3. Özel direkt hat tesis ettiği kişilere, satma,
1.2.5. Teminatın İadesi ve İrat Kaydedilmesi
No dicionário, o termo lúdico significa jogo, brinquedo, e brincar significa distrair-se com jogos e brinquedos infantis; entreter-se, divertir-se; divertir-se fingindo-se de; não dar importância; não falar a sério (HOUAISS 2009). Neste estudo, o termo lúdico será utilizado para designar atividades relacionadas a brincar de forma prazerosa, e não, como algo sem importância, mas como uma atividade de extrema relevância para o desenvolvimento infantil e a ferramenta para acessar as vivências da doença crônica na infância.
A relevância de brincar para a criança conta com a anuência de pesquisadores e profissionais das áreas de educação e saúde e de órgãos governamentais nacionais e internacionais (MACHADO, 2010). A atividade lúdica promove o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social. O brincar programa a estrutura neuronal progressivamente e estimula os indivíduos a fazerem atividades mais complexas (FIGUEIRÓ, 2012). Também favorece o equilíbrio emocional, estimula a criatividade, enriquece o número de experiências e de descobertas, desenvolve a sociabilidade, aproxima as crianças de seus familiares e de outros adultos, principalmente de seus pares, e lhes ensina a conviver em grupo e a respeitar a regras e normas (FIGUEIRÓ, 2012).
Quando as situações lúdicas são intencionalmente criadas pelo adulto, com fins de aprendizagem, configura-se como uma dimensão educativa. Por permitir a ação intencional (afetiva), a construção de representações mentais (cognição), a manipulação de objetos, o
desempenho de ações sensoriais (físico) e as trocas na interação (social), o brincar desempenha um papel fundamental no processo de ensino-aprendizagem (KISHIMOTO, 2011).
Determinados brinquedos são capazes de reproduzir certas realidades, levam a criança à presença do que existe em seu cotidiano e substituem os objetos reais para que possa manipulá-los de acordo com o que deseja. “Duplicando diversos tipos de realidades presentes, o brinquedo metamorfoseia a realidade. Não reproduz apenas objetos, mas uma totalidade social” (KISHIMOTO, 2011, p. 18). Assim, a brincadeira de faz-de-conta possibilita a representação do mundo imaginário dos sujeitos, para que descubram habilidades para lidar com as realidades.
Por serem promotores do desenvolvimento físico e psicossocial, fonte de distração, meio de comunicação entre as crianças e os profissionais de saúde, estratégia de humanização, forma de expressão e elaboração das experiências de adoecimento e de hospitalização, os recursos lúdicos estão sendo utilizados no contexto da saúde (FONSECA et al., 2015; FREITAS; VOLTANI, 2016; SOARES et al., 2016) e fornecendo recursos para trabalhar diferentes aspectos, de acordo com as necessidades do ser - criança - que demanda o cuidado. A brincadeira é um recurso valioso, pois, por meio dela, a criança expõe seus sentimentos e se comunica de forma verdadeira (SOARES et al., 2016). Desse modo, constitui um relevante recurso no contexto da saúde.
A análise de estudos sobre o brincar no hospital identificou que ele vem sendo apresentado como um direito da criança, como ferramenta de humanização das relações, como promotor da comunicação e da expressão de sentimentos e como facilitador do trabalho dos profissionais de saúde, uma vez que facilita a adaptação e a cooperação das crianças nos procedimentos médicos invasivos (OLIVEIRA, 2010).
Além da Resolução nº 41 do CONANDA, citada anteriormente, o direito de brincar no hospital também é assegurado pela Lei nº 11.104, de 22 de março de 2005, que dispõe sobre a obrigatoriedade de instalação de brinquedotecas nas unidades de saúde que ofereçam atendimento pediátrico em regime de internação (BRASIL, 2005). Estudo (LIMA et al., 2015) realizado em quatro hospitais identificou que os acompanhantes apontam a brinquedoteca e as atividades lá desenvolvidas como promotoras de bem-estar, adesão ao tratamento, redução da ociosidade e desenvolvimento integral das crianças no hospital.
Uma estratégia de humanização adotada na assistência à criança hospitalizada é o uso do brinquedo terapêutico, um recurso valioso, por meio do qual a criança pode expressar emoções, desejos, frustrações e vivências que consideram dolorosas (CRUZ et al., 2013). A
literatura aponta diversos estudos que ressaltam a importância do brincar e do brinquedo terapêutico no contexto da saúde (SOARES et al., 2016; MORAIS et al., 2016; LIMA; SANTOS, 2015 ; SOUZA et al., 2015; FONTES; CORAL; TOSO, 2015 ). Porém, embora seja vasta a literatura que aponta os benefícios de brincar no hospital, na prática, o recurso ainda é pouco utilizado por profissionais de saúde que apontam como fator principal para a não utilização a falta de tempo (FRANCISCHINELLI; ALMEIDA; FERNANDES, 2012).
