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1. TEMEL DONATILARI

1.2. Temel Donatıları Çizimi

Por que mesmo diante de todas as interferências citadas acima, há quem escolha a docência? É importante notar que para além das dificuldades

expostas, há um discurso que sustenta, ou faz com que o professor invista em sua posição como algo significativo socialmente. Há um sentido acerca do ato de lecionar que é construído e compartilhado por esses atores.

É sobre essas significações que trataremos nesse tópico, a respeito dos discursos que de algum modo justificam que os indivíduos permaneçam no magistério quando poderiam estar inseridos na atividade predominante na região. Tais representações parecem estar localizadas muito mais no nível simbólico do que no econômico.

Diferentemente do sulanqueiro que oferece elementos pra nos fazer pensar que suas escolhas estão pautadas nos aspectos financeiros (percebemos isso através da fala dos professores), o indivíduo que opta pelo magistério, o faz porque acredita na importância de sua profissão, e por vezes, como veremos abaixo, ele consegue imprimir um tom de superioridade a ela.

O professor Rui, ao falar da desvalorização financeira do docente, afirma que não se sente inferior quando comparado à figura do grande empresário (sulanqueiro bem-sucedido). Pois, o exercício do magistério proporciona experiências que transcendem à recompensa em dinheiro:

Eu acho que assim, eu não me sinto, é, pra baixo, num é? Nem menor do que, do que outras pessoas, porque tem dinheiro. Até porque eu acho que dinheiro não é tudo não, sabe? Eu acho que você se realiza através de outras formas e eu me realizo como professor! (Rui, 58 anos, 20 anos de profissão e reside em Santa Cruz do Capibaribe desde que nasceu).

Esse fragmento indica que a realização perpassa outros níveis além do econômico. Mesmo que o professor saiba que não conseguirá atingir um patamar de vida igual ao do empresário. Rui consegue ilustrar essa ideia através do recorte: “[...] professor nunca vai enricar, a gente sabe disso. Mas assim, é uma atividade que me satisfaz, porque eu me sinto realizado, não pelo salário, num é? Mas a realização é quando você vê assim, o fruto que você plantou”.

Essa importância que o docente atribui a si próprio, como alguém capaz de dar frutos, ou seja, de ser produtivo socialmente, é o que parece ser

consenso entre os entrevistados. Ainda que eles não possuam uma remuneração adequada, sentem-se como indivíduos que desempenham um importante papel na construção social.

O ser professor assume diversas significações nesse sentido. Dentre as quais é sinônimo de sobressair em relação às demais profissões, inclusive as relacionadas à confecção, como aponta Bethânia:

É uma profissão... É boa! E se sobressai das outras porque nós somos formadoras, né? Pra exercer qualquer uma outra profissão depende primeiramente da nossa. Qualquer indivíduo passa primeiro por nós, professores (Bethânia, 40 anos, 20 anos de profissão e reside em Santa Cruz do Capibaribe desde que nasceu).

Ser professor ainda corresponde a ser capaz de formar opinião dos educandos, ajudar na construção do seu futuro:

[...] acho que é uma profissão importante, até que, porque [...] É uma profissão formadora de opinião, né? Acho que é muito importante. Até porque, né? Como todo mundo já sabe, as outras profissões, né? Sempre passa pelo professor. E assim, eu acho que é uma profissão importante, eu até o momento não me arrependo e gosto muito [...] É, quanto ao sulanqueiro, né? Tem a vantagem, porque [...] pra ser sulanqueiro não precisa estudo, né? Mas a gente tem que pensar que nem todo tempo na sulanca vai estar, né? Vigorando. E... é sempre bom ter uma profissão, que a gente não sabe o dia de amanhã (Flora, 41 anos, 20 anos de profissão e reside em Santa Cruz do Capibaribe há 35 anos).

Nas palavras de Flora ainda é possível perceber que o professor goza de alguma superioridade em relação ao sulanqueiro (que não precisa estudar). Bem como o fato de que é uma profissão estável, diferente da atividade confeccionista (a gente tem que pensar que nem todo tempo a sulanca vai estar, né?), que convive com picos entre períodos intensos de negociações, de boas feiras, e momentos de baixa na produção e na renda. Com esse discurso, os docentes representam seu fazer como uma profissão e a do sulanqueiro como uma ocupação.

