Antes do ensino formal as crianças já têm algumas ideias sobre a linguagem escrita, de acordo com as orientações curriculares o educador deve partir daquilo que a criança já sabe e criar oportunidades para as crianças contactarem com o código escrito, não de uma maneira formal. Este contacto com o escrito “situa-se numa perspetiva de literacia enquanto competência global para a leitura no sentido de interpretação e tratamento da informação que implica a «leitura» da realidade, das «imagens» e de saber para que serve a escrita, mesmo sem saber ler formalmente” (Núcleo de Educação Pré-Escolar , 1997, p. 66).
4.5.1. Linguagem oral
Um dos grandes objetivos do Pré-Escolar é o desenvolvimento da linguagem oral, assim cabe ao educador proporcionar momentos em que as crianças desenvolvam a sua linguagem oral. Nas orientações curriculares para a educação pré-escolar, “salienta-se a necessidade de: criar um clima de comunicação em que a linguagem do educador, ou seja, a maneira como fala e se exprime, constitua um modelo para a interacção e a aprendizagem das crianças” (ibidem).
Para além da fala, a escuta é um fator fundamental no desenvolvimento da linguagem das crianças. Assim torna-se essencial que a educadora escute as crianças e valorize aquilo que dizem, pois “ (…) dar espaço a que cada um fale, fomentando o diálogo entre crianças, facilita a expressão das crianças e o seu desejo de comunicar” (Núcleo de Educação Pré-Escolar , 1997, p. 67). Pelo facto de o diálogo se apresentar como um fator de grande relevância no desenvolvimento da linguagem oral, o contexto educativo deve oferecer situações que “motivem o dialogo e a partilha entre as crianças (…)” (ibidem). Ao criar momentos de comunicação, o educador está a proporcionar às crianças momentos para que estas alarguem o seu vocabulário, “constituindo frases mais correctas e complexas, adquirindo um maior domínio da expressão e comunicação que lhe permitam formas mais elaboradas de representação” (ibidem).
De acordo com as orientações curriculares para a educação pré-escolar, o caráter lúdico da linguagem torna-se fundamental.
Ao proporcionar momentos de contacto com lenga lengas, rimas, poesia, a educadora está a transmitir ao grupo de crianças o “prazer em lidar com as palavras, inventar sons e descobrir relações” (ibidem).
62 Para além destas formas de expressão, a educadora deve ter em consideração os tipos de comunicação ocorrentes no dia-a-dia na sala de pré-escolar. De acordo com as orientações curriculares, é necessário que a educadora proporcione e incentive diferentes momentos de comunicação como forma de desenvolver a linguagem oral nas crianças. Os tipos de comunicação podem ser os seguintes:“ (…) debater em comum as regras do grupo, negociar a distribuição de tarefas, planear oralmente o que se pretende fazer e contar o que se realizou (…) transmitir mensagens ou recados, fazer perguntas para obter informação (…)” (Núcleo de Educação Pré-Escolar , 1997, p. 68).
4.5.2. Linguagem escrita
A leitura e a escrita fazem parte do dia a dia de muitas crianças no seu meio familiar, porém outras não têm acesso aos materiais escritos no seu quotidiano. Tendo em conta este aspeto, é fundamental que todas as crianças tenham as mesmas oportunidades de aprendizagem. Assim sendo e indo ao encontro das orientações curriculares “a atitude do educador e o ambiente que é criado devem ser facilitadores de uma familiarização com o código escrito. Neste sentido, as tentativas de escrita, mesmo que não conseguidas, deverão ser valorizadas e incentivadas” (Núcleo de Educação Pré-Escolar , 1997, p. 69).
As crianças de idade pré-escolar fazem variadas tentativas de escrita (imitação dos adultos) ao longo do dia. Algumas crianças reproduzem garatujas, outras já são capazes de fazer símbolos semelhantes às letras do alfabeto. Assim, é fundamental que a educadora disponibilize materiais escritos às crianças, para que estas «escrevam»”, estes materiais podem “ (…) fazer parte do material de faz de conta, onde as crianças poderão dispor de folhas, cadernos, agendas ou blocos, de uma lista telefónica, de revistas ou jornais (…)”
(ibidem).Ao contactarem diariamente com materiais escritos as crianças vão desenvolvendo
e aprendendo as características da linguagem escrita e “começando a perceber as normas da codificação escrita, a criança vai desejar reproduzir algumas palavras. Por exemplo: aprender a escrever o seu nome (…)” (ibidem).
“O desenho como forma de escrita”(ibidem):
É importante referir que o desenho constitui um papel fulcral na aprendizagem da escrita e da leitura no pré-escolar, na medida em que o desenho “é também uma forma de escrita”. Assim, a educadora deve proporcionar momentos para que as crianças desenhem.
63 De acordo com as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, “um desenho de um objecto pode substituir uma palavra, uma serie de desenhos permite «narrar» uma história ou representar os momentos de um acontecimento (…)” (ibidem).
“Funções da escrita” (Núcleo de Educação Pré-Escolar , 1997, p. 70):
De acordo com as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, “uma das funções do código escrito é dar prazer (…) partilhar sentimentos e emoções (…) este é também um meio de informação (…) um instrumento para planificar e realizar tarefas concretas” (ibidem). Desta forma, é fundamental que a educadora escreva na presença das crianças nas mais diversas situações do dia a dia para que estas aprendam as funções do código escrito.
“O livro” (ibidem):
O livro é um instrumento fundamental nos primeiros contactos com a linguagem escrita, pois é através das histórias que as crianças descobrem o prazer pela leitura.
De acordo com as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, é através dos livros que as crianças descobrem o prazer da leitura e desenvolvem a sensibilidade estética (ibidem).
Para além dos livros de histórias é importante que a educadora disponibilize na sala
de atividades outro tipo de livros, tais como enciclopédias, dicionários para que as crianças tomem conhecimento de que existem diferentes livros com diferentes funções. Assim sendo a educadora deve “ (…) proporcionar o contacto com diversos tipos de texto escrito que levam a criança a compreender a necessidade e as funções da escrita, favorecendo a emergência do código escrito (Núcleo de Educação Pré-Escolar , 1997, p. 71).
“ «Leitura» realizada pelas crianças” (ibidem):
Apesar de as crianças não serem capazes de ler corretamente, “há formas de leitura que podem ser realizadas pelas crianças, como interpretar imagens ou gravuras de um livro (…)”(ibidem).
“Registos”(ibidem):
Os registos diários devem ser feitos na presença das crianças, pois desta forma estas vão tomando conhecimento da função da escrita.
64 De acordo com as Orientações Curriculares para Educação Pré-Escolar, “registar o que as crianças dizem e contam, as regras debatidas em conjunto, o que se pretende fazer ou o que se fez, reler e aperfeiçoar os textos elaborados em grupo, são meios de abordar a escrita”(ibidem).
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