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Televizyonun Kullanılması ve İlk Video Sanatı Örnekleri

Y. Ö.K DÖKÜMANTASYON MERKEZİ TEZ VERİ FORMU

1.3. Televizyonun Kullanılması ve İlk Video Sanatı Örnekleri

Com a desorganização da FEB e o despreparo dos soldados brasileiros para enfrentar as intempéries do inverno italiano e o temível soldado alemão, as vidas dos nossos combatentes estavam na mão do Estado-Maior da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (DIE). No entanto, os depoimentos dos veteranos a respeito de seus comandantes revelam os mais diversos sentimentos, há aqueles que são respeitados e admirados, como o Comandante da Artilharia o general Cordeiro de Farias, que é lembrado como um homem simpático e delicado ao lidar com a tropa, e o Comandante da FEB o general de Divisão João Batista Mascarenhas de Moraes que, mesmo pouco afeito a manifestações de apreços aos subordinados, com espírito de rabugento e autoritário, manteve entre os soldados o respeito pela sua liderança. Por outro lado, já há aqueles que são depreciados e odiados pelos febianos, devido aos maus tratos com a tropa e as imprudências de comando durante os combates. É o caso do general Euclides Zenóbio da Costa, Comandante da Infantaria, apontado por vários ex-combatentes como o responsável por todos os males que afligiram os soldados brasileiros durante a sua participação na Segunda Guerra Mundial.

119 LAYN, Silvano apud. MAXIMIANO (2004), Op. cit., p.227-228. 120 RAMOS (1949), Op. cit., p.246.

De acordo com Maximiano, Zenóbio da Costa era um oficial rígido, de trato difícil, não deixava escapulir a chance de esculhambar um soldado ou a tropa inteira, chegando a até chamar um capitão de “negro covarde”. Pesava ainda sobre a sua pessoa a acusação de transferir o comando de operações para subordinados quando estas sinalizavam um fracasso iminente. Nas operações de conquista de Monte Castelo, Zenóbio da Costa insistiu em atacar frontalmente a elevação por duas vezes, em novembro e dezembro de 1944, toda guarnecida lá em cima por alemães bem armados. São por estas e outras teimosias do general que os veteranos da FEB nutrem um grande rancor contra o seu comandante, culpando-o pela morte de companheiros.121

O próprio relacionamento conflituoso do general com outros oficiais do Estado- Maior da FEB é uma das marcas da passagem deste corpo expedicionário pela Itália. Entre Zenóbio e Mascarenhas reinava uma enorme discórdia desde a preparação do envio das tropas para a Europa, como mencionado anteriormente. Isto viria a causar no front uma desarmonia no grupo e produzir significativos ressentimentos.

O entrave entre estes dois generais não era fruto apenas de suas distintas formações. Mascarenhas viera da artilharia e, portanto, como comandante da 1ª Divisão Expedicionária estava mais próximo do general-de-brigada Osvaldo Cordeiro de Farias, comandante da Divisão de Artilharia, do que de Zenóbio da Costa, que chefiava a Divisão de Infantaria. Na verdade, Mascarenhas sofria constantes ataques do Ministro da Guerra, o general Dutra, e sequer podia contar com a ajuda do Chefe do Estado-Maior do Exército o general Góis Monteiro, que era também um de seus severos críticos.

Sobre como Mascarenhas era tratado pelo Ministério da Guerra, o general Cordeiro de Farias relata que não passava de um efeito da sucessão presidencial. Dutra já estava de olho na presidência. Desta forma, Dutra e Góis Monteiro temiam que a vitória da FEB na Itália fizesse de Mascarenhas um candidato em potencial para suceder Getúlio Vargas. Idéia que, segundo Cordeiro de Farias, não passava pela cabeça do comandante da FEB.

Entretanto, a política do ministério era dura contra Mascarenhas. Até proibido ele foi de promover, no campo de batalha, os soldados que se destacavam. Ou seja, tiraram do comandante das tropas uma de suas principais atribuições no front. Assim, todas as propostas deveriam ser encaminhadas ao Ministério da Guerra, no Rio de Janeiro, que se arrastavam em um processo burocrático durante dois ou três meses. Em geral, os pedidos eram atendidos,

121 Para mais informações sobre o descontentamento e rancor dos expedicionários contra os seus comandantes

mas quando as decisões chegavam à Itália já era tarde, não eram mais úteis no trabalho psicológico com os combatentes.122

Já nos últimos meses de 1944, quando a FEB sofreu derrotas seguidas diante do Monte Castelo, segundo Cordeiro de Farias, o que se arquitetava no Ministério da Guerra, no Brasil, era que Mascarenhas seria destituído do comando da FEB, sendo indicado para uma função meramente burocrática e simbólica dentro das Forças Armadas brasileiras, enquanto o comando efetivo das operações seria transferido ao general Zenóbio da Costa, responsável direto pelos sucessos iniciais da campanha brasileira na Itália. Afinal, Zenóbio gozava de maior confiança nos círculos militares no país, inclusive do general Dutra.

