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2.3 Robot Kontrol Mimarileri

2.3.1 Tepkisel (reactive) kontrol

No bairro onde vive atualmente existe uma igreja que tem um sino que emite sons que a Olga associa apenas a este lugar. Foi o som desse sino que ela escolheu. Para o descrever não só elaborou um texto, como me enviou um pequeno filme (ver anexos 15 e 15a). No filme (Olga 2017b), com cerca de 50 segundos, vêem-se imagens da rua onde fica o apartamento, captadas a partir da varanda da sala de estar. Está sol, vê-se o rio Tejo e ouve-se o sino de forma bastante presente. Na minha opinião, terá usado o vídeo pois quereria garantir que conseguia transmitir que era do sino daquela igreja específica que estava a falar e não qualquer outro. Assim, não só o descreve, como tenta passar a experiência que tem quando está em contacto com este objeto. Apesar desta presumível tentativa, a experiência que a Olga tem com este objeto, não será possível de transmitir na totalidade só através deste vídeo, pois não tem a mesma dimensão sensorial que a experiência no quotidiano (Chion 2008). Porém, esta multissensorialidade, mesmo que não seja experienciada, é sentida, uma vez que qualquer pessoa que assista a este documento audiovisual consegue - com recurso à memória e à experiência (Pink 2009) - imaginar outras dimensões que não apenas a sonora e visual.

A partir do vídeo, podemos verificar que, apesar do sino não ser o único objeto sonoro que existe no ambiente, tem uma presença bastante dominante. Aliás, se não

prestarmos atenção, o sino é o único som que se ouve, pois domina todo o cenário. Apesar desta dominância, a Olga refere que este som, no seu quotidiano, quase sempre lhe passa despercebido, mistura-se com o silêncio, porém jamais perde a sua importância:

O seu sino [da igreja], que toca de meia em meia-hora, e o seu som eterno, que se mistura com o dia-a-dia dos lugares, com o som dos transeuntes, das obras, dos navios, dos tuks, dos amoladores, das ambulâncias. Som que se enraizou tão bem na rotina de todos, que até se mistura com o próprio silêncio de uma manhã de domingo, passando despercebido mas capaz de atrair a si aqueles que lhe continuam fiéis, dentro e fora da igreja (Olga 2017a).

Por habitar num bairro com uma paisagem sonora que se apresenta diversificada, conforme o descrito e que podemos constatar no vídeo, quando convoquei a Olga para me indicar um som evocativo, a escolha do sino não foi imediata. No entanto, de entre todos os sons que afirma estar a ouvir, foi o do sino que escolheu:

Encontro-me sentada na mesma cadeira da mesma sala de sempre, e ele [o sino da igreja] toca, à mesma hora de sempre, a partir do mesmo sítio de sempre, enquanto divagava eu sobre que som ou sons faziam assim parte da minha vida. E, se havia um som que procurava, o tal transversal e discreto, era este. Som feito do peso da história que os meus antepassados me transmitiram, porque eles estiveram lá, sempre lá, naquele cortejo arrojado, emproados, a caminho da missa de domingo. (Olga 2017a).

Esta escolha pode ser fundamentada com base num efeito descrito como atração, que acontece quando um objeto sonoro, atrai e polariza, consciente ou inconscientemente, a atenção (Agouyard e Torgue 2005, 27). Na definição desde efeito sonoro é dado o exemplo das sirenes para o explicar36. A sirene de uma ambulância, por exemplo - que na

nossa sociedade, quando surge, está quase sempre relacionada com um acidente – chama a atenção, tem esse efeito de atração, causado pelos significados que lhe estão associados. Também os sinos das igrejas ao longo da história têm tido um papel importante na sociedade, nas rotinas diárias e na construção do quotidiano:

36 “A siren, which manifests itself exclusively in the sonic sphere, and whose source often cannot be located,

illustrates the attraction/repulsion duality that characterizes the emergence of certain sound events.” (Agouyard e Torgue 2005, 27

Historically, bell signals were then not only used to communicate messages to local communities as to the functions of the Church and religious dates, but were also taken up within urban infrastructures of emergency signaling (Labelle 2010, 76).

O sinal sonoro mais significativo da comunidade cristã é o sino da igreja. Num sentido bem verdadeiro, ele define a comunidade, pois a paróquia é um espaço acústico circunscrito pela sua abrangência. O sino é um som centrípeto; atrai e une a comunidade num sentido social, do mesmo modo que une homem e Deus. (Schafer 1997, 86).

[…] as if the powerful ringing of the bell represented a victory over chaos and, for a community, a symbol of cohesion regained; it was an instrument whose sound enabled people to assemble, and it was the sign of a social order founded on the harmony of collective rhythms (Corbin 1998, 290). A igreja, sempre presente, em todos os sítios em que vivi. A igreja e o seu largo. As tardes ali passadas, rodeada ora de laranjeiras, ora de palmeiras. E o seu sino, a dar-me horas, a oferecer boas-novas, casamentos, missas, finados. Anos novos, hinos, aleluias. As crianças a brincarem em seu torno, os namorados mais distraídos, a beijarem-se nos seus alpendres. As romarias. As festas, a cor e a música em torno de si, em noites de celebração, iluminadas. (Olga 2017a)

A atração que a Olga sente por este objeto sonoro é assim justificada, não só pelas suas caraterísticas tímbricas ou melódicas, mas também pelos significados que o som do sino da igreja – não desta em específico, mas de uma forma geral - tem tido na história da humanidade e têm sido perpetuados ao longo dos tempos. Além destes significados mais abrangentes, outros objetos semelhantes (outros sinos de outras igrejas), têm acompanhado a sua história individual. Apesar deste sino, o do bairro onde vive atualmente, ser para ela único, e ser sobre este sino específico que escreve, ela admite que este som é importante porque o som do sino da igreja (não desta igreja, mas de todas as igrejas) foi o som que sempre a acompanhou nos vários sítios onde já viveu, tendo este sino o poder de a remeter para todos esses outros sinos e para os lugares onde eles existem, conferindo-lhe assim, um poder evocativo.

Benzer Belgeler