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Temel Arıza Tespiti

Está cada vez mais difícil colocar na cabeça dos alunos que aqui na escola o objetivo final não é a nota. A nota é conseqüência do conhecimento, daquilo que você aprendeu...Parece que eles vêm pra escola porque eles precisam de um diploma do Ensino Médio para permanecer no emprego e o conhecimento fica de lado...

(Dalva)

A professora Dalva, com 35 anos de idade, exerce a atividade docente a dez anos, dos quais sete deles como professora efetiva na escola aqui investigada. Indagada sobre seu contentamento em relação à sua profissão, ela se diz descontente.

Segundo a professora, os alunos não reconhecem na escola a importância doconhecimento:

Eles já foram acostumados... estão vindo acostumados a passar de ano sem muito esforço, então já é uma cultura na cabeça deles.

Certamente, ela está se referindo ao regime de progressão continuada, e acrescenta que na cabeça dos alunos parece refletir a seguinte conclusão: Eu não preciso fazer nada... pra que vou estudar?

Em sua opinião, este tipo de comportamento traz reflexos na freqüência dos alunos, pois eles começam a faltar porque não têm estímulo para aprender.

Para ela, qualquer atividade solicitada ao aluno é imediatamente procedida pela questão: “Quanto vale?” Portanto, o que conta para ele é somente a nota, e não percebe que ela é conseqüência de um processo de aprendizagem. Ela afirma que eles serão cobrados pela vida, que embora na escola eles achem que não possam ser cobrados, esta não é a realidade.

É neste contexto que Dalva diz se sentir impotente, sensação esta compartilhada pela maioria de seus colegas de profissão: É o que nos tiram e o que nos obrigam a fazer que está dificultando cada vez mais esse processo.

Ao se referir exclusivamente aos alunos que cursam o período noturno, Dalva afirma não ter um número excessivo de alunos em sala de aula, até porque ela tem a impressão de que eles fazem um esquema de rodízio, ou seja, parece que um número acentuado de alunos falta num determinado dia e no outro, são os demais que resolvem faltar.

Esta conduta, para ela, implica no desenvolver de sua prática educativa, já que não consegue abordar um mesmo assunto com todos de uma única só vez. Ela acredita que eles faltem muito por causa do trabalho, conseqüentemente, do cansaço, mas não dá para descartar a hipótese de que a segurança de aprovação os faça direcionarem por este caminho.

Dalva afirma que ao final do ano letivo esta constatação parece real, por isso os alunos se apegam a ela com tanta convicção. Poucos casos acabam realmente sendo retidos, e na maioria das vezes, porque extrapolou o número de faltas permitido, e é comum vê-los retornar no ano seguinte. Mas, reinicia-se o ciclo: ausências, cansaço, expectativa de aprovação...

Para a professora, é comum o aluno ter esse tipo de comportamento e nunca procurar os responsáveis para justificar suas faltas, salvo ausências médicas. Ela costuma notificar o excesso de faltas desses jovens nos Conselhos de Classe e Série (bimestrais), mas, segundo ela as palavras são soltas ao vento, o vento leva... talvez alguma atividade possa ser tomada em relação aos alunos menores, mas em relação aos maiores, eu não percebo nada, não.

Ao ser questionada sobre as ausências que incidem em menores períodos de tempo, como 15 dias, por exemplo, a professora justifica:

Eu só tenho duas aulas por semana e as duas no mesmo dia, então se o aluno tem duas faltas e dois dias de faltas comigo, então ele já tem os 15 dias né? Fica muito difícil de acompanhar isso...

Quanto a acompanhar o processo de avaliação e o rendimento escolar desse jovem, Dalva pontua que:

É muito difícil porque os alunos que estão presentes também não estão com um bom rendimento, é difícil você mudar a cabeça deles, principalmente na 1ª série, que eles estão vindo da 8ª série, e estão acostumados a passar de um ano pra outro sem ficar retido em nenhuma série. Acho que esta questão da retenção não é uma questão de castigo pro aluno, embora muitos pensem que seja, eu acho que é o momento do aluno se auto-avaliar: “se eu não fui bem neste bimestre tenho de me esforçar pra recuperar no próximo.”

Além do que, ela relata as baixas condições de trabalho, quando afirma

que eu tenho 16 salas e, se já é difícil guardar o nome do aluno, que dirá associar o

aluno à dificuldade que ele tem e poder trabalhar essa situação individualmente, é mesmo impossível.

Ela diz ser comum presenciar o retorno de um mesmo aluno diversas vezes na mesma série e não entende esse procedimento:

Às vezes, eu me pergunto isso e não consigo achar a resposta, porque se ele saiu daqui, foi pra outra escola, por que voltou? Também eu não consigo entender o porquê. Talvez por causa dos amigos, porque a escola é um ponto de encontro.

Quanto à convivência desses alunos com outros mais jovens e ao processo de ensino e aprendizagem, Dalva diz que seria de se esperar que fizesse alguma diferença, mas não é o que parece, porque, segundo ela, eles são imaturos. Há raríssimos casos de alunos que têm objetivos e nestes casos, eles entram em conflito com os demais e acabam, geralmente, desistindo.

Questionada sobre alguma proposta de readaptação que atenda a esses jovens, especificamente, ela diz desconhecer, seja nesta escola ou em qualquer outra que tenha lecionado anteriormente. Até porque ela acredita que

existam outras escolas do Estado, como o EJA (Escola de Jovens e Adultos), que atendem a essa clientela que se encontra fora da idade e série:

Não seria uma opção viável para eles? [...] Lá o professor tem que ir devagar porque o aluno parou de estudar a muito tempo... é claro que você não consegue passar tudo que seria viável para seus alunos, porque se em 1 ano não dá, imagina em um semestre...

Benzer Belgeler