge uma política educacional conduzida de forma séria, que tenha em mira sempre o ensino emancipatório, incentivando o dis- cente na preparação do conhecimento de uma forma geral, ou seja, uma formação que leve em consideração a atualidade globalizada, em que pese a necessidade do clamor por uma educação mais ágil, mais consentânea com os interesses atuais da sociedade.
O que fazer diante desse quadro? Quais os caminhos viáveis para a valorização da educação e de toda a comunidade nela envolvida?
De acordo Laerthe de Moraes Abreu Junior (2006, p. 173), A questão que se propõe como primeira é a necessidade urgente de se pensar em: qual o valor dos conhecimentos e da cultura escolar para a formação humana e para a vida em sociedade? É necessário esclarecer que nessa questão há duas concepções de formação humana embutidas: tanto aquela entendida a partir de um viés utilitarista, qual seja, a necessidade de se adquirir os fundamentos necessários às interações pessoais e profissionais da vida em sociedade; como também, e principalmente, mais do que no item anterior, entender a formação humana no seu sentido ético de necessidade da convivência social em que esteja implícita a aceitação das – assim como o respeito às – diferenças.
Propõe-se, então, uma reflexão no que concerne às relações entre cultura e educação para uma formação humanística, interagida com a complexidade das questões que aproximam as várias áreas do conhecimento dentro de uma instituição de ensino, por meio de uma discussão dos problemas socioculturais realmente integrados em seu contexto.
3.3 TRANSCENDENDO A FRAGMENTAÇÃO