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1.3. Televizyon ve Gerçeklik

1.3.2. Televizyonda Gerçekliğin Kurulması

Este trabalho com o título “Desenvolvimento territorial e a Política Nacional de Águas em Moçambique: o caso do distrito de Chibuto”, no qual se analisou a concepção de desenvolvimento contido no discurso oficial do Estado, contrapondo com a ideia de desenvolvimento humano, e a influência da escassez de água potável no desenvolvimento territorial no distrito de Chibuto, assim como os reflexos da normatização estabelecida pelo estado através da Lei de Águas.

Assim sendo, constatou-se que o modelo de desenvolvimento vigente está mais focado na dimensão econômica e privilegia o crescimento das forças produtivas capitalistas. Esse modelo acaba sendo sustentado pelo pacto social e da apropriação do aparato estatal pelos agentes hegemônicos. O Estado passa assim a ter como papel principal a normatização, feita a partir de elaboração de normas e leis, formuladas e usadas pelas diferentes instituições que o compõe.

Para tanto, foi necessário compreender o conceito de Território, Políticas Públicas e o de Desenvolvimento, que é de onde se emanam a maior parte das normas e leis que normatizam o uso do território. Na abordagem feita do conceito Território, ficou patente os três elementos a serem considerados na análise territorial: a política, a cultural e a economia.

Quanto às políticas públicas, adotou-se a concepção de que estas são um conjunto de ações e decisões, voltadas para solução ou não de problemas de uma sociedade, ou ainda, são planos, com metas traçadas para alcançar o bem estar de uma sociedade (desenvolvimento) e acomodar os interesses públicos. Ficou também patente que o desenvolvimento deve ser encarado como um processo complexo de mudanças e transformações de ordem econômica, política e, principalmente, humana e social.

Quando analisadas as políticas públicas vigentes em Moçambique, olhando a finalidade das mesmas, percebe-se que visam estimular o desenvolvimento, mas o conceito de desenvolvimento contido nelas ressalta a concepção neoclássica onde a base econômica é o elemento principal, estimulando deste modo o crescimento econômico

154 em detrimento do verdadeiro desenvolvimento que envolveria as transformações sociais.

É necessário que as políticas públicas passem a ser elaboradas com base na concepção de sustentabilidade e a partir da escala humana, devendo para tal ocorrer mudanças de posturas tanto dos detentores do poder, assim como da própria sociedade.

A área de estudo compreende toda a área urbana, semiurbana e rural do distrito de Chibuto, e o que se constatou foi que cada uma destas áreas tem uma forma caraterística de uso e ocupação da terra. A economia do distrito é dependente em grande medida da atividade agrícola (essa atividade serve de subsistência a mais de 90% da população do distrito), prova disso é a contribuição desse setor na produção global do distrito, com 62,5% do total.

Os serviços sociais básicos no distrito estão ainda longe do desejado, parte considerável da população continua a não a ter acesso a educação e os que têm acesso, o fazem em condições extremamente difíceis; as pessoas continuam a percorrer grandes distâncias para encontrar uma unidade hospitalar, a eletricidade não chega a todos e a infraestrutura viária e de comunicação são precárias.

Sendo assim, a população do Distrito de Chibuto vive numa situação de extrema pobreza. A pobreza pode ser entendida como uma situação de carência de condições para satisfazer as necessidades básicas, capazes de permitir ao indivíduo ou a sua família recursos para supri-las. Mas é aceitável analisar pobreza por meio de indicadores de renda, saúde, habitação, educação, além da ampliação das liberdades, em especial no que concerne a dimensão política.

Ficou ainda patente que a pobreza ainda continua sendo um fenômeno predominantemente rural em Chibuto e em Moçambique, onde mais de 80% das famílias pobres vivem em áreas rurais. O Distrito está no grupo dos menos pobres da Província e do País, com uma taxa de incidência de 0,51%.

Apesar de todo o esforço, por parte do Governo Moçambicano, em combater ou diminuir os índices de pobreza no país (através do PARPA), o fenômeno ainda é uma realidade no seio das famílias moçambicanas. Eis que alguns autores chamar a atenção para a necessidade de não se olhar para pobreza apenas como uma simples relação

155 estatística, mas sim a expressão de uma situação concreta de pessoas concretas. Os mesmos alertam para a necessidade de prestar atenção às dinâmicas e particularidades locais, de compreendê-las e, a partir desse conhecimento, conceber instrumentos mais adequados ao combate à pobreza.

Na tentativa de ir além das análises utilizadas de desenvolvimento, foi proposto a criação de um índice. Os resultados do Índice Territorial de Desenvolvimento Humano para o distrito de Chibuto, proposto no trabalho, mostrou que, o posto administrativo que ocupa a melhor posição em ordem descendente é o posto administrativo de Godide, seguido do posto administrativo de Malehice e a pior posição pertence ao Chibuto Sede, mesmo este concentrando a maior parte dos serviços e da estrutura produtiva do Distrito.

Esses resultados vêm mostrar que o desenvolvimento deve-se resumir na satisfação das necessidades humanas, devendo ser o pilar principal do novo tipo de desenvolvimento que se pretende, com a finalidade de desencadear, com urgência, ações com vista a superar ou combater a desoladora miséria que sofre a maior parte dos habitantes dos postos administrativos de Chibuto, e de todo o Distrito.

Como afirma Milton Santos (1999), às caraterísticas da sociedade e do espaço geográfico, em um dado momento de sua evolução, estão em relação com um determinado estado de técnicas. É nesse sentido, que olhando para os objetos técnicos que estruturam o território de Chibuto, vemos que a maior parte deles está em desuso, visto que foram instalados na sua maioria no período colonial.

O atual sistema de abastecimento de água foi construído em 1964, para um universo de 6000 habitantes que viviam na área central da cidade de Chibuto. No entanto, hoje a cidade tem mais de 90.000 habitantes e apenas 11% tem acesso a água potável. Mesmo depois de reabilitado e expandido o sistema de abastecimento de água que está sendo levada a cabo ao nível do distrito, a situação estará ainda longe de ser resolvida.

Ficou também assente que mesmo com a existência de uma normativa reguladora (Política Nacional de Águas), na prática não se faz sentir, por isso é palavra unânime da população residente, bem como dos chefes dos postos administrativos

156 entrevistados, que a PNA não se reflete no distrito de Chibuto. Os dados levantados na aplicação de questionário revelaram que mais da metade da população do distrito consume água impropria para satisfação das suas necessidades, chegando mesmo em alguns casos, a usarem os rios existentes para terem acesso a água.

A situação das infraestruturas viárias, a rede de distribuição de energia elétrica e outros objetos técnicos que estruturam o território de Chibuto, são indicativos mais que suficiente da situação de pobreza em que o distrito se encontra mergulhado. As vias de acesso estão numa situação deplorável e as recentes cheias vieram a piorar ainda mais a situação. Os serviços de eletricidade cobrem apenas a cidade de Chibuto e parte dos postos administrativos de Malehice e Tchaimite.

Benzer Belgeler