Essa questão do "plebiscito", lembra um outro, famoso, que ocorreu na Itália há vários anos sobre o divórcio. Na época, por influência da Igreja, formularam a pergunta tendenciosamente, de modo, digamos, "PASTORAL", para que, quem fosse FAVORÁVEL ao divórcio, respondesse "não". Algo assim como> "Você é contra a proibição do divórcio?" O italiano não se deixou engabelar e votou
"não", que era um "sim" ao divórcio... Parecido com o que aconteceu no Brasil... Resultado: depois dessa, nunca mais houve "plebiscito" na Itália...
No Brasil, como disse, está parecido. Formularam uma pergunta patética, tendenciosa, ilusionista, de tom "professoral" (como se precisássemos de "lições" para sabermos o que queremos), e lançaram mão de artistas em postura triunfalista de "bonzinhos" numa campanha de "sim" com ares de "tragicomédia-bufa", própria de novela "global". Notaram que a Globo lançou uma novela - "Bang- Bang" - exatamente no momento do plebiscito?
Acontece que a população já notou que artista é para DIVERTIR e não para DECIDIR. (O Chico Buarque que o diga...)
Com o fracasso da campanha "artística", entrou em cena a turminha do "professoral" que, através de estatísticas manipuladas e interpretações legais fantasiosas, assumiu com ares "didáticos", a pretensão de "ensinar" o que seria "melhor" para o país.
Entretanto, todo mundo sabe que a maioria dos crimes de sangue é por arma-branca... E que a atual lei do desarmamento não precisa de prévias interpretações doutrinárias, pois é suficientemente clara para ser feita cumprir, porém que próprio governo que aí está, não tem capacidade para cumprir. É aí onde está o "nó-cego".
O poder público brasileiro que já não é capaz de desarmar bandido nem evitar assalto à luz do dia em via pública e até em delegacia de polícia, muito menos será capaz de garantir um mínimo de segurança ao cidadão, com ou sem "desarmamento". O povão, que às vezes pode até ser iludido, porém NÃO É BURRO, capturou esse fato.
Daí que, na cabeça do povão, pelo sim, pelo não, salve-se quem puder, o momento não é de proibir nada, e cresceu a tendência do "não".
E aí vem a pergunta: qual o interesse subjacente?
É claro que o atual "mandarinato", depois de usar as mazelas do Judiciário para enfraquecê-lo (e não consertá-lo, pois não lhe interessa um Judiciário consertado, e sim subordinado), depois de tentar desmoralizar o Ministério Público (pois não lhe interessa um MP independente, e sim "amarrado"), e depois de fracassar nas tentativas de amordaçar a Imprensa (pois só admite a "imprensa-engajada" a seu favor), além de estar totalmente desmoralizado pela corrupção desenfreada (que prometia acabar...), tentou agora por todos os meios se recuperar e investiu numa "introdução" à "democracia direta" via plebiscito, como nova faceta messiânica de "salvação" da pátria... Primeiro, um plebiscito sobre desarmamento. Depois, virão outros, sobre "temas" mais "quentes"... Por isso, mais do que nunca, É PRECISO TER CUIDADO COM ESSES ILUSINISTAS!
Por isso, como já disse na mensagem abaixo, o que está, verdadeiramente, em jogo não é o direito de ter arma, nem de comprá-la, nem de portá-la. O que está em jogo é algo muito mais profundo do que um direito individual, e por isso, muito mais PERIGOSO.
O que está em jogo é a própria essência da liberdade democrática posta em questão através da banalização desse plebiscito como um arremedo rasteiro de uma falsa "introdução" à "democracia direta". Armadilha peculiar dos governos e partidos que têm pretensão hegemônica, via democracia disfarçada com ilusão de liberdade, expressa através de um MANIQUEÍSMO que não deixa outra opção afora "sim" ou "não"...
Entretanto, mais do que nunca é preciso prestar atenção à relatividade das coisas, dos conceitos, das decisões, dos processos políticos, das ideologias. E das "didáticas" "professorais"... Chavões e frasismos à parte, porém Shakespeare já dizia que "Há mais coisas entre o céu e a terra do que pensa a nossa vã filosofia"... (E Shakespeare não era um simples "frasista"...)
Nessa perspectiva concreta, o artigo da lei que está em objeto, não passa de mero amontoado de palavras vãs...
Note-se que nenhum jurista de renome a nível nacional sequer se deu ao trabalho de comentar. O que diz o Jobim é mero jogo de palavras como trampolim para retornar à política, usando o STF. E o Dallari apenas emitiu opinião pessoal (por sinal, pelo NÃO, pois é um homem que vê além do próprio umbigo "professoral", e não se deixa ficar apenas em ambientes academicistas...
Mesmo porque todo o arcabouço legal, que vem de muitas décadas, e ao qual se adicionou, apenas linearmente, essa lei atual (que em rigor era desnecessária), já é mais do que suficiente como base legal para pôr a polícia nas ruas e restringir o comércio, posse e uso de armas...
Cumpra-se a lei, (a nova ou as anteriores), e ninguém poderá portar arma em trânsito, em cinemas, teatros, ou outros locais públicos. As leis que tratam da matéria SEMPRE foram assim...
Entretanto, o fato lamentável é que o poder público brasileiro, inteiramente falido e corroído pela corrupção generalizada, não é capaz sequer de fazer cumprir as restrições de porte e uso existentes HÁ VÁRIOS ANOS, quanto mais de desarticular o tráfico de armas, ou mesmo, desarmar um reles bandido de semáforo... Claro! Pois o verdadeiro objetivo não é esse...