Considerando a relevância do recurso lúdico para o desenvolvimento biopsicossocial da criança, e como forma de comunicação e expressão de sentimentos, seu uso no contexto da saúde não deve ser restrito ao período de internação hospitalar, mas também fazer parte das estratégias de cuidado voltadas para essa clientela. Brincar pode apresentar um papel fundamental no cuidado dispensado às crianças com doença crônica, pois lhes possibilitará expressar vivências e sentimentos, além de apresentar uma função educativa em relação à doença e ao tratamento.
Nessa perspectiva, o brincar pode mediar a transformação das crianças de passivas em protagonistas de sua saúde e ajudá-las a descobrir potencialidades em oposição ao sentimento de limitação e desvalorização imposto pelo adoecimento (MITRE, 2011). Por isso, os recursos lúdicos devem fazer parte das estratégias utilizadas pela equipe de saúde que cuida da criança e de seus familiares. Entretanto, precisam ser criativos e adequados à fase de desenvolvimento e estimular a expressão verbal, o envolvimento e o entendimento quanto aos cuidados com diabetes (SPARAPANI; NASCIMENTO, 2010). Para a obtenção de resultados mais eficazes, o cuidado dispensado à saúde da criança precisa dispor de técnicas e tecnologias que não se voltem somente para o biológico, como medicação e exames. Nesse sentido, a incorporação do brincar e do lúdico na assistência se configura como uma transformação no modelo de atendimento (MITRE, 2011). Para que o brincar aconteça, não é imprescindível algum objeto ou brinquedo, pois a fantasia da criança pode suprir essa necessidade. Porém, alguns recursos podem ser utilizados no contexto de saúde, como as atividades de artes, livros infantis e contação de histórias, manuais educativos, fantoches, dramatização, brinquedos, entre outros.
Os fantoches e os brinquedos que remetem ao ambiente médico (maleta com estetoscópio, termômetro, seringas, instrumentos cirúrgicos, materiais de primeiros socorros, bonecos para representar profissionais de saúde, pacientes, familiares, ambulâncias, macas) também podem ser utilizados para facilitar a expressão de sentimentos relacionados ao adoecer e à hospitalização. Esses recursos estimulam a criança a participar mais ativamente do processo.
Outro recurso que tem sido utilizado com frequência no contexto da saúde são as estórias infantis, que podem facilitar a compreensão do diagnóstico e servir como ações de educação em saúde (BRONDANI; PEDRO, 2013). Os manuais de saúde e os livros interativos também podem estimular a busca da informação sobre a doença, o tratamento e as situações hospitalares, que favorecem a expressão de sentimentos, o envolvimento e a participação no cuidado (MOURA, 2009).
Estudo (LA BANCA et al., 2015) em que os autores visaram compreender a vivência da criança escolar com diabetes, por meio do brinquedo terapêutico, mostrou que, com esse recurso, foi possível identificar as necessidades delas e revelar seus medos, conhecimentos, conceitos e desejos, além de ser um meio de intervir na promoção de mudanças de comportamento. Isso indica que é preciso incorporar à prática de cuidar de crianças com doenças crônicas o uso de recursos lúdicos que, além de divertir, possibilitam a elaboração de sentimentos e aprendizagem de novos comportamentos (MOTTA; ENUMO, 2010). E como são um meio natural de expressão da criança, os recursos lúdicos também devem ser utilizados como instrumentos nas pesquisas que as envolvem. Estudo (SPARAPANI et al., 2014)realizado com crianças diabéticas verificou a eficácia do uso de fantoches para ajudar as crianças a expressarem sentimentos sobre suas experiências cotidianas.
Para Vygotsky, a partir da idade pré-escolar, surge uma grande quantidade de tendências e desejos que não podem ser realizados de imediato. Para resolver essa tensão, a criança envolve-se num mundo ilusório e imaginário, onde os desejos não realizáveis podem ser realizados. Esse é o mundo que chamamos de brinquedo. A imaginação é um processo psicológico novo para a criança, uma atividade humana consciente, que não está presente em crianças muito pequenas, mas faz parte do processo de desenvolvimento infantil. Diferentemente de outras formas de atividades, com o brinquedo, a criança cria uma situação imaginária (VYGOTSKY, 2008).
Mesmo que alguns teóricos tentem diferenciar a brincadeira de regras da brincadeira com situações imaginárias, pode-se afirmar que não existe brinquedo sem regra, porque, ainda que a situação seja imaginária, qualquer forma de brinquedo contém regras de comportamento. Por exemplo, quando a criança imagina que é mãe da boneca, obedece às regras do comportamento maternal. Na brincadeira, ela tenta reproduzir as regras do comportamento que representa e reflete a forma como significa o mundo. Então, assim como uma situação imaginária contém regras, o jogo com regras também recorre a uma situação imaginária (VYGOTSKY, 2008).
No brinquedo, os objetos perdem sua força determinadora e passam a assumir a função que a criança deseja atribuir. Porém nem todo objeto pode ser qualquer coisa para uma criança. No brinquedo, a criança não atribui significados aos objetos e às ações a que estão habitualmente vinculados, porém há uma transferência de significados. Então, o significado é o ponto central, e os objetos são deslocados de uma posição dominante para uma subordinada.