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Tema III: Kurumsal Kapasite

BÖLÜM IV: STRATEJİK AMAÇ HEDEF VE EYLEMLER

4.3. Tema III: Kurumsal Kapasite

Esta seção objetiva complementar a discussão sobre a teoria da atividade, apresentando o ciclo expansivo de aprendizagem, um instrumento que permite ao pesquisador, que usa a teoria da atividade como fundamentação teórica e como base de análise, observar e investigar a atividade como um sistema em movimento, sendo considerado como um instrumento metodológico e de análise. Como tal, ele é utilizado na pesquisa de trabalho desenvolvimental, tipo de pesquisa que se associa à teoria da atividade, a qual será, também, discutida nesta seção.

Como já mencionado anteriormente, com a projeção internacional da teoria da atividade, ampliaram-se as discussões a respeito dessa abordagem, o que levou Engeström a sistematizar o movimento observado nos sistemas, provocado pelas contradições e conflitos, criando assim o ciclo expansivo de aprendizagem. Segundo Engeström (1999), o ciclo expansivo é uma contínua construção e resolução de tensões e contradições em um sistema de atividade que envolve objeto, ferramentas mediadoras e as perspectivas dos participantes envolvidos. Nele há uma preocupação com o levantamento das raízes históricas da atividade, iniciando-se com um questionamento da prática e com a constatação das contradições. Esse ciclo revela a dimensão da atividade, como algo que está em constante movimento e que é coletiva.

Além de revelar o constante movimento e a historicidade no sistema, o ciclo expansivo tem importância crucial para o entendimento dos processos

de internalização e externalização no sistema de atividade. Steiner (2000) enfatiza a tensão entre internalização e externalização, tensão essa que contribui para a construção do novo. A internalização promove sistematização e reorganização para uns, conflito para outros, fazendo com que o conhecimento seja construído, reconstruído e transformado, o que Steiner chama de síntese dialético-criativa. Cada um internaliza o conhecimento de uma forma diferente, processando-o e transformando-o com base na sua realidade e sócio-história. A externalização, por sua vez, está ligada à capacidade criativa do ser humano e é devida, principalmente, ao uso que ele faz dos instrumentos. Ambos os processos estão ligados à reprodução e transformação da cultura.

Engeström (1999) confirma, então, que um sistema de atividade é uma formação de múltiplas vozes e que o ciclo expansivo é uma re- orquestração dessas vozes, de diferentes pontos de vista e abordagens dos participantes. Esse ciclo é composto por diversas etapas, iniciando- se com:

• questionamento sobre a prática devido a possíveis contradições, tensões e conflitos;

• análise da situação, buscando as raízes históricas e empíricas;

• modelo da nova estrutura da atividade que oferece soluções para as contradições encontradas na primeira etapa;

• exame da nova estrutura, experimentando-a, afim de observar e aprender suas limitações, potencial e dinâmica;

• implementação da nova estrutura, com aplicação prática, melhorias e expansão conceitual;

• reflexão e avaliação do processo; • consolidação da nova prática.

O desenho abaixo sistematiza as etapas do ciclo expansivo de aprendizagem

Figura 5 – Ciclo expansivo de aprendizagem

Neste trabalho, o ciclo expansivo de aprendizagem foi importante na medida em que me possibilitou entender o movimento e transformação dos sistemas de atividade analisados, no caso as sessões reflexivas. Compreendo que essas etapas fazem parte de investigações que objetivam intervenção e transformação. Entretanto o ciclo expansivo inova por enfatizar a historicidade no sistema e por propiciar um olhar mais dirigido aos elementos (sujeito, objeto, regras, instrumentos, divisão de trabalho, comunidade), as relações entre eles

Questionar

* Então Ju, como foi atividade? O que você sentiu da sala?

* E como você fez?

* E aí, depois da leitura você propôs o que?

* Sentiu dificuldade em realizar atividade?

* Qual foi o ponto alto daatividade?

Consolidar

Analisar

Então, Ju, o que eu tinha pensado pra gente estar fazendo é trabalhar comtexto.

Modelar

Do D, Então, poderíamos trabalhar primeiro com um texto maior que tenham palavras com D, aí desse texto a gente tira uma frase principal e que tenha palavras com D e, depois a gente vai para a palavra com o D, depois para as sílabas –família silábica e depois pra letra.

Examinar Implementar

Passei o texto na lousa, li duas vezes primeiro, depois eu lia e eles repetiam, perguntei se algum deles queria ler, todos levantaram as mãos!

Refletir

Acho que é a leitura mesmo, eu lendo, eles lendo, eles querendo ler, se envolvendo na atividade, toda hora eles queriam ler, levantavam a mãozinha. Mesmo não sabendo, lógico que eles não sabem, só de estar olhando e repetindo, acho que isso foi o melhor!

e as possíveis contradições e conflitos que podem ocorrer ou que já estão instaladas no sistema.

O tipo de pesquisa que faz uso desse instrumento metodológico, conforme já apontado anteriormente, é a pesquisa de trabalho desenvolvimental, que objetiva investigar contextos sociais diversos, os quais estão em constante transformação. Ela começou a ser estudada por Engeström, na segunda metade dos anos 90. É multidisciplinar e utiliza-se dos conceitos vygotskianos no quadro da teoria da atividade e acrescenta à pesquisa etnográfica algumas outras características como a historicidade, a intervenção, observação e possível transformação dos sistemas de atividade. A sociedade é vista muito mais como uma rede de sistemas de atividade interligados e menos como uma pirâmide de estruturas fixas.

O pesquisador tem a possibilidade de entender o ambiente e as relações no trabalho, na escola e em outros contextos, levando em consideração as contradições, a historicidade e a natureza coletiva dessas relações. Além disso, pode interferir no sistema de atividade, propondo novos modelos de ação e fornecendo novos instrumentos para os participantes, permitindo, dessa forma, a expansão e transformação do sistema.

No formato desta dissertação não foi utilizado o modelo da “pesquisa de trabalho desenvolvimental”. Quando tomei conhecimento dele, minha pesquisa já estava em andamento, com a coleta de dados já finalizada. Entretanto, julgo necessário destacar sua relevância e a contribuição dada ao desenvolvimento do meu trabalho, tanto para a fase de seleção e organização da fundamentação teórica, com ênfase na historicidade, quanto para a adoção das perspectivas da multiplicidade de vozes e do uso de instrumentos mediadores, bem como, ainda, para a organização dos dados e o encaminhamento da análise.

Depois de ter apresentado a teoria da atividade, com sua definição, histórico e implicações metodológicas, passo a discutir a questão da constituição do sujeito, o que me possibilitará compreender a posição dos sujeitos participantes da minha pesquisa no sistema de atividade, naquilo que trazem para o sistema, de onde vêm e como são constituídos.

Benzer Belgeler