Mas os ressentimentos internos da FEB não eram exclusivos dos altos escalões, outros oficiais dentro da hierarquia também protagonizariam conflitos e divergências na arte de comandar. Em um destes episódios, uma amizade de infância iria ser interrompida. Como nos relata Lira Neto, após uma das operações fracassadas da FEB ao Monte Castelo, o coronel Floriano de Lima Brayner, Chefe do Estado-Maior de Mascarenhas, adiantando-se à plenária da FEB, convocou os tenentes-coronéis Amaury Kruel e Humberto de Alencar Castello Branco para uma prévia em seu escritório. Kruel e Castello Branco se conheciam desde o Colégio Militar e tinham sido da mesma turma na Escola Militar de Realengo.

O que o coronel Brayner queria saber do chefe da Seção de Informações era em que dados se baseara para avaliar tão mau reação da força inimiga ao ataque. Amaury Kruel respondeu que a estimativa não tinha sido feita por ele, mas sim pela chefia da Seção de Operações, ou seja, por Castello. Naquele momento, a amizade entre os dois tenentes- coronéis ruíra. Os dois começaram a trocar olhares pesados e acusações. No final, o coronel Brayner, diante do depoimento taxativo de Kruel, atribuiu a Castello toda a responsabilidade pelo insucesso da operação.

E na reunião principal da FEB, mais tarde, não seria diferente. Compareceram à reunião o general Mascarenhas, os chefes de serviços e todos os comandantes de regimento e mais uma vez a seção coordenada por Castello foi responsabilizada pelo fracasso. Para os presentes havia se cometido um erro primário: partira da Seção de Operações a informação equivocada de que, durante o calor da batalha, algumas posições estratégicas já haviam sido devidamente tomadas das mãos do inimigo, o que provocou um imediato cessar-fogo da artilharia, no entanto, tais pontos ainda estavam dominados pelos alemães que, desse modo, ficaram à vontade para contra-atacar. Como se vê, ao final da plenária, pesava sob os ombros

de Castello Branco a responsabilidade por quase 150 baixas entre os soldados brasileiros, aponta Lira Neto.123

Sobre este episódio, ainda no front, Castello Branco interpretou-o como uma aliança de Kruel e Brayner, que “inativo, indeciso, nunca dando solução a nada”, preferiu atacá-lo pessoalmente devido ter conquistado a confiança dos generais, inclusive dos americanos. Em uma carta à sua esposa em 17 de maio de 1945, confessou-lhe o tom da discórdia: “Resolveu [o coronel Brayner], então, fazer guerra à minha pessoa. Guerra surda, impiedosa, visando até aniquilar-me. Todos os fracassos atribuía a mim, todos os sucessos a outrem”; no entanto, o maior pesar de Castello Branco de toda esta história era Kruel, o único! — exclamaria o tenente-coronel — a auxiliar Brayner na campanha para a sua difamação. “Fiz tudo para fazê- lo sair da sua atitude inamistosa, ao lado de Brayner. Foi em vão [...]. Perdeu a cabeça e coração [...]. Eis aí um dos maiores desapontamentos de minha vida. Como se fora um irmão”, desabafou em correspondência do front Castello Branco.124

Segundo Lira Neto, Mascarenhas assumiu junto aos norte-americanos toda a responsabilidade pelo que ocorrera durante os ataques a Monte Castelo e chegou a confidenciar ao general Cordeiro de Farias sua disposição em renunciar ao comando da FEB. Na época, havia rumores de que tanto a cabeça de Mascarenhas quanto a de Castello Branco estavam a prêmio no Ministério da Guerra. No entanto, Cordeiro conseguiu dissuadi-lo de tal idéia e aconselhou Mascarenhas a centralizar ainda mais o comando. Assim, ao contrário do que se esperava, Mascarenhas esqueceu a idéia de renúncia e, para espanto e indignação da dupla Kruel e Brayner, o general passou a receber Castello Branco em audiências reservadas, transformando o chefe da Seção de Operações em seu braço direito e, principalmente, em seu conselheiro. Mas o que deixaria ainda mais irritado Kruel, conforme relata o autor, foi a descoberta de que, três dias após o fracassado ataque a Monte Castelo, a Seção de Operações passara novamente por cima da alçada da Seção de Informações enviando para o Brasil uma mensagem afirmando que não havia nada de novo no front e que tudo ocorria sob a mais perfeita ordem. Já Brayner, ao viajar ao Brasil em missão oficial, era substituído por Castello Branco, nomeado chefe interino do Estado-Maior da FEB, por indicação de Mascarenhas.