Ser docente implica ainda a ideia de ter uma missão bastante importante, uma responsabilidade pela vida dos educandos, como ressalta Ana:

[...] quando você entra da sala de aula e você vê cada aluno de uma maneira, cada um pensando de um jeito, você começa a perceber que você tem uma missão muito grande, no mundo. Porque vai depender de você a vida de cada uma daquelas crianças que tão ali [...] Então, o papel do professor na sociedade, tanto antes como hoje, eu acredito que hoje mais ainda, muito importante, demais (Ana, 38 anos, 18 anos de profissão e reside em Santa Cruz do Capibaribe há 17 anos).

Outra representação diz respeito ao fato de que todas as outras profissões dependem do professor para existir (discurso ideológico bastante disseminado pela mídia), como ilustra o recorte abaixo, que coloca o magistério como a mais sublime ocupação:

Eu acho é... a melhor. Porque cada profissão que a gente tem que... Cada profissão que existe, primeiro tem que passar pelo professor: médico, qualquer coisa, qualquer profissão. Primeiro tem que passar pelo professor, por isso que ela é muito importante, porque ela forma os outros [...] Eu me sinto realizada! (Roberta, 43 anos, 20 anos de profissão e reside em Santa Cruz do Capibaribe desde que nasceu).

A importância de ser professor tem relação com a disseminação de conhecimentos que tem implicações até mesmo para o próprio futuro do Polo de Confecções, como destaca Marina, sobre a relação dos alunos com o conhecimento: “Porque o mundo deles só é exclusivamente confecção [...] e se não for com um pouquinho de conhecimento que eles adquira, as futuras gerações vai ficar um pouco a desejar na nossa cidade” (Marina, 44 anos, 26 anos de profissão e reside em Santa Cruz do Capibaribe há 23 anos).

Ainda destaca-se a capacidade transformadora que o professor detém que vai além de ensinar um conteúdo. Ney, a respeito do magistério, afirma que “Eu acho uma profissão interessantíssima, onde a gente pode transformar as pessoas, eu vejo assim” (Ney, 33 anos, 10 anos de profissão e reside em Santa Cruz do Capibaribe desde que nasceu).

Porém, essas significações construídas acerca da profissão não são definitivas, como aponta Bauman (2005), são inconclusas e precárias. De modo que o professor pode reinventá-las a qualquer momento e precisa empreender uma luta para proteger sua identidade, que por vezes é ameaçada. Como ilustra Júlia:

As vezes até umas colegas diz assim... é... que me tirem tudo, menos a educação, pela questão do prazer de trabalhar, mas infelizmente o financeiro faz com que a gente corra atrás de outras atividades remuneradas pra fazer um complemento (Júlia, 32 anos, 12 anos de profissão e reside em Santa Cruz do Capibaribe desde que nasceu).

Todavia, essa realização é marcada muitas vezes por sentimentos ambíguos, ao mesmo tempo em que o docente reconhece sua importância, vivencia as dificuldades dessa escolha. Segundo Gatti (1996), isso faz parte de uma imagem contraditória que os professores experimentam cotidianamente acerca da sua profissão, oscilando entre a realização profissional e a desvalorização.

Essa ambiguidade é vista na fala de Sofia, que fala da importância do professor, da educação formal, mas ao mesmo tempo entende que ele não é reconhecido como deveria:

A educação é tudo, a gente vê, né? Tantos e tantos profissionais que já passou por nossas mãos [...] Mas referente a pessoa, a si, vamos dizer assim, o engrandecimento, eu não vejo [...] Educação é tudo, num é? Mas, a gente fica assim, as vezes, a se perguntar como profissional: será que vale a pena? Num é, você se dar pra, pra tantos, num é? Tantos adolescentes que passam por nossas mãos, tantas crianças, e... e não ser valorizada, num é? (Sofia, 48 anos, 15 anos de profissão e reside em Santa Cruz do Capibaribe desde que nasceu).

