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4. GEREÇ VE YÖNTEM

4.8. Biyokimyasal Analizler

4.8.4. Testis dokusu Süperoksit dismutaz (SOD) aktivitesinin tayini

Na obra Vida e feitos do Rei Dom João II, de Garcia Rezende, 1545 (capítulo LXII, Da polvora que el-rey mandou ao cerco de Malega), é possível identificar a capacidade das reservas de pólvora de Portugal, no final do século XV. Na citação a seguir está identificada a prontidão com que D. João II ofereceu hũa grande soma de polvora e salitre para manter o esforço de guerra dos Reis Católicos, durante o prolongado cerco de Malaga, na campanha para conquista do Reino de Granada.

Neste anno de mill e quatrocentos e oitenta e seis estando el-rey Dom Fernando e a raynha Dona Isabel de Castella em cerco sobre a cidade de Malega do reyno de Granada, que muy apressadamente e com muyta força combatiam com armas e

tiros de fogo, estando jaa hos mour os em muyta estreyteza e necessidade, e nam

podendo jaa sofrer hos continos e rijos combates, faleceo o arrayal a polvora de que el-rey e a raynha ficaram muyto tristes, porque tendo a cidade jaa quasi tomada seria necessario levantarem o arrayal poys sem artelharia se nam podia tomar. Pollo qual hos reys com palavras de muyto amor e confiança, e com muyta necessidade

mandaram pedir a el-rey ajuda e socorro de polvora ou salitre emprestada. O

qual recado chegou a el-rey estando em Santarem e tanto que lho deram, com

muita pressa e deligencia e verdadeira vontade mandou logo armar hũ a grande caravela, na qual lhe mandou por Estevam Vaaz hũa grande soma de polvora e salitre tudo de graça, com grandes oferecimentos de sua pessoa e seus reinos e cousas delles pera tudo ho que comprisse pera hũa tam sancta empresa.

Com o qual recado e socorro el-rey e a raynha e todo ho arrayal receberam muyto grande prazer e contentamento, e o estimaram tanto como se tomaram a mesma cidade, que dahi a poucos dias por caso do dito socorro logo tomaram. E assi o mandaram dizer a el-rey polo mesmo (REZENDE, 1545, cap. LXII, p. 95-96, grifos nossos).

Com o passar do tempo, e com o aperfeiçoamento da tecnologia pirobalística, as armas neurobalísticas foram sendo (lentamente) substituídas, devido a sua dificuldade em montar e

hoste; garantir o pagamento a bombardeiros, carpinteiros, pedreiros e ferreiros destacados para o serviço da artilharia; garantir que os castelos e respectivos armazéns estivessem devidamente providos de artilharia, e que

manejar, por sua potência depender da força de torção, pela trajetória dos projéteis ser pouco determinada e pelos meios para se fazer pontaria serem imperfeitos. Mesmo assim, seu poder destrutivo e sua importância quando em um cerco, mantiveram-se decisivos durante muito tempo depois de começarem a serem utilizados os trons, como, por exemplo, uma catapulta com um braço de 03 metros de comprimento que podia lançar projéteis entre 18 e 27kg a uma distância entre 365 e 411 metros. Um trabuco (o mais potente engenho medieval de arremesso), equipado com um braço de 15m de comprimento e um contrapeso de cerca de 10 toneladas, podia lançar pesos de até 140kg a 320m de distância (BAÊNA, 2001).

Segundo Fernão Lopes, em sua Crónica de D. Fernando, as primeiras “bocas de fogo” foram introduzidas em Portugal no reinado de D. Fernando, datando a primeira referência escrita sobre o seu emprego de 1381, no cerco a Lisboa, durante a terceira guerra fernandina. Os lisboetas teriam recebido a disparos de troos e virotões o infante D. João de Castro e seus

acompanhantes, que vinham negociar a entrega da cidade: “[...] como os da cidade reconheceram que eram de Castela, começaram de lhes atirar aos trons e virotões” (LOPES,

1440/50, CRÓNICA DE D. FERNANDO, cap. CXXVII. p. 38).

No ano seguinte (1382), algumas dessas peças foram fabricadas em Évora “[...] e

foram-se caminho d’Evora [...] e ali mandou fazer engenhos e carros e bombardas e outros

apercebimentos de guerra” (LOPES, 1440/50, CRÓNICA DE D. FERNANDO, cap.

CXXXIV. Como el-Rey e os inglezes partiram de Lisboa e chegaram a cidade de Évora, p. 60, grifo nosso). Os trons, peças menores que as bombardas, também eram utilizados embarcados. Essa informação também é fornecida pela crônica de D. Fernando, quando o autor menciona a esquadra inglesa, que estava fundeada no rio Tejo, dando apoio ao rei português. Os navios

[...] estavam deante todos, com as alcaçovas contra o mar, aramados e empavezados,

apercebidos de trõos e outros artifícios, para se defender e mais haviam duas grossas cadeias, que estavam deante, tendidas d’uma parte à outra, que lhes não

podessem fazer nojo quaesquer navios que contrários fossem. Em terra, havia trons e engenhos, para ajuda de sua defensão, com gentes assas se lhe tal cousa viesse (LOPES, 1440/50, Crónica de D.Fernando, Cap. CXXXIII. p. 38, grifo nosso).

A crônica do rei D. João I, escrita por Fernão Lopes, também apresenta passagens que registram o uso das primeiras armas de fogo e sua eficácia em abater combatentes, durante o cerco a Lisboa, em 1384. Na tentativa de tomar uma torre, os sitiantes castelhanos foram surpreendidos pela reação portuguesa “[...] sendo já alguns d’elles feridos e mortos... os mais

d’elles de troos que lançavam de uma torre” (cap. CXIV, 1897 p. 123, vol. I, grifo nosso).

Interessante é perceber nessa crônica que, já nos finais do século XIV, as estruturas fortificadas começavam a receber “bocas de fogo” para sua defesa. Justamente nesse século, a tecnologia pirobalística havia surgido como arma de assédio, como recurso para expugnação de recintos amuralhados. Lentamente, os sitiados passaram a adaptar suas fortificações às novidades bélicas tecnológicas. Os primeiros troos utilizados em fortificações, de que se tem notícia, estavam localizados sobre as torres (pontos altos e abertos) e carregados com pelouros, ou seja, projéteis esféricos feitos em pedra.

Havia mais nestas torres muitas lanças d’armas, e bacinetes, e d’outras armaduras, que reluziam tanto, que bem mostrava cada uma torre por si que abastaria para se defender. Em mauitas d’elas estavam troos acompanhados de pedras, e bandeiras de São Jorge [...] (Cap. CXVI, p. 129. v. I, grifo nosso).

A introdução de uma nova tecnologia de combate, baseada na pólvora, iria transformar por completo, em longo prazo, a forma de pensar e de fazer a guerra. Seria a principal responsável pela alteração das características estruturais das fortificações e geraria um forte impacto psicológico na sociedade quatrocentista. A pirobalística, sobre a qual pouco se sabia, gerava espanto, terror e desprezo.

Benzer Belgeler