Assim, segundo nos conta o autor, Castello Branco teria ficado encarregado de apresentar ao general Mascarenhas o planejamento para a quinta ofensiva contra Monte

123 NETO, Lira. Castello: a marcha para a ditadura. São Paulo: Contexto, 2004, p.126.

124 BRANCO, Humberto de Alencar Castello. apud. COSTA, Octavio. Pequena memória de um grande

homem: como vi Castello Branco ao longo de minha vida. In: MATTOS, Carlos de Meira (coord.). Castello

Castelo. Desta vez, nada poderia dar errado, qualquer falha colocaria as cabeças de ambos em uma bandeja aos adversários. Na manhã de 13 de fevereiro de 1945, Castello demonstrara os seus planos aos seus superiores: tratava-se de uma ação que previa um ataque pela frente e outro pela esquerda do monte, ao contrário das anteriores resumidas a combates frontais; além disto, era prevista uma ação diversionária à direita, no intuito de confundir e dividir a atenção das tropas alemãs. Nesta ocasião, Cordeiro e Zenóbio concordaram na íntegra com os planos de Castello. Já Brayner, não levantou nenhuma objeção. O general Mascarenhas ficou visualmente entusiasmado com o trabalho realizado por Castello e deu a aprovação final. O início da ofensiva ao Monte Castelo se deu em 21 de fevereiro de 1945, e agora a FEB contaria com todo o seu pessoal e o reforço da 10ª Divisão de Montanha norte- americana, convocada para neutralizar as elevações vizinhas, Monte Belvedere e Monte Gorgolesco.

A investida foi um sucesso de estratégia militar e dois mitos da FEB começavam a ganhar contornos: o primeiro, o Monte Castelo, que representava uma “vitória moral” dos expedicionários depois de quatro tentativas frustradas e inúmeras baixas; e, segundo, o tenente-coronel Castello Branco que ainda desempenharia importantes funções de comando em novas conquistas da FEB.

Assim, mesmo após a queda de Monte Castelo, as hostilidades mútuas entre Brayner e Castello prosseguiram. Segundo Lira Neto, o coronel Brayner procurava amenizar o papel de Castello no triunfo, preferindo atribuir os méritos da conquista ao planejamento geral imposto às tropas brasileiras pelo IV Corpo de Exército norte-americano, alegando que a FEB nunca havia participado de operações que exigissem de seus oficiais altos conhecimentos estratégicos. Já Castello e Amaury Kruel romperiam relação por mais de vinte anos, voltando a se falar apenas às vésperas do golpe de 1964, quando retornariam a marchar do mesmo lado. Mesmo depois da nova vitória da FEB, em 5 de março de 1945, em Castelnuovo, a nordeste de Monte Castelo, arquitetada por Castello Branco, Kruel e Brayner manteriam sua opinião a respeito do tenente-coronel. Por esta ação, Castello Branco seria condecorado por bravura com a Cruz de Guerra de Primeira Classe, a única medalha do gênero outorgada na II Guerra a um membro do Estado-Maior da FEB. Ao final da guerra, Mascarenhas decide nomeá-lo chefe efetivo do Estado-Maior da FEB, substituindo definitivamente Brayner, que era deslocado para a coordenação do recém-criado Destacamento Precursor, encarregado dos preparativos do retorno dos pracinhas ao Brasil.

Ainda sobre o prestígio conquistado por Castello Branco na Segunda Guerra Mundial, o general Cordeiro de Farias é contundente ao afirmar que a FEB não teve um Estado-Maior durante toda a campanha na Itália, quando este foi chefiado pelo coronel Brayner, portanto, coube a Castello Branco tirar o melhor proveito da situação, sendo ele um grande estrategista: “Sabia perfeitamente que não havia outro caminho senão aquele. Ele teve um desempenho notável. Chegou a exercer funções além de seu cargo específico, ligadas à chefia do Estado- Maior, porque Brayner se apagou por falta de espírito de decisão.”125

Quando voltou ao Brasil, depois da guerra, Castello Branco não apoiou o golpe para destituir do poder o ditador Getúlio Vargas, no entanto, sentia um certo alívio diante do fracasso da manobra comunista de se aproximar do poder. O Partido Comunista Brasileiro, comandado por Luís Carlos Prestes, apoiava a “Constituinte com Getúlio” e o movimento do queremismo. Mesmo durante o governo de Dutra que colocou o PCB na ilegalidade, rompeu relações diplomáticas com a URSS e cassou os mandatos dos parlamentares comunistas (destaque-se, entre os cassados o próprio Prestes), Castello Branco continuava a enxergar a ameaça vermelha por todos os lados. Por ironia, ele acompanhava o avanço comunista na diretoria da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, uma de suas maiores preocupações. Diante desta situação, Castello tentou fundar uma instituição paralela em 1946, mas foi convencido de que isto apenas dividiria uma instituição que ainda tinha vários problemas para se constituir como defensora dos interesses dos ex-combatentes. Este sentimento anticomunista de Castello Branco ainda ganharia novos contornos anos mais tarde, escrevendo páginas tristes de nossa história: o golpe de 1964 e a conseqüente repressão dos militares.

Benzer Belgeler