E ninquém esqueça que, na Alemanha, quando o Pres. Hindenburg morreu, Adolf Hitler, que era o Chanceler, "consultou" o povo alemão através de um plebiscito tipo "sim" ou "não", se concordava com que acumulasse PROVISORIAMENTE o cargo de Presidente... Ganhou. Assumiu o controle total do Estado (pois era esse o seu verdadeiro objetivo). O que era "provisório" virou definitivo (feito a CPMF). As "SS" assumiram o "patrulhamento ideológico". Consolidou o nazismo. Desarmou a população. E o resultado foi o que todos nós sabemos...
Enfim, o "NÃO" ganhou. O Povo, que NÃO É BURRO (diferente do que pensa o governo e o PT), soube preservar uma cláusula pétrea da Constituição. É o bastante. Por enquanto. Que o atual "mandarinato" que se aboletou em Brasília, aprenda a lição. Isso é o mais difícil...
Profeta
(RJ)
24/10/2005 - 12:24 PM
(anexo III.3, pp. 187-189, linhas 619-700)
A presença de um vasto número de participantes contribui para o surgimento de diferentes ações discursivas durante o processo interacional. Em sua maioria, tais ações representam digressões ao tópico proposto, uma vez que se desvirtuam do tema e das perguntas sugeridas pelo fórum: desarmar a sociedade reduziria a violência? e você acha que
o desarmamento é uma boa solução? A atitude digressiva pode ser observada quando alguns
internautas dirigem ataques pessoais a outros, fazem piadas, criticam o governo e os políticos, aproveitam o espaço para desabafar, conforme atestam os exemplos:
Ataques pessoais
Andreia,tsk tsk tsk
Tenho lido os comentários trash dessas garota...sim,só pode ser garota! UMA PESSOA MADURA JAMAIS DIRIA TANTAS ASNEIRAS. (grifo nosso)
(anexo III.3, p. 185, linhas 512-514)
PARA A CONSUELO (menininha)
Acho que a "cabecinha oca" do forum é voce que deve ser mais uma "antiarmas" seviciada pelas "pombas da paz" quando repete as mesmas idiotices que seus protagonistas escrevem. (grifo nosso)
(anexo III.3, p. 176, linhas 36-38)
PARA OS ANTIARMAS E A DANI
Esta tal de Dani é mais uma caricata ou inocente util, ou uma beócia desocupada, ativista "inteligent" do sim com o cerebro lavado pelo sim. Ela mistura tudo, no mesmo caldo, que nem um leigo em culinaria que mistura muda de urtiga com propolis em caldo de feijão. É uma coitada de dar medo. (grifo nosso)
Percebemos, pelas expressões em negrito (uma pessoa madura jamais diria tantas asneiras, “cabecinha oca”, “antiarmas” seviciada, caricata, inocente útil, beócia desocupada, coitada), que os participantes agridem-se verbalmente. Tal atitude desvirtua-se do propósito da discussão e parece ocorrer em virtude do forte envolvimento emocional dos participantes.
Uso da piada e da ironia
Espero realmente que não tenha q passar pela experiência de ter uma arma apontada para vocÊ,como já passei.E digo,quem ficaria com a matraca bem fechada seria você!Aliás,talvez desse um tiro com sua 38, Laura Croft. (grifo nosso).
(anexo III.3, p. 179, linhas 172-174)
Lamento dizer: bandido não tem nada a perder,minha filha!Bandido atira mesmo sabendo que pode morrer! Você não só pode ser mais uma vítima como contribuir para o aumento da violência.
PARABÉNS ...V CONSEGUIU!!!Já comprou uma escopeta hoje?????????? (grifo nosso). (anexo III.3, p. 185, linhas 523-526)
Quando seu filho morrer. Quando voce for vítima não adianta chorar. Parabéns!!!
Viva ao sangue!! Viva a dor! Viva as lagrimas!!! Choremos pobre povo!!! Choremos as vossas mortes!!! Parabéns pístoleiros!!! (grifo nosso) (anexo III.3, p. 189, linhas 702-710)
As expressões em negrito demonstram que os internautas se valem da ironia para ridicularizarem uns aos outros. Constatamos que, ao invés de discutirem sobre o estatuto e plebiscito do desarmamento, alguns participantes procuram atacar a imagem daqueles que defendem um posicionamento contrário ao seu por meio do uso da piada e da ironia.
Crítica ao governo e aos políticos
Para que CPI (Comissão Parlamentar da Impunidade) pois, quando se prova as falcatruas, os políticos saem como "SIVIRINO CHI CHIC" com uma polpuda aposentadoria -votada por eles mesmos?.
(anexo III.3, p. 181, linhas 312-313)
Por constituir-se como um ambiente de baixa moderação, o fórum eletrônico permite a qualquer internauta contribuir como quiser com a discussão. Assim, muitos se servem do
espaço para criticar os políticos e o governo brasileiro. Nesse exemplo, o locutor condena as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), ridicularizadas por ele como Comissão Parlamentar da Impunidade, além de criticar o episódio da renúncia do deputado federal e ex- presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (“SIVIRINO CHI CHIC”), envolvido em escândalo de corrupção.
Outros exemplos:
Fernando Henrique Cardoso FHC