3. TOZ TOPLAMA SİSTEMİ GENEL BİLGİLER
3.5. Temizleme Mekanizmaları
De acordo com Schneider (2003), o estudo da pluriatividade na agricultura familiar orienta-se pela análise dos processos sociais e econômicos que têm levado a articulação ou superação das formas familiares de organização do trabalho e da produção nas sociedades contemporâneas. Segundo esse autor, o rural não se resume a um local de produção agrícola, a ele estão incorporadas outras dimensões como natureza, famílias, paisagens, patrimônio cultural, entre outras. E, nesse contexto, pelo menos parte da família vem assumindo atividades não agrícolas praticadas dentro ou fora da unidade de produção.
Essa forma de organização do trabalho familiar vem sendo denominada pluriatividade e refere-se a situações sociais em que os indivíduos que compõem uma família com domicílio rural passam a se dedicar ao exercício de um conjunto variado de atividades econômicas e produtivas, não necessariamente ligadas à agricultura ou ao cultivo da terra, e cada vez menos executadas dentro da unidade de produção (SCHNEIDER, 2003, p. 5).
Vários estudos brasileiros foram desenvolvidos sobre esta temática31, a partir da década de 1990, e, considerando a relevância desses estudos para compreensão da atual situação da agricultura camponesa, foi possível observar que, na microrregião pesquisada, a pluriatividade figura como uma das estratégias utilizadas para garantia da manutenção familiar.
Para Wanderley (2001, p. 37), “pluriatividade expressa uma estratégia familiar adotada, quando as condições permitem, para garantir a permanênciano meio rural e os vínculos mais estreitos com o patrimônio familiar”.
Segundo Schneider (2005) a pluriatividade pode assumir diferentes feições no meio rural a exemplo das cinco apresentadas a seguir:
1 – Pluriatividade intersetorial – decorrente da articulação da agricultura com demais setores da economia. Tal situação deriva da descentralização indústria e da rurbanização.
31 Muitos estudos sobre a pluriatividade na agricultura foram realizados no Brasil a partir da década de 1990,
tendo entre os pesquisadores mais citados, Angela Kageyama (1998), Francisco Saco dos Anjos (2003), Maria José Carneiro (2005) e Sérgio Schnaider (2003; 2005), Wanderley (2001), entre outros.
2 – Pluriatividade de base agrária – decorrente da demanda crescente de bens e serviços não agrícolas gerados pela “modernização da agricultura”. Esta modalidade surge, por exemplo, com a terceirização de máquinas e equipamentos para plantio, colheitas, beneficiamento da produção, entre outros.
3 – Pluriatividade de trabalho informal – trata-se de um tipo difuso caracterizado pela precariedade da venda da força de trabalho, em atividades esporádicas.
4 - Pluriatividade para-agrícola – resultante de atividades não agrícolas que surgem no interior das unidades de produção através da mercantilização da produção para uso próprio (produção de derivados de leite, de cana, frutas...), ligados a agroindústrias familiares.
5 – Pluriatividade tradicional camponesa – trata-se de situação em que a pluriatividade integra o modo de vida camponês onde a realização de outras atividades está relacionada com a produção para o autoconsumo, ou seja, é um instrumento necessário à manutenção familiar.
Considerando essa última modalidade como a mais representativa da condição encontrada na pesquisa de campo, serão apresentadas no gráfico a seguir as principais atividades que caracterizam a pluriatividade nos municípios pesquisados.
Gráfico 8 - Tipos de pluriatividade
Fonte: Pesquisa de campo, 2008
Consideramos como famílias pluriativas aquelas que possuem, pelo menos, uma pessoa residente que exerce atividade econômica diferente da produção agrícola existente na unidade de produção. Entre os exemplos encontrados na região, podemos destacar a relação do trabalho agrícola com as seguintes associações: emprego na prefeitura local – sendo mais comum a presença de professores e agentes de saúde; famílias que mantém um
11,53% 50,94% 20,20% 17,35% Fábrica artesanal de cordas Diarista Func. Publico Comerciante
pequeno comércio agregado à própria residência - nesses estabelecimentos encontramos, principalmente, à venda gêneros alimentícios e bebidas -; e o tipo que apresentou maior freqüência, o composto por diaristas, trabalhadores vendem a força de trabalho para execução de outras atividades agrícolas, como preparo das áreas para plantio, as capinas, colheita do sisal e manejo de gado. A importância dos recursos financeiros advindos das diferentes atividades assume níveis diferenciados no interior das famílias, existindo, por exemplo, desde os que utilizam a receita extra-agrícola como investimento na ampliação e melhoria das atividades produtivas, caso mais comum entre os empregados nas prefeituras até aqueles que dependem da renda extra para aquisição do alimento a ser consumido pela família.