Esse confronto de sentimentos atribuídos ao ato de lecionar é observado no discurso de Bethânia, no qual coexistem a realização e a insatisfação: “Me sinto realizada como professora. Já tô bem desgastada, já tô cansada. Mas, me sinto realizada” (Bethânia, 40 anos, 20 anos de profissão e reside em Santa Cruz do Capibaribe desde que nasceu). É ainda a representação de Joana e

de mais doze dos entrevistados, que convivem com a tristeza atrelada à certeza da importância da profissão:

Assim, fico um pouco triste, sabe? Porque é uma profissão que a gente forma cidadãos, né? É a base! E no entanto é tão desvalorizado, né? Em todos os sentidos. Nos mínimos detalhes, a gente sempre percebe. É... um prejuízo mais, alguma coisa sempre prejudicando mais o professor, sabe? Isso entristece muito, desmotiva, num é? É terrível! [...] Eu me percebo assim muito importante, uma responsabilidade muito grande. E uma contribuição muito boa pra formação do povo, né? (Joana, 46 anos, 18 anos de profissão e reside em Santa Cruz desde que nasceu, passou apenas um tempo morando em outra cidade).

Todavia, Ney aponta que esse modo de queixar-se do professor sobre sua condição é uma maneira de colocar-se como vítima do sistema, sem, no entanto, lutar por condições de trabalho melhores e mais dignas. Ele tece uma crítica a esse tipo de acomodação, afirmando que os baixos salários não justificam algumas posturas profissionais:

Eu acho uma profissão interessantíssima, onde a gente pode transformar as pessoas, eu vejo assim. Mas eu vejo muita gente, muitos colegas desmotivado com a profissão. Mas eu acho que muitos colegas são desmotivados com eles mesmos, na verdade. Porque a gente já tem um piso do salário, num é? É pouco, mas a gente tem que lutar por mais. Mas muita gente justifica a sua incompetência ou não se descobriu ainda enquanto profissional, com o salário que é baixo, com isso, com aquilo, eu não acho justo com os alunos, nem com a educação. Eu penso o seguinte: Eu acho que o dia que pelo menos 50 % dos professores deixarem de ser vítima do sistema e passar a ser agente transformador do sistema educação as coisas já melhoram 90%. [...] Eu me percebo realizado, eu não sou um professor frustrado (Ney, 33 anos, 10 anos de profissão e reside em Santa Cruz do Capibaribe desde que nasceu).

Essas significações construídas sobre os espaços escolares e a atuação do professor fornecem uma justificativa da escolha pelo magistério, que é representado como uma missão social que tem uma abrangência ampla. A docência, nesse sentido, sobressai em meio aos retalhos simbólicos produzidos pela sulanca. Isso ocorre porque ser professor implica: se destacar em relação às outras profissões; formar opiniões dos educandos; ter estudo e

possuir estabilidade (diferente do sulanqueiro); ter uma missão social; ser responsável pela vida dos educandos; formar todas as profissões; e transformar as pessoas.

Elias fala sobre o poder de um modo relacional. O que implica considerarmos que a relação entre os professores e os agentes envolvidos na sulanca não deve ser analisado de modo unilateral, onde ora depositamos o poder em um ou em outro, mas cada um exerce esse poder de modo diverso. Assim:

“Uma solução mais adequada para os problemas de poder seria o considerarmos este, de um modo inequívoco, como sendo uma característica estrutural de uma relação, que a penetra totalmente; como característica estrutural que é, não é boa nem má” (ELIAS, 2008, p. 101)

Contudo, é importante perceber que cada cultura possui sua maneira de significar e diferenciar suas identidades. A marca da diferença na figuração da sulanca indica para a questão do retorno financeiro, que favorece mais o sulanqueiro bem-sucedido por um lado; mas, por outro, indica discursos sobre o professor como um indivíduo que em alguns momentos ocupa uma posição de superioridade (tem o que o sulanqueiro não possui – estudo, compromisso social, estabilidade). O que remete ao poder de uma maneira flutuante, onde em alguns momentos ele sobressai em alguma das classes por ser mais dependente da outra:

