1.7. Allerjik Rinitte Tanı
1.7.3. Tanı Testleri
[...] A maquinaria gera novas condições que capacitam o capital a dar plena vazão a essa tendência constante que o caracteriza, e cria novos motivos para aguçar-lhe a cobiça por trabalho alheio.
[...] O instrumental passa a ser animado por um
movimento perpétuo, e produziria
ininterruptamente, se não fosse tolhido por certas limitações naturais dos auxiliares humanos: a debilidade física e os caprichos. Como capital, esse autômato possui, na pessoa do capitalista, consciência e vontade, e está dominado pela paixão de reduzir ao mínimo a resistência que lhe opõe essa barreira natural, elástica: o homem.
(MARX, 2008, p. 460)
A centralidade da categoria trabalho norteou toda essa dissertação. A especificidade da temática “Saúde do Trabalhador” foi submetida à centralidade aludida, cujo intuito foi o de ultrapassar o caráter fenomênico que a área sugere e que, como vimos, é dominante nas perspectivas teóricas nesse campo.
Sabemos que as formas de vinculação ao trabalho, ou ainda, as maneiras como é executado, considerando sua objetivação no modo de produção capitalista, causam impactos na vida e no bem-estar dos indivíduos trabalhadores, provocando um desgaste social, em maior ou menor grau. Os trabalhadores estão constantemente expostos a situações de risco, tais como: esforço físico, levantamento e transporte manual de peso, postura inadequada, ritmos de trabalho excessivo, monotonia, repetitividade, trabalho noturno, situações causadoras de estresse psíquico.
São bastante preocupantes os índices de acidentes de trabalho no Brasil, com inúmeras vítimas que, diariamente, provocam sequelas graves aos trabalhadores, desde perdas materiais até os enormes encargos sociais do Estado, além do sofrimento que se estende às famílias das vítimas. Tal quadro ratifica a cisão existente ente o campo da saúde/segurança do trabalho e o universo do processo produtivo.
O aumento considerável dos números de acidentes de trabalho tem, dentre seus determinantes, a pressão por resultados. Há, na contemporaneidade, uma evidente sobrecarga da força de trabalho que vive uma brutal intensificação dos
ritmos da produção, voltadas para a resolução dos problemas estruturais de valorização do capital. Dessa forma, o capital, faz uso de todas as ferramentas de controle, coerção e opressão para fazer os trabalhadores produzirem cada vez mais, engendrando assim, um ambiente de trabalho totalmente inseguro. Tais aspectos estruturantes do processo de trabalho capitalista, longe de potencializar das possibilidades humanas, limitam o trabalho a uma mera condição de força motriz, exprimindo-se assim como um traço destruidor das capacidades do ser social. Com o desenvolvimento capitalista, o homem torna-se mero instrumento de sua produção, tão inerte quanto uma natureza inorgânica.
No decorrer desta pesquisa procuramos analisar o trabalho sob a sociabilidade capitalista, a partir das mudanças organizacionais provocadas pelas alterações no mundo do trabalho. Desse modo, a pesquisa bibliográfica e documental foi fundamental para o entendimento das categorias aqui analisadas acerca da relação saúde-trabalho. Através da revisão bibliográfica, pudemos, também, conjugar importantes contribuições de diferentes autores que discutem a concepção ontológica de trabalho e as questões voltadas para a atenção à saúde do trabalhador.
Identificamos a convivência de modelos distintos de gestão da força de trabalho, caracterizados pela permanência, predominante, de elementos próprios da realidade taylorista-fordista, potencializados por estratégias de produção e gestão do trabalho provenientes da administração flexível. Desvelamos assim, dentre os elementos contraditórios dessa realidade que as novas relações de trabalho continuam a reproduzir aspectos quase que “pré-capitalistas” de exploração humana e reiteradas formas de cooptação dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que mantêm “antigas” formas de agressão à saúde dos trabalhadores que se combinam às “novas” demandas do atual processo de reestruturação do capital.
Cabe-nos aqui ressaltar que agravos ocupacionais atuais, mesmo não sendo novos, intensificam-se nas últimas três décadas. Do mesmo modo, as novas formas de controle e pressão sobre os trabalhadores repercutem de forma incisiva na precarização das condições e relações de trabalho, tornando os ambientes de trabalho um espaço de total insegurança. Assim, os ritmos colocados à força de trabalho favorecem a suscetibilidade para a ocorrência de acidentes de trabalho e comprometem a condição de vida do trabalhador com sérias implicações em sua saúde.
Nada mais justo do que aqueles que geram riscos e agravos à saúde dos trabalhadores sejam os responsáveis pela reparação dos danos. A penalização e a punição de empresas que negligenciam as questões relacionadas à saúde, a segurança se fazem necessárias para criar o comprometimento dos empresários com o mínimo respeito a conservação da vida humana, mesma sabendo que essas ações não resolvem o problema, uma vez que suas questões são estruturais.
Concomitantemente, as ações em saúde e segurança se apresentam, geralmente, apenas como o cumprimento de normas operativas e legislativas, além da inoperância e fragmentação das ações dos poderes públicos. Um descaso, que deixa de priorizar as ações estratégicas de garantia do bem-estar físico, psicológico e social do trabalhador dentro e fora do ambiente de trabalho, contribuindo efetivamente para a manutenção da saúde dos trabalhadores.
Novas tecnologias são incorporadas aos métodos produtivos, levando à uma modificação do perfil de saúde, adoecimento e sofrimento dos trabalhadores expressas, principalmente, no aumento da prevalência de doenças relacionadas ao trabalho, como a LER/DORT; os cânceres; o estresse, a fadiga física e mental; e outras expressões de sofrimento relacionadas ao trabalho dentro do contexto maior de doenças ocupacionais. “Essas ‘novas’ formas de adoecimento convivem com as ‘velhas’ doenças profissionais, como a silicose, as intoxicações por metais pesados, por agrotóxicos, entre outras” (PNST, 2003, p. 15).
Do mesmo modo, os acidentes de trabalho, estão intrinsecamente ligados ao problema da violência vivido hoje pela sociedade brasileira nos centros urbanos, enfocadas em múltiplos aspectos que consideram a violência contra o trabalhador no seu local de trabalho, traduzida pelos acidentes e doenças do trabalho típicos; a violência decorrente de relações de trabalho deterioradas, como o trabalho escravo e o trabalho infanto-juvenil; e ainda, a violência ligada às relações de gênero e o assédio moral, caracterizada pelas agressões entre pares, chefias e subordinados (PNST, 2003).
São inúmeras situações que expõem a alma e o corpo dos trabalhadores a condições insalubres de trabalho, aliados à escassez de fiscalização dos postos de trabalho; a inaplicabilidade da lei, bem como, a negligência das entidades responsáveis. Cabe ressaltar que esse conjunto de elementos é característico do capitalismo contemporâneo e possibilita a sujeição dos trabalhadores a situações de
trabalho degradantes, em razão do desemprego que assola todo o mundo capitalista.
Dessa forma, as doenças profissionais e os acidentes de trabalho são enxergados sob o enfoque do ato ou condição insegura, culpabilizando duplamente o trabalhador mutilado pelo trabalho, sem responsabilizar a lógica capitalista de extração de sobretrabalho e sem fazer uso do aparato técnico-operativo para a prevenção desses acidentes, como no caso do uso adequado de EPI e na instalação de proteções coletivas.
Os problemas já foram tão naturalizados que atingem um alto grau de tolerância, tornando-se quase “imperceptíveis” para aqueles que estão nos espaços de trabalho há mais tempo. Isto faz com que os acontecimentos acidentários sejam tratados de forma banal num cotidiano de ilegalidades.
Neste sentido essa pesquisa procurou fornecer subsídios para a discussão na área da saúde do trabalhador, com o objetivo de contribuir para a luta geral dos trabalhadores por melhores condições de trabalho e de vida, sem a pretensão de esgotar a questão, mas apenas levantar algumas reflexões importantes para serem discutidas e incitar novas produções teóricas que embasem outros olhares sobre ela.
Assim, elegemos nesse estudo a análise das produções científicas no campo da “saúde do trabalhador” – considerando a delimitação da pesquisa – como base ilustrativa das tendências teóricas que contornam essa temática, e que, consequentemente, subsidiam as ações nessa área.
Esses intelectuais são responsáveis pela produção de conhecimento na universidade e, como resultado de seu trabalho, constroem respostas às necessidades sociais que se apresentam. Longe da neutralidade, suas respostas e proposições como resultados teóricos sobre a realidade estudada, dizem muito, mesmo que não intencionalmente: da forma que pensam a sociedade em que vivem, das posições políticas que adotam e do projeto societário que defendem. Esses fizeram suas escolhas diante das alternativas concretas de se pensar a saúde do trabalhador, por meios de uma perspectiva que, como pudemos ver nessa dissertação mostrou-se, predominantemente, conservadora.
De uma forma geral, consideramos que os estudos analisados imprimem tendências teóricas que fundamentam as novas concepções de mundo e práticas político-pedagógicas do projeto burguês, desconsiderando o protagonismo dos
trabalhadores e a defesa de um projeto societário crítico e antagônico à lógica capitalista.
Dessa forma, considerando o conjunto das produções científicas no seio da universidade enquanto produção do conhecimento, entendemos que essas devem também contribuir para o fortalecimento das lutas de classe a favor do conjunto dos trabalhadores e, consequentemente, para o enfrentamento dos agravos à saúde dos trabalhadores, que só se torna alcançável pela superação do processo de exploração e expropriação da força de trabalho pelo capital.
O trabalho sob a sociabilidade capitalista adquire uma nova configuração, passa a ser estranho aos sujeitos, concebido enquanto uma atividade social dotada de sofrimento, exploração e destruição das capacidades emancipatórias dos indivíduos. No modo de produção capitalista a interseção do trabalho na saúde passa a adquirir uma relação contraditória, na qual, quanto mais o trabalhador vende sua força de trabalho, menos saúde possui.
Desse modo, se é pelo trabalho e pelas experiências vivenciadas no ato de trabalhar que a humanidade se constitui, qualquer modo de produção que traga em sua sociabilidade a exploração do trabalho e a submissão da classe trabalhadora às formas mais degradantes de vida, será incompatível com as possibilidades reais de liberdade dos homens. Assim, é impossível pensar, sob o capitalismo, condições sociais que garantam a plena realização das pontencialidades do ser social e que, principalmente, apresente á humanidade possibilidades emancipatórias.
Esperamos com essa dissertação contribuir com a produção de conhecimento crítico, na contramão das produções científicas sobre saúde do trabalhador aqui estudadas. Há 165 anos, Marx e Engels62 afirmaram categoricamente: “as idéias dominantes de uma época são as idéias da classe dominante”. Aqui se inscreve a maior pretensão de nosso estudo, qual seja: constituir-se numa pequena contribuição que fomente conhecimentos contrários às idéias dominantes.
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APÊNDICE A - PRODUÇÃO CIENTÍCA DA UFRN – MESTRADO/DOUTORADO
ÁREA ITEM TÍTULO AUTOR ORIENTADOR TÍTULO DATA DA
DEFESA CIÊNCIAS DA SAÚDE 1 Prevalência e fatores associados à dor em bailarinos profissionais
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2 Morte como desafio afetivo para o profissional
da saúde: ansiedade e sentimentos de quem lida
com o paciente terminal com câncer
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contexto hospitalar Joana D'arc de Souza Oliveira Maria do Socorro Costa Feitosa Alves
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análise crítica sobre a humanização direcionada
ao profissional de saúde
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