Dentre as famílias pluriativas, destacou-se como exemplo a situação do Sr. Antonio, camponês que tem utilizado diversas atividades na busca da manutenção familiar. Sua propriedade foi herdada do pai que, por sua vez, herdara do seu avô. A área de dez hectares, após a morte do pai, foi dividida entre os filhos e coube um hectare para cada filho. De fato, como ele nos revelou, o plantio para subsistência só é possível porque planta na terra dos irmãos que foram embora - atualmente três famílias vivem na área. Associando a agricultura de subsistência a outras atividades, seu Antonio diz fazer todo tipo de serviço agrícola que aparece, inclusive todas as atividades da colheita do sisal. Na sua fala, “se não for assim o cabra não vive”.
Fotos15a e 15b - Fabricação artesanal de corda de sisal
Fonte: Pesquisa de campo, 2008
Para completar a receita familiar, ele mantém uma fábrica artesanal de corda e vende sua produção quando vai à feira ou quando passa um comprador. “É assim que vamos escapando porque hoje em dia são poucos os serviços que aparecem” (Sr Antonio, 2008).
Apesar de a manufatura de corda ser uma atividade desenvolvida em casa, ela é também uma das atividades na região que envolve bastante o uso de mão de obra infantil. Não foi relatado por esse agricultor, mas é comum que esta atividade seja desenvolvida pelas mulheres e crianças que permanecem em casa enquanto o pai sai à procura de outras opções para obtenção de renda, uma vez que a remuneração obtida nesta atividade é muito baixa. No exemplo encontrado durante a realização de visita a produtores de corda no município de Barra de Santa Rosa, vizinho ao município de Algodão de Jandaíra, a produção de corda ocupava diariamente o trabalho de três pessoas, rendia semanalmente cerca de R$40,00 (Quarenta reais) pela produção de aproximadamente 500 metros de corda. Enquanto a mãe e as crianças se ocupavam desta produção, o pai trabalhava como fibreiro na colheita do sisal e só trabalhava fabricando corda quando não havia outra forma de ocupação.
Voltando ao exemplo do Sr. Antonio, é bastante ilustrativo e importante para entender a situação complexa daqueles que tem sobrevivido em pequenas áreas no sertão. Não fosse a pluriatividade associada a suas habilidades pessoais, seria pouco provável
a convivência com as dificuldades e a continuidade da sua existência na condição de camponês.
Entre os casos citados, esse exemplo foi o mais expressivo sobre a discussão da fragilidade e da precariedade da condição encontrada entre os camponeses entrevistados. Retornando às variáveis proposta por Sabourin (2006) - viabilidade econômica; a viabilidade social; transmissibilidade do patrimônio; e reprodutibilidade ambiental ou agroecológica dos ecossistemas cultivados - a condição aqui exemplificada permite-nos questionar pelo menos as três primeiras variáveis propostas.
Diferentemente das situações em que a presença da pluriatividade é complementar ou mesmo contribui para o aprimoramento das atividades agrícolas desenvolvidas, como observado nos demais casos, na situação do seu Antonio a presença da pluriatividade ocorre como condição necessária à garantia da subsistência. Ainda como fonte de receita familiar, esse agricultor destacou como renda principal da família o ganho de R$76,00 (setenta e seis reais) que recebem mensalmente do programa bolsa família, sendo essa a única fonte de renda familiar fixa. Esse recurso tem ajudado a manter a família sendo destinado, principalmente, à compra de alimentos.