“Na medida em que somos mais dependentes dos outros do que eles são de nós, em que somos mais dirigidos pelos outros do que eles são por nós estes têm poder sobre nós quer nos tenhamos tornado dependentes deles pela utilização que fizeram da força bruta ou pela necessidade que tínhamos de ser amados, ou pela necessidade de dinheiro, de cura, de estatuto, de uma carreira ou simplesmente de estímulo.” (ELIAS, 2008, p. 101)

A posição de poder do magistério, investida de poder simbolicamente, faz com que as dificuldades encontradas na sala de aula sejam atenuadas pelo ideal de contribuição para o desenvolvimento social. Tal perspectiva não toca o

sulanqueiro, que por mais que ressalte as vantagens econômicas das quais é detentor, sua profissão é vista como algo desviante dos valores compartilhados (logo, ele é aquele que supervaloriza o consumo e trata a educação como um bem sem valor).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através das falas dos sujeitos pesquisados podemos traçar um panorama de como o professor costura suas escolhas, como cria um lugar social específico e como dá sentido ao seu fazer em meio à cultura específica construída em torno das atividades de confecção e venda de peças de vestuário. Os entrevistados confirmam a hipótese inicial de que há uma interferência da sulanca na identidade docente.

Tal intervenção ocorre sob diversos prismas, ainda que o professor não tenha clareza de como isso é marcante no seu processo identitário. A sulanca toca o magistério: na relação dos pais com os alunos e até com a própria escola; na maneira como a cultura local encara os processos de ensino; no poder aquisitivo gerado pela sulanca; nas escolhas possíveis entre ser docente ou sulanqueiro.

Essa intervenção nos faz perceber, como na proposta traçada por Elias e Scotson (2000) em “Os estabelecidos e os outsiders”, que os dois grupos envolvidos (sulanqueiros e professores) tentam justificar seu poder a partir de diferentes perspectivas. Nas palavras do próprio autor: “De que modos os membros de um grupo mantêm entre si a crença em que são não apenas mais poderosos, mas também seres humanos melhores do que os de outro?” (p. 20).

A partir da análise vemos que de diferentes maneiras cada um constrói sua ideia de superioridade. Os professores sentem-se melhores do que os sulanqueiros porque têm o que eles não possuem (estudo, valores, poder de formar outras gerações). Já os sulanqueiros, que apareceram na pesquisa através da fala dos docentes (como alunos, como eles mesmos que se dividem entre as duas atividades, ou através de pessoas do seu cotidiano) justificam sua superioridade pela primazia da atividade que pertencem e pela geração de renda da mesma.

Apesar da tensão para ocupar uma posição de superioridade, é possível notar que em diferentes momentos os dois grupos se sentem inferiores,

sucatas (como remete a origem do termo sulanca), pois uma identidade só aponta a outra como inferior quando se sente ameaçada. Assim, é possível dizer que professores e sulanqueiros são ao mesmo tempo estabelecidos e outsiders.

É importante, ainda, destacar que o processo de estranhamento entre essas duas classes não ocorre de modo homogêneo. Mas há uma diferenciação no modo como o professor enxerga o sulanqueiro de pequeno porte e o grande empresário. Muitas vezes, ele só se coloca em desvantagem financeira em relação ao último. Como no estudo de Elias e Scotson (2000), apesar de professores e sulanqueiros simples apontarem um ao outro o lugar de outsiders, de um modo geral, eles compartilham do mesmo padrão de vida. Exceto quando os mesmos conseguem obter sucesso através das atividades confeccionistas.

O processo de diferenciação não ocorre apenas dos docentes em contraposição aos agentes confeccionistas, mas ocorre dentro da própria profissão. Como observamos nos relatos trabalhados nesse texto, sob uma mesma identidade existem indivíduos com peculiaridades significativas. De modo que a maneira como os docentes lidam com a sulanca é diversa, vai desde a relação de exterioridade (do sulanqueiro como distante) até a relação de si mesmo (quando compartilham de modo paralelo dessa atividade).

Podemos inferir também que há um equilíbrio de poder, ainda que instável, entre os agentes envolvidos nessa configuração. Os dois são detentores de gradientes específicos: de um lado os envolvidos na atividade principal da localidade reafirmam a primazia econômica e do outro, os professores sustentam a importância da sua profissão como uma missão social.

Essa interdependência ocorre de modo que por mais que o docente não perceba a sulanca como algo que interfere diretamente na sua identidade, reconhece que esse arranjo toca o seu cotidiano. O sulanqueiro também precisa do professor para aprender noções básicas exigidas para que sua atividade funcione (saber ler, escrever e contar). Como defende Silva (2012) a

identidade não toma como referência apenas a si própria, pois latente está a ideia do que ela não é.

Esses dois atores tecem uma rede de significações complexas, e apesar de não termos dado voz aos agentes envolvidos exclusivamente na sulanca, acreditamos que o discurso deles está contido no dos professores, que, por vezes, são também sulanqueiros. Uma identidade não exclui a outra, como vimos o exemplo de 4 das entrevistadas que se dividem entre a sala de aula e os processos da sulanca.

Muito mais do que oposição, essas duas posições sociais indicam proximidade. Tal qual uma colcha de retalhos, essas identidades são separadas por uma linha tênue. De modo que a tentativa de inferiorizar o outro é, na verdade, uma saída para esconder aquilo que compartilham, pois o professor, bem como o sulanqueiro, também é um operário, só que do conhecimento acadêmico.

Embora os docentes tenham feito essa escolha de modo compulsório (pelas opções possíveis que existiam na época), é um fato que eles não abandonaram essa escolha com as novas possibilidades que surgem atualmente. E mesmo com todas as diferenças que permeiam a identidade do professor na cultura da sulanca é possível perceber que esses atores sustentam sua opção através dos sentidos que constroem simbolicamente sobre a importância que a profissão possui.

Assim, refletir sobre o professor e a sua existência em Santa Cruz do Capibaribe implica considerar que embora ele seja menos remunerado que outras atividades, ele não se sente diminuído, pois faz a escolha por uma profissão considerada importante socialmente. Apesar de em alguns momentos sentir o peso da desvalorização afetar a sua renda, o que o conduz a necessidade de recorrer a outras atividades, quer seja de costura, de possuir pequenas unidades de produção ou até mesmo de venda.

Se a docência e a atividade confeccionista não são excludentes, é preciso problematizar a hostilização do agente envolvido na sulanca em relação à escola formal e ao seu ator principal, o professor. Bem como do

processo de inferiorização do sulanqueiro pelo professor, como se para construir uma identidade fosse necessário diminuir a outra. Vemos que não há ainda uma rede de colaboração entre esses dois fazeres. O que gera um afastamento do sulanqueiro dos espaços escolares.

Uma saída para esse distanciamento é que a educação possa transcender os muros escolares, e, portanto, sair da sua zona de conforto. Para além de condenar a falta de interesse dos sulanqueiros por educação, faz-se necessário tentar se aproximar dos espaços ocupados pela atividade confeccionista e promover um rico debate onde a educação não seja vista como uma coisa sem sentido, mas que possa auxiliar no crescimento da própria atividade.

As escolas e seus atores, além de naturalizarem esse discurso que subestima a educação e supervaloriza o lucro gerado pela sulanca necessita dialogar sobre os impactos de tal atividade para a cultura local, junto aos alunos, através de debates, círculos de conversação. Buscando que os mesmos possam vislumbrar uma possibilidade de futuro que vá além da sulanca, ou até mesmo sirva como subsídio para tornar essa atividade mais elaborada e estável.

Pereira Neto (2011) aponta em estudo sobre o SENAI no Pólo de Confecções que a maioria dos profissionais formados por essa instituição, mesmo nos cursos relativos à atividade confeccionista, não são absorvidos pelo mercado de trabalho. O que indica uma distância ainda enorme entre as propostas de educação e o que realmente as pequenas empresas demandam. Isso foi destacado na fala de um dos entrevistados:

Pra você ter uma ideia, em Campina Grande tem a escola do SENAI, por exemplo, lá você tem lista de espera de determinado curso, com 1000 pessoas, 800, esperando uma vaga pra estudar aquele determinado curso. E no SENAI de Santa Cruz tem turmas que são eliminadas porque não tem alunos, o mesmo curso de Campina Grande, a 106 km. Então

Benzer Belgeler