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Temsilcinin Yetkisine Göre Temsilin Çeşitleri

3. TEMSİLİN ÇEŞİTLERİ

3.4. Temsilcinin Yetkisine Göre Temsilin Çeşitleri

Uma análise dos pressupostos de base teórica ancorada nos fundamentos de uma macrossintaxe contribuiu de forma significativa para complementarmos nossa pesquisa. Para isso utilizamos os estudos de Berrendonner (1990), que contribuíram ricamente com este trabalho, para o entendimento das relações de concatenação e recção. A primeira postula a hierarquia dos espaços a serem ocupados por cada elemento da sentença, já a segunda diz respeito à relação de dependência existente entre um elemento e outro na sentença.

Baseados nos pressupostos já explicitados anteriormente, utilizamos também como âncora teórica os estudos da macrossintaxe. Para isso utilizaremos, a priori, as discussões estabelecidas por Berrendonner (1990, 2002a e 2002b), que trabalha com a tese que pressupõe a sintaxe em duas perspectivas: micro e macrossintaxe.

Segundo o autor, a microssintaxe está ligada aos elos estabelecidos na sentença, constituindo concatenação e recção, sendo concatenação referente à posição dos constituintes das sentenças, postulando a hierarquia dos espaços a serem ocupados por cada elemento na organização do enunciado. As relações de recção se efetivam como sistemas de dependência regulados pelas características específicas de cada elemento constituinte. Como podemos observar, os estudos da microssintaxe se realizam no âmbito da ligação interna da sentença.

Nesta pesquisa o conceito de macrossintaxe nos é promissor, pois representa um dos eixos das reflexões a que nos propomos. Na macrossintaxe, Berrendonner analisa dois níveis distintos que se complementam: o nível da materialidade sentencial e o

nível dos implícitos. O autor propõe uma relação de apontamento de um termo em relação a outro que se fundamenta na memória discursiva, “cujos extratos de existência não estão marcados apenas nas formas” (DALMASCHIO, 2013), ao passo que a microssintaxe se apoia no nível das ligações internas.

Dessa forma, a macrossintaxe representa a emergência de se instituir uma sintaxe mais complexa, que trabalhe com um elemento marcado na horizontalidade da sentença (seria o que Berrendonner designa como liage, ou seja, ligação, como propõem os estudos da recção), mas que, simultaneamente, sustente a presença de outras marcas situadas em nível da verticalidade, ou seja, da memória, e que o autor descreve como pointage, ou apontamento.

Berrendonner (1990) propõe um esquema que se configura como macrossintaxe, que justifica a dimensão da memória discursiva (M) evocada por operações de apontamento, realizadas por elementos internos constituintes da sentença – Clause (C) para dar regularidade às informações de (M). Dessa forma, (M) consiste em um estado de virtualidade que, ao ser convocada por meio da efetivação do discurso, passa por um processo de atualização e, de maneira equivalente, é de novo posta em cena para ser acionada em enunciados futuros.

Por meio de um dos exemplos consubstanciais à nossa análise, temos em (63): deixa essa noite saber que um dia foi pouco, cuida bem de mim, então misture tudo, e em (64): Bota o teu vestido longo, nega, venha antes de chover, bota o teu vestido novo, nega. Podemos observar que nas sentenças constituídas de forma verbal imperativa temos a participação do pronome/sujeito não materializado que evoca o acontecimento enunciativo, instigando-nos a lidar com essa noção de apontamento, localizada no nível da memória discursiva, aqui representada pelos exemplos supracitados.

Ao considerar uma construção como só as cachorras, as preparadas, as popozudas (67), bem como bota seu vestido longo, nega (64), podemos observar que há um compartilhamento sócio-histórico que permite a ocupação do lugar do sujeito que inspira a instauração dessas formas verbais que muito improvavelmente ocorreriam nos anos de 1950, por exemplo. Essa ocupação nos mostra que a reflexão sobre os

lugares é mais importante que a dos termos, por nos levar ao lugar sintático sujeito, focalizando as formas imperativas que têm uma especificidade, que é a não ocupação, o não preenchimento. Esse lugar se dá por instigar uma réplica instigada pelas formas mencionadas.

Ampliando a concepção de apontamento ou pointage, sabemos que há um lugar sintático a ser preenchido pelo sujeito, sabemos, inclusive, que tal sujeito é composto pela categoria pronome que remete à segunda pessoa. No caso da forma imperativa, o espaço pode ser preenchido de duas formas: o humano ou o figurativo, e o lugar sujeito constitui lugar de remissão, aponta para um lugar de compreensão. E se há a perspectiva de apontamento e de compreensão, há a necessidade de se pensar discursivamente esta entidade, essa mulher, no caso.

Diante dos fatos expostos, assumimos a perspectiva de que, como unidades formais, os lugares sintáticos forma verbal/pronome qualificam-se conforme o espaço de funcionamento onde circulam os sentidos, os discursos, os enunciados, e deste para

“os espaços futuros da discursividade, que por sua vez serão bases para novos

enunciados” (DALMASCHIO, 2013).

Sendo assim, entendemos que, seguindo o conceito de anterioridade de predicação ao pronome/sujeito, cabe a retirada da FV do seu estado de dicionário e ao acontecimento enunciativo cabe regular a ocupação (ou não) desse lugar por meio de fatores que se configuram historicamente a partir de uma tensão entre domínios de memória e atualidade de uso. O pronome/sujeito é, portanto, mais um elemento que se integra a esse tipo de possibilidade, que é a saída da FV do seu estado de infinitivo.

Conforme nos afastamos da necessidade de classificar os elementos em estudo, porém segundo a completude ou incompletude de significação a ele pertinente, podemos ampliar os pressupostos, recorrendo às instâncias enunciativas, seguindo o grau de amplitude dos domínios de referências que se instalam no plano do enunciável. Esse fato é determinante para que tenhamos a possibilidade de refletir sobre o perfil da personagem feminina no cenário da música brasileira em três períodos distintos.

Para Dias (2009), vemos uma discursividade marcada por incompletudes, entremeios, discrepâncias diversas, sem que isso se efetue como ausência configurada, erro ou defeito, exatamente porque se constitui como um diálogo com (M) por meio de relações de apontamento. Isso possibilita uma visão mais ampla da noção do linguístico, transcendendo essa visão ancorada apenas nos elementos sentenciais, e o coloca no plano afetado pelo deslocamento próprio da força de atualidade que surge do acontecimento do dizer. Nesse viés, escolhemos trabalhar em nossa pesquisa com uma abordagem que considera insuficientes as relações de ligação internas na sentença, se optarmos por nos filiar a um estudo sintático com bases enunciativas. É importante, antes de enveredarmos por este percurso, levar em consideração os elementos marcados pelas articulações sentenciais, associando-os aos apontamentos inscritos na memória do dizer.

A enunciação é uma reação, é pensar o que o outro diz. Colocar-se dessa forma enunciativamente é reagir a uma representação. Isso mostra como essas reações podem ser manifestadas de maneira socialmente reconhecida.

(75) É créu! É créu nelas! Vambora, que vamo! Vambora, que vamo!

Inclusive há casos em que os chamamentos sem forma de interjeição funcionam como retirada da informação do nome, uma questão dêitica. Quando se emite um som como ei/psiu, esse ei é encapsulador no sentido de que eu estou chamando alguém para falar comigo. Na expressão hum (63), tchan, créu (75), encapsulamos sensações que podem evocar memórias de sentimentos e experiências diversos. Isso convoca o interlocutor a estar atento ao que se está dizendo. Esse encapsulamento não é apenas da expressão, mas temático.

Encapsular, no caso da música, é encerrar em certas formas físicas de grupos linguísticos o que significa convenção, logo, quanto mais encapsulado mais fixado em convenção, servindo a esse papel de algo sintético. A arte de falar é também a arte de gesticular, de construir, já que é muito difícil a entrada no mundo da escrita,

pois nesta nos obrigamos a cortar o gesto, os sinais. A entrada no mundo da escrita é a entrada na capacidade de formular, formular, formular para sair, analisar37.

Atualmente a entrada no mundo da escrita apresenta características de oralidade. As grandes formulações começam a se perder. As mensagens do dia a dia são microfechamentos que se refletem nitidamente nas composições musicais. Vejamos:

(76) Presta atenção em tudo o que a gente faz. Já somos mais felizes que muitos casais. Desapega do medo e deixa acontecer. Eu tenho uma proposta para te fazer: eu, você, dois filhos e um cachorro, um edredom, um filme bom no frio de agosto. E aí, cê topa? (SANTANA, 2014).

Para se treinar grandes articulações nos dias atuais, torna-se mais difícil requer grande esforço. As coisas se assentam, portanto nesse processo as coisas acontecem de uma vez, embora estejamos acostumados a ver em partes. Esse é o desafio da frase que concebe sujeito, predicado, complementos, etc. Quando pronunciamos calma (46), cuidado, há uma discursividade na presença dessas formas verbais em nossa fala, que é o papel das formas verbais para além do discurso da cautela, do aconselhamento. Esse é o germe do sujeito/predicado: os objetos são acompanhados de processos e estes são relações dos objetos. Os movimentos são frequentemente dirigidos a relações que se estabelecem entre cuidado e tomar conta ou cuidado e esteja precavido, bem como calma como ato de acalmar-se ou ficar tranquilo e ato de espera.

A sentença se constitui à medida que utilizamos essa possibilidade de termos sujeitos identificados na flexão verbal, pois o efeito de sentido se configura mesmo sem a participação desse termo.

É importante reconhecer que o que nos permite ampliar a noção de deslocamento é a própria regularidade. Afinal, acreditamos que é “recorrendo ao já-dito que o sujeito

ressignifica. E se significa” (ORLANDI, 1995, p. 90). Podemos observar que os

vários percursos de sentido do verbo balançar em (65) geram indícios que propiciam a construção de domínios de referência também distintos para ocupação do lugar

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sintático de objeto. Trata-se de um intervalo entre uma memória de recorrências, neste caso recorrências de lacunas sintáticas a serem preenchidas em predicações das quais esse verbo participa, orientadas para a ideia de rebolar/requebrar, dançar, movimentar (os quadris), propiciada por uma atualidade de utilização do verbo balançar como algo relacionado à cena enunciativa de uma relação sexual. Esse

seria, então, o espaço do equívoco, espaço esse em que “os sentidos vão se

mobilizando, de forma a não perderem seu caráter de descontinuidade no deslocamento, no equívoco e nas mudanças que os constituem” (ORLANDI, 1995, p. 94). Esse movimento se constitui sócio-historicamente a partir de uma tensão entre memória e atualidade.

Como vemos, a interdiscursividade cruza o acontecimento dessa enunciação, quando se analisa o texto. Assim, essa memória discursiva do adjetivo Balanço significa a matéria pela atribuição de um pertencimento: o que aí se diz de ações e quesitos na relação amorosa a propósito da convergência verbo/adjetivo. Enunciar esse texto nesta secção é designar Bete pelo próprio acontecimento enunciativo que estamos analisando sobre o que constitui os sentidos de Balanço/balança.

Assim, todo conjunto das referências é produzido pelo funcionamento enunciativo (interdiscurso/língua/acontecimento), e não por uma relação da palavra com seu sentido. Ao mesmo tempo está em funcionamento uma dupla polissemia: balança e Balanço. Pode-se dizer que o funcionamento dessa polissemia se explica se consideramos que a língua tem como memória do interdiscurso do sentido de balançar/balanço/balança o nome que designa os espaços político-institucionais como fundamentalmente da relação sexual, como sentido. Por isso a referência de balança, Balanço, mesmo que se mostre estabilizada pela relação com forma verbal/nome:

só se dá como estável por esta relação simbólica, ou seja, de sentido, que, ao mesmo tempo, marca a sua polissemia, inclusive do nome próprio. Pode-se dizer que o funcionamento desta polissemia se explica se consideramos que a língua tem como memória do interdiscurso o sentido (GUIMARAES, 2005, p. 18).

C

APÍTULO